Poeira
NÃO É POEIRA, SÃO CINZAS DE MENINO.
Me desculpem a poeira:
estou sacudindo as cinzas de menino.
A vida obrigou-me a atear este incêndio, que consumiu a minha inocência.
Hoje, o menino se foi. Dele restaram apenas cinzas.
O Homem reergue-se. Não por opção mas por dever. O dever antigo e mudo de ser Homem.
Um dever que…
não se aprende nos livros.
Não se herda do pai.
Não se ganha com idade.
A gente vem ao mundo marcado.
A sina vem na primeira respiração, um peso nos ombros que ainda não têm largura para carregá-lo.
Chamam-nos de Homens quando ainda somos meninos de sapatos de veludo.
O mundo espera guerreiros onde há apenas olhos assustados.
Exige provedores de mãos vazias.
E a vida, com sua gentileza cruel, vem buscar o que é seu.
O colo da mãe vira memória téria.
O aconchego, dívida.
As 8 horas de trabalho, deixam de ser simplesmente “tempo”: é um túnel que se escava todos os dias com as próprias unhas cravadas no solo, rumo a prosperidade:
E que prosperidade?
O salário é um cálcio magro no fim do mês, um suspiro curto antes de fechar os olhos e recomeçar.
A dor não se partilha.
O cansaço não se mostra.
O medo não tem voz.
É assim.
Não por escolha, mas por lei antiga escrita no sangue e no suor dos que vieram antes.
Carregamos a culpa de não sermos fortes o bastante e a vergonha de precisarmos sê-lo.
Mas ouça bem:
Não é sobre não chorar.
É sobre segurar o mundo nos braços enquanto as costas arrebentam, e mesmo assim não deixar cair.
Não é sobre não ter medo.
É sobre ouvir o filho chorar no escuro e, com a mesma mão que treme, aconchegá-lo nos braços.
É sobre olhar para o espelho e não se encontrar, e no desespero perguntar-se:
em que momento é que comecei a me perder?
É olhar no espelho e ver o menino perdido, e ainda assim amarrar os ténis e ir à luta.
Porque o homem não surge do nada.
As cinzas estão lá, o pó sempre esteve lá.
O menino não morre.
Ele é enterrado vivo.
E todos os dias, à mesma hora, ele ergue uma pá e cava.
Cava para encontrar ar.
Cava para encontrar sentido.
Cava para provar, só para si mesmo, que mesmo enterrado, ainda respira.
A vida não pergunta.
Entrega o peso e espera.
O mundo não aplaude.
Apenas consome.
E nós?
Nós fazemos.
Porque nascemos para isso.
Na marra.
Na garra.
Na angústia muda de quem sabe que o amor, às vezes, tem o peso de uma pedra e o nome de obrigação.
Não é missão.
É destino.
Não é glória.
É chão.
Não se ensina.
Apenas se vive.
Até que um dia, os pés descalços e calejados descobrem que o caminho, por mais duro, foi o único possível.
E nesse dia, sem fanfarras, o menino e o homem olham-se no espelho.
E finalmente, um acena para o outro.
Dois estrangeiros que, no fim da jornada, aprenderam a habitar o mesmo corpo.
Ser homem é isso:
Assinar, todos os dias, com a própria vida, um contrato que nunca se leu, mas que se cumpre com um suor sagrado.
A sina está cravada.
Agora meu caro, caminhe.
Levanta sacode a poeira e dar a volta por cima,pois Deus te trouxe aqui para aprender, amar,servir e viver com alegria.
Levanta... sacode toda poeira da tua alma,chega de sofrer,fica de pé,toma aquele banho cheio de fé,segura na mão de Deus, perdoa,ama,sai da sombra e caminha na direção da luz que te espera,e verás que Deus está lá na frente pra te abençoar.
Você se desgarrou de mim, mulher,
feito vento que vira poeira na estrada.
Diz pra mim o que foi que aconteceu,
teu castelo caiu? tua farsa foi desmascarada?
Chega desse mi mi mi ensaiado,
dessas lágrimas que não molham o chão.
Bandida de promessa quebrada,
não pisa mais no meu coração.
Vai pastar onde você desejar,
corre solta nesse mundo sem lei.
Só não venha bater na minha porta,
porque eu já me vacinei de você.
Eu não tenho espaço no meu mundo
pra você passear, entrar e sair quando quiser.
Pistoleira ingrata, atirando desprezo,
ferindo quem só quis te querer.
No teu universo não habita ninguém,
é deserto de amor e ilusão.
Vai te-dá-qui, ordinária,
meu mundo não é teu abrigo, não!
Você brincou de amar comigo,
como quem troca roupa de ocasião.
Fez do meu peito um circo barato,
e da saudade, uma maldição.
Mas hoje eu ergo minha cabeça,
mesmo sangrando por dentro ainda.
Quem perde não sou eu nessa história,
é você que ficou sem guarida.
Refrão
Eu não tenho espaço no meu mundo
pra você passear, entrar e sair quando quiser.
Pistoleira ingrata, coração de pedra,
não volto atrás pra te acolher.
No teu universo não habita ninguém,
é frio demais pra eu morar.
Vai pastar longe de mim, mulher,
que eu nasci foi pra me valorizar.
•Saudade•
A cor estava em seus olhos;
Restaram poeira e cinzas.
A cama agora é fria
O lençol não afunda mais.
Calou-se o motor da calmaria;
Seu vibrar não me alcança mais.
Muitas vezes sacudi a poeira e dei a volta por cima pela fé que há em mim. Vivo de recomeços, pois tentar outra vez é meu lema. Não desisto nunca.
Outubro chegando
primavera de vir está se negando
muito vento, poeira de montão
temporal foi o que chegou
aqui por essa região
a primavera ficou na promessa
grande expectativa .
Mas de nós ela se faz fugitiva
A terra muito seca
Dificulta a brotação
aperreia a plantação
De nuvens pesadas
fica carregado o céu,
mas a chuva, só faz escarcéu
Faz que vem, mas não vem
O pertencimento não é o que o mapa delimita, mas o que a raiz alcança; somos feitos da poeira da estrada e do verde da erva-mate nativa.
A opinião do mundo é um vento que sopra sobre a montanha: ela pode uivar e levantar poeira, mas a montanha permanece onde está. Não entregue as chaves da sua casa a quem não conhece o valor do seu alicerce.
O que não digo
Não te digo o nome.
Mas sei:
sentas nos cantos da tarde
como poeira que a luz revela.
Chegas sem ruído,
ocupas o que não vigio
um intervalo entre duas lembranças,
a pausa antes da palavra.
Hoje, não.
Abro as janelas do corpo,
deixo entrar o que vive:
o riso esquecido nas mãos,
o calor antigo dos abraços,
vozes que ainda respiram
no fundo do tempo.
Leva contigo
esse frio de fim,
essa promessa estreita
de que tudo se apaga.
Fica-me o instante
inteiro, indomável
ardendo baixo
como lume que persiste.
E se um dia voltares,
que me encontres assim:
habitado em brasas.
Eu sou a Babilônia.
Não a ruína esquecida na poeira dos séculos,
mas a cidade erguida dentro do peito humano.
Sou muralha e sou abismo,
sou torre que toca o céu
e fundamento cravado no barro.
Sou o equilíbrio constante
da sabedoria em agressiva evolução.
Cresço entre o caos e a ordem,
entre a chama que destrói
e a que ilumina.
Carrego em mim a contradição dos homens:
sou templo e mercado,
oração e grito,
promessa e queda.
Em minhas ruas ecoam os passos
de quem busca a verdade
e tropeça na própria sombra.
A hipocrisia nos limita
a sermos curtos e rasos em crenças,
mas eu — Babilônia —
sou profunda como o conflito que desperta.
Não há luz que se reconheça
sem ter beijado a escuridão.
Não há dor que ensine
sem atravessar o abandono.
Não há perdão que floresça
sem antes ter provado o desamor.
Eu sou o espelho do humano.
Em mim, reis se erguem e caem,
profetas clamam,
orgulhos se quebram como vasos de argila.
Sou a soberba que desafia os céus
e a humildade que aprende ao cair.
Sou feita de escolhas —
cada pedra uma decisão,
cada torre um desejo,
cada ruína uma lição.
Não me julgue apenas pela queda,
pois também sou reconstrução.
Não me veja apenas como pecado,
pois também sou consciência.
Sou a tensão que molda o caráter,
o fogo que purifica o ouro da alma.
Eu sou a Babilônia
quando você enfrenta sua própria sombra.
Sou a cidade interior
onde a guerra é travada em silêncio
e a paz nasce como aurora
depois da mais longa noite.
Eu sou a Babilônia —
não como condenação,
mas como revelação:
a prova de que a evolução é confronto,
de que a sabedoria é forjada no choque,
e de que, dentro de cada ruína,
existe a semente de um império mais justo.
Eu sou a Babilônia.
E em mim,
a luz aprende a existir.
Preciso me recompor. Sacudir a poeira e voltar ao centro da Tua vontade. Se eu não focar em Ti, Senhor, não chegarei ao meu destino final e não poderei dizer, como Paulo:
"Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia." (2Tm 4:7-8)
Tenho começado a discernir a sedução sutil do inimigo... Ele não vem com barulho, mas com distrações suaves, pensamentos aparentemente inofensivos, ideias ousadas que tentam se disfarçar de liberdade. Percebo agora como o pecado se forma: tudo começa na mente , uma sugestão, um desejo não confrontado , e quando vemos, ele já foi gerado, pronto para nascer e nos afastar de Ti.
Quão pequeno é o homem quando se deixa levar pelos desejos da carne. Mas eu não posso continuar assim. Preciso me levantar com todas as minhas forças e voltar para os Teus braços.
Não quero apenas começar a caminhada... quero terminá-la contigo, com fé preservada, com o coração limpo, e com os olhos fixos no Céu.
Ajuda-me, Senhor, a permanecer firme, porque sem Ti, nada sou.
❝ ... Ela carrega a poeira das batalhas não ditas, Dos nãos que se tornaram sim, das lágrimas que irrigaram o chão. Entre as flores de espinho e as lutas mais estritas, Ergue o escudo da fé, que é pura inspiração...❞
----- Poetisa Eliana Angel Wolf
Amigos e amigas de Facebook!
Agora que passou a política, a poeira baixou, o ar parece estar até mais puro, é hora de respirar fundo e fazer um silêncio profundo, rezar, refletir e pensar melhor sobre todos os nossos atos, ações e omissões, pedir perdões pelas escritas ofensivas, falas e exarcebações, para poder tocar em frente sem deixar para trás ressentimentos, mágoas e ilações, haja vista que, no calor das discussões e nas defesas das idéias e dos ideais políticos, nem sempre usamos a nossa cabeça para pensar, ou mesmo, o coração para amar, a nós mesmos e aos nossos semelhantes, razão pela qual, peço-lhes humildemente desculpas e até perdão pelas vezes que ofendi a quem quer que seja, pois, concessa venia, não é de meu feitio ofender às pessoas do meu convívio do dia-a-dia, por mais importante que seja a causa por mim defendida.
Você que acabou de ler agora esse meu recado , sinta-se perdoado e eu, humildemente, aguardo também o seu perdão, pois, está escrito no Livro Maior: "Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento'' (Ef 4,26).
Abraços fraternos.
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