Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Quero um pouco dos grandes olhos das corujas, que no escuro enxergam as formas mais difíceis um pouco da sabedoria das formigas, que com perseverança vão construindo pouco a pouco suas moradas. Mas nada é melhor que um café quente, esfumaçado na paisagem, pássaros coloridos aos céus voando de passagem. Já equivale o ganho de um novo dia, cheio de perseverança, sabedoria e inspiração.
Vou esquentar um dia cinza com café, nosso encontro foi na bancada do café, nossos filmes são acompanhados de café, pode ser tudo uma bobeira, mas não deixo de lado um bom café.
Você é tão Linda e preciosa e não existe um poema mais Belo do que você nesse mundo pra mim você é mais bela do que tudo nesse mundo..
" Peças licença para passardes por onde o teu desconhecimento te antecede com um espelho em mãos. "
A montagem de um filme é quando a insanidade, a prudência e a condição atmosférica são trigêmeas, onde o pai é a licença e a mãe é o poeta.
Berto se revoltou completamente ontem, um surto capaz de mudar toda a sua trajetória até então, mas ele não mudou. Era imutável, era fechado, era Berto. Pediu demissão de mais um emprego entre inúmeros no último ano, eremita insaciável, insatisfeito, inconsolado. Mandou seu superior pro inferno, engolia ofensas há meses, Berto não nasceu para se submeter, era insubmetível. Jogou uma caixa de arquivos na cara do canalha, que lhe ordenava ordens insensatas, um cretino munido de idiotices hierárquicas.
Berto virou um demônio e pediu a Deus que lhe desse discernimento, para não cometer ali uma atrocidade. Aquela saleta fedia uma loção barata e desodorante vencido, misturado com cheiro de banheiro e desinfetante caseiro. Divisórias mofas exerciam sua tarefa mal sucedida de serem repartições, isolando os ambientes, descumprindo a missão de ocultarem as conversas em voz alta e os berros exaltados de chefes e subordinados neuróticos e estressados.
Anteontem foi aniversário de um Cardeal inglês, fez 88 anos, se reuniu com o clero bem cedo, antes do galo cantar, almoçou com o bispado na alta cúpula, jantou com chefes de estado no vaticano, abençoou muitos fiéis da vidraça de sua suíte no quarto andar.
Anteontem foi aniversário de um Sheik árabe, fez 68 anos, acordou tarde, tomou café da manhã com suas doze esposas, diante de seis serviçais, jogou Pólo, vendeu sete milhões de euros em ações da bolsa, comprou um haras, não deixou gorjeta para o chofer.
Itens da prateleira na promoção,
Pegue um, pague três, roube um cacho E um frasco pra náusea da indigestão, De ter que empurrar Goela baixo.
Úmida e insecável era aquela rua, um pouco depois daqueles limites o sol reinava, mas ali não, não ali. Aliás, o cheiro de mofo exalado pelas alvenarias e madeiramentos depreciados, marcava característica e peculiarmente aquele beco, com o esverdeado e vívido musgo que saltava por entre os seixos que assentavam a calçada; um catingueiro interminável forrava os jardins dos casebres que se pareciam mais com caixotes de verdura do que com habitações.
Sou sugado selvagemente por surtos incontidos de iluminação e um subseqüente mergulho no alcatrão do irresoluto.
Egoísmo material nunca foi um problema, porque todas as tranqueiras que nós acumulamos durante nossa instantânea existência, não valem absolutamente o menor dos acenos.
Seis quarteirões para alguns, um complexo residencial para outros, o labirinto inconcluível de uma insana trajetória para Edegar.
Uma barbearia; uma padaria; uma escola; um carrinho de cachorro-quente; um carrinho de churros que também vendia doce de cocada; uma banca de jornais; uma praça arborizada com uma fonte no centro; um clube.
Ele gostava de pastel de queijo, jabuticaba, garapa, de vez em quando um trago de pinga, geralmente com vermute, a famosa rabo de galo.
Edegar era um filósofo, apesar de raramente falar algo, ele notava, notava as pessoas, as construções, os veículos, as sarjetas, o mato que nascia por entre o calçamento; notava o céu, conhecia tão bem as nuvens, as revoadas de pássaros próximas do rio que cortava a vila.
Indivíduos tão livres quanto uma formiga encurralada por um copo. E ficamos indignados por esta situação.
