Pedra
O Alquimista de Si Mesma
Houve um tempo em que meu nome era Resistência.
Eu me fiz de pedra para não quebrar,
e de muro para ninguém atravessar sem permissão.
Aprendi a ler o silêncio dos outros antes de ouvir minha própria voz,
acreditando, genuinamente, que o amor era um prêmio de consolação
para quem conseguia carregar o peso mais pesado sem reclamar.
Mas a terapia é esse outono necessário.
É o momento em que a árvore percebe que as folhas —
aquelas certezas antigas, aqueles medos vigilantes —
já não nutrem mais; elas apenas pesam.
E eu estou aqui, na delicadeza de me deixar desfolhar.
Dói nomear os fantasmas.
Dói perceber que, por anos, eu não vivi, eu apenas estrategiei a sobrevivência.
Mas há uma beleza sagrada em olhar para as mãos cansadas
e decidir que elas não precisam mais segurar o mundo.
Que elas podem, enfim, se abrir para receber.
Eu me perguntava: “Quem serei eu se a dor for embora?”
Hoje, o espelho responde com um sussurro:
Você será o horizonte, não apenas o caminho.
Será o mar, não apenas a barreira que contém a onda.
Não sou fraca por querer descanso.
Sou, pela primeira vez, forte o suficiente para admitir que sou humana.
Estou trocando a minha armadura de ferro
por uma pele que sente, que vibra e que, apesar de tudo, ainda se emociona.
Não estou apenas me curando;
estou finalmente me apresentando a mim mesma.
O meu mundo sem forma
Cada dia
meus desejos crescem
como raízes que racham a própria pedra
onde eu tento me firmar.
Ver o belo
e não poder tocá-lo
é aceitar, em silêncio,
uma ferida que ninguém pediu.
Não persigo o futuro.
Todo sonho que antecipo
parece roubar
o gosto do agora.
Então eu me abro.
Deixo o fluxo me atravessar
como o mar atravessa a areia
sem pedir licença.
Quero apenas isto:
ver.
Ser o olho que não prende,
o instante que não exige,
o homem que observa
e não se perde.
Onde cinquenta e quatro gigantes erguiam o peso do firmamento, restam seis sussurros de pedra: o colosso de Júpiter não ruiu pela força do tempo, mas converteu-se em silêncio para que os mortais pudessem mensurar a eternidade.
Reno Fioraso
Corações de Pedra
Há pessoas que parecem duras como pedras, mas, na verdade, nem sempre foram assim. Um dia, foram delicadas como pétalas de rosa, sensíveis ao toque e às palavras.
E corações sensíveis, como pétalas, tendem a ser mais frágeis, ferindo-se facilmente ao encontrar outros corações que, por também terem sofrido, deixaram de ser pétalas e se transformaram em pedras afiadas e cortantes.
Assim, a dor passa de um coração para outro, criando um ciclo de feridas que parece não ter fim.
Se um dia você tiver a sorte de encontrar um coração sensível como uma pétala de rosa, cuide dele. Não o machuque apenas para se vingar de um coração de pedra que, um dia, feriu o seu.
Porque quem escolhe preservar a delicadeza, mesmo depois da dor, também escolhe interromper o ciclo que transforma pétalas em pedras.
-Kaiane Macedo
Madalena!
Atire a primeira pedra,
seja o árbitro,
seja o juiz
marque, marque forte
ou indelével como o risco de um giz.
Dê o veredito,
pronuncie a sentença,
julgue o dito e o não dito.
Convença.
A falha,
o erro,
aponte o dedo,
não tenha medo,
pode me criticar...
Não sou a primeira nem a última Madalena
que por este mundo vai passar...
Mad... bad... sad.
Alguns são como uma tempestade de granizo! Duros como pedra, frios como gelo, causam um grande estrago. E derretem, formando um lodo!
Na geometria sagrada de Gizé, a pedra não aprisionou mortais, mas a própria luz, operando como um motor eterno que consome o tempo para alimentar o espírito.
Reno Fioraso
A selva que consome a pedra guatemalteca reflete o tempo que devora o império; porém, a sombra do que foram permanece escrita no silêncio que a terra insiste em guardar.
Reno Fioraso
Moais de pedra bebem o silêncio da terra, guardando o segredo de Páscoa, lugar onde o próprio tempo esqueceu a direção do altar.
Reno Fioraso
ÁGATA
Ágata, pedra de formação natural, fascinante!
Ela é nascida de rocha vulcânica .
Conta história geológica muito interessante !
Alexandrita ,gema rara e bem mutante.
Na luz do dia,essa força divina inorgânica,
troca de cor do verde para o vermelho .
Como se estivessede frente ao espelho.
A Transformação do peso
Alquimia da Alma: O Que Fazer com o Peso do Caminho.
Nem toda pedra no caminho serve para nos fazer tropeçar. Algumas são colocadas ali para testar nossa paciência e nossa capacidade de transmutação. Em vez de carregar o peso do rancor ou do sofrimento pelas estradas da vida, use cada rocha pesada para pavimentar o solo da sua própria sabedoria.
#Paciência #Transmutação #ForçaInterior #Aprendizado #Espiritualidade
Das palavras loucas vindas do coração
Como explicar e sentir ao te olhar sendo pedra preciosa
Que quando a vejo meu pulso corre como uma montanha-russa
Seu sorriso me deixa orgulhoso
Contigo hei de viver para completar os momentos de sonho e de paixão que nos interessa.
Para cada pedra, um farelo.
Atirem quantas quiserem
Eu já não as recolho+
Desisti.
De querer fazer o castelo...
Não sou diferente nem igual
Tão pouco irreal.
Nesse mundo tão igual 🫥🫥🫥
Quem nunca deu sumiço em 134 milhões que atire a primeira pedra! Não vale pedra muito grande! Senão, o Rachadinha vira pó!
A pedra e o abismo.
Uma vez ouvi um conto, se verdadeiro ou não, não me interessa. Afinal de contas do que me adiantaria me interessar por algo que não impactará a minha existência? Por que dar créditos a questões que logo virarão uma névoa em minha mente? Mas...Mesmo assim, movido por um momento de fraqueza, irei compartilhá-lo.
Em um lugar distante havia um abismo, e a lenda era de que ele não tinha fundo. E por ser algo tão curioso, uma cidade em torno dessa atração nasceu, e não podendo ser diferente ela foi chamada de Abismolândia. Os moradores não exploravam o abismo, e impediam qualquer tentativa de exploração, até porque era interessante manter o mistério e o status do abismo sem fundo, o que era bom para a cidade. Afinal de que adiantaria um abismo com tantos metros de profundidade, pois se isso acontecesse seria somente um abismo qualquer. E é inegável que há lucro na perpetuação da ignorância.
Porém em um belo dia, um jovem morador da Abismolândia resolveu ir até a beira do abismo e lá de cima lançou uma pedra. Nada escutou. Lançou outra, e nada! Realmente o abismo parecia não ter fundo. Ficou admirado e, juntando mais algumas pedras, ligou para alguns amigos, e lá de cima ficaram arremessando as pedras no abismo.
A disposição dos jovens fazendo tal traquinagem acabaram por atrair mais pessoas, e estas começaram a jogar pedras no abismo. Cada pessoa arremessava sua pedra com alguma intenção, e ao agirem dessa forma acabaram por criar várias categorias de arremessadores. Havia aqueles que como em um poço dos desejos, faziam seus pedidos. Havia aqueles que disputavam quem arremessaria a pedra mais longe. Havia aqueles que se sentavam e ficavam filosofando sobre a queda aparentemente infinita da pedra. Afinal, não importava a forma e a motivação pela qual as pedras são arremessadas, e nem o porquê, o que importa é que todos estejam arremessando-as. E assim, pessoas de todos os lugares, se dirigiam até ao curioso abismo para lançar sua pedra (que nesse momento já era vendida pelos melhores pedreiros da região). E com o passar do tempo, o provável aconteceu. Um belo dia ao arremessarem uma pedra no abismo, passado um tempo, ouviu-se um baque surdo. Silêncio! Alguém gritou. Incrédulos atiraram outra pedra, desta vez maior. E o barulho se repetiu após alguns minutos.
O abismo afinal, tinha fundo! A novidade se espalhou pela cidade e o pânico entre os moradores foi automático. A cidade estava arruinada em sua reputação! Cochichavam uns. O abismo tinha fundo, logo, a propagação dessa ideia poderia ocasionar um colapso econômico e social sem precedentes previsíveis. Afinal toda a economia local, dependia da exploração de um abismo sem fundo. Reuniram-se os moradores e estes temendo o pior para aquela localidade tomaram atitudes para proteger a descoberta e decidiram que a partir daquele momento estava proibido atirar pedras ou qualquer outro objeto no abismo, visando protegê-lo (não porque tivesse fundo, mas porque era o mais ecologicamente correto a ser feito). O local foi fechado e isolado em nome da segurança dos transeuntes. Afinal de que adianta uma mentira se essa não pode ser sustentada? De que vale viver uma verdade se ela é destruidora dos sonhos de toda uma sociedade?
Mas tais ações tiveram consequências, e o povo itinerante, proibido de ir até o local do abismo, deixou de frequentar a cidade e os impactos ficaram visíveis.
Os moradores tinham que achar uma solução, e tentativas não faltaram. Vamos descer no abismo e cavá-lo mais, diziam uns. Vamos criar a lenda do monstro do abismo, para trazer curiosos e afastá-los ao mesmo tempo, diziam outros. Enfim as mais esdrúxulas ideias surgiram, mas nenhuma conseguia resolver o problema causado por eles mesmos. (faz parte da natureza humana criar problemas para depois tentar resolvê-los criando outros problemas)
Problemas somados a problemas acabam por gerar situações extremas que exigem decisões extremas. E aconteceu que um morador em tom de brincadeira disse: “Por que não vamos todos morar dentro do abismo? Vamos levar a cidade para dentro do abismo e seremos o povo que habita o abismo”. A ideia estranha ganhou adeptos, e assim aconteceu.
Hoje Abismolândia continua sendo uma atração, não pelo abismo, mas pelo povo que habita no fundo do abismo. (e toma-lhe pedrada)
O conto não se trata do abismo e muito menos da pedra. Pensadores, pensemos.
Massako.🐢
