Poeira
O pertencimento não é o que o mapa delimita, mas o que a raiz alcança; somos feitos da poeira da estrada e do verde da erva-mate nativa.
Nada é suficiente
Posso enfrentar
Uma ou outra situação.
Não me importo
Com a poeira da montanha,
Nem com o vento
Congelante,
Que finjo ser neve aqui no DF.
Só quero te encontrar...
Quem liga se os ônibus não param?
E que depois
Venha um bem lotado?
E daí se tenho que correr?
O que importa é o resultado final:
Você!
E daí se fico horas
Na parada,
Esperando os olhos secarem,
Até me acalmar
Da dor de vê-lo partir
Sem se despedir...
Se tenho que procurá-lo no infinito,
No passado ou no futuro,
Se fui até as dobras do tempo...
O que importa é que o encontrei
Aqui, no presente.
Só quero te ver...
Se a saudade me mata
E lateja no peito,
Se meu coração e minha alma
Entram em conflito
E não entendem a razão...
Quem se importa
Se as dores de outras vidas
Ainda me atormentam?
Se é só em você
Que eu penso.
Pode ser um estranho amor
Que chegou na noite escura da alma,
Pode ser uma dualidade
Lutando de igual para igual...
Só quero estar com você.
E daí se minha mente se confunde
Com dúvidas que não me pertencem?
Se nem tudo é matemática,
Nem tudo está na ponta do lápis...
Se tive que te amar duas vezes,
Nesta vida e em outra espiritual,
Só quero sonhar
E estar com você no final.
E nada mais importa.
Você é o ouro
Que eu preciso
No fim do arco-íris,
É a luz no fim do dia.
E sem vê-lo
Nada mais faz sentido.
É como perder a alma,
É deixar de existir...
Porque nada é suficiente.
Preciso me recompor. Sacudir a poeira e voltar ao centro da Tua vontade. Se eu não focar em Ti, Senhor, não chegarei ao meu destino final e não poderei dizer, como Paulo:
"Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia." (2Tm 4:7-8)
Tenho começado a discernir a sedução sutil do inimigo... Ele não vem com barulho, mas com distrações suaves, pensamentos aparentemente inofensivos, ideias ousadas que tentam se disfarçar de liberdade. Percebo agora como o pecado se forma: tudo começa na mente , uma sugestão, um desejo não confrontado , e quando vemos, ele já foi gerado, pronto para nascer e nos afastar de Ti.
Quão pequeno é o homem quando se deixa levar pelos desejos da carne. Mas eu não posso continuar assim. Preciso me levantar com todas as minhas forças e voltar para os Teus braços.
Não quero apenas começar a caminhada... quero terminá-la contigo, com fé preservada, com o coração limpo, e com os olhos fixos no Céu.
Ajuda-me, Senhor, a permanecer firme, porque sem Ti, nada sou.
A opinião do mundo é um vento que sopra sobre a montanha: ela pode uivar e levantar poeira, mas a montanha permanece onde está. Não entregue as chaves da sua casa a quem não conhece o valor do seu alicerce.
O que não digo
Não te digo o nome.
Mas sei:
sentas nos cantos da tarde
como poeira que a luz revela.
Chegas sem ruído,
ocupas o que não vigio
um intervalo entre duas lembranças,
a pausa antes da palavra.
Hoje, não.
Abro as janelas do corpo,
deixo entrar o que vive:
o riso esquecido nas mãos,
o calor antigo dos abraços,
vozes que ainda respiram
no fundo do tempo.
Leva contigo
esse frio de fim,
essa promessa estreita
de que tudo se apaga.
Fica-me o instante
inteiro, indomável
ardendo baixo
como lume que persiste.
E se um dia voltares,
que me encontres assim:
habitado em brasas.
Eu sou a Babilônia.
Não a ruína esquecida na poeira dos séculos,
mas a cidade erguida dentro do peito humano.
Sou muralha e sou abismo,
sou torre que toca o céu
e fundamento cravado no barro.
Sou o equilíbrio constante
da sabedoria em agressiva evolução.
Cresço entre o caos e a ordem,
entre a chama que destrói
e a que ilumina.
Carrego em mim a contradição dos homens:
sou templo e mercado,
oração e grito,
promessa e queda.
Em minhas ruas ecoam os passos
de quem busca a verdade
e tropeça na própria sombra.
A hipocrisia nos limita
a sermos curtos e rasos em crenças,
mas eu — Babilônia —
sou profunda como o conflito que desperta.
Não há luz que se reconheça
sem ter beijado a escuridão.
Não há dor que ensine
sem atravessar o abandono.
Não há perdão que floresça
sem antes ter provado o desamor.
Eu sou o espelho do humano.
Em mim, reis se erguem e caem,
profetas clamam,
orgulhos se quebram como vasos de argila.
Sou a soberba que desafia os céus
e a humildade que aprende ao cair.
Sou feita de escolhas —
cada pedra uma decisão,
cada torre um desejo,
cada ruína uma lição.
Não me julgue apenas pela queda,
pois também sou reconstrução.
Não me veja apenas como pecado,
pois também sou consciência.
Sou a tensão que molda o caráter,
o fogo que purifica o ouro da alma.
Eu sou a Babilônia
quando você enfrenta sua própria sombra.
Sou a cidade interior
onde a guerra é travada em silêncio
e a paz nasce como aurora
depois da mais longa noite.
Eu sou a Babilônia —
não como condenação,
mas como revelação:
a prova de que a evolução é confronto,
de que a sabedoria é forjada no choque,
e de que, dentro de cada ruína,
existe a semente de um império mais justo.
Eu sou a Babilônia.
E em mim,
a luz aprende a existir.
Uma vontade louca de viver me visitou
Eu estranhei, acostumada a engolir tanta dor
Poeira, eu me sentia pó
Menor que um grão de areia
Depois de esvaziar
Vontades e desejos
Cavar até o fundo
Pra encontrar si mesmo
E descobrir
Uma vontade louca de viver
Mais forte que eu
O dia chuvoso tem o poder alquímico de lavar a poeira da alma que a luz do sol insiste em manter visível.
Somos o amálgama brutal de caos e poeira estelar, a sabedoria é abraçar a desordem interna, pois é no olho do furacão que se revela a geometria silenciosa da nossa constelação pessoal.
Um Punhado de Poeira Cósmica
há 13.8 bilhões
de anos,
o universo vem reunindo
os átomos
em movimento constante,
de infindáveis
maneiras,
para formar galáxias,
estrelas, planetas
e vida,
em instantes únicos,
inigualáveis.
especificamente
hoje,
este instante é nosso;
único;
inigualável.
13/02/23
Michel F.M.
Nos quatro hemisférios
há poeira das estrelas
dispersas e mistérios
ao redor flores místicas
do Fedegoso em pleno
majestoso fevereiro,
adornando emoções,
desabrochando com tentações,
E tocando as cordas
o coração romântico;
Para sob ele te encontrar
pronto para o amor,
e paixão inesquecíveis,
Porque sei que juntos
seremos irresistíveis.
"Larguei meu jardim de margaridas e fui lá longe buscar meus sonhos...
Conheci a poeira das estradas, os espinhos das bougainvilles, a tristeza das anêmonas, a canseira do corpo, as caretas do rosto e o inchaço dos pés...
Penei, nada encontrei, e voltei..
Trazendo uma saudade imensa do meu jardim de margaridas."
Haredita Angel
29.09.20
Carla
O mundo lá fora é seco
Uma poeira do cace... que sufoca a gente
Mas entre esses lençóis o clima vira outro
A gente perde a mão e ganha o corpo
Sem roteiro e sem vergonha de ser bicho
Ver você transbordar assim foi o ápice
Aquele dilúvio que a gente causou juntos
Onde o santuário ficou pequeno pra tanto fogo
E a cama virou mar num segundo só
Eu ainda sinto o gosto daquela entrega
Obrigado por confiar no meu toque
Por deixar o corpo falar o que a boca não dá conta
Você é minha paz
Mas também é minha tempestade preferida
Aquela que molha tudo e não pede desculpa
DeBrunoParaCarla
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