Pedra
Quando penso em destino, penso em escolhas sutis. Não em decretos gravados em pedra, mas em trilhas. Cada pequena escolha é nó que nos define. Às vezes desfazemos, outras apertamos ainda mais. E o resultado é essa tapeçaria que somos.
O tempo não caminha sobre nós como um rio. Ele nos esculpe como o mar corrói uma pedra: lentamente, sem piedade e sem testemunhas.
O Espelho e a Pedra
O humilde não possui nada,
E por isso, possui o mundo.
Ele se senta à mesa do silêncio
E come o pão que a soberba despreza.
Sua riqueza é um segredo que a poeira guarda,
E sua felicidade não faz barulho,
Não brilha,
Não fere os olhos de quem passa.
Mas há um espelho.
E o espelho é a alma do cruel.
O cruel olha para o humilde
E não vê um homem.
Vê um espelho partido,
Um reflexo embaçado de tudo o que ele teme perder.
E o que mais dói nesse reflexo
Não é a pobreza do outro.
É a paz do outro.
O humilde sorri com os olhos,
E o cruel se contorce por dentro.
Pois a felicidade completa do humilde
É um tribunal silencioso.
Ela não julga, não grita, não condena.
Ela apenas é.
E ser, para quem só sabe ter,
É a sentença mais cruel.
O cruel bebe o vinho da posse
E sente sede.
O humilde bebe a água da fonte
E está saciado.
O cruel acumula exércitos
E dorme em guerra.
O humilde não tem exércitos
E dorme em paz.
E quando o cruel se deita no espelho,
Ele não vê a si mesmo.
Ele vê o humilde dormindo.
E essa visão — ah, essa visão —
É o que mais dói.
Pois o humilde não precisa de espelho
Para saber quem é.
Ele é.
E a sua felicidade é um rio que corre
Sem pedir licença à seca.
O cruel, no entanto,
Precisa do espelho para existir.
E no fundo desse vidro,
A imagem que o atormenta
Não é a sua própria crueldade.
É a inocência do humilde.
É a sua inteireza.
É a sua completa e insuportável
Felicidade.
E isso, meu caro,
É o que mais dói.
Não a dor do humilde.
Mas a alegria dele.
Pois a alegria do humilde
É a única coisa que o cruel
Nunca poderá comprar,
Nunca poderá roubar,
Nunca poderá entender.
E no silêncio do espelho,
O cruel aprende, tarde demais,
Que a maior pobreza
É não saber ser feliz
Sem precisar que o outro seja infeliz.
André Vicente Carvalho de Toledo.
Eu não vou culpar ninguém
Nem jogar pedra em quem venceu também
Se eles correram, eu também posso correr
Mesmo que hoje eu só tenha vontade pra sobreviver
A Pedra que Rola
A pedra que rola,
que rola e esmaga,
ameaça esmagar
toda uma existência.
Não de uma vez.
A ameaça vem aos poucos,
em pequenas pedrinhas.
Às vezes, o vento
joga uma pequena poeira.
Mas, para quem está
embaixo da pedra,
uma pequena poeira
é como uma chuva densa
numa floresta tropical.
Somente a ameaça,
em si,
é capaz de congelar
uma existência inteira.
Ela não consegue recuar.
Ela não consegue escapar.
Ela não consegue se mover.
Ela não consegue sair.
E, aos poucos,
foi deixando de existir
e passando apenas
a sobreviver.
Hoje,
a pedra não parece
ser tão grande assim.
Mas o efeito constante,
contínuo,
persistente
e insistente
da ameaça
fez desaparecer
a existência dela por completo.
Hoje,
ela é uma sombra.
Algo vazio.
Às vezes,
há um breve cheiro
do que ela foi um dia.
Um vestígio.
Um sopro.
Uma lembrança
de quem costumava ser.
Talvez um dia
ela se liberte.
Talvez um dia
olhe para si mesma
e perceba o quanto cresceu.
Talvez tenha coragem
de se agigantar,
de levantar-se,
de ocupar novamente
o próprio espaço
e mostrar à pedra
que ela não conseguiu
destruí-la.
Porque, um dia,
ela finalmente renasceu.
O Sol, a Pedra e a Rosa
Eu olho uma flor
E vejo suas pétalas
Enxergo no broto
O talo da vida
O chão que eu piso
Pisou tantos outros
A flor que eu vejo
É rosa vermelha
O orvalho que de mansinho
Amacia a rosa
A rosa que pendurada
No caule é rosa vermelha
O sol que aquece a pedra
Incandeia a rosa
A mão que afaga a rosa
É bruta...
A bruta que é pedra
Sosleia a rosa
O vento sopra e carrega
O pó que cobre os pés
No caminho
O caminho que
Lápida a pedra
A pedra bruta deságua
No fundo do mesmo espinho
E a rosa resiste ao tempo
Vermelha de sangue e calma
Enquanto a mão que a machuca
Também lhe entrega a alma
Ysrael Soler
#israelsoler
#ysraelsoler
"Há momentos em que a resiliência da água em contornar a pedra não basta; nas relações humanas as vezes é preciso a coragem do cinzel, pois certas liberdades só nascem do impacto que rompe e destrói o obstáculo."
É mais fácil transformar uma pedra em pó do que tirar água da pedra, mas há aqueles que já estão comprando água em pó!
Se relacionar com certas pessoas é como amarrar uma pedra à cintura. Se você andar, terá que arrastá-la. Se a pedra rolar, ela o arrastará junto. Então, corte a corda. Solte a pedra.
“Se relacionar com certas mulheres é como amarrar uma pedra na cintura. Se tiver que andar, terá que arrastar o peso da pedra. Se a pedra rolar, ela te arrasta junto. Então, corte a corda e solte a pedra.”
— Urbano Cardoso
A leveza é forte.
A dureza é fraca.
É mais fácil quebrar um coração duro igual pedra do que quebrar um coração leve como o vento.
O Despertar Através da Pedra
Olhe para trás e faça uma autoanálise sincera da sua história: as suas maiores forças não nasceram nos dias de sol e calmaria, mas nas noites escuras em que você precisou empurrar os seus próprios limites. Compreender o valor do obstáculo é parar de terceirizar a culpa das suas derrotas e assumir a responsabilidade pela sua evolução. Enquanto você continuar escolhendo o papel de vítima que reclama do tamanho da subida, o topo continuará invisível. O obstáculo é o espelho que te mostra do que você realmente é feita. Ele dói, ele aperta o peito, ele incomoda a sua zona de conforto porque o objetivo dele é justamente esse: fazer você acordar para o seu verdadeiro tamanho. Honre a barreira de hoje, pois ela é a arquiteta da sua vitória de amanhã.
Ídolos não são apenas feitos de pedra ou gesso. Idolatria é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus no seu coração e rouba a sua devoção."
Não queira ser uma pedra de tropeço no caminho de um homem avarento, porque os avarentos são capazes de tudo.
A razão procura a primeira pedra da realidade, sem perceber que talvez esteja tentando construir um fundamento para aquilo que não possui chão.
