Poemas de Chuva
É melhor abrir o coração na chuva do amor...
do que abrir o guarda chuva da censura e se molhar na tempestade da violência...
Nem sempre é possível ser sol, mas sempre é possível ser o guarda-chuva nos dias de tempestade de alguém.
Eram quatro estrelas bem juntinhas que assistia da varanda. Observou que, durante longas noites, elas estavam sempre ali... Sentou-se na estante. Pensou que a vida passara veloz demais.
E no final do diário de bordo, ainda entre vírgulas, um agradecimento e uma espera: o próximo verão.
Guarda-chuva em dia de sol guarda toda a chuva que queria, que caísse, que despencasse, que queria muito ver, ter e sentir. Que queria.
De repente escureceu e formou-se tempestade nela, choveu incertezas, mas por sorte o seu guarda-chuva da fé estava aberto.
Eu acho curioso saber que o guarda-chuva não guarda chuvas. E é óbvio que eu não estou falando de proteção, mas de gratidão pela perfeição da chuva.
Chuva, bendita chuva, inusitado encontro agendado, muito regozijo celebração; trovão, prenúncio de íntima, prazerosa, comunhão
Chuva, bendita chuva, me alegrando, me inspirando a escrever, a bendizer ao meu Pai celestial, pela dádiva de existir, de viver, e de desfrutar prazerosos momentos de paz, de inspirações, de deleites.
A chuva nunca foi choro; é o suprassumo celestial, uma sinfonia líquida que nutre a terra. Melhor do que dançar sob a chuva é dançar com a chuva.
Olhou até o ponto mais distante que pôde perceber da sacada, e considerou que teria em sua vida tudo até onde seu ponto de visão alcançasse. Seria tudo dele; até onde pudesse ver.
E foi então que um desses ventos assoprou mais forte e, como uma pequena ponte, se tornou, enfim, uma passagem que o levou ao outro lado do jogo.
Saltar para um mergulho nas artes. Voar pela desorganização. Um peteleco sutil nas cartas dos costumes e tradições. Um sopro forte e gelado para dispersar o hálito de um preconceito estúpido.
O pressentimento como campainha, mas com o som abafado. A ansiedade do jogo em um tabuleiro onde faltam peças. A censura esquecida, e uma liberdade ensinada. O espaço para o novo, onde o estranho é a descoberta.
Os olhos... Lavavam-se em preocupações. Mas um ponto de luz não deixava de insistir, valendo-se da hora errada para aparecer. Entretanto, não dava mais para se esconder.
Esperou então, lúcido, pela hora de sair.
Naquele verão, ao ligar o ventilador, olhou o sol pela janela, enquanto as cortinas balançavam. Do céu da tarde, fez-se espontâneo a saudade... Tardes em que ficava no alto do telhado observando o brilho da cidade.
Mas a janela também se abria no sopro quente da noite abafada, quando o escuro era levemente banhado a energia estrelar, e sons de cigarra e ao cheiro de dama-da-noite... Ali, na proa da sua embarcação, ancorava toda noite ao abrir as janelas do quarto em que estava.
E era naquele último momento, quando passara o dia e terminava a noite, que o seu personagem estava inserido dentro daquela curta e doce trilha sonora, quando sonhos vibravam e a alma se fazia falar.
