Poema sem Amor Madre Teresa
Doce café frio
Acordei, infelizmente
Vou me arrumar, expediente me aguarda
Já orei, e pedi proteção a meu anjo da guarda
Logo cedo, sinto que todos me encaram
Trabalho... e mais um dia eu foquei no sorriso de todos
Esqueci do meu, como sempre
Pois eu nunca me priorizo
Sou insuficiente o bastante para isso
E eu deixo você considerar isso mais um clichê
Um adolescente querendo escrever por 'aê'
Até porque, todos nós somos clichês
Você sabe disso
A noite chega
Tomo mais um gole de café
Já frio
Porém, ainda doce
Eu convivo com pessoas que vivem me elogiando
Como se eu fosse incrível
Falam que me querem, e para sempre
Mas como sempre, me trocam por um rostinho bonito
Mentira
Coisa que como todos, odeio
Mas cismam em mentir
E minha vida acaba como uma velha roupa colorida, pois
O ciclo está para retornar
Leio mensagens de quem diz me amar
Mesmo desconfiado
Acabo sendo recíproco, ele retornou, o ciclo.
- Oliveira RRC
Olhei para' lua e gritei
Gritei sentimentos escondidos em mim
Sentimentos que guardei
Para que não descobrissem
Quem realmente sou.
Na curva do horizonte
o infinito deságua
e caímos nos braços da ilusão
vestida de nuvens e imensidão.
Na reta da tarde
a noite se aproxima
incendeia o céu
e se veste de paixão e dor.
No silêncio da aurora
a alma descansa e sonha
com mares mais azuis
com o sorriso da eternidade.
A tempestade balançou meu barco
Balança, balança, velho barquinho
A tempestade quebrou-lhe o casco
Aguenta, aguenta, velho barquinho
A tempestade partiu-lhe o mastro
Aguenta, aguenta, velho barquinho
A tempestade agora se foi
Chora, chora, velho barquinho.
não é uma corrida,
mas eu estou cansada antes de começar
exauta de tanto tentar
e a unica coisa é aceitar.
talvez seja uma corrida,
e ainda tenho muito para passar
menos caminhos a cortar,
e a unica coisa seja aceitar.
bem, é uma corrida,
e não tem como negar.
a unica coisa é aceitar.
Refúgio
Me leve para um lugar tranquilo
onde eu possa respirar
onde o sol nasce de manhã e por isso eu me sinto feliz.
Me leve para um lugar
onde dá vontade de sentir o vento
e não pensar mais em nada
só em quanto estou grata por estar viva.
Me leve para um abrigo de amor
onde eu amo e me sinto amada
onde não há dor
e se houver, que eu saiba que ela pode ser curada.
Me leve para um lugar
de esperança
onde eu possa crer
que vão existir dias melhores
e que a tempestade vai passar
é só acreditar.
Me leve para as montanhas
onde eu veja do topo que há vida
e que eu possa me jogar
sem medo de cair
sem medo de saltar
Me leve para os oceanos
onde transborda paz, esperança e amor
e que eu não fique só na superfície
que eu tenha coragem de mergulhar
lá eu vejo as estrelas, corais e mariscos
e quando eu subir novamente
possa ver de novo as estrelas no céu
com a certeza de que vale à pena
cada centímetro que se viveu.
Na noite cai a chuva
Cai lentamente sobre o cinza urbano
No lúgubre cintilar dos faróis acesos
Contorno sombrio e profano
Perdidos na manada de metal
Na incerteza da vida
Na escuridão da noite
Contando cada real
Viajando pelo irreal, o irracional
O consentimento da escravidão
Cravado em cada centímetro moral
A vida acaba, voa passarinho
Voa livre, livre da selva de metal
Voa livre, de volta ao teu ninho
Acredito nos recomeços e nos fins, acredito nas tempestades e nas bonanças, na chuva que lava e no sol que esquenta.
Acredito no que quando for pra ser será e também que se deu errado é porque era pra ser assim.
Acredito na verdade, mesmo que doa, na coragem de viver e lutar pelo que me faz feliz. Acredito em heróis disfarçados de pessoas comuns e em demônios de anjos. Acredito na ignorância de algumas pessoas pois isso faz bem ao ego delas mas também acredito na força de quem é do bem. E vocês em que acreditam?
Mordida de Cobras
estou cansada
desse buraco
de cobras
Porque a cada mordida
não sou eu mesma,
fico confusa
não consigo subir
Eu serei
salva,
não sei
Vou morre, talvez
não vejo mais a luz
se ainda houve,
luz
se ainda houve, salvação
desse buraco de cobras.
Linhas Paralelas
Nunca fomos um
Mas nunca fomos dois,
Nunca estivemos juntos
Mas nunca nos separamos.
S
Solo o sentimento sóbrio.
Solto sobe solitário.
Sabe, não existe sedimentos.
Se sozinho sempre sigo,
são fatos consentidos.
Sem pressa, estou saindo.
Sim você, me trás sentido!
É tempo de agradecer...
Tire um tempo sem hora,
acorde e sinta o seu tempo,
o tempo que traz presente,
uma luz que não se vê
apenas se senti.
O melhor tempo de se viver!
Então desfrute este tempo,
o tempo que se vive intensamente,
e entenda que a todo tempo,
se pode agradecer.
O tempo sem gratidão,
não compõe poema,
nem história que se queira ler!
Encandecente
Segue a Vida, protegendo.
O corpo que protege o cérebro.
Que desenvolve, o ser pensante,
Nas convecções com a Vida.
Não conduzimos.
E a gravidade. Puxa para religação.
E, o ser individual, tenta entender.
Entender, estendo a consciência. Do-que?
Estado de ser Presente.
Esquecimento. Lembrança. Mudança.
Formando novas conexões. Continuum,
O Sol nunca para.
Idas e retorno, a mesma massa, circula.
Pensante. Sentida, pelas águas da Vida.
Na procura do atman.
Para se refletir em espelho.
Mas com um conteúdo de consciência possível.
Sensibilizada pelas cordas do Instrumento;
Que transporta a Vida, de um ponto, para outro.
Para a proteção da Vida.
De tamanha grandeza, inexiste forma.
Sendo o vazio. Que impulsiona a busca.
Mais quente. Mais leve. mais forte.
De maneira que.
A água da vida circula, formando o espirito.
Até a próxima etapa da Vida.
Sendo o tempo.
Apenas a medição de um ponto ao outro.
E o Sol. Sempre estará lá.
Marcos FereS
"[...] Pra quem de muito, entende um pouco
E de nada, entende coisa alguma
Até que esta vida oportuna
De vez em quando
Entre o riso e o pranto
Te faz suspirar"
(Homem do mar, p. 62)
Construa uma casa
Que tenha ressonâncias
De sua infância
Que seja tão ninho
Quanto as choupanas de Van Gogh
Ou tão forte
Quanto o endométrio
De seu primeiro abrigo.
Construa uma casa
Cristalina
Como seu coração
Meigo
Grato
Que entoe sempre
O exercício fugitivo das saudades.
Construa uma casa
Onde haja o convívio
Da escuridão e da luz
Onde insetos e nepentes
Travarão um pacto
De néctares e cantos
Ninguém precisará evadir-se
Não haverá amantes trágicos
Ou reféns
Nas manhãs silenciosas de inverno.
Construa uma casa
Onde tudo seja permitido
Bailar com os morcegos
Acariciar as estrelas
Ao som dos soluços da madrugada.
Construa uma casa
Onde possa ouvir
O ruído das águas subterráneas
E o adormecer das cigarras
Onde possa ver um imenso ramo de oliveira
Fraternal,
Devorando a indiferença dos homens.
Livro: O Outro Braço Da Estrela – Poemas
Capa e ilustrações - M. Cavalcanti
"Decepção tem nome e sobrenome
É ausência do que não foi vivido
Visto, sentido, ouvido, tocado...
Recitado, lambido ou acariciado.
Enfim...
É lembrança ruim do que não se teve
E, no campo da eternidade,
Nunca mais retornará"
(Homem do mar, p. 55)
O diplomata e o apedeuta
O diplomata gritava em altos brados...
Ora ria em gargalhadas incontidas.
Cheio de orgulho e vaidade tolas,
criticava e via defeito em todos!
Entre os seus estava bem posto..
Visto que, todos eram apedeutas.
Fora os seus os outros era resto,
afirmava assim os diplomatas!
Dias e mais dias iam se passando
e gerações vieram de um e de outro,
Os diplomatas por um lado
e os apedeutas por outro...
Nem todos eram diplomatas
e nem todos eram apedeutas,
mas generalizando assim seguiam,
porque uns nos noutros se viam!
Maria Lu T S Nishimura
SÃO JOÃO
É noite de São João,
no pátio tem atração,
simbora forrozar/
Tem quadrilha à noite inteira,
o povo acende a fogueira,
come milho e munguzá/
Gibão e mandacaru,
Petrolina e Caruaru,
eu tenho que visitar/
Muito amor no coração,
essa é minha região,
o Nordeste é meu lugar.
É que a gente temos que entender
Que todos nós também representa
O palhaço
Já da pra ver no rosto, o sorriso
Estampado, sorrindo especificamente
Por fora e as lágrimas escorrendo
Por dentro.
Te vi na vitrine ao cruzar a rua
A beleza de tal me fez querer ser tua
Me dei conta que o lugar era errado
Vitrine certa, saldo findado
Insensatez cruzar tal rua
Insensatez querer rimar com ser tua
