Os Inocentes de uma Guerra
Desde que o mundo é mundo as maiores proezas foram conquistadas através da violência, paz após guerra, direitos após revoluções.
Em uma desavença, mesmo aquele que pensa ter saído vitorioso; não deixou de também algo perder. Assim, como em uma guerra sempre existirá sequelados de ambos os lados.
Quando os espanhóis estavam destruindo o Império Asteca, os nativos pensaram que os deuses haviam morrido. O que é uma mentira, pois eles não morreram e sim jamais existiram.
O ser humano já na origem da vida, no momento de vir a terra. Para e pergunta a Deus. Pai, há algo errado? Não tem receita de cura para a guerra?
Ao que Deus responde: - Para esta cura não não há escrita. Somente amor e misericórdia, que eu já lhe dei e a todos os outros em escala infinita. Por favor, pratique sem miséria e sem escrita. E assim a guerra um dia será finita.
Você, raparigo cobiçado dos olhares vis. Onde ponha sua coragem em tempos de aperto. Esquecestes que a vida na verdade é guerra? E que os momentos bons são apenas descansos passageiros?
Daniel de Moura Jorge: Por que fez-se mórbido à afirmação que fora sua, não deste a cara a luta por medo?
Daniel de Moura Jorge: Não sejamos nós, homens como quaisquer, sejamos nós mesmos, aqueles que aprenderam no forje na batalha o valor da luta.
[15:20:34] Daniel de Moura Jorge: Encare seus medos, faça dessa disputa sua guerra. Não pense em quem machuca e nem como pode, talvez, se machucar.
Daniel de Moura Jorge: Isso é obra do futuro, que é obra do agora, que é obra de você.
Daniel de Moura Jorge: Rebento. Vá em frente e arrebente. Seja tu, mais que uma pipoca.
Daniel de Moura Jorge: Seja homem entre todos que lutam, seja força e não disputa.
A vida é um campo de batalha e nós somos nossas próprias armas. Para emergir-se vitorioso é cogente primeiro lutar contra si próprio e lembrar-se que a paz é apenas um motivo para manter-nos recarregados.
"Quando se é super-suficiente, acredita-se que tem tudo. Porquê na verdade se é 'tudo'. No entanto, quando se vê cercado do outro e ali nele, deposita-se parte do que você tentou não ser e vê-lo partir, descobre-se que é no outro que o meu pouco pode está. Sabe-se então que não é o 'todo' do tudo que nunca esteve aqui. Reconhecer o 'todo' que estava ao nosso lado, mas o 'nosso' que controlava o outro que cada um tinha na relação, simplesmente desapareceu. Os dois 'tinha' tudo para dar certo."
Texto de: Douglas Melo - As Crônicas Da Guerra - As Crônicas dos Amores.
A PAZ EXISTE?
“Enchem a boca de paz, e não há tal paz no mundo. E senão, quem há tão cego, que não veja o mesmo hoje em toda a parte? Dizem que há paz nos reinos, e os vassalos não obedecem aos reis: dizem que há paz nas cidades, e os súbditos não obedecem aos magistrados: dizem que há paz nas famílias, e os filhos não obedecem aos pais: dizem que há paz nos particulares, e cada um tem dentro em si mesmo a maior e a pior guerra. Havia de mandar a razão, e o racional não lhe obedece; porque nele, e sobre ela domina o apetite. (...) A paz do mundo é guerra que se esconde debaixo da paz. Chama-se paz e é lisonja: chama-se paz, e é dissimulação: chama-se paz, e é dependência: chama-se paz, e é mentira, quando não seja traição.”
Padre Antônio Vieira, in Sermões
"Quem espera sempre alcança".
Uma das frases mais comodistas e mentirosas que já criaram.
Só vai alcançar aquele que lutar, suar, determinar e persistir.
Quem fizer diferente disso vai ESPERAR e NUNCA irá ALCANÇAR.
Toda arma fabricada, todo míssil e foguete lançado é, num certo sentido, um crime contra os que passam fome e não são alimentados, contra os que sentem frio e não são agasalhados.
Paz!!!
Eu já acenei a minha bandeira da paz e só você não viu.
Será que o ditado popular que fala: "Que o amor é cego."
Faz sentido também na hora das nossas brigas, e você está tão cego que não consegue enxergar a minha humilde bandeira da paz. Será???
Eu não quero briga, eu quero amor.
A única guerra que eu queria ter com você, seria entre quatro paredes e em cima da cama, uma guerra de travesseiros juntamente com muitas risadas, e com direito á bombas de beijos estalados, armas de sedução, poder bélico de tirar o fôlego, e tréguas para descanso de corpos mortos e exaustos.
Está seria a nossa verdadeira guerra, e não está que estamos vivendo, por isto, eu te peço PAZ DE AMOR.
PORQUE EU TE AMO!!!!
Cláudia Leite S.
Ele é preto ou tá escuro?
O preto só é preto quando está escuro. Quando de repente, falta de luz em todo lugar. Quando está claro, o preto deixa de ser visto como preto, ou melhor; o preto torna-se cor, é só, a mais densa das cores. Torna-se visível porque há luz, porquê identificou-se que não se trata do que não via, e agora já se vê. É uma cor. O preto tornou-se escuro - nem sabe-se se é (preto) -, não se vê. Não se pode enxergar coisa alguma (parece outra coisa). Isso é o que não se pode dizer que viu. Ou está cego pela escuridão e não se pode dizer que cor é, ou, é só, a ausência total de luz. Tem cor, mas não se viu (não se sabe qual era).
Às vezes, estamos certos, mas outras vezes, estamos no lugar errado. Ou só, ainda, na posição errada. Não é ele que é preto, ele só está à sombra. Sob à luz, ele é quase amarelo.
Texto extraído de: As Crônicas da Guerra - O que tem no Amarelo. De: Douglas Melo.
Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.
II TIMÓTEO 2:4
Rebenta a manhã como um punhal
de gritos
na caserna
O arame farpado
que serve de paredes frágeis a este quartel
improvisado
foi cortado durante a noite
Há marcas evidentes do inimigo
e da sua passagem traiçoeira
por aqui
Estremece o sangue nas veias
a raiva corta os pulsos
e o medo apodera-se de todos nós
Não há heróis,
existe apenas
a cruz de guerra entregue ao pai
ou ao filho que o pai não conheceu
e a memória sentida
escrita no mármore da sepultura
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
O comboio levou-me para o leste em direção à fronteira com a Zâmbia. Eram nove e quinze da manhã, daquele dia chuvoso de dezembro de 71. Dia 12. Exatamente como imaginava!
Apenas viajámos de dia. À noite, pernoitámos em Silva Porto. A partir daqui e até ao Luso, à frente da máquina que puxava as carruagens, ia outra a servir de rebenta minas.
E os meus poemas começaram a nascer… sobre o joelho, onde apoiava o papel, escrevia:
“Espera-me.
Até quando não sei dizer-te,
mas afianço-te
com fé
que voltarei!
Espera-me nas tuas manhãs vazias
nas minhas tardes longas
nas nossas noites frias
e não escondas de mim essa lágrima
teimosa
onde está escrito
“não te vejo nunca mais”
Não esqueças o que fomos ontem
se o amanhã não existir
ou não voltar,
recorda o hoje
permanentemente
mesmo que não haja cartas
que nos possam recordar.
Nova Lisboa, Angola, 12 de dezembro de 1971
- para uma comissão de 14 meses no Leste de Angola, C. Caç. 205 (Cacolo), integrada no Batalhão de Caçadores 2911 (Henrique de Carvalho)
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
Todos recebiam cartas
e discos pedidos
ao domingo
no Rádio Clube de Huambo
a mais de mil e duzentos quilómetros…
era a emissora que mais se ouvia
Só ele,
porque exatamente ele era só
e de longe
(talvez de lugar nenhum),
o furriel Abreu Gomes
nem uma letra vertida em magra folha de papel
Vingava-se da solidão no cigarro
que um após outro fumava
Enrolava-os com perícia tal
no fino papel de mortalha,
dois a dois de cada vez,
como se ali depositasse os fios da vida
que queimava,
como se estivesse a fechar para sempre
as abas do seu caixão
Aquele livro de mortalhas
e a cinza do cigarro queimado
que lhe morria pendurado na boca,
tinha a brevidade da vida
que ali se vivia a cada hora que passava
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
Olhei-me em cima da berliet
com o coração tolhido de medo
Aqui não há heróis…
até os mais audazes na vitória
sentem medo
As mãos vazias
seguram com firmeza
estranha
a espingarda G3
que me deram para matar,
a única companheira segura
de todos os dias e noites
As nuvens de sangue ao longo da picada
abreviam a morte
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
Terra de medo
e de dor
e de sonho também…
Lá fora o vento que zumbe
e uiva
e fustiga ameaçador e célere passa…
o vento a quem tudo pergunto
e nada me diz
O vento que volve e revolve
e varre
as folhas secas das mangueiras
plantadas no terreiro
que serve ao quartel de parada
O vento que zumbe e uiva
tresloucado
no negrume da noite que dói e mata
O vento que fustiga e passa
as frágeis paredes da vida
dentro do arame farpado
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
À volta de mim, o terror e a morte…
olhares de medo
fixos na imensidão do vácuo
interrogam-se mudos
inquietos…
dolorosamente pensam na razão
de tal sofrer
Mas não choram porque o pranto
se esgotou há muito
neste inquieto viver
Ah! Se eu soubesse ao menos rezar…
Rezava por ti
ó homem verme, tirano e sádico
que por prazer destróis;
Rezava por ti
ó governante ganancioso e brutal
que o mais fraco aniquilas;
Rezava por ti
ó deus, que já nem sei se existes,
pela geração que criaste
e abandonaste
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
