Poemas a um Poeta Olavo Bilac
O que posso ser
mais do sei ou mais do que sou?
O que penso conflita
Àquilo que imagino.
O que imagino
é a realidade paralela
do irreal.
Sou poeta;
Sou filósofo.
Sou ser humano
em busca do ideal.
Fui, por tempos,
o mais ingênuo dos poetas.
Traduzi minha alma em escritos,
ofertados a rostos que jamais souberam ler;
justamente por esconderem-se atrás de máscaras.
As palavras — essas que julguei importantes —,
definhavam-se à medida do correr do tempo.
Então, tornaram-se meras lembranças do que poderiam ser:
pontes de transformação,
não muros de adorno.
Foi à escuridão do meu quarto —
a única leal que me restou —
que compreendi:
não era a beleza que faltava aos versos,
mas o merecimento dos olhos.
Toda poesia é imperfeita,
como todo homem;
e é essa a essência da natureza.
Os dissimulados, na vã procura do eterno,
hão de pasmar-se aos espasmos da tênue verdade.
Agora, ao ausentar-me,
deixo um rastro de luz contida —
mínima, talvez,
mas real.
Aqueles que um dia lerem,
não mais embuçados
— com a alma aberta —,
sentirão o brilho de minha partícula viva,
explodindo no silêncio cósmico.
“Não fui lido,
mas fui real.”
Poetamento
Meu simples poetamento, pouco explica em seu rumar.
Faz parte dessas ruelas que sempre surgem,
Como meus pequenos passos a marear.
Insinuando trilhas, avistando mapas, a orbitar.
As palavras servidas, além do que, tanto perguntam.
Como guardar o beijo que será efervescido?
Como carregar os pedaços dos que nos faltam?
Como desalumiar os pirilampos da saudade?
Meu palavrear não tem controle de custos.
Pode arquejar no tempo, não estar imune,
Ficar laçando luares, impávido escapulindo.
Querendo partilhar em si, fugaz raio da vivência.
Minha confabulação desmerece acanhamento.
Anda indócil, quase sempre nua, a entregar-se a um riso.
E quando eu pouco me descompasso, num alvoroço,
Sem qualquer anúncio, faz surgir estelares num pingo d’água.
Carlos Daniel Dojja
SOZINHO AQUI
Na minha infância morando na roça
Agente namorou pegados na mão
Em meio às rosas e a poeira do chão
Eu te beijei foi a despedida
No seu intercâmbio perdemos contato
Pra relembrar olhava seu retrato
Hoje ela voltou, quase nem acreditei
Se tornou um mulherão
E eu continuo com a mesma paixão
Olhando pela janela ela passou num carrão
Com o vidro aberto disparou meu coração
Ela me viu com um abraço aperta ela sorriu
Me apresentou o marido e os filhos
Vou continuar vivendo mais parece que morri
Foi um choque no meu peito porque nunca te esqueci
Você casou com outro e eu sozinho aqui
Sem querer olhei o calendário
Ta marcado a data que agente se conheceu
Foi um sinal do espaço
Você tão perto de mim se esqueceu
Vou continuar vivendo mais parece que morri
Foi um choque no meu peito porque nunca te esqueci
você casou com outro e eu sozinho aqui.
Distopia.
Desajeitado, andei, falei,
pensei.
O estranho é mais poético,
cada ato é verso,
já fui poesia.
Ambição de poeta é se tornar anônimo.
Ser, e só.
Improvável, o singular não cabe
no anonimato.
Para enquadrar-me,
travesti-me de multidão.
De poesia virei prosa, prosaico.
Descomprometi-me com a rima e seu desfecho,
conotação limitou-se a denotação,
o lirismo acabou com a chegada da distopia.
Matei o poeta, limitando-o.
E de mar, virei arroio.
Já fui verbo encarnado,
hoje sou texto inconcluso.
Pela palavra tudo se fez.
Pela palavra nasce a esperança mesmo depois da morte.
Na palavra perdidos encontraram um lugar seguro.
Pela palavra o cego enxerga sem ver
Pela palavra um coxo caminha imóvel
O milagre não está na cura.
O milagre está na palavra.
Quando o verbo se fez poeta a poesia virou sinônimo de Deus.
Solidão
Mesmo no meio de uma multidão estou só,
Apesar das aparências, eu ando com a minha bandeira branca da paz carregando o significado da minha existência,
A essência da minha alma solitária esta presente na caneta do poeta.
Enquanto
Enquanto as horas passam
E os segundos correm
Muitas vidas nascem
E outras tantas morrem.
Enquanto a melodia toca
E as ondas oscilam no mar
Tenho a cada vez menos certezas
E uma enorme vontade de amar.
Enquanto o pôr do sol encanta
E o beija-flor beija a flor
Eu cuido do meu jardim
Seguindo o que o poeta aconselhou.
Edson Luiz – Primavera de 2015
Sedutoras Manobras Impecáveis
Adentrando ao saguão,
Esmigalhou comentários maldosos,
Fazendo julgamentos destrutivos
Conspirarem a seu favor.
As gesticulações
Do caminhar brigante,
No voejar das mechas,
As risadas satíricas.
Experimentos falhos.
Em si, algo,
Irreproduzível,
Pelo ser impraticável.
As tuas competências
Profundamente instáveis,
São conquistas sedutoras,
Em manobras impecáveis.
Imaculável molde,
Padrão impensável,
A conclusiva panca,
Guiando aprendizados.
Resistência irrompida,
Pelo ser impecável.
Phannie
Colhamos inicialmente
As diversidades inexauríveis,
Selecionando especificamente,
Ortodoxo, cálido, arrojado.
Primeiramente saibam,
E atentem-se ao seguinte fato:
O que vem a seguir é irrelevante.
Evitem desabar com cuidado,
Que a queda seja catastrófica
E as perdas se façam fulgurantes.
Phannie,
Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.
Deixe as quedas serem catastróficas
E as perdas revelarem-se abundantes.
Em meio a paradas bruscas,
Rolamentos e rasteiras letais, Redescobrimo-nos vivos.
Indivíduos levemente coletivos, Estabelecendo persistentes,
Os imprudentes laços vitais.
Em meio a retomadas bruscas,
Robustas rinhas quase irreais,
Reinventamo-nos vivos.
Fulanos severamente atraídos,
Diluindo pertinentes,
Os quase indestrutíveis laços individuais.
Phannie,
Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.
Deixe as quedas serem catastróficas,
E as pérolas revelarem-se fulgurantes.
Phannie,
Primeiramente saiba,
Meu último recurso, é dedicado a ti.
Ingredientes Súbitos de uma Receita Improvisada
Neste molho encorpado, as essências,
Cumprem ardentes, tua tarefa insistente, Para com o paladar.
Salpicados destemperos minúsculos,
Num vasto cardápio variado.
Eu não entendo nada de balanços,
Só sei que a medida de nós,
Resultará num montante adequado, Compenetrante, descalibrado.
Suculentos aperitivos flambados,
Sempre engolidos, jamais degustados. Servidos assim de repente,
Um banquete em louças prateadas, Ingredientes súbitos
De uma receita improvisada.
Cristais luminosos, castiçais,
Toalhas em fibras douradas,
Mesa de mogno, brasões entalhados, Deixados de herança às criaturas noturnas,
Que coabitavam a construção desolada.
A sarjeta não discrimina,
Nos acolhe, nos apadrinha,
Igualmente materna e azinhavrada,
Para com repulsivos, escorraçados.
Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.
Ennoê
Por fim, não há razões reais,
Que me permitam,
Afastar-me de você.
Para tal, venho por meio desta,
Rebuscada tentativa falha,
Rascunhar em linhas vagas,
Percepções, poéticas consumações,
Que até então, pouco pude compreender.
Ennoê, não há razões reais
Que nos façam embrutecer.
Ennoê, as decisões tomadas
Serão consideradas para esclarecer,
Os aspectos sadios adicionados a mim, Por estar diante de Ennoê.
Espectros sombrios,
Apaziguados por nossas orações.
Poéticas consumações,
Que permitem, aproximar-me de você.
Ennoê, não há razões reais
Que nos façam embrutecer.
Poéticas consumações,
Permitem, aproximar-me, Ennoê.
Mesmo que nada tenhamos,
Ainda teremos nós.
Uma porção de insistência,
Cercada de resistência
Por todos os lados.
Tristeza Oculta num Sorriso Púrpura
Uma pose inovadora
A cada enquadro,
A insensatez projeta
Algo irrefreável.
Caretas reveladoras
Num autorretrato,
Somos o resultado
Deste incidente planejado.
Ardilosa, perspicaz,
Astuta, encantadora,
A Tristeza Oculta num Sorriso Púrpura.
Torrentes de acusações
Infundadas,
Cafunés em subsequentes
Saraivadas.
Nossas birrentas
Carícias dolorosas,
Atestam a teimosia
Da inconveniência reprimida.
Vem raivosa,
Destemida ruidosa,
A irromper,
Com a Tristeza Oculta num Sorriso Púrpura.
Na torrente esmagadora,
De saraivadas indefensáveis,
O dilúvio se apresenta desnutrido, Enquanto a arca é dedicada
Ao supérfluo imperial.
Esplendorosa,
A vertente talentosa,
A dissolver,
Com a Tristeza Oculta num Sorriso Púrpura.
Dominique
Saiba que nunca seremos
Tão felizes quanto fomos,
Nestes cinco minutos antes do agora
E nos cinco minutos posteriores a este.
De onde vem a proibição
Que nos é imposta ?
As regras para apreciar algo ?
O instinto há de se revelar.
Por que isso é aprovado
E aquilo jamais será ?
Existe um limite determinado
Para declararmos nossos amores ?
Justifique-me o fato, de sermos
Impedidos de amar deliberadamente.
Dominique, nós nunca seremos
Mais felizes do que nós fomos,
Nestes últimos cinco minutos
E nos cinco minutos seguintes.
Preciso amar de maneira vasta,
Esta é minha necessidade vital,
Minha improbidade emotiva.
Julgue-me com severidade,
Me afogue nas tuas convenções,
Mantenha-me abaixo do nível,
Daquilo que se apresenta como aceitável.
Aponte todos os dedos para mim,
Teus preceitos, preconceitos,
Pretéritos tão pouco perfeitos.
Meu futuro não pertence a estas paragens,
O karma transgressor,
Desobedece os dogmas inquestionáveis.
Amo você e não por este fato,
Amo-a mais que às outras,
Nem às outras de modo particular,
Em teu prejuízo.
Dominique, nós nunca seremos
Mais felizes do que nós somos,
Nestes últimos cinco minutos
E nos cinco minutos seguintes.
