Poeira

Cerca de 1034 frases e pensamentos: Poeira

Quero amar desesperadamente como um louco solto numa cidade cheia de poeira após um cataclisma. Posso ser louco pra amar quando a distancia se torna lei numa cidade vazia de romance. O amor pega gosto quando há vontade em meio corações desapegados. Há vontade de beber muita água quando o deserto é seco e árido. Há vontade de abraçar muito quando o entorno só se tem paisagens Há muita vontade na falta e a falta pode trazer o valor, o peso e a forma do que é o amor de verdade pra se amar.

Eu sou feito de poeira das estrelas que aprenderam a sentir medo da própria finitude.

A poeira vive pelos cantos mesmo que a primeira chance se torna a ultima chance;
Volto a viver por um amor inigualável que me desatinou e mesmo eu sendo um homem feito gostaria de ser criança e chorar para quê ninguém me julgasse;
Sempre precisei da sinceridade que se guardava para que nossas vidas possa se encontrar;

Gingado antigo


Eu não nasci agora.
Apenas retornei.


Carrego nos ossos a poeira de constelações antigas,
fui sílaba antes da língua,
fui pulso antes do tempo.
No princípio, eu era clara,
não por ingenuidade,
mas por inteireza.


Quando me feriram,
não foi o corpo que sangrou primeiro,
foi o espanto.
E eu mergulhei onde poucos ousam:
nas sombras que sabem conjurar.
Ali aprendi nomes que não se escrevem,
acendi fogueiras com o que me restava
e chamei isso de sobrevivência.


Passei eras no intervalo.
Nem céu, nem chão.
O limbo é um lugar onde a alma aprende a esperar
sem perder o fogo.


Quando fui chamada de volta,
aceitei o pacto:
retornar quantas vezes fosse preciso
até que o amor deixasse de doer
e virasse ação.


Já alimentei bocas famintas
com as próprias mãos cansadas.
Já pari futuros
em corpos que não eram meus.
Já fui abrigo,
fui silêncio,
fui exemplo moldado para caber
em expectativas estreitas.


Vesti aventais em campos de guerra,
limpei feridas enquanto o mundo desmoronava,
morri cedo por ideias grandes demais
para épocas pequenas.


Redimi-me vivendo.
Redimi-me servindo.
Redimi-me caindo e levantando
com o mesmo coração aberto.


Nesta vida,
vim sem algemas invisíveis.
Não me dobro a dogmas,
não peço permissão a tronos,
não negocio minha essência com medo.


Sou filha da terra viva,
irmã das águas profundas,
aliada do vento que muda tudo
sem pedir desculpa.


Minha missão é guardar o que respira:
florestas, bichos, mares,
e também gente —
mesmo quando a gente esquece como ser humana.


Sim, muitos confundiram minha ternura
com disponibilidade.
Minha criatividade com recurso explorável.
Meu cuidado com obrigação eterna.


Mas quem nasceu para construir mundos
não endurece,
aprende limites que também são sagrados.


Há um gingado antigo no meu passo,
uma malemolência que vem da sobrevivência alegre,
do riso que não se rende,
do corpo que conhece prazer
como forma de oração.


Meus olhos não pedem licença:
atravessam.
Reconhecem.
Despertam.


Sou deusa não porque mando,
mas porque sustento.
Não porque sou perfeita,
mas porque continuo.


Trago no ventre as eras que vivi
e nas mãos o agora pulsando.


E se o mundo tentar me conter,
que saiba:


já fui cinza,
já fui chama,
já fui noite sem nome.


Hoje sou raiz e horizonte.


Livre.
Indomável.
Em plena lembrança de quem sempre fui.

Crescer é ver as certezas virarem poeira… e seguir mesmo assim.

“A poeira testifica a vontade do chão de ganhar os céus.
A flor se realiza em seu pólen pegando carona nas abelhas
para que seu fruto não nasça sem antes ter a sensação dos ares.

Tudo que existe anseia as alturas.
Assim, o pensamento em mim.

Meu pensamento criou asas,
fez minha alma voar.
Minhas palavras, essas sim, caminham.
Por isso no poema quando você é o tema
Nunca sei se vou ou se voo. “

Afinal, a poeira que não circula acaba ficando estagnada, e a nossa hoje decidiu voar e brilhar.

NÃO É POEIRA, SÃO CINZAS DE MENINO.

Me desculpem a poeira:
estou sacudindo as cinzas de menino.

A vida obrigou-me a atear este incêndio, que consumiu a minha inocência.
Hoje, o menino se foi. Dele restaram apenas cinzas.

O Homem reergue-se. Não por opção mas por dever. O dever antigo e mudo de ser Homem.

Um dever que…
não se aprende nos livros.
Não se herda do pai.
Não se ganha com idade.
A gente vem ao mundo marcado.
A sina vem na primeira respiração, um peso nos ombros que ainda não têm largura para carregá-lo.

Chamam-nos de Homens quando ainda somos meninos de sapatos de veludo.
O mundo espera guerreiros onde há apenas olhos assustados.
Exige provedores de mãos vazias.
E a vida, com sua gentileza cruel, vem buscar o que é seu.

O colo da mãe vira memória téria.
O aconchego, dívida.
As 8 horas de trabalho, deixam de ser simplesmente “tempo”: é um túnel que se escava todos os dias com as próprias unhas cravadas no solo, rumo a prosperidade:

E que prosperidade?
O salário é um cálcio magro no fim do mês, um suspiro curto antes de fechar os olhos e recomeçar.

A dor não se partilha.
O cansaço não se mostra.
O medo não tem voz.
É assim.
Não por escolha, mas por lei antiga escrita no sangue e no suor dos que vieram antes.
Carregamos a culpa de não sermos fortes o bastante e a vergonha de precisarmos sê-lo.

Mas ouça bem:
Não é sobre não chorar.
É sobre segurar o mundo nos braços enquanto as costas arrebentam, e mesmo assim não deixar cair.
Não é sobre não ter medo.
É sobre ouvir o filho chorar no escuro e, com a mesma mão que treme, aconchegá-lo nos braços.

É sobre olhar para o espelho e não se encontrar, e no desespero perguntar-se:
em que momento é que comecei a me perder?

É olhar no espelho e ver o menino perdido, e ainda assim amarrar os ténis e ir à luta.

Porque o homem não surge do nada.
As cinzas estão lá, o pó sempre esteve lá.
O menino não morre.
Ele é enterrado vivo.
E todos os dias, à mesma hora, ele ergue uma pá e cava.
Cava para encontrar ar.
Cava para encontrar sentido.
Cava para provar, só para si mesmo, que mesmo enterrado, ainda respira.

A vida não pergunta.
Entrega o peso e espera.
O mundo não aplaude.
Apenas consome.

E nós?

Nós fazemos.
Porque nascemos para isso.
Na marra.
Na garra.
Na angústia muda de quem sabe que o amor, às vezes, tem o peso de uma pedra e o nome de obrigação.

Não é missão.
É destino.
Não é glória.
É chão.
Não se ensina.
Apenas se vive.
Até que um dia, os pés descalços e calejados descobrem que o caminho, por mais duro, foi o único possível.

E nesse dia, sem fanfarras, o menino e o homem olham-se no espelho.
E finalmente, um acena para o outro.
Dois estrangeiros que, no fim da jornada, aprenderam a habitar o mesmo corpo.

Ser homem é isso:
Assinar, todos os dias, com a própria vida, um contrato que nunca se leu, mas que se cumpre com um suor sagrado.

A sina está cravada.
Agora meu caro, caminhe.

Levanta sacode a poeira e dar a volta por cima,pois Deus te trouxe aqui para aprender, amar,servir e viver com alegria.

Levanta... sacode toda poeira da tua alma,chega de sofrer,fica de pé,toma aquele banho cheio de fé,segura na mão de Deus, perdoa,ama,sai da sombra e caminha na direção da luz que te espera,e verás que Deus está lá na frente pra te abençoar.

“Não esqueço quem enxergou valor quando eu parecia poeira.”

Você se desgarrou de mim, mulher,
feito vento que vira poeira na estrada.
Diz pra mim o que foi que aconteceu,
teu castelo caiu? tua farsa foi desmascarada?
Chega desse mi mi mi ensaiado,
dessas lágrimas que não molham o chão.
Bandida de promessa quebrada,
não pisa mais no meu coração.
Vai pastar onde você desejar,
corre solta nesse mundo sem lei.
Só não venha bater na minha porta,
porque eu já me vacinei de você.


Eu não tenho espaço no meu mundo
pra você passear, entrar e sair quando quiser.
Pistoleira ingrata, atirando desprezo,
ferindo quem só quis te querer.
No teu universo não habita ninguém,
é deserto de amor e ilusão.
Vai te-dá-qui, ordinária,
meu mundo não é teu abrigo, não!
Você brincou de amar comigo,
como quem troca roupa de ocasião.
Fez do meu peito um circo barato,
e da saudade, uma maldição.
Mas hoje eu ergo minha cabeça,
mesmo sangrando por dentro ainda.
Quem perde não sou eu nessa história,
é você que ficou sem guarida.
Refrão
Eu não tenho espaço no meu mundo
pra você passear, entrar e sair quando quiser.
Pistoleira ingrata, coração de pedra,
não volto atrás pra te acolher.
No teu universo não habita ninguém,
é frio demais pra eu morar.
Vai pastar longe de mim, mulher,
que eu nasci foi pra me valorizar.

•Saudade•






A cor estava em seus olhos;
Restaram poeira e cinzas.
​A cama agora é fria
O lençol não afunda mais.
​Calou-se o motor da calmaria;
Seu vibrar não me alcança mais.

A poeira ainda dança no ar; já reconheço a casa no meio do deserto.

Muitas vezes sacudi a poeira e dei a volta por cima pela fé que há em mim. Vivo de recomeços, pois tentar outra vez é meu lema. Não desisto nunca.

Outubro chegando
primavera de vir está se negando
muito vento, poeira de montão
temporal foi o que chegou
aqui por essa região

a primavera ficou na promessa
grande expectativa .
Mas de nós ela se faz fugitiva

A terra muito seca
Dificulta a brotação
aperreia a plantação

De nuvens pesadas
fica carregado o céu,
mas a chuva, só faz escarcéu
Faz que vem, mas não vem

​O pertencimento não é o que o mapa delimita, mas o que a raiz alcança; somos feitos da poeira da estrada e do verde da erva-mate nativa.

A opinião do mundo é um vento que sopra sobre a montanha: ela pode uivar e levantar poeira, mas a montanha permanece onde está. Não entregue as chaves da sua casa a quem não conhece o valor do seu alicerce.

O que não digo


Não te digo o nome.
Mas sei:
sentas nos cantos da tarde
como poeira que a luz revela.
Chegas sem ruído,
ocupas o que não vigio
um intervalo entre duas lembranças,
a pausa antes da palavra.
Hoje, não.
Abro as janelas do corpo,
deixo entrar o que vive:
o riso esquecido nas mãos,
o calor antigo dos abraços,
vozes que ainda respiram
no fundo do tempo.
Leva contigo
esse frio de fim,
essa promessa estreita
de que tudo se apaga.
Fica-me o instante
inteiro, indomável
ardendo baixo
como lume que persiste.
E se um dia voltares,
que me encontres assim:
habitado em brasas.⁠

Eu sou a Babilônia.
Não a ruína esquecida na poeira dos séculos,
mas a cidade erguida dentro do peito humano.
Sou muralha e sou abismo,
sou torre que toca o céu
e fundamento cravado no barro.
Sou o equilíbrio constante
da sabedoria em agressiva evolução.
Cresço entre o caos e a ordem,
entre a chama que destrói
e a que ilumina.
Carrego em mim a contradição dos homens:
sou templo e mercado,
oração e grito,
promessa e queda.
Em minhas ruas ecoam os passos
de quem busca a verdade
e tropeça na própria sombra.
A hipocrisia nos limita
a sermos curtos e rasos em crenças,
mas eu — Babilônia —
sou profunda como o conflito que desperta.
Não há luz que se reconheça
sem ter beijado a escuridão.
Não há dor que ensine
sem atravessar o abandono.
Não há perdão que floresça
sem antes ter provado o desamor.
Eu sou o espelho do humano.
Em mim, reis se erguem e caem,
profetas clamam,
orgulhos se quebram como vasos de argila.
Sou a soberba que desafia os céus
e a humildade que aprende ao cair.
Sou feita de escolhas —
cada pedra uma decisão,
cada torre um desejo,
cada ruína uma lição.
Não me julgue apenas pela queda,
pois também sou reconstrução.
Não me veja apenas como pecado,
pois também sou consciência.
Sou a tensão que molda o caráter,
o fogo que purifica o ouro da alma.
Eu sou a Babilônia
quando você enfrenta sua própria sombra.
Sou a cidade interior
onde a guerra é travada em silêncio
e a paz nasce como aurora
depois da mais longa noite.
Eu sou a Babilônia —
não como condenação,
mas como revelação:
a prova de que a evolução é confronto,
de que a sabedoria é forjada no choque,
e de que, dentro de cada ruína,
existe a semente de um império mais justo.
Eu sou a Babilônia.
E em mim,
a luz aprende a existir.