Poemas Corpo
Quem sou eu?
Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.
Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.
Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.
Quem sou eu?
Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.
O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.
Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.
Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.
Quem sou eu?
Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.
Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.
Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.
Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.
No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...
✍@MiriamDaCosta
Eu senti-te.
No calor do teu corpo,
nas mãos que demoravam nas minhas,
na forma como os teus olhos,
cor de mel ao sol,
pareciam sempre procurar os meus.
Durante uns dias,
achei que também me tinhas sentido.
Depois veio a distância
e, com ela, a dúvida:
se aquele mel era para mim
ou se eu apenas o provei
quando já pertencia a outra pessoa.
A poesia é a alma
do poema,
o poema é o corpo
que tudo pode
e quem escolhe é você.
O poema pode ser
escrito ou pode ser
tudo aquilo que você quiser,
ou simplesmente não quiser.
Poesia é subjetivismo,
e sem subjetivismo até
o poema não faz sentido.
A poesia só existe
se você ler e entender,
e sem os teus olhos
a poesia nunca irá existir.
(Poesia e poema têm
o compromisso de coincidir).
Versos Brancos
Para o teu corpo remar
no meu rio não precisa
ter só uma cor e nem rima,
Precisam ser somente
de todo o cor(ação),
Os versos brancos
explicam a magia
que existe entre
nós dois e a poesia.
Não Existe Piloto Automático
O corpo memoriza.
A mente decide.
O braço repete o gesto
até que o gesto deixe de exigir consciência.
A força aprende o caminho,
e a carne obedece.
O pensamento, não.
Não há automatismo na inteligência.
Não existe stand by para quem raciocina.
Toda conclusão cobra análise.
Toda escolha exige renúncia.
Toda estratégia impõe cálculo.
O músculo vence pelo hábito.
A razão vence pela lucidez.
A primeira constrói paredes.
A segunda constrói civilizações.
Quem trabalha apenas com as mãos
desgasta o corpo.
Quem trabalha com a mente
desgasta o tempo,
enfrenta o caos
e transforma o invisível em realidade.
Porque a força move a matéria.
Mas somente a consciência
é capaz de mover o mundo.
O RITMO QUE FICOU
“Às vezes, meu corpo encontra uma saída antes que eu consiga pensar. Então reconheço Peter no ritmo que ficou em mim.
Não luto para devolver ao mundo a dor que recebi.
Luto para que alguém, diante de mim, ainda encontre um caminho de volta.”
— Taléu
Fragmentos de THE MOEDARA PROTOCOL
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc
Amaranto das Américas
em grãos ou em flor,
Para alimentar com
amor o corpo ou alma
com toda a poesia
que por esta terra há
existirá e não passará,
para você assim sou,
Porque criei raízes,
e de ti jamais eu vou.
Meu corpo flor de Paineira-Rosa,
o assumo travessa e amorosa,
Toda intrépida capaz de trazer
o teu pleno de maneira venturosa.
Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.
Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.
Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.
E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.
Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:
- Já para casa, menina!
...
Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":
"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."
Teu corpo, que cobiço,
e que ainda não tenho,
põe um doce suplício
no ritmo de Kaseko,
em agitação máxima,
alucinante e contagiante,
diante do Rio Suriname.
Capaz de fazer o desejo
virar orgulho e assunto
na primeira página em Paramaribo,
por fina ironia do destino.
Sob uma palmeira-real,
fazemos juras de amor
neste continente austral;
nunca conheci alguém
capaz de fazer algo igual.
Em tempo de céu fechado,
o Camboatá-vermelho
esplende sob o céu sisudo.
O corpo sente muito,
mas a alma forte resiste
e os lábios se entretêm
com a poesia que insiste.
Há um sentimento seguindo
o seu curso que não tem
nada a ver com o inverno;
embora envolto de mistério,
com um querer profundo
que tem crescido resoluto.
Tenho me preparado
para receber com o coração
o sentimento impoluto,
a embaladora convicção
de que não há mais viver
correndo do amor e da paixão.
Teus olhos experientes
são capazes de ler
até mesmo o meu subtexto;
a alma, o corpo e o pensamento
ficam o tempo inteiro
em ritmo de Compas,
em anseio de se tornarem
o seu porto de paz.
Com o balanço da Palma-real
ao vento, por um
instante eu me distraio
vendo o luar esplender;
não nego que por ti
mais do que uma asa arrasto,
porque desejo bem mais
do que um simples afago.
Pensar o tempo todo
na possibilidade de vir a ser tua
tem sido todo o meu dia:
como o Rio Artibonite
flui ao encontro do mar do Caribe,
desejo muito que o céu
não seja nenhum limite
e que a distância não nos alcance;
estou pronta para viver
contigo o nosso doce romance.
Cercar-me de monjas blancas,
ao meu redor para receber
de corpo e alma o teu amor,
embriagar-me no teu fragor
e derreter-me do teu andor.
Desfiar os raios de sol e da lua
para tecer um huipil com
a imagem da tua alma de colibri:
assim tem sido com devoção
desde o dia que te descobri.
Deixar-te livre para que revele
o que sei que também sente,
para que me entregue o melhor,
e eu retribua com o que há de maior;
para que se confirme que é amor.
Amor invisível
Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.
Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.
Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.
Não julgo ninguém
pelo corpo que carrega, seja gordo ou magro.
Não tolero o bullying, tampouco a soberba,
pois o capacitismo nunca andou comigo.
Como ser humano, escolho o respeito;
a educação é o valor que a gente honra na vida.
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.”
(1 Tessalonicenses 5:23-24)
Despido, humilhado, zombado,
O Rei da Glória foi exposto ao desprezo,
A cruz não só feria o corpo,
Feriu também a honra, o respeito.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro foram escritos todos os meus dias,
quando nenhum deles havia ainda.”
“Deus já sabia que Davi seria rei antes mesmo de nascer, porque todos os dias da nossa vida estão escritos no Seu livro.” (Salmo 139:16)
O Senhor não protege só o corpo,
Ele protege a reputação espiritual dos Seus.
Porque o nome não é apenas som,
é legado, é chamado, é identidade. miriamleal
