Poemas a um Poeta Olavo Bilac
A amizade (da minha parte)
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Intensos e satisfeitos.
E um repouso lento…
Tão lento que, dos amores, formou-se amizade.
Amizades — da minha parte.
Parte de quando finalizei na sexta,
E, em outra sexta, veio o recomeço.
E o ciclo se repete.
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Ardentes, ásperos, cortantes.
Agora, um repouso lento…
Tão lento que, de colegas, tornaram-se desconhecidos.
E o ciclo, inevitável, se repete.
Engraçado como algumas coisas começam leves, sem pretensão.
Uma conversa boa, um riso solto, um convite jogado no ar.
A gente acredita que ali tem algo simples e bonito: reciprocidade.
Mas às vezes, o outro só estava ali por passatempo.
Ou talvez até quisesse estar, mas não sabia como continuar.
Então, vem o silêncio, a desculpa esfarrapada,
o “tá corrido” que escorrega como um clichê.
E a gente entende — não porque ficou claro,
mas porque ficou óbvio demais pra continuar fingindo que não.
A decepção bate, sim, mas não fica.
Ela entra, tira os sapatos, dá um suspiro e vai embora.
Porque quem tem presença leve, não se arrasta por ausências pesadas.
No fim das contas, se a bicicleta dele ficou baixada,
foi só o universo poupando minhas pernas de pedalar na direção errada.
Eu estou quebrando aos poucos.
Um pedaço se foi...
O passado não importa.
Eu estou quebrando aos poucos.
Um pedaço se...
O futuro ainda não chegou.
Eu estou quebrando aos poucos.
Um pedaço...
Eu estou vivendo o hoje.
Toda chuva fina um dia passa e toda garoa um dia torna em tempestade,
Quem me dera tudo fosse sol,
Mas, se não fosse o frio e o vento,
De onde se tornariam em frutos as sementes plantadas com amor?
O tempo é violento,
Assim como a vida a se formar,
Hora, se não viemos todos de uma explosão,
Evolução, barro, alienígenas?
Todo processo construtivo é doloroso,
Ou seria fácil de lagarta para pupa e pupa para borboleta?
Até a rosa mais bonita e sedosa em suas pétalas, carrega embaixo a saia teus espinhos,
Somos feitos de dor e amor,
Entre o caos e a calmaria,
Respira.
o completo nada
O vazio me chama, um abraço gelado,
Um sussurro suave que promete paz,
Perdida em labirintos de um sonho quebrado,
Busco na escuridão o que a luz não traz.
A brisa que passa carrega meu lamento,
Cada passo dado é um eco de errar,
Mas não me importa, prefiro o tormento,
Aos braços do vazio, quero me entregar.
Nos braços do nada, onde tudo é tão fiel.
Deixar para trás o peso da escolha amarga,
Entregar-me ao sonho de nunca mais acordar,
Pois no abraço do vazio a vida se apaga,
E a dor se dissolve em um eterno vagar
Ecos
O que eu sentia por você?
Um eco vazio, um amor dilacerado,
Troca constante, como sombra em dia nublado
A confiança se esvaiu, um sonho desfeito.
Anos passaram sem um gesto sincero
Palavras que brotavam de meu ser como flores,
Você só repetia, ecoando meus temores
Nada partia de você, apenas um silêncio severo.
Competíamos em uma dança cruel
Eu não queria vencer, só queria amar.
Vi seus erros se acumulando em um painel
Mas a cegueira do amor me fez hesitar.
Preferi desistir da vida a sentir a dor profunda,
Machucando-me fisicamente para calar a mente.
Você nunca viu as lágrimas que o peito afunda,
Desconhecendo o abismo em que eu me fazia ausente.
Sentimental por dentro, chorava em segredo,
Temia aborrecer-te com minha fragilidade.
Transformava sua vida em risos e enredo,
Amendoim e vinho — nossa falsa felicidade.
Acreditava que ter você perto era melhor,
Sofrendo na companhia da sua indiferença.
Esperava que você fosse meu alvorecer,
Mas no fim percebi que era só uma crença.
Na última volta que nos encontramos,
Me tornei sua sombra — briga e grito.
Um espelho da dor que juntos formamos,
Entregando-me inteira a um amor tão aflito.
Agora carrego as marcas desse amor sombrio,
Um fardo pesado que não sei como soltar.
E mesmo perdida em meio ao vazio,
Espero um dia encontrar o caminho para amar.
Sou um simples observador deste mundo. Não sei como as pessoas conseguem viver em seus devaneios de aparência. Nesta sociedade, você vale pelo que veste, pelo que finge ter na conta bancária, e pela forma como se locomove — como se tudo isso realmente dissesse algo sobre sua dignidade. Mesmo sendo uma fantasia, essa ilusão social ainda rege relações.
Por não vestir roupas de marca, não ter dinheiro ou andar a pé — e, muitas vezes, por tentar expressar meus posicionamentos sociais e políticos, arrastando comigo uma pseudo-filosofia voltada aos que estão à margem —, acabo sendo visto como louco pelos que se acham no topo da pirâmide social.
Mas eu amo essa visão que criam de mim: um pobre coitado, sem estudo, dinheiro ou status.
Quero viver com os loucos, moribundos e desvalidos — porque é neles que encontro mais sabedoria e conhecimento do que naqueles que vivem mergulhados nas loucuras sociais.
O som é um caminho
o coração nos manda caminhar
há trigos, há joios
há céus, há mar
Amaria a tuas bandeiras?
soprei na aste do barco azul
cantando as folhas
nos rios da imaginação.
Atrás dos muros, um vazio,
Noites contra o que é sóbrio.
Minha mente me leva a ser assim,
Cada um colhe aquilo que busca em mim.
Meu sorriso não é falso, ele está amarrado,
Eu não sou amargo, apenas me tornei amargurado.
Meu super ego tirano
não me permite mais
um dia deixou me entregar
e foi só abandono
agora eu preciso aprender
a ficar só e esquecer
sonhos e planos...
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"A postura de um cristão fala antes do seu nome. Quem serve a Deus de verdade não precisa se exibir — a presença limpa anuncia o caráter. Não se mete na vida alheia, porque já tem cruz suficiente pra carregar. Respeita, caminha em silêncio, vive o que prega. O servo de verdade não grita santidade, ele vive. Não tem tempo pra maldade, fofoca ou vaidade. Seu compromisso é com o céu, não com a opinião dos homens. Quem anda com Deus, anda com temor. E onde o temor anda, o mundo se cala."
— Purificação
Sua alma calada é uma fruta de plástico.
O agora eterno era um relógio sem bateria.
O amor sem liberdade é um homem preso ao corpo.
Uma flor que nasce do silêncio era um gesto que só o tempo entendia.
A lucidez em demasia é a distorção da realidade em estado de insanidade.
Quando ninguém a observava ela ria com os ouvidos.
A cor da ausência é transparente e quando preenchida é um prisma de arco de íris.
A lágrima interna molha a alma.
Páaa é o som do impossível absurdo.
Se a linguagem evaporasse ela nascia de novo na chuva das palavras.
Aquilo que parece ser um peso em nossas costas,
pode ser na verdade, um estímulo para transformar
a nossa realidade.
A verdade para um ser feito de mentiras é um gato que nunca nasceu nem nunca morrerá.
Traaa e se quebrava o espelho do sonho.
O pensamento que o mundo não está pronto para ouvir nasce como um ovo no ninho de um animal mamífero.
O coração que ama o impossível é um homem grávido, enquanto sua mulher espera um filho.
O vazio que habita o ser humano é um balão preso na garganta.
O céu de quem perdeu toda a esperança é um universo colorido de estrelas que o homem não enxerga.
O nascimento ao contrário é um feto parindo sua mãe.
Antes de ser dita, a palavra precisa ser criada. As palavras nunca se repetem, elas são sempre um ser humano nascendo com suas únicas impressões digitais.
A dor que não cabe no corpo nem na linguagem é um pássaro que nunca pousa.
A dança de dois silêncios que se amam é a mãe olhando o filho pela primeira vez.
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Te amo de um jeito que nem eu entendo.
Te adoro até no silêncio.
Te venero como quem encontrou um milagre.
Te acho incrível até nos teus defeitos.
Te amo mais do que eu sabia ser possível.
Te adoro como se fosse meu lugar favorito no mundo.
Te venero em cada pensamento que tenho.
Te acho incrível mesmo quando tudo está um caos.
Te amo com calma e com furacão.
Te adoro com cada parte de mim.
Te venero como quem respeita o que é raro.
Te acho incrível em detalhes que ninguém mais nota.
Te amo até nas entrelinhas.
Te adoro como quem não cansa de escolher.
Te venero como quem confia de olhos fechados.
Te acho incrível só por existir.
Te amo tanto que chega a doer de leve.
Te adoro até quando briga comigo.
Te venero como quem sabe que encontrou algo sagrado.
Te acho incrível só por ser você.
Te amo sem vírgulas, sem ponto final.
Te adoro de manhã, de noite, de madrugada.
Te venero como quem protege um segredo.
Te acho incrível até sem esforço nenhum.
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O tempo é um filtro que só deixa passar as palavras puras, próprias para consumo.
Memória é para o passado assim como a imaginação é para a alma viva das estações, dos momentos oníricos e da brutal realidade do ser.
Só quem convive com a solidão aprecia uma verdadeira companhia.
Angústia que nasce da beleza é como o filhote de pássaro, que nasce despejado, frágil e se transforma em um lindo flamingo rosa.
O pensamento criativo flerta com o infinito, mas não pode ultrapassar a atmosfera.
A escova de dente é como uma mãe lambendo o rosto de seu filhote — no caso, é a saúde bucal.
O vazio sobra
Aquilo que se fragmentou
O desejo alcança
O além da esperança.
Ela esperava o sol esfriar para aquecer o café. Esperar o sol esfriar é torná-lo sujeito onisciente, para o momento certo de aquecer o café — convite para que a comadre se aproxime e compartilhe esse momento.
Melflorar — mistura de mel e florescer. Quando o mel está no ponto de ser colhido e reiniciar o ciclo.
Impermanência é acompanhar o crescimento de um filho em todas as suas etapas.
A linguagem é um elemento no limiar da transformação, deixando de ser quem é e se transmutando em outro elemento, o ouro. Quando um homem passa debaixo do arco-íris, ele vira mulher.
Eu peguei o eclipse e fiz dele um pincel. Todas as vezes que eu pinto, os quadros são escuros e solares. São um fenômeno da natureza cósmica transcendente.
Uma régua serve para medir. Um copo serve para beber água. O indizível serve para silenciar.
O tempo que não passa e não fica pode ser traduzido como o tédio, sentimento que descarta todas as possibilidades da criação. O tédio não passa nem fica, ele come as beiradas da lucidez, num grito rouco, sem forças para se comunicar.
A verdade é uma fruta aberta por um pássaro. Ele se torna dono de sua suculência.
O homem comia o fruto, e sua seiva era meliflua. O que era meliflua, o fruto ou o homem?
Um espelho que visse essência refletiria as grandes questões existenciais do ser humano: a angústia, a alegria, a pressa, a calma, a vida e a morte.
O tempo caiu no abismo, mas não morreu. O silêncio o sustentou em sua queda, para que o tempo não se extinguisse.
Só quem já se perdeu de si olha o mundo como exaurido, nada mais lhe pertence. Em seu descontrole perdeu a capacidade de lidar com a complexidade da vida. A dor do vazio se apresenta, mas se restaura ao ver um filho criado. Eu sou além de mim mesmo.
Sentimentos
Como vai a vida?
Um verdadeiro desastre… mas faz parte.
O choro, os sorrisos, os suspiros,
Os corações partidos,
A paixão, a desilusão...
Não importa o quanto tentemos,
O quanto lutemos para não sentir —
Os sentimentos sempre estarão presentes.
Seja num simples gesto,
Seja numa única palavra.
Por isso, sente-se.
Escolha um livro,
Pegue uma xícara de café,
Coma alguma coisa,
Mesmo que você não os tenha agora
Uma hora…
Ou outra…
Eles hão de aparecer.
Versos de um Biquíni no Tempo 🎶
No coração do Brasil, um som despertou,
Entre acordes e sonhos, o tempo parou.
Biquíni Cavadão, rebeldia e ternura,
Cantando verdades com alma tão pura.
Vieram dos anos de dor e mudança,
Guiados pela luz da eterna esperança.
Em cada refrão, um grito contido,
Em cada palavra, um mundo vivido.
Não era só música — era libertação,
Era ponte entre o medo e a inspiração.
E até hoje, no peito de quem sente,
Ecoam canções que embalam a gente.
