Poema da Fome
Nota:
Em Dezembro, lembrar de acolher órfãos e viúvas que passam essa época sozinhos e nem sempre têm o que comer nesse tempo de tanta festa e desperdício de alimento!
19122023
Realidade Indigesta
O quê que eu vou comer?
O brado retumbante cravado nas ondas sonoras do universo, meu estômago que fez gemer.
Como pode a clava forte a mão de um povo, linchar o meu direito de comer?
O quê que eu vou comer?
Se só me restaram essas lágrimas amargas pra beber.
Pegue o chão de cabeceira,
As estrelas de cobertor,
O frio por companheira,
A prece por um clamor.
Não reconheço esse bicho,
Atrás do dulçor da maçã revira lixo,
Pra não desmamar o menino e vê-lo crescer
Come, mesmo sem ter o que comer.
O quê que eu vou comer?
Uma reza
Me desperta na matina um banho de água fria,
Quem perdura na miséria não merece nem um bom dia.
O vazio e o soluço, queima mais do que azia,
Cadê aquele povo meu Deus?
Que tanto dizem ser dos seus e só falam de empatia?
O quê que eu vou comer?
Os rosto antes desnudo se veste na sujeira,
Os poucos dentes que restam só servem pra roer o osso,
Quem caiu no fundo do poço,
Não sorri pra qualquer bobeira.
O quê que eu vou comer?
Se até quem come, não consegue comer bem.
Quem muito tem, nada divide.
Quem pouco tem, partilha e transgride.
Quem nada tem, que a sorte duvide.
É difícil acreditar na invisibilidade que se constrói,
Parece que o ser em mim aos olhos deles se corrói,
Não sou visto, não sou quisto, nem parece que sou gente.
Mas se tem bom coração,
Joga um pão meu irmão,
Minha fome é urgente.
O quê que eu vou comer?
Um foguete no espaço
A adefagia em mim me iguala a um animal,
A miopia deles não os fazem especiais.
Quem sabe eu fique rico, ganhe um tostão a mais
Pra queimar em combustível das corridas espaciais.
O quê que eu vou comer?
Um pão ou uma poesia?
A Deus eu somente peço,
Que todo irmão tenha acesso ao pão,
Não enfrente um dia o quinhão
De não ser visto e virar verso.
Aleksandro Silva
N'zala
alimentaste meu espirito, esculpiste meu corpo,
AC de cristo ate agora, es um bramido na alma do mundo sem ouvido.
E depois?
Es um infalível destino trazido pelo infinito.
Es o que previu jose no sonho do farao?
Ou o que nunca extinguira a FAO?
Es a razao de jesus multiplicar o pao.
Que mácula para o que diz-se evoluido homem,
acorrenta com certeza o desnorte que norteia o filho do homem,
e com fé mata outrem com fome?´
n'zala
indectetável no roncar de panças vazias,
mas com antídoto gerado no ventre de Maria.
N'zala.
– Moço, o senhor pode pagar pra mim uma vitamina de banana e um pão de queijo?
– Posso, sim, senhora, mas o pão de queijo pede para levar. Peça também mais um salgado pra comer agora com a vitamina.
A atendente questiona:
– Vai pagar mesmo pra ela?
– A senhora faz alguma objeção a utilização do meu próprio dinheiro?
– Não, é que todo dia ela está aqui pedindo uma vitamina de banana.
– Deve ser porque todo dia ela sente a mesma coisa que você: fome.
A TUA DOR, IRMÃO
Doem-me todas as palavras
No teu corpo de solidão
Enquanto a madressilva me sorri.
A Liberdade de um grito
Cravado em mim
Que desconheço.
Doem-me inclusive as sílabas
Dos teus lábios de silêncio
Em redor da enseada.
Doem-me castiçais de prata
Transbordando corvos feridos,
E sementes que jamais germinarão.
Dói-me este pão de cada dia
Irmão,
A tua fome que encerro em mim,
O teu frio que me rasga por inteira.
Dói-me este sangue de traição,
Esta ânsia de jasmim,
Este beiral de pardais,
Pedaço de ti.
Dói-me a luz da cidade desperta.
Mata-me o desassossego do fado
Que me liberta e santifica
Num altar de cravos e madrugada…
…e finalmente já exausta de mais um hino à tua, nossa Dor
Meu irmão,
Todas as palavras me doem,
Seja qual for o Caminho!
© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…
✍️
"Ela é animal selvagem,
camuflada no meio da paisagem,
somente ataca quando está com fome ou pra se defender."
***
Há pessoas que se preocupam extremamente com a parte física do corpo.
Há pessoas que se concentram demasiadamente em acumular conhecimento.
Há pessoas que se dedicam efetivamente em ajudar os necessitados.
Há pessoas que seguem, cotidianamente, estudando ou trabalhando, para garantir suas necessidades básicas.
Há pessoas confusas, que não sabem exatamente o que querem fazer na vida.
E acreditem, há pessoas que apenas se empenham, desesperadamente, em ter algo para comer, porque a fome dói.
De algum desses grupos certamente fazemos parte. Qual é o nosso papel diante de tantas diversidades?
É fácil louvar quando a vida está a brilhar,
Quando tudo vai bem, sem nada a pesar.
É simples agradecer pelo caminho a percorrer,
Quando os passos são leves, sem nada a temer.
Mas na provação, o louvor é uma canção,
Que ecoa nas sombras, desafiando a razão.
Na necessidade, a fé é raridade,
Um sopro de coragem na imensidão da cidade.
Difícil é cantar com o estômago a roncar,
Olhar o vazio e ainda assim esperar.
É ver no olhar do filho uma vontade a crescer,
E no nada ter, uma força para oferecer.
"As pessoas podem ser orgulhosas sob muitos aspectos e em várias situações.
No entanto, nunca vi alguém realmente faminto, recusar um prato de comida,
mesmo sendo esse alguém conhecido por ser um poço de orgulho..."
SOLIDARIEDADE!
Não deixe alguém, seja amigo, familiar, vizinho ou qualquer outra pessoa, passar fome por falta de alimentos, se você tem em abundância.
Todos têm alguma coisa, espiritual ou material, para compartilhar.
Compartilhe a sua abundância.
Falsa humildade
A atitude de orientar alguém a não deixar sobra de comida no prato, não é uma virtude de um cidadão empático. Esse gesto não resolve o problema da fome no mundo, no seu país, no seu estado, nem na sua cidade, muito menos no seu bairro. Essa prática revela a falsa humildade.
131222
Pedras da Labuta
No palco da vida, os contrastes se entrelaçam,
Onde uns têm praias e outros, a labuta sem parar.
Choro e fome afligem os humildes,
Enquanto fama joga prata ao vento no ar.
Tempo impiedoso no ambiente ruge,
Escurecendo lembranças na memória,
O calor arde, o dragão voraz.
Partimos repentinamente,
Sem delongas, seguimos em frente,
O passado não mais nos satisfaz.
Ser feliz é sonho a alcançar,
Sorrir e cantar é a essência a buscar,
Mil invenções borbulham em nossa mente,
Mas é quando a poesia se arrebenta,
Que as pedras, enfim, revelam seu canto apaixonado.
Neste mundo diverso, desigual,
Paisagem que oscila entre luz e sombra,
A música dos destinos ecoa, sem igual.
Quem é próspero vive à beira-mar,
Mas quem labuta sem ter lar.
Quem não chora, passa fome a penar,
Mas quem tem fama, joga prata no ar.
O tempo, implacável, impõe suas marcas,
Nos desafios, construímos nossa história,
Caminhamos sem parar, em busca do lugar
Onde a felicidade vem nos abraçar.
Com sorrisos e canções a acompanhar,
Criamos o verso, a prosa, a melodia no ar,
E quando a poesia ressoa e se liberta,
São as pedras que cantam, enfim, com alma inquieta.
"Ninguém morre de saudades, nem de amor, nem de tédio.
Mas é melhor você arrumar um emprego, porque de fome se morre, sim!"
☆Haredita Angel
03.03.2016-Facebook
A cigarra e a formiga
Carlos Nery
Disse, com fome, a cigarra
Assim como quem se agarra
À tábua da salvação:
Escute amiga formiga,
Você nunca foi amiga,
Mas dê-me um pouco de pão!
A formiga, abundante de pão
E de mesquinhez,
Respondeu com seu rompante,
Negando ajuda outra vez:
Não pra você que é autora
De música e é a cantora,
Do dia azul de verão.
Não lhe darei alimento,
Pois Deus lhe deu o talento,
Pra que ganhasse o seu pão.
Mas se esqueceu a formiga,
Que no coração abriga
O egoísmo e o desdém,
De uma lei que é divina,
Que o nosso Jesus assina:
Dê sem olhar a quem!
O prato da amargura e mãe da destruição.
A guerra é um prato frio, e que se come com frieza, irmã da vingança e aliada do desespero, ela faz a sua vida se torna um pesadelo.
Geradora da fome, e promovedora de chacinas a guerra espelha uma vida sofrida,
onde sobreviver é a unica alternativa.
Quem vive em meio a guerra não pensa em ser artista, vive em meio a fome e luta para se manter vivo.
_Trágico, momento te amo
tento me controlar...
quero redimir...
mais tenho fome...
tenho tantos desejos
que sinto seu perfume
e gosto da sua carne
perdura a noite toda...
persigo meus extintos,
e abraço meu destino...
está tão viva que a desejo...
forço meus instintos,
me atrevo a lamber seu corpo...
Estou com muita fome...
Louco..a para devorar você inteira!
Mas fica tranquila..o, eu só vou morder e mastigar você no final.
No início eu quero lamber e degustar você com a língua primeiro.
Antes de chegar no principal eu vou saborear você, pelas beiradas.
Usei drogas
Corri pra me esconder, fui parar debaixo da ponte
suplicando, comida, moradia e conforto
me viciei nas drogas, só pra sair da realidade
usei crack, só pra não ver a vida
sai maluco tentando me encontrar
chorei muito, depois que soube que eu não poderia usar,
supliquei por ajuda, mas a porta fui o que encontrei
a ajuda eu tentei
passei fome, frio, cede. Me deram uma vela
e falaram que eu teria tudo que me falta
não acreditei
não faz sentido
uma vela para sustentar meu vicio? que me mata?
eu ouvi as vozes dizer: "você não presta, seu lixo
imundo! um drogado, viciado, isso não é gente é um monstro!"
e o meu vicio a aumentar!
então não sabendo por onde mais andar eu ascendi a vela e nela
eu pedi. "me de amor próprio, não quero depender de ninguém e de nada
não quero me martirizar por um amor que me jogou no lixo
nem tão pouco ficar preso a um sentimento que não tem sentido"
o amor próprio me dominou e a força de realizar algo que sempre almejei me conquistou, hoje não me deito nas ruas, nem tão pouco uso drogas pra me destruir, irei construir meu castelo, na luta, na batalha e suor.
Desejo amor aqueles que estão nas ruas, chorando por comida; e peço a deus com essa vela iluminar o mundo de tanto ódio. (METAFORA)
