Poemas Corpo
POESIA
Inabalável
Prenderam meu corpo mais não sepultaram meu espírito.
Cercaram meus passos mais não corromperam meus sonhos.
Foram rápidos em apontar os meus erros, só não imaginaram que eu estava certo.
Tentaram me transformar em ruínas.
Enganaram-se, porque os meus sonhos e o meu espírito são mais fortes do que essas grades que me cercam.
Sofro mais é a dor que me faz crescer.
Quando parece que essas grades querem me sufocar, fecho os olhos e viajo descobrindo o mundo e todo o seu interior que é só meu e de mais ninguém.
Está preso significa não deslumbrar o futuro é achar que tudo ao redor acabou, representa pensar que tudo está escuro, significa desejar todos os dias que o sol não apareça amanhã.
Enganam-se, porque nós estaremos sempre livres, eu e o meu espírito, enquanto acreditarmos que os meus sonhos, a minha esperança e a minha Fé são maiores que tudo isso.
Eu sou
Eu sou a vida dentro desse corpo.
Eu sou esse sentimento.
Eu sou minhas lembranças.
Eu sou as pessoas que conheço.
Eu sou as músicas que ouço.
Eu sou o amor que nego.
Eu sou meus medos.
Eu sou meus defeitos.
Eu sou minha bondade.
Eu sou as dificuldades que superei.
Eu sou aquilo que às vezes evito ser.
Eu sou o que eu preciso.
Eu sou minhas prioridades.
Eu sou as viagens que faço.
Eu sou as escolhas que faço.
Eu sou os risos que causo.
Eu sou as festas que vou.
Eu sou o que comemoro.
Eu sou a paz que transmito.
Eu sou a companhia que me acolhe.
Eu sou as amizades que tenho.
Eu sou a inocência.
Eu sou a essência.
Eu sou a vida.
Nosso corpo tem prazo de validade, mas a nossa alma não. Deixar que partam antes os nossos sonhos, a nossa alegria e a nossa fé, é se despedir da vida aos pedaços, é abandonar o espírito antes do corpo, é ignorar que somos feitos de eternidade.
Que nada do que temos de mais precioso se perca antes de nós: a vida que Deus nos deu.
Lori Damm
Cada pessoa desempenha um papel no mundo, como uma célula ou um neurônio ocupa no corpo humano.
(Eric Schwitzgebel)
Mãe Mistério
O adulto de hoje foi criança
que a mãe um dia sonhou.
Foi no corpo materno,
que a educação começou
Mãe conhece antes do mundo,
a bagagem que dentro de si
carregou.
Embalo
Deus nos dá empurrões,
mas poucos aproveitam o embalo,
a maioria faz corpo mole,
cai, rasteja, reclama da vida.
" Eu vejo gente morta
Não no corpo que se perde
Eu vejo gente morta
Na alma que perece
Eu vejo gente morta
Não na falta de pulsar
Eu vejo gente morta
Na ausência do pensar
Eu vejo gente morta
Não na falta de respirar
Eu vejo gente morta
Quando esta deixa de amar"
A ginga balança o corpo,
E a capoeira nos move nesse balanço.
Por onde o equilíbrio se encontra com o desequilíbrio.
E ao som do berimbau encontro consolo.
Cada batida do peito
Meu corpo se desorganiza
quando você se aproxima,
como se cada batida do peito
perdesse o mapa do próprio rumo.
O silêncio pesa nas mãos,
elas tremem sem frio,
é o sentimento tentando escapar
antes mesmo de virar palavra.
O mundo fica lento demais,
meu fôlego falha,
e o coração aprende a errar
o compassosó para
acompanharo seu.
Não é susto, nem acaso,
é algo antigo me chamando por dentro:
meu coração descobrindo,
enfim, que sempre esteve
a caminho de você.
Raiz que não se arranca
A terra não é chão:
é corpo antigo,
é pele marcada pelo sol e pela memória.
Cada passo indígena é um traço no mapa do tempo,
onde a raiz aprende a resistir
mesmo quando tentam
chamá-la de invasão.
A luta não grita
— permanece.
É flecha feita de direito,
é canto que demarca o invisível,
é sobrevivência plantada no hoje
para que o amanhã não seja um deserto sem nome, sem povo, sem origem.
Sete de fevereiro
Não é data: é vigília.
É a história de pé, sem pedir licença,
defendendo o que sempre foi seu.
Enquanto houver terra respirando,
haverá luta
—e ela nunca esteve sozinha.
Aqui o Brasil não é mapa —
é corpo em brasa.
A pele da terra rasga em fogo,
e a fumaça sobe como um grito antigo
que ninguém quis ouvir.
No peito, a bandeira ainda pulsa,
cercada por cinzas e promessas queimadas.
O verde virou carvão,
o azul resiste como céu ferido,
o amarelo tenta lembrar que já foi sol.
Cada labareda é uma história interrompida,
um rio que pede socorro,
uma floresta que reza sem língua.
O país arde, não por acaso,
mas por descuido,
ganância e silêncio.
Mesmo em chamas, há algo que não morre: a esperança teimosa que brota na rachadura.
Do fogo pode nascer semente —
se o povo acordar,
e decidir ser chuva.
Linguagem da tua pele
Teu corpo me chama no silêncio,
e eu me perco na linguagem da tua pele, nesse calor que se aproxima devagar e ensina o desejo a respirar.
Suspiros se confundem no ar,
mãos aprendem caminhos sem nome, e o que nasce entre nós
já não aceita fronteiras.
Quando a pele encontra a pele,
o mundo recolhe a própria voz,
e só permanece esse fogo íntimo,
ardendo sem pedir permissão.
Que eu devo seguir
Eu sinto sua falta como quem
sente o corpo falhar,
não é saudade bonita,
é ausência que pesa.
Quero você de volta,
mas não aquele que prometia,
quero o que ficou preso nas lembranças
e não soube ficar.
Dizem que o tempo cura,
que eu devo seguir,
mas ninguém ensina como
soltar quem virou casa.
Como se abandona o riso
que salvava dias ruins,
os planos sussurrados no escuro,
o amor que parecia verdade?
Às vezes te amo com raiva,
outras com silêncio.
O ódio é só defesa para
não chamar seu nome.
Doeu acreditar, doeu mais
perceber que alguns
“eu te amo” não tinham raiz.
Se te deixei ir,
não foi por falta de amor,
foi por excesso de dor.
Amar também é escolher sobreviver,
mesmo que a escolha que fique
seja a que mais machuca.
Se a cabeça dói sem que o corpo encontre explicação, talvez seja porque o coração está carregando um peso que a alma ainda não conseguiu confessar.
-Jouberth Toffoli
A sensação de que o ambiente gira ou que o corpo gira em relação ao ambiente.
La
Bi
Ri
N
Ti
Te.
Um giro real dentro do irreal ou seria surreal?
Seu corpo é como uma poesia
Seu corpo é como uma poesia
que meus olhos nunca se cansam de ler.
Cada verso revela um segredo,
cada curva guarda uma palavra
que somente o amor consegue compreender.
E quanto mais leio você,
mais desejo me aprofundar
nas entrelinhas da sua pele,
nos silêncios dos seus gestos,
na beleza dos detalhes
que nenhuma palavra consegue explicar.
Há poemas que lemos uma vez
e esquecemos.
Você, não.
Você é daqueles versos raros
que, quanto mais conhecemos,
mais profundamente nos apaixonamos.
E talvez amar seja exatamente isso:
passar uma vida inteira lendo a mesma poesia
e, ainda assim,
encontrar em cada página
uma nova razão para se apaixonar.
Cartografia do teu corpo
Teu corpo não é carne.
É geografia.
Teus ombros são margens onde descanso o cansaço,
e teu peito, um chão firme
onde minha respiração aprende a ficar.
Há curvas em você que não pedem pressa,
pedem leitura.
Como quem percorre uma estrada sem mapa,
aceitando se perder só para continuar.
Quando você se aproxima,
meu corpo entende antes de mim.
A pele vira escuta,
o pulso acelera como se reconhecesse
um idioma antigo.
Não é toque ainda
é intenção.
E a intenção pesa mais que a mão.
Seu corpo me chama sem palavras,
como chamam os lugares que a gente sonha morar
antes mesmo de saber o endereço.
E eu fico ali,
entre a vontade de entrar
e o respeito pela porta.
Porque há desejos que não querem urgência,
querem permanência.
E o meu, quando te vê,
não quer te possuir.
Quer te habitar devagar.
Parada. Amarrada. Cansada.
Com a cabeça a mil e o corpo a zero.
Se reconhecendo aí?
Então escuta: ninguém vem te desamarrar.
Essa parte é sua.
Escolhe UMA coisa. Só uma.
Faz mal feita mesmo.
Mas faz.
Movimento pequeno ainda é movimento.
E movimento quebra feitiço.
Van Escher_ 🪐
A síndrome do corpo vazio.
Sem elementos de vida emocional.
A existência tornasse algo atroz de disatinos assim vemos aglomerados vertentes.
A simbiose da superação juntamente com caminhos da luz celeste.
Vemos que podemos superar antigos conceitos para novos horizontes libertadores.
O Deserto de Dentro
A folha em branco é o corpo de várias árvores
que deram suas vidas para que palavras nascessem sobre o nada.
Ideias nascem e morrem, colocadas no papel:
garranchos para aqueles que querem aprender a ser letrados.
Do espírito lindo, nascem poesias e estrofes de versos.
Um poema corrido, sem pontuação ou exclamação,
que diz: deixem a floresta viver, sejam o espírito da vida.
A essência da existência nasce e procura meios de sobreviver
diante do tempo e do espaço, transcendendo o teu ser.
Embora sejas maravilhoso, repleto no teu existir,
sois cruel, ser humano.
Diante do cosmos complexo, o homem busca e encontra sua essência.
Mas, mesmo olhando para dentro de si, só encontra a escuridão e o silêncio.
No absurdo do universo, há um barulho que ele não compreende.
As vozes ecoam pelo tempo.
Será que um dia sentirá a dor que causou?
Para ter evolução existencial, atravessa a beleza da natureza.
Ainda dá para ver o sangue escorrendo pelo chão,
seus gritos agora silenciados pela motosserra.
Agora temos móveis e um telhado para morar.
"Está frio, vou colocar a lenha no fogo para esquentar."
— "Aproveita e coloca o leite para esquentar, pois está na hora de a bebê jantar."
— "Vou fazer o jantar também e buscar mais lenha; a árvore já está boa para cortar."
O deserto se forma.
O gado pasta onde era floresta.
O mato, para eles, é só mato...
O mato pega fogo.
O ambiente é uma teia no emaranhado da natureza:
tudo faz parte da equação da vida.
Secas e inundações, depois o deserto seco.
O vazio existencial dentro do homem é o que restou no meio ambiente.
