Poemas Corpo
Setembro-me
inteiro dentro
do teu corpo,
quero sentir
todo o teu verão,
vagarosamente
a evaporar-se
no meu corpo.
Suor da Lua
O teu corpo aproxima-se do meu como um inevitável eclipse, e o universo inteiro vibra
à força do que pulsa entre nós.
Quando tu me tocas,
não é apenas pele — é tempestade,
é um magnetismo profundo
que grita por dentro
e reacende tudo
o que eu escondi.
O teu cheiro envolve-me,
prende-me, arrasta-me
e eu deixo-me levar
porque há algo em ti
que fala diretamente
ao que em mim é puro fogo.
O teu hálito roça o meu silêncio, entre sombras, a tua pele acende o meu desejo em chama lenta.
No toque que quase acontece,
perco-me internamente
na promessa do teu corpo,
onde os poros bebem o suor da lua.
E quando a tua boca encontra a minha boca, com essa urgência densa, selvagem,
o tempo rende-se, e o meu nome submerso na tua saliva, arde insanamente na tua boca.
As minhas mãos percorrem
o teu corpo
com a urgência das marés cheias,
e o teu corpo responde
em ondas que quebram, insistentes,
na areia quente do teu ventre.
As nossas bocas procuram-se
como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo,
línguas que escrevem promessas
no sal da pele arrepiada.
Somos dois abismos
à beira do mesmo precipício,
caindo um no outro
sem medo da queda.
E quando o prazer nos atravessa
como um relâmpago a rasgar o céu,
não há mais nome, nem forma,
apenas o pulsar desmedido
de carne, desejo e entrega.
Depois, exaustos e ainda a arder,
repousamos na brasa suave do pós-fogo, sabendo que basta um olhar
para que tudo comece outra vez.
A síndrome do corpo vazio.
Sem elementos de vida emocional.
A existência tornasse algo atroz de disatinos assim vemos aglomerados vertentes.
A simbiose da superação juntamente com caminhos da luz celeste.
Vemos que podemos superar antigos conceitos para novos horizontes libertadores.
O Deserto de Dentro
A folha em branco é o corpo de várias árvores
que deram suas vidas para que palavras nascessem sobre o nada.
Ideias nascem e morrem, colocadas no papel:
garranchos para aqueles que querem aprender a ser letrados.
Do espírito lindo, nascem poesias e estrofes de versos.
Um poema corrido, sem pontuação ou exclamação,
que diz: deixem a floresta viver, sejam o espírito da vida.
A essência da existência nasce e procura meios de sobreviver
diante do tempo e do espaço, transcendendo o teu ser.
Embora sejas maravilhoso, repleto no teu existir,
sois cruel, ser humano.
Diante do cosmos complexo, o homem busca e encontra sua essência.
Mas, mesmo olhando para dentro de si, só encontra a escuridão e o silêncio.
No absurdo do universo, há um barulho que ele não compreende.
As vozes ecoam pelo tempo.
Será que um dia sentirá a dor que causou?
Para ter evolução existencial, atravessa a beleza da natureza.
Ainda dá para ver o sangue escorrendo pelo chão,
seus gritos agora silenciados pela motosserra.
Agora temos móveis e um telhado para morar.
"Está frio, vou colocar a lenha no fogo para esquentar."
— "Aproveita e coloca o leite para esquentar, pois está na hora de a bebê jantar."
— "Vou fazer o jantar também e buscar mais lenha; a árvore já está boa para cortar."
O deserto se forma.
O gado pasta onde era floresta.
O mato, para eles, é só mato...
O mato pega fogo.
O ambiente é uma teia no emaranhado da natureza:
tudo faz parte da equação da vida.
Secas e inundações, depois o deserto seco.
O vazio existencial dentro do homem é o que restou no meio ambiente.
Cada pessoa desempenha um papel no mundo, como uma célula ou um neurônio ocupa no corpo humano.
(Eric Schwitzgebel)
Mãe Mistério
O adulto de hoje foi criança
que a mãe um dia sonhou.
Foi no corpo materno,
que a educação começou
Mãe conhece antes do mundo,
a bagagem que dentro de si
carregou.
Amor invisível
Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.
Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.
Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.”
(1 Tessalonicenses 5:23-24)
Despido, humilhado, zombado,
O Rei da Glória foi exposto ao desprezo,
A cruz não só feria o corpo,
Feriu também a honra, o respeito.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro foram escritos todos os meus dias,
quando nenhum deles havia ainda.”
“Deus já sabia que Davi seria rei antes mesmo de nascer, porque todos os dias da nossa vida estão escritos no Seu livro.” (Salmo 139:16)
O Senhor não protege só o corpo,
Ele protege a reputação espiritual dos Seus.
Porque o nome não é apenas som,
é legado, é chamado, é identidade. miriamleal
A espera pode adoecer o corpo, entristecer a alma e até cegar os olhos para aquilo que Deus ainda está fazendo.
A esperança adiada faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida. miriamleal
Cinco sorrisos
Você tem 5 sorrisos, uma sinfonia perfeita em um mesmo rosto, um mesmo corpo, uma mesma alma.
Sorri largamente com um brilho mágico no olhar, por um fato bobo.
Sorri, de canto de boca, ao escutar um elogio, em que está a agradecer, mas também a manter a humildade.
Sorri de um jeito meigo com o olhar, ao me ver e desejar um beijo meu.
Sorri, mostrando os dentes, quando me escuta falar coisas picantes ao teu ouvido. Como você fica lindo!
Por fim, sorri largo e depois retém a boca em um sorriso pequeno com semblante infantil, porque no fundo sabe que me tem.
@keylak.holanda
CONFIDÊNCIAS
Meu sol, quando me toca, acaricia-me e deixa um rastro de queimor.
Meu corpo estremece diante da proximidade desse calor. A temperatura se altera, transbordo, e me entrego como uma flor que desperta sob o orvalho da manhã. Ele sorve as ardentes consequências dessas delicadas carícias, vaporizando, com a naturalidade de quem conhece o próprio caminho, tudo aquilo que despertou.
Seu toque alcança minha intimidade, rasga minhas reservas, dissolve minha privacidade. Faz-me cativa de um delírio sereno, entregue ao abandono consentido, enquanto meu corpo, rendido, prazerosamente se derrama.
O futuro, porém, é vago.
É barco à deriva, esperando as ondas do mar e a cumplicidade dos ventos, que o empurram para cá e para lá. Nesse constante movimento, habitam possibilidades infinitas. Sonhamos com a certeza de que amanhã pisaremos em terra firme e que tudo mudará. Mas o mar da vida também sabe inundar, desfazer as fortalezas construídas e devolver-nos à solidão do alto-mar.
Nada nos é dado prever.
Ainda assim, podemos desfrutar do percurso, recolhendo as maiores grandezas nas concessões da Mãe Natureza, que nos ensina, silenciosamente, a arte de amar.
Resta, então, apenas um desejo:
Que a vida nos reserve um sol para iluminar nossos caminhos e um mar sereno, onde possamos navegar sem temer as tempestades, sabendo que, mesmo quando elas vierem, haverá sempre um horizonte esperando por nós.
Eli Odara Theodoro
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido no mar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas no lugar...
No meio de tanta bagunça louca... tenho a impressão de que vou ficar...
Do mar vem o conforto
Entro devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio nas águas salgadas...
Deixo as ondas me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Seu corpo é fruto proibido
É a chave de todo pecado
E da libido, e pra um garoto introvertido
Como eu, é a pura perdição.
Bebe comigo mais uma cerveja
Aí você pede aquela dose diferente
E eu penso o quanto seu corpo
É equivalente, essa bebida quente.
Cheiro do teu corpo
Se não se lembrares de mim,
Lembre-se do meu amor por ti.
E no silêncio dos teus pensamentos
Recorde as juras de amor.
Se não sentir o meu cheiro,
Ande nos caminhos que passei.
E na flagrância desse amor
Sinta o calor dos meus abraços.
Se não tiver minha presença,
Releia as cartas que escrevi.
Sinta nelas a alegria
De reviver os meus abraços.
De você não me esqueço
Quando eu vejo as estrelas.
Vejo nelas a luz do teu olhar
Vindo aqui pra me banhar.
E no vento que me cerca
Sinto o cheiro do teu corpo.
Que perfuma a minha vida
Revivendo o nosso amor.
Se me falta o teu calor
Sobra em mim tão grande amor,
Guardado no meu peito
Dado a ti em uma flor.
Edney Valentim Araújo
