Palco
#BORBOLETA
A primeira estrela no céu se revela...
Caminha pela rua a brisa fria...
Finda já a tarde...
Tão bela...
No mundo bordado...
Cheio de maravilhas...
Tão longe...
De mim distante...
Num ondulante respingo de melancolia...
Uma borboleta me faz companhia...
Tranquilos e tristemente...
Caminham pelas ruas...
Um pingo de gente...
E vão... E vem...
E voltam... E passam...
Em tão poucas companhias...
Mudam-se as coisas...
Muda-se a vida...
E os sonhos,
Um dia perdidos...
Não voltam mais...
Não sei se penso em tudo...
Ou se de tudo me esqueço...
O que na alma vai...
Às vezes penso que enlouqueço...
Levo os meus sonhos para sempre...
Mesmo com as lembranças roubadas...
Levando num sorriso...
Indeciso...
Os restos de mim...
A vida é este palco...
Sem que se entenda o sentido...
Uma órbita suspeita...
Borboleta...
Obrigado pelo carinho de sua visita...
Sandro Paschoal Nogueira
Ausência
Separada, apartada...
Cada caminho trilhado leva a nada.
Afastada, desconectada...
Cada dia vivido é sempre, pra alguém, o fim da estrada.
O cenário montado.
Quanta gente lado a lado.
(Des)conhecidos sofridos...
Cada um seu papel a sério sabe... deve ser levado.
A peça continua...
Embora muitos já tenham dela se ido.
Indiferença... não faz a menor diferença.
A minha... a sua presença.
Se você no palco está... se eu no palco estou...
Ou... se já tenhamos embora ido...
Ninguém nota a nossa ausência.
Além de sermos protagonistas das nossas próprias histórias, com lutas, derrotas e conquistas, compartilhamos um palco comum onde todos têm a mesma relevância.
A afinidade entre a sua leveza e a sua impetuosidade é admirável através de movimentos que exaltam a sua beleza e o fogo da sua essencialidade, mostrando tanto a sua força quanto a sua delicadeza, a viveza da sua verdade, parte significante da sua natureza.
Demonstra a sua sincera liberdade da maneira mais bela que pode demonstrar, que a deixa ficar mais à vontade como se levasse consigo, um pedaço vivo do seu amado lar para vários e distintos lugares, principalmente, num palco, diante de muitos olhares.
A sua confiança, o seu charme e a prova do amor que traz no seu íntimo estão bem presentes em seus passos cativantes que fazem uma breve apresentação ser inesquecível numa entrega notória de corpo e alma, existência calorosa, ricamente, expressiva, emoção demasiada, preciosa bailarina.
Ah não se engane com a fragilidade da beleza das flores... as mais belas resistem aos mais terríveis invernos.
A vida é um ciclo? ...Talvez...
A vida é uma espiral? ...Talvez...
Mas a verdade é que tudo o que vai... um dia volta.
Para que a vida valha a pena construamos um hoje sólido, para que amanhã tenhamos alicerces seguros para sustentar o resto de nossas vidas.
Não podemos viver de passado... mas não podemos esquecer que dele provém tudo o que sabemos de nós hoje.
Eis a vantagem de às vezes sentarmo-nos a margem da sociedade e observá-la com cautela, pois assim vemos o que os demais não vêem!
Escrever não é um dom propriamente dito... é um trabalho árduo... como lapidar diamantes... palavras são brutas e o sentimento é o instrumento que as lapida.
As decepções só servem de impulso para te lançar à frente! O que pertence ao passado já está passando!
Não basta olhar coisas e pessoas com os olhos que a terra há de comer... tem que enxergar mais além... tem que enxergar com os olhos da alma.
Viva como se fosse o último dia de sua brilhante vida, mas admire-o como se fosse o primeiro de sua jornada. (Paráfrase de um ditado popular)
Todo fim é recomeço
Mas é preciso despedir-se do passado...
é preciso por uma pedra...
fechar os buracos...
costurar os rasgos...
doar as roupas velhas...
zerar a contabilidade
e recomeçar...
