Coleção pessoal de gilson_bittencourt
Se os velhos de antes são julgados pelos novos de agora, entenda:
A opinião pode perdurar, o vigor, jamais.
A passarela atenua o caminho e esconde o mirante
Mas fico me lembrando dos rochedos que ficaram pra trás
Nas picadas do cotidiano
Rasteja confuso, o Homem
Voraz no saber dos tolos
Braçal na máquina que o devora.
A Roleta
Mortal, letal, fatal;
Computacional, digital;
Do ônibus, do cassino;
Dos bancos, dos assassinos.
Tem roleta para ver o jogo;
Tem roleta para fugir do fogo;
Tem roleta pra entrar na lona;
Tem roleta pra curtir a zona.
Mas olhem só que esquisito:
A roleta nunca para.
Se paro e penso: logo existo!
Roletando, quebrando a cara.
As perguntas escapam como folhas ao vento;
Eu tento alcançá-las com mãos frívolas.
Cada passo só revela caminhos que não conheço;
Resta-me caminhar dentro do próprio caminho.
Rua e Lago não combinam quando estão longe;
E não combinam quando estão próximas.
O horizonte itinerante dos olhos teus,
Ajuda essa não combinação toda.
Há um inverno em mim,
triste como o silêncio das estrelas.
O calor amarga,
mas o frio é canto que consola.
Que estranha oposição,
como se o tempo fosse espelho quebrado.
Não é ausência de amor:
é apenas o pouco que resta,
esmola de eternidade.
No jardim que o silêncio cultiva,
a mão que acolhe não fere a haste.
Se a dor é maré que nos deriva,
que o afeto seja o que nos baste.
Pois na areia de cada destino,
entre a fúria e o manso carinho,
o gesto humano, puro e divino,
é, enfim, a flor sem espinho.
A serenidade é um mar de ilusões,
reflete calmaria, mas guarda abismos.
O mar é um misto de tempestade e brisa,
um sopro de paz que se desfaz em fúria.
No silêncio repousa a natureza dupla:
ora vaidade, ora modéstia.
É nele que se escondem intenções,
não ditas, mas reveladas em atos.
O abismo entre elas não se mede em palavras,
mas nos frutos que cada gesto deixa.
A vaidade ergue muralhas invisíveis,
a modéstia abre caminhos de encontro.
E assim seguimos, navegantes incertos,
entre ilusões e verdades,
entre tempestades e calmarias,
buscando no silêncio o eco daquilo que somos.
A serenidade é um mar de ilusões
O mar é um misto de tempestade e brisa
A natureza do silêncio habita a vaidade e a modéstia
O abismo entre eles se difere não pelas palavras, mas pelos resultados.
Em cada canto um olhar
Em cada olhar um canto
Um novo sorriso pede passagem
Uma passagem pede um novo sorriso
É a saudade pedindo bênção para voltar.
Ele viu todos os espelhos do mundo
Mas nenhum refletiu sua imagem
Ele pode contar todos os segundos
Mas nenhum minuto muda sua coragem
Por que será?
Por que será?
Olhe novamente, olhe novamente...
Parece estar tão diferente.
Existem duas coisas que podem te preocupar :
Se você é bem-sucedido
Ou se você é malsucedido
Se você é bem-sucedido
Não há motivo nenhum para se preocupar
Mas se você é malsucedido, de duas uma:
Ou você luta ou você sofre
Se você lutar,
Não há motivo nenhum para se preocupar
Mas se você sofrer, de duas uma:
Ou você sorrí ou você chora
Se você sorrir
Não há motivo nenhum para se preocupar
Mas se você chorar, de duas uma:
Ou você adoece ou você sara
Se você sarar
Não há motivo nenhum para se preocupar
mas se você adoecer, de duas uma:
Ou você vive ou você morre
Se você viver
Não há motivo nenhum para se preocupar
Mas se você morrer, de duas uma:
Ou você vai para o céu, ou você vai para o inferno
Se você for para o céu
Não há motivo nenhum para se preocupar
Mas se você for para o inferno
Você vai ter que cumprimentar tanta gente conhecida
Que não vai ter tempo ou motivo para se preocupar
