Poemas de Casa
" A casa tem cheiro de mofo,
porque casa de moço
cheira mofo sem um grande amor
tem vícios na cozinha
louças na pia
e no peito alguma dor
casa de moço
tem armários de roupas mal passadas
e um coração com vontade de amar
tem solidão
e um cheiro que só entende
quem passou por uma igual
casa de moço tem cheiro de liberdade
verdade
e um gostinho de paixão...
Lembra-te do tempo da procura
dos olhares medindo o carinho
Lembra-te da casa cheia
das crianças correndo
e a algazarra no sofá
lembra-te de tudo que sonhamos
Lembra-te do canto escuro, onde juramos amor
onde nossas mãos guerrearam
e venceu a paixão
Lembra-te!
não esqueças nada
porque aqui saudade é o tempo
que acaricia demais o coração...
Meu pensamento viaja
E vai parar na porta da tua casa
Em teus braços
Com beijos calorosos
E muito carinho
Aí me pego sozinho
No meio do meu caos
Mas bipa o celular
E é mais uma mensagem
Às nuvens me levar
E começa tudo outra vez
A SACADA
VEJO DA SACADA DO PRIMEIRO ANDAR
DA MINHA CASA MULHERES BELAS
E NÃO FORMOSAS AMIGAS, INIMIGAS, COMPANHEIRAS,
SORRIDENTES, CHORONAS, BARRAQUEIRAS,
VULGARIS E SERENAS,
MULHERES, BELAS, ESTÚPIDAS
COMENTAR ENTRE AS FEIAS
QUE NUNCA VÃO ALCANÇA
TAL ESTATUTO
VEJO DA SACADA AS BELAS PASSA
AS TORPES FICARAM
ESCUTO AS INSANIDADES
DITA POR ELAS
AS MENOS FAVORECIDAS DE BELEZA
DEMOSTRANDO DESPEITO VEDO DEFEITO
EM CORPOS ESPLENDIDOS
ADMIRÁVEL VOLÚPIA EM SEUS ANDARES.
SORRISOS LARGOS FRASE REPETIDAS
SURGE EMBAIXO DA SACADA UMA DAS BELAS
PASSOU EM PLANTO COMO O CORAÇÃO PARTIDO
OS SONHOS PERDIDOS SE AFOGANDO EM LAGRIMAS
POR TER SIDO ABANDONADA AS FEIA SE DELICIAS
POR PRESENCIA AQUELA SENA.
Puro
Incondicional
Inabalável
Indestrutível
Casa e afago
Átimo de sentir
Clareza do inebriável
Fulgor inexorável
Sem sair de casa...
Sem passar pela porta...
É possível ver o mundo...
Pelas portas entram o mal...
Pelas portas também entram o bem...
Quem decide é você...
Em suas soleiras...
Aguardam ansiosas a preguiça, a miséria, o mal estar...
Dádivas querem lhe visitar...
Tocam em suas portas porém esperam convites para entrar...
Felicidade dá bom dia...
Amor quer sua companhia...
Fartura quer contigo cear....
Paz lhe coroar....
Anjos bem dizer...
Deus abençoar...
Escolha você quem entrar...
Sandro Paschoal Nogueira
#Hoje #entardeço #lilás...
Sai de casa esquecendo a razão...
Entrei em ruas, avenidas e vielas...
Em contra mão...
Cada um tem o seu amor...
Cada um sua forma de amar...
Seu destino a traçar...
Entreguei-me a vida...
E ela namorou comigo...
Flores e sorrisos alheios...
Se abrem para eu passar...
Caminhando em pedras azuis...
Meus devaneios...
Vivo cercado de flores...
Esquecendo meus dissabores...
Cultivando muitos amores...
Logo eu tão simples...
Assim quero ser...
Ouço cantos suaves saindo de algum lugar...
Bem longe...
Vozes se escondendo por alguns becos...
Que estou a chegar...
A chuva hoje não veio...
Não sei se ainda virá...
Isso, agora, não me importa...
A tarde finda...
Em doce encanto me convida...
A me perder no horizonte...
A abrir minhas asas...
E seguir mais adiante...
Em lugares mágicos e desconhecidos...
Farei deles meu abrigo...
Encontrarei a verdade bem além...
Banharei-me em fontes de virtudes...
Levando em minha bagagem..
Um sonho interminável...
De que a paz seja meu teto...
E de ter você sempre ao meu lado...
Sandro Paschoal Nogueira
#Fiz #uma #festa #em #minha #casa...
Convidei toda a cambada...
Veio a pulga e o carrapato...
Até a inxerida da barata...
Em altas horas da madrugada...
Apareceu o rato...
Trouxe estranha companhia...
Um morcego tarado...
Me deu um chupão...
No meu pescoço...
Me deixou zonzo....
Foi um alvoroço...
Era tanta alegria...
Muitos guinchos...
Gritarias...
Vizinho chamou camburão...
Polícia chegou de supetão...
Disse que a festa tinha que acabar...
Era para botar ordem..
Na orgia...
Cada um correu para um lado...
Sobrou pra mim..
Desavisado...
Tomei porrete até onde não queria...
Fui preso...
Enjaulado...
Na delegacia...
Me jogaram numa cela que não estava vazia...
Tinha lá dentro de tudo...
Ladrão, estrupador e maluco...
Acha que estranhei ?
Que nada...
Comecei uma folia...
Com todos me dei muito bem...
O carcereiro estranhou..
Perguntou ao delegado...
- Como pode isso doutô?
Na madrugada já fui libertado...
Peguei reta...
Sem nenhuma treta...
No botequim do Zé fui tomar...
Uma branquinha para relaxar...
Encontrei a Madalena Boca Torta...
Vinha da batalha na madrugada aquela hora...
Me contou assustada...
Que ouviu tiro de espingarda...
Que todo mundo falava...
De minha festa e da bicharada...
Foi sucesso fenomenal...
Cuspindo Madalena me disse:
- Não vi nenhum mal.
Se for fazer outra, chama aqui sua amiga...
Prometi assim fazer...
Fui para casa antes do amanhecer...
Me esperando na porta tinha...
Com faixa de saudação...
O coveiro que queria...
Me dar sua mão...
Eu disse que não podia...
Aceitar o casamento...
Já tinha empenhado...
Minha palavra pro jumento...
Mas se ele quisesse poderia ser meu amante...
Já pensando em meu futuro...
Quem é que me garante?...
Próxima festa já de antemão...
Convido a todos com antecipação...
Vou fazer diferente...
Prá não dar confusão...
Levam vocês as carnes e bebidas...
Entro com espeto e carvão...
Sandro Paschoal Nogueira
PRECISO DIZER QUE TE AMO
Eles viviam assim, cada um na sua casa. Havia uma ponte entre eles.
Eles viviam um sonho, cada um com a sua asa.
Havia respeito entre eles.
Ele tinha medo que ela não suportasse seu mau humor matinal. Ela não queria ele a visse de cara amassada.
Ela ansiava por uma vida nova. Ele ainda remoía as lembranças de uma vida passada.
Ele, distante, sorria enquanto seu olhar a procurava. Ela, insegura, temia os rumos que a vida anunciava.
Ela, incrível e linda, tentava fugir, mas já não dava. Ele, apaixonado, escrevia esta carta para dizer o quanto a amava.
“O medo de sair de casa me assombra,
se pelo menos soubesse que te encontraria,
numa esquina qualquer da vida.
Mas, na cidade onde moro não há esquinas.
As ruas são infinitamente movimentadas.
pessoas não param, não se cumprimentam,
por isso tenho medo de sair de casa, contudo,
a solidão com quem habito em quatro paredes,
já começa a me espreitar, como um monstro
se aproxima de mim, receio que em breve me devorará.”
Numa manhã fria de maio,
em casa do poeta Evan do Carmo,
nasceu a poesia.
Nasceu à revelia
do poeta e da musa
Ruiva de cor e de olhos negros
deram-lhe o nome de felicidade
contudo, poderia se chamar
Giovanna ou Beatriz
Nasceu com enfado
nasceu com preguiça,
mas nasceu sorrindo
não como outrora
a Ninfa nasceu feliz,
não nasceu chorando
como a poesia de Hamlet,
E por que isto se deu?
É que a loucura humana
em celebre audiência
encontrara-se à noite com a lucidez
firmaram um acordo solene
e tiveram como prova a consciência
doravante viria ao mundo
apenas filhos saudáveis
pois o mundo se rendera tardiamente
à carência da cultura e à indigência.
“A poesia será sempre o teu abrigo
Uma casa segura, um conforto
Preenchendo a tua vida vã, vazia
Na agonia velada do teu rosto.”
―Evan Do Carmo
Construam o mundo com palavras
Importante se fazer casa
pois nela mora o homem físico
serve de abrigo contra o sol e a chuva,
e de aconchego para as crianças.
Mas quanto se a fazer livros
neles moram o espírito da humanidade
os segredos dos homens do futuro
e dos deuses do passado
a esperança de se fazer,
no futuro, um mundo melhor.
Casas podem ser derrubadas
as ideias nunca, uma vez soltas no ar
não voltam mais às suas origens
criam raízes, dão frutos.
Casas mudam um cenário rural e agreste
mudam uma cidade e até um país, mudam aldeias.
Livros mudam o mundo, mudam os homens
fortalece o espírito abatido, libertam as almas.
DESORDEM, ARTE EM MOVIMENTO
Amo a deserdem da casa
em que duas almas habitam
almas que se doam,
se completam.
Amo assim também o desalinho
da cama úmida de amor e sexo
amo a desordem da paixão
onde não há regras,
tabus ou convenções.
Amo as coisas fora do lugar
papel rasgado,
poemas sendo escritos
Amo a vida de hoje
rejeito o desespero do amanhã
amo a cozinha desarrumada
onde faço amor e poesia
amo tudo que é belo
amo o que somos
arte em movimento!
Saiu de casa,
ainda escuro,
fechou sua porta,
saltou um muro
partiu para a lida,
cuidar de porcos
ossos do ofício
coisas da vida
cena impressionista,
natureza morta
sina do artista.
Ó medo que me amedronta ao sair
De casa, em busca de quem me conforte
Se pudesse encontrar-te, ó doce sorte,
Em algum ponto dessa vida a fluir
Nesta cidade que me cerca a dor,
Não há esquinas, só ruas agitadas
Pessoas que não se olham, nem se amam,
Tenho receio de sair desse torpor
A solidão me acompanha nesse andar,
Em quatro paredes, mas não me basta,
O monstro dela parece me atentar
Não quero que ela me devore, é gasta
Minha alma, preciso me libertar
Compartilhar a vida, talvez a encontre lá
O medo de sair de casa me assombra,
se pelo menos soubesse que te encontraria,
numa esquina qualquer da vida.
Mas, na cidade onde moro, não há esquinas.
As ruas são infinitamente movimentadas.
[Verso]
Medo de sair pela porta
Desejando te encontrar com certeza
No barulho movimentado desta cidade
As ruas não têm mais esquinas
[Verso 2]
Multidões empurram dia e noite
Sentindo falta de lugares onde poderíamos
Nos encontrar na luz
Mas as sombras roubam nossa luta
[Refrão]
Cidade sem esquinas
Fora de controle
Não consigo encontrar amor no trânsito
Tudo está tão estático
[Ponte]
Rostos aleatórios passam por mim
Apenas reflexos nos meus olhos
Esperando que nossos caminhos se cruzem
Mas não há onde se esconder
[Verso 3]
Ruas intermináveis e solo agitado
Não consigo te ouvir no som
O ruído da cidade me mantém preso
Mas ainda espero que você apareça
[Refrão]
Cidade sem esquinas
Fora de controle
Não consigo encontrar amor no trânsito
Tudo está tão estático
O ÚLTIMO HOMEM LÚCIDO
Há um homem que caminha
sem pressa, mas sem lugar.
Ele não tem casa, não tem templo,
nem tem vontade de rezar.
Carrega nos olhos o peso
de quem entendeu cedo demais
que viver é transitar entre enganos,
e amar, um luxo dos incapazes.
Recusou o conforto das crenças,
o colo das certezas vendidas,
preferiu o frio da dúvida,
a vertigem das palavras não ditas.
Enquanto o mundo se distrai
com espelhos e ilusões de poder,
ele sussurra perguntas antigas
que ninguém mais quer responder.
"Quem sou eu?" — ninguém responde.
"Pra onde vai o tempo?" — silêncio.
No teatro da existência,
ele é o ator sem texto, sem lenço.
Não é herói, nem mártir, nem vilão.
É só alguém que não dorme,
porque vê demais, sente demais
e já perdeu a fome.
Mas ainda canta, às vezes,
não por alegria ou fé.
Canta porque o som da própria voz
é tudo o que lhe resta em pé.
Dia 26/07 - Dia dos avós
Casa de avós, é um lugar onde as risadas ecoam pela casa, onde os abraços são apertados e cheios de carinho. É um lugar onde o cheiro do café fresco pela manhã invade cada canto.
Na casa dos avós, as histórias são contadas repetidamente, como se fossem tesouros guardados. Cada objeto tem uma história, cada canto tem uma lembrança. Os móveis antigos trazem consigo memórias de tempos passados, de momentos vividos por gerações.
É um lugar onde a simplicidade é valorizada, onde o tempo parece parar e a tranquilidade reina. As preocupações do mundo lá fora se dissipam ao entrar naquela casinha de portas abertas e coração acolhedor.
Na casa dos avós, aprendemos sobre respeito, gratidão e perseverança. É ali que descobrimos o verdadeiro valor da família, da união e do amor incondicional.
É um lugar onde os netos são mimados e amados de forma especial. As mãos da vovó são capazes de curar qualquer dor e proporcionar conforto instantâneo. Os abraços apertados do vovô são um abrigo seguro em um mundo muitas vezes incerto.
É um lugar que nos ensina a valorizar as coisas simples da vida e a apreciar as pequenas alegrias cotidianas. É um lugar de paz, de calor humano e de amor incondicional.
A casa dos avós é um monte de coisas, mas acima de tudo, é um refúgio para a alma cansada, um porto seguro em meio ao mar agitado da vida. É um lugar onde podemos sempre voltar, onde sempre seremos bem-vindos e onde o amor nunca acaba.
- Edna Andrade
