Coleção pessoal de LiAzevedo

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O problema foi você ter entendido a minha exigência em ser respeitada como uma negociação da minha permanência. Não era. Nunca foi. Eu nunca mostrei a alguém como eu devo ser tratada sem ter fechado as minhas malas antes.

Eu jamais vou entender a incapacidade cognitiva masculina de preferir e instigar a convivência com a monstruosidade das minhas vulnerabilidades à paz das minhas seguranças.

Eu te dei espaço e tempo para consertar as coisas e você os usou só para voltar como se nada tivesse acontecido. E eu sou taurina. Tudo o que eu te dei eu também me dei a mim. A diferença é que agora, pra mim, também nada aconteceu, mas eu não voltei pra você porque eu me reconstruí no seu silêncio.

Definitivamente eu não consigo perdoar o que deveria ser evitado. E eu sinto muito, mas sempre que eu tento fazê-lo, sinto ainda mais.

Tomar decisões é um tratamento que na maioria das vezes requer superdosagens de coragem.

Eu só não consigo exatamente o que pedi a Deus quando Ele já tinha se decidido a me dar coisa melhor!

⁠Estimada, vida! Prometo nunca mais dividir e ajudar a carregar o fardo de pessoas grosseiras e reativas a tudo, independente das histórias tristes que me contarem. A partir de agora, o fardo que não é leve, elas que levem!

⁠Você jamais ficará imune às consequências das suas maldades ou as terão justificadas só porque o alvo, apesar de você e da crueldade de suas intenções, conseguiu dar volta por cima.

⁠Se você tem que se desgastar pra provar aos outros e a si mesmo que é líder, definitivamente você não o é!

⁠Jamais existirá manipulação sem inteligência, e o fato de você tentar manipular alguém por confundir gentileza com fraqueza só prova o quão burro você é!

⁠Muitas vezes somente a internação e reabilitação compulsória pela vida te fazem abandonar lugares, situações e pessoas que só te machucam!

Na estação, em Bruxelas, uma voz em francês, depois seguida do neerlandês e inglês, orienta para o cuidado entre o vão do metrô que acaba de chegar.


À porta, provavelmente para sair, meus olhos se cruzaram com outros que não souberam muito o que fazer, e pareceu -me desistir do que faria.


Eu adentrei o metrô, acomodei-me um tanto quanto incomodada com a imagem que acabara de ver, e não consegui deixar de olhá-lo, agora pela vidraça, enquanto algumas coisas corriam à minha mente, à mesma velocidade e barulho de tudo o que se misturava ao reflexo dele.


De repente ele foi para a porta de saída à minha frente.


Todo meu corpo manteve-se inerte, exceto os olhos teimosos.


Ele correspondeu-me o olhar e quando abriu a porta para sair, eu sinceramente não sei qual o problema dos meus olhos, mas estes só se conformaram em não mais procurá-lo quando ele desapareceu à minha direita.

- Mon Dieu, me abana! - pensei e talvez tenha feito o gesto com as mãos. As duas.


Só sei que alguns segundos depois, tempo que fora suficiente para que ele voltasse ao mesmo metrô, minhas mãos também pararam na mesma posição (de abano), porque contrariando toda a inércia masculina europeia (e eu gosto disso, da inércia), sentou-se ao meu lado a imagem que me fizera fazer o que raramente faço: deixar alguém ir se dos meus olhos.


Mas aí pronto.


Face enrubescida, mãos à abanarem ainda mais, um calorão da porra, embora fosse início da noite, e ele a tentar entender aquela cena, mais desconsertado que quem só agora conseguiu vos falar.


É que emudeci-me.


E-mu-de-ci-me! Merda!
- Vous ne parlez pas français?
- Ãham?
- English?
- Ãham?
- Espagnol?
- Ãham?


Putz! E as mãos a abanarem, o rosto cada vez mais vermelho, a boca cada vez mais muda, ele cada vez mais desesperado, e eu também, ambos pelo mesmo motivo: por eu não conseguir falar!

- Desolé, Désolé, Désolé - levantou-se, abriu a porta na próxima estação, e saiu, ainda a falar: Désolé, Désolé, Désolé, como se tivesse cometido o maior e o mais espúrio dos pecados…


E lá fiquei eu, desolada, a lamentar não ter agarrado os braços daquele 1,80 cm, cabelos pretos, olhos da mesma cor e pequeninos, boca carnuda, sorriso lindo, barba muito bem feita, vestido numa camisa branca, uma calça jeans e um despretensioso tênis, pelo menos até eu conseguir reaver meu raciocínio!


Àquele momento eu ia a uma festa de aniversário de uma amiga, e como sempre, a festa seria regada muita bebida acóolica.


O problema é que agora já estou de volta à mesma estação de metrô, há bastante tempo, um tanto quanto cambaleante, e ele não reaparece! Já conversei em francês, inglês, espanhol, italiano, árabe, doguês com as pessoas, e nada…


Eu só queria, enfim, dizer a ele que "Oui, oui. Je parle français!"

Era só isso…

Putz.

Mas c'est la vie!

E eu sigo no que eu faço com maestria: assustar os homens, de um jeito ou de outro! Uma pessoa desse tamanho, e lá da Mara Rosa…
Não me conformo com isso, viu!

⁠Eu tive um caso extraconjugal fora do Brasil durante muito tempo, muitos anos. Toda vez que meu casamento entrava na rotina, eu fugia para os braços do meu amante.

Por ele aprendi outras línguas, gastei oceanos de dinheiro e com ele construí sonhos, que sem qualquer trégua persegui-os incessantemente.
Estar com meu amante era também me reencontrar em minha melhor versão.

Meu amante me devolvia o sorriso, me fazia sonhar e acreditar de novo nas pessoas, em um mundo melhor, em mim mais uma vez, até que a vida, após anos de felicidade, cansou-se dessas minhas vindas e idas, e quis dar um basta nisso.

E deu, quando definitivamente me obrigou a escolher entre meu amante, a Europa, e meu casamento, o Brasil.

Eu esperneei, chorei, retruquei, questionei, recorri, e confesso que até desistir de mim passou-me pela cabeça, inclusive mais de uma vez...

Eu não conseguiria viver sem meu amante.
Eu não queria isso.
Também não queria abandonar meu casamento sólido, seguro...

Durante todo esse período difícil, meus verdadeiros amigos permaneceram sempre la, a me enviarem msgs de WhatsApp, gifs, piadas, enquanto eu me recolhia à amargura de ter que escolher entre os dois.

Até que o fatídico dia chegou.

Qual foi minha escolha?

Quando Deus te desenhou, Ele tava viajando!!
Só pode!

⁠Há lugares que te devolvem todos os sorrisos! #parisfrance

⁠Um dia eu vou morrer, mas não sem ter vivido de verdade.

⁠Há lugares que te deixam com a alma mais bonita.

⁠Há lugares nos quais você precisa ter estado, nem que seja para voltar em pensamento, quando necessário.

⁠Eu estou quase eletrocutada com tanto choque de realidade que tomei esses últimos dias.

⁠Eu acho que a vida tá facilitando muito o trabalho da minha psicóloga.