O ECO QUE ECOA A noite acende o absinto... Ysrael SolerIsrael Soler

O ECO QUE ECOA


A noite acende o absinto na mesa fria,
Onde o corpo decai e o delírio governa.
O tédio se estende em versos de agonia,
Na busca feroz de uma flor esguia.


O inferno do mundo e o próprio fracasso,
Rimando o vício com a lucidez da dor.
Chora a garoa que cai no cinza do asfalto,
Enquanto o abismo ecoa o canto de assalto.


Caminhamos na margem que o mundo rejeita,
Bebendo a coragem que a vertigem ajeita.
Na sombra da alma onde o grito destoa,
O passo perdido é o eco que ecoa.
Incendeia-se a barca no rio mais mudo,
Vidente perdido na febre do alucinado.
Desfaz o que é certo, interroga tudo,
Com a fúria de quem já nasceu culpado.
O tempo é trágico, o passo é errante,
Correndo o risco de nunca mais voltar.
Mas a arte é o fogo que arde adiante,
O único porto onde o caos ousa parar.
Quando ergue o copo
Anuncia a vinda
De quem quis cruzar sempre a linha.


O embrulho embaixo
Do braço tenso
É o último ato
De desejo fiel e pungente.
Caminhamos na margem que o mundo rejeita,
Bebendo a coragem que a vertigem ajeita.
Na sombra da alma onde o grito destoa,
O passo perdido é o eco que ecoa.