Poemas da Terra
Luz da campina ao alvorecer
Aclamam o anoitecer
Terra de maldição
Regozijam a solidão
Meu amor onde vou
Desnorteado estou pelo caminho
Há de ver o desembarcadouro lá no finzinho
Quero fogo para toda essa minúcia
Se desfazer de toda essa balbucia
E continuar a rimar
A fera vem botando para correr sem findar
Quer que todo mundo desapareça
Queimando os planetas para que esmoreça
Respirando gás
Rasgando a paz
Céu de brasa, portão da voragem
Queda sem fim na perdição sem coragem
Que seus filhos encontrem
E sejam cegos a dor e o sorriso
Para não se esbarrarem no salão
E que pelos portais da alma as correntes da animália
Possam segurar na eternidade minha anomalia.
Nossa infância é o cheiro dos cadernos e de cola, da terra vermelha, de madeira, flores de Dente-de-Leão.
É o sabor dos ovos frescos, do chocolate no leite, dos bolos caseiros, dos fins de tarde ruidosas e dos doces de bar.
Das férias na rua, reuniões de família. Os "vai lá perguntar se podemos" para nos livrarmos dos menores.
Nossa infância é um carvalho perto de uma igreja, um carro abandonado, um campo de futebol, um parquinho com roda gigante, uma colmeia, um cinema, um rádio, desenhos, pastelaria, bolinha de gude, uma praia, uma fogueira de São Pedro e muita música.
Também são cães, gatos, cabra, cavalos, galinhas, de noites a olhar a lua na bacia de água para ver ela tremular.
É um jogo de cartas, de senhoras de risos frágeis,das curvas da estrada de Santos, um monopólio, um sagui, um bambolê.
Nossa infância do do-ré-mi em família, da selva de pedra, da Iara e do Boto cor de Rosa.
A infância é um olhar, que no fundo nunca nos deixa.
O de se sentir pequeno mesmo quando se é grande.
Não esqueça a Lei da Semeadura!
Escolha com muito cuidado a sua semente.
A terra vai devolver somente aquilo que você plantar.
O planeta terra
É a fazendinha de Deus.
E cada um de nós,
uma sementinha a germinar.
E aquela que não crescer ou
não produzir amor aos filhos seus...
Deus faz a separação
Pondo com as outras a queimar.
Embarcação de carvalho ou cerejeira
Não importa o destino será análogo
Da terra mãe vassalos captar
Para no outro Lado do continente aportar
Acaso fortuno terá durante meses se sobreviver
No fundo desses baús
Pelas torrentes do imenso mar
Vai a navegar
Pestilências e tormentos diante âncoras e velas
Sangue e suor alheio pelo chicote nos porões
Desdém precário, móvel navegante insalubre
Por suas vigas de madeira presenciou
O terror que o homem pode impor a outra cor
Jovem negra guerreira que debaixo do alçapão ajoelha
Clamar e pede com devoção a santa proteção
Que vareia certo pelo mar se esquivando dos calhaus
Que um dia possam nunca mais usar estas naus.
Tudo na vida tem seu tempo, tudo na vida passa.
Quantas pessoas já passaram por essa terra, algumas delas, quantas saudades deixaram.
Quantas foram as vezes que deixamos de falarmos uma palavra amiga, como eu te amo, você tem muito valor para mim, quero está sempre ao teu lado, até o fim.
Quantas foram as vezes, que deixamos de expressarmos palavras que edificam, que purificam o ambiente, como também destrói o mal no coração do homem.
Por isso, não perca seu tempo odiando, murmurando, só falando mal das pessoas, inquieto pelos cantos, porque as pessoas te feriram, vá corrija- os! Pois à correção é a maior prova de amor, mostre a sua capacidade de amar perdoando a quem tanto não sabe te amar, à quem ainda não aprendeu a te amar e olhar com o olhar de misericórdia.
Procure sempre ama- los da maneira que eles são, imperfeitos, assim como nós somos, procure sempre fazer o bem sem ver a quem você está fazendo, elogie as pessoas pelas vossas qualidades, não só queira ser elogiado, seja recíproco e humilde. Procure dedica- se, sua vida para as coisas maravilhosas que vida lhe deu, assim como os seus pais, os seus irmãos, e os seus amigos.
Busque sempre viver a verdade, nunca se cale- se perante as oportunidades que a vida tem lhe dado, pois só teremos as respostas, mostrando o que sentimos.
A vida é muito curta só esperarmos, ele exige de nós, o agir, precisamos irmos a luta sem medo, e cheios de coragem, não podemos permitimo- nos que desanimemos perante as dificuldades e barreiras da vida tem nos dado, mesmo destruídos não podemos pararmos de lutar e de amarmos.
Não estamos sozinhos... Deus está conosco, não deixei que ninguém saia da sua vida sem ao menos se sentir- se mais amado, ou mais feliz.
Viva cada segundo, como e fosse ultimo, ame muito, perdoe a todos, peça sempre perdão, seja feliz agora, não espere por amanhã, pois amanhã pode ser tarde demais.
Minas Gerais
Como não amar uma terra tão bonita.
De histórias grandiosas,
De um povo tão hospitaleiro.
Me orgulho desse lugar.
E me enche de alegria,
Conhecer tantas memórias
Do passado brasileiro.
Um hino talvez mude essa terra
Isolado e cansado por tanta guerra
Um uníssono toque
Vem numa hora que provoque
Quiçá não mate a penúria
Pode ser que indique mais ainda a lamúria
Também jamais ganhou insurreição
Então para que se vale está união
Mas existe uma conciliação
Que aos minguado ajuda o povo
Inicia a celebração em eufonia
Mas que nada diz e nada ensina está sinfonia
Mas existe até canção efeito de abstração
Assim me prove para que se adequa essa menção
Elocuções em potência espantosas
Dão o tom é o ritmo talentosos
Ouvidos e imperados em todas as cidades
Como um canto um clamor de todas as potestades.
Do céu tirei uma estrela,
Do jardim tirei uma flor.
Da terra escolhi alguém
Para ser meu grande amor,
Meu grande amor é você
Que um dia me encantou.
Agora estou apaixonado
Pois meu coração você roubou!
Existe um banco na terra que ninguém pode roubar, mas nele não se pode depositar riquezas materiais, somente conhecimento.
Nele todo investimento tem retorno e quanto maior seu deposito maior será sua capacidade de obter tudo o que desejar.
Por isso a sabedoria vale mais do que o ouro.
Em terra de faz de contas
Enterram os que ainda curtem
O que fazem os que de galo cantam
E bilhões de propina contam
Dando surra de cinto
- nada sucinta -
Nos que também não curtem.
Élcio José Martins
PAI
Pai nosso que estás no céu,
E na terra sob o véu.
Presenteia-me com o troféu,
Sou declamador, sou menestrel.
Declamo alto seu nome,
De um amor que me consome.
Carrego no peito incólume,
Seu brilho e codinome.
Fruto espermático,
Do prazer orgástico.
Frissom lunático,
Do êxtase enigmático.
Das vindas e bem vindas,
Tu não sabes ainda.
Foste tu meu leme e meu rumo,
Foste tu a matriz, eu sou o resumo.
Das lições bem dirigidas,
De respostas arguidas,
Deste-me guarida,
Fez-me homem nessa vida
Seu tempo foi meu tempo,
Nem que tinha contratempo.
Deste-me a força, o amor e o carinho,
Fizeste meu cenário e meu ninho.
Compreendo o esforço outrora,
Não dei valor fiquei por fora.
Só percebi agora,
Quão grande é esse amor que aflora.
Das repreensões recebidas,
Às vezes dolorida,
Foi apoio na subida,
De uma alma distraída.
Pai, ser seu filho é um orgulho,
Pra defender seu nome eu juro,
No rio com piranhas mergulho,
Ando em espinhos e descalço em pedregulho.
Obrigado pelo abraço e afeto,
É um exemplo pra seu neto.
O amor que não te dei à época,
Hoje o meu coração te hipoteca.
Sem tu não viveria,
Nem viver atreveria.
Pois com sua maestria,
Me deste a alegria.
Me deste o mundo e um pouco mais,
Me deste o amor dos animais.
Fez-me poesia de seu amor,
Cantou meu sorriso e sofreu a minha dor.
No jardim você é a flor,
Na escola é o professor.
Na família o genitor,
E de Deus o sucessor.
Obrigado pai, por tudo que errei,
Obrigado pai, pelo pouco que retornei.
Mas agora que cresci eu sei,
Sempre, sempre, muito e muito te amei.
Élcio José Martins
O malho congelado fustigou dilacerando o seio da terra
Despertando a flora iniciando a primavera
A providência da mitologia continental, Sucellus
Originando a luz, do fogo batizado Belenus
De carruagem trazendo seu resplendor
O trovão desobscurecendo um ar com um som devastador
Três vezes santamente ungida nossa santa genitora
Aclarando os continentais com benfeitoria
Fertilizando e disposição brotam da Epona
Nossa deusa cultuada que ela proporciona
Da guerra assomaram mortos e ressuscitados
Artesões e heróis guerreiros que lutam até crucificados
Se o corvo aterrissar se alerte combativo diziam os antigos
A morte vai chegar, você corre por perigos
O goblin vem ainda incitar o reino irlandês
Do caçador e profeta, é ajuda do barco que demarques
Para livrar o reinado mítico, de seu término
E no Oeste encontrar um lugar de felicidade e exultações que não recrimino
Que a tempestade ti empurre viajante contra o delta
Para chegar a esse paraíso dos celtas.
Livros são certamente incríveis
Já andei por diversos cantos do mundo sem sair de minha terra natal
Já conheci quase todos tipos de pessoas e nunca uma vez as vi
Já tive muitas vidas, ideais e testemunhei muitas lutas
Sim, livros são verdadeiramente mágica.
Nordeste sou!
Sou da terra da cultura
mata verde e céu de anil
do cuscuz da rapadura
da lapinha e o pastoril
da farinha e a tanajura
da buchada na mistura
sou nordeste do Brasil.
Beijo no Colchão de Feno
Naquele momento, encurtou-se o céu e a terra, o rio cercou-nos, e a lua esforçou-se por aparecer no sitio certo. Eu deitado contigo, triste pela efemeridade de tudo aquilo, olho-te na alma, na verdade que se eleva à nossa existência e fico cúmplice do teu silencio. Aproximo-me com a prepotência do momento e beijo-te subtilmente, desafiando-te a ser feliz.
Eu vi renascer o dia na terra de Debret
A boléu da bastilha, comemorado a cabernet
A tela com as cores de Monet mostrando o parlamento
Os sopros de alegria das crianças se perdendo a barlavento
Luís XVI não foi capaz de segurar seu proveito
O clero, o iluminismo abalou o ar rarefeito
A economia caiu, porque de muito que excedeu a realeza
Com bronca de toda população que ficou da nobreza
Surgindo as cores da guerra perdida na alma francesa
Absolutismo aqui não, o levante com suporte da turma burguesa
Invadiram sua casa de devassidão com a população
Exterminando a monarquia, com os jacobinos e a constituição
O fogo é o artifício queriam se impor pela cortina
A ser suspeitoso de traição já para a guilhotina
Cravando no peito a moral dessa nação
Ainda não acabou é preciso mais revolução
Precisamos dar as crianças um estado de melhor opção
Coletas e cobranças e desvairado, precisam do comitê da salvação
Trilhando nova frente, trazendo na bandeira liberté
Égalité
Fraternité.
Chove forte
... derrama sobre a terra
súbita chuva e desaba
uma tempestade que atormenta meus mais íntimos sentimentos adormecidos.
Enquanto a chuva forte
na vidraça escorre deixando rastros,
aqui dentro há um coração
que chora de saudade.
Saudade do tempo que em
dias de chuva nos acolhíamos
dentro de um caloroso abraço e
no ritmo nossos corpos
colavam-se extasiados.
Hoje,
chuva forte afoga-me
no deserto de minhas lembranças,
procurando abrigo,
revivendo o que ainda está vivo,
congelando o instante mágico que vivemos.
... chuva forte lá fora, aqui dentro emoções;
entorpecida de sentimentos,
inundada de lembranças,
ao som da chuva forte... adormeço.
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