Poema da Fome
A Miséria Julgará o Mundo
É a miséria que irá julgar os destinos da terra inteira. É ela também que nos julgará quando comparecermos diante de Deus.
Nessa hora o Senhor dirá a cada um de nós:
- Eu tive fome. Eu tive frio. Onde quer que tenhas vivido, os que tinham fome, os que tinham frio na terra inteira, era eu que estava neles. Na verdade, sem piedade para com o próximo, não passamos de hipócritas, porque em cada irmão que sofre e chora está a face de Deus.
Ah ! Se eu pudesse.
Ah! Se eu pudesse ser um humano com cartas nas mangas.
Iria nos vilarejos escondidos,
Iria percorrer o mundo inteiro,
Percorreria até o pior dos desertos,
Tudo para resgatar as criancinhas pobres e sofredoras,
Resgataria aquelas que apanham sem nada ter feito,
Resgataria aquelas escravas em sua própria família,
Resgataria aquelas que sofrem abusos sexuais,
Aquelas sujas e desnutridas,
Aquelas que tem talentos e não sabem como se expor,
Aquelas que foram entregues ao léu,
Aquelas que foram abandonadas pelos próprios pais,
Aquelas que usam drogas e ninguém é capaz de ver e tira-las desse poço letal,
Aquelas que sentem fome e não tem pão,
Aquelas que nunca provaram o sabor de um chocolate,
Aquelas que nunca mamaram e só sabem sentir dor estomacal,
Oh! Fome miséria que me deixa sem chão.
Não sei quem eu sou,
Só sei que sou pequeno para tanta bravura.
Mas Deus sabe de tudo.
Deus sabe de cada dor e clamor.
Ele sabe o lobo que rungi em cada coração,
Ah ! Como ele sabe...
Está nas mãos dele.
O amanhã será outro dia.
Mais um dia que temos que viver e saber que além de nós, temos crianças no mundo inteiro que nem sabe ao menos escrever e o que pedir para comer,
Porquê ?
Apenas não tem quem nos leciona e quem nos dá algo para comer.
Aqui seu moço!
Só temos dor e não sabemos com tudo isso,
Como nos proceder....
Autor :Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
GENTE!!!!
Meu shampoo acabou, o cabelo grisalhou
Minha barba branqueou, a dívida cresceu
A preguiça se instalou
A barriga aumentou
A Aposentaria desvalorizou
A despesa cresceu
A geladeira, antes farta, está quase vazia
No armário pouca lataria sobrou
Antes, frutas e verduras, carnes, laticínios
Agora, quando muito, arroz, feijão e ovo
E então, meu povo?
Será que iremos comemorar o Ano Novo
Em 2022?
Juares de Marcos Jardim - Santo André - São Paulo-SP
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
Todos queremos uma vida boa, por isso todos lutamos contra todos!
Devíamos lutar todos contra a fome de todos.
O esquisito 🎯🇲🇿
Da janela do quarto,
olhava para rua
Nua e crua,
revelava a tristeza
que vinha na rua.
O ser humano perdido
não era bandido,
não tinha destino,
caminhava sorrindo,
buscando comida
que encontrava nas ruas.
Como criança, não entendia
por que existia tanta comida na mesa
e barrigas vazias caminhando nas ruas.
(FERGOM, Edleuza. Indagações. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 99).
MEDO!
Medo, medo, medo…
Medo da vida;
Medo do crime;
Medo da rua;
Medo do luto;
Medo da fome;
Medo de amar!
Medo do golpe;
Medo da morte;
Medo da sorte;
Medo do ar!
Medo do céu;
Medo do Sol,
Medo do medo,
Medo infeliz,
Medo do voto,
Medo de tudo!…
Medonho país.
Geremias
26-05-2021
Estamos sozinhos
Somos nós por nós
Enquanto uns brigam por poder na nação
Uns brigam por emprego entre a população
Enquanto uns vivem nas ruas
Em busca de nao viver mais condenados
Outros esbanjam e gastam
E superfaturam em leite condensado
O salário aqui é mínimo
Mas não temos nem direito ao mínimo
Mínimo de conforto
Mínimo de um dia de paz
Um dia morre a moça e sua filha
No outro o filho daquele rapaz
A fome na rua
Não tem nome e nem certidão
Não tem endereço e não possui cpf
Uns ajudam e outros esquecem
Tem até aqueles que dizem
"Se está ali é porque merece"
O sonho é de ter casa própria
O sonho é de que não nos falte o que comer
Sonhar em ver o filho sobreviver
O sonho de ver o filho crescer
O ruim é que a história se repete
Pra gente que na vida não ganha oportunidade
O mesmo pobre que é pobre aqui
Também vai ser pobre em outra cidade
O sistema quer nos ver ali
Trabalhando pra que eles possam ganhar
Mas nunca vamos desistir
De uma vida digna alcançar
Que um dia o fardo nao seja tão pesado
Que um dia não troquemos o almoço pela janta
Que nesse dia sejamos todos alegres
Que tenhamos mais visibilidade para nós e nossas crianças
Prazo raro pra viver dia a dia
Desconforto pra quem zera a vida
Ser Brasileiro é um evento
Digno de pena para Unicef
Viver dançando não é mania
É pra esquecer o que ver nas esquinas
Crianças nas ruas pedindo comida
Obrigados pela fome adquirida
E quando a Pátria se lembra da gente
É pra saber em quem votar
Nos fazem crer que somos diferentes
Amarelos e vermelho de vergonha
Inclinando para guerriar dia pos dia
Me prato é raso pra aguentar o dia
Agua amarga pra adoçar a vida
Enquanto alguns os comem ouro
Muito nao sabem se acordam noutro dia
Meu prato é raso pra comer de dia
Meu pão mofado pra aguentar a vida
O Canto das Palmeiras
Na terra de mares e laranjas flamejantes,
Onde o sol se abraça com a terra em cantos errantes,
Angola, teu solo é um poema de promessas vastas,
Mas na alvorada, o choro do deserto contrasta.
Palmeiras altivas, como sentinelas da aurora,
Testemunham a riqueza que em ti implora,
Diamantes são lágrimas na face da riqueza,
Enquanto a fome sussurra na noite de incerteza.
As veias da terra pulsam, um eco de riquezas infindas,
Mas nos olhos dos famintos, a promessa se deslinda,
Angola, pátria de contrastes, em teu seio cresce,
Um dilema bordado em ouro, onde a fome tece.
No zênite da miséria, um sol cruel se destaca,
Enquanto nos campos férteis, a esperança renasce alva,
Angola, tua história é escrita em gemidos e ouro,
Uma narrativa épica, onde a fome se evapora em choro.
Que as palmeiras, como poetas, recitem esperança,
Que as lágrimas da terra lavem a sede e a lança,
Angola, no teu horizonte de promessas e penúria,
Um novo dia desponta, a alvorada da rebeldia.
Que as riquezas sejam um manto para todos vestir,
Que o canto das palmeiras seja um poema a florir,
Angola, na tessitura da fome e da riqueza em dança,
O renascer é a promessa, na alvorada da esperança.
A torta
Um confeiteiro renomado me prometeu uma torta
Me prometeu um pedaço da sua famosa torta de amor
Alguns dias depois, ele reapareceu
E junto com ele trouxe sua torta
Eu comi um pedaço e que gosto ela tinha
Era uma torta doce de aparência bonita
Conforme eu comia aquele pedaço
Senti meu corpo pesar e uma dor me tomar
-Está boa?
- Sim claro
Eu menti, e fomos dormir
Um dia depois ele me deu mais torta
E novamente eu passei mal
Só que aquele foi o ultimo pedaço de torta que eu comi
Já que eu morri
Sua torta de amor
Era recheada com a dor
Aquele amor tão delicioso
Foi o meu coveiro
Daquele amor
Eu só recebi dor
Seu amor...
FOI O SEU AMOR
SEU AMOR FOI MINHA DOR
SEU AMOR ME MATOU
DO SEU AMOR EU VOU SEMPRE GUARDAR RANCOR
''Eu te amo''
Você sempre vai ser a minha maior dor...
Como você me chamava
''meu amor''
Eu te odeio ''meu amor''
E odeio o fato de que mesmo depois de morrer
Eu ainda sinto dor..
Mesmo que machuque eu ainda vou amar sua torta
Ainda sinto fome, gostaria de mais um pedaço da sua torta...
Desigualdade
A desigualdade é um abismo profundo que separa as pessoas, criando mundos distintos
Onde alguns vivem em castelos de sonhos, cercados de luxo e conforto,
Enquanto outros perecem nas ruas, à margem da sociedade,
A viver de migalhas e migalhas de subexistência.
A desigualdade não tem cor, não tem raça,
Não escolhe a idade, a religião ou a orientação sexual,
É uma ferida que sangra em todos nós, a cada dia que passa.
Nos olhos daqueles que são esquecidos pela sociedade,
A tristeza ocupa o lugar da esperança,
E a luz mais brilhante, no tempo mais escuro,
É, muitas vezes, a promessa de que amanhã será melhor.
Mas a desigualdade não é apenas um problema social,
É um problema moral, que coloca à prova a nossa humanidade,
E a resposta não está em encontrar vilões ou heróis,
Mas em agir, juntos, para transformar as coisas, como irmãos.
É possível mudar o mundo, um passo de cada vez,
E construir uma sociedade mais justa e igualitária,
Onde a diferença seja uma riqueza, não uma tragédia,
E a esperança renasça a cada amanhecer, em cada peito, em cada emoção que floresça.
A esperança do sertão
As vezes me lembro da última chuva
A maninha ainda tava na barriga da mamãe
Conseguia ver o sorriso de painho em seu rosto
Agradecíamos a Deus por cada gota de água que nos abençoava
Ainda tínhamos esperança
Gostava dessa época
Acordávamos bem antes do galo cantar
Miguel sempre resmungava das longas caminhadas até o poço
Ajudávamos papai até nossas mãos se enxerem de calos
Eu nem ligava, o importante era que nós estávamos juntos
Ainda tínhamos esperança
Depois que partimos de lá
Não se falava mais com vovô
Tentava chamá-lo, mas ele não respondia
Mamãe rezava mais uma Ave Maria, com os olhos cheios de saudade
Ainda tínhamos esperança?
Muito tempo se passou e a chuva no sertão não volta atrás
Olhando para baixo, vejo os registros das pessoas que já passaram por aqui
Olhando para frente, vejo a seca assombrar cada pedaço de vida desse nosso interior
Olhando para o lado, vejo a face de todos se apagando lentamente
Não temos mais esperança
A Essência da Hipocrisia
Canta a voz amarga, rasgando a ilusão,
Dos campos sombrios de um chão corrompido,
Onde a lama é trono, em negra ascensão,
E o poder se vende ao mais atrevido.
São caçadores de luzes vazias,
Artistas do engodo, da falsa glória,
Tecem com jactância suas vilanias,
E maculam a pátria com má memória.
Carrapatos vorazes, sugam a vida,
Em fisiologismo pútrido e vil;
Tergiversam em trama torpe e fingida,
Erguendo um império de escárnio febril.
Aloprados em tronos de tirania,
Boçais que governam com mão opressora,
Desalmados que abusam da democracia,
Transfigurando a lei que outrora consola.
Prevaricam, usurpam, em podridão,
Onde a dignidade jaz enterrada,
Fraude e mentira moldam a nação,
Por mãos imorais, brutalizadas.
Mas mesmo no caos que a ética rasga,
Ergue-se ainda o brado de integridade;
Valores inegociáveis brilham,
Contra a ferrugem que o mundo invade.
Pois no oceano da fome e da dor,
No mar de corrupção corrosiva,
A utopia resiste, clama amor,
E a esperança jamais se esquiva.
A porta do café a abrigava. A pequena bíblia, em silêncio eloquente, suplicava por alimento para o corpo que a acolhia. Pois, em nosso mundo, a fome havia se sobreposto à fé.
Rodrigo Gael
Não podem ser pessoas boas
aquelas que fazem parte do 1% da população
que detém mais de 90% da riqueza mundial.
Pessoas que acumulam até o final de suas vidas
uma fortuna que elas nunca serão capazes de consumir,
enquanto bilhões de pessoas passam por dificuldades financeiras,
passam fome, adoecem e morrem.
Tais pessoas extremamente ricas
são a mais completa expressão do egoísmo humano.
São culpadas, ainda que involuntariamente,
da maior parte dos males do mundo.
Em cada pedaço de filé que consomem,
degustam a fome de crianças raquíticas ávidas por um pedaço de pão.
Em cada taça de vinho ou de champanhe que tomam,
bebem o sangue daqueles que adoeceram e morreram
por falta de um tratamento médico adequado.
Em cada dia de lazer do qual desfrutam em lugares paradisíacos,
desfrutam da dor e do terror daqueles que sofrem
a violência urbana ou nas regiões de conflito.
Não há o que admirar na saga de quem tanto acumula.
Não são mais do que vermes que chafurdam em prazeres pagos
às custas da miséria da civilização humana.
[...]
Porque este é o humano: cruel, desalmado e incapaz de carregar remorso,
Semelhante ao lobo, que dilacera a ovelha indiferente ao sangue que tinge seu pelo e ao pecado que impregna sua alma.
Enquanto houver fome, não haverá força capaz de socorrer a presa.
Alegria do Povo
O povo-criança,por ser comportado
Ganhou um presente de pouco valor
Uma bola,uma trave,uma taça,uma faixa
E um grito de gol.
E o povo,coitado,pensou,enganado,
que a rua era sua,que a noite era dia
E gritou,e pulou e berrou e gritou
E bebeu e morreu,no seu jeito triste
de ser alegria.
A tristeza saiu pelas ruas
sentindo alegrias de Carnaval
A fome saiu pelas ruas
comendo fatias de vendaval
A Esperança ficou bem quietinha
virando poesia de Festival.
Esperança em que um dia esse povo
Contente de novo,cantando na rua
(que então será sua),
tenha outros motivos para festejar
Não tema as palavras, não fique calado
Nem grite esse grito,estranho,orquestrado
nem espere mais.
Na noite que é dia
O grito de gol se transforme em Poesia
Em grito de guerra,em cantiga de paz.
Senhores da guerra e da paz (Poeta Brasileiro Sidarta Martins)
Vocês querem a barbárie
Nós queremos a civilização
Vocês querem morbidez
Nós queremos a vitalidade
Vocês querem a maldade
Nós queremos a bondade
Vocês querem a mão em riste
Nós queremos a mão estendida
Vocês querem terra arrasada
Nós queremos campo florido
Vocês querem a enfermidade
Nós queremos a saúde
Vocês querem a fraqueza
Nós queremos a energia pulsando
Vocês querem sempre o pior
Nós queremos o melhor
Vocês querem a fome
Nós queremos alimentar
Vocês querem o frio
Nós queremos o calor humano
Vocês querem a ruptura
Nós queremos a união
Vocês querem a guerra
Nós queremos a paz
Vocês querem a destruição
Nós queremos a construção
Vocês querem a morte
Nós queremos a vida
Senhores da guerra
Por favor, deixem-nos em PAZ!
CADÊ O ZÉ?
O Zé não tem café
não tem pão
não tem arroz
não tem feijão
não tem dinheiro
não tem família.
Quem cuida do Zé? Ninguém.
Cadê tu Zé?
Zé cadê tu?
Ah! Minha gente,
o Zé não responde
porque morreu de fome
nos cantos da cidade.
Sorrir sempre é a saída
Você os vê, aqueles com as barrigas vazias
com os olhos cheios de esperança e poucas preocupações,
Eles dançam ao ritmo da vida e cantam com alegria, em meio a suas lutas;
Pois, a felicidade não é um luxo
É uma escolha que é feita por você e por mim
E mesmo na fome, eles encontram uma maneira de estar satisfeito e agradecido todos os dias;
Sua resiliência é verdadeiramente inspiradora
Como eles apreciam cada bênção, não importa quão fugaz,
Eles nos ensinam que a vida não se resume às riquezas
Mas também sobre encontrar alegria nas pequenas coisas que temos para nós;
Portanto, não tomemos por garantido
As bênçãos que nos foram dadas, não importa quão escassas,
Pois, mesmo na fome, ainda podemos encontrar amor e ânimo
E criar um mundo onde todos tenham o suficiente para viver com paz e sem medo.
