Obrigada pela noite
Boa noite!
Que os anjos guardiões estejam ao seu redor nesta noite, protegendo-lhe dos perigos e conduzindo seu descanso rumo à paz de espírito. Que sua fé seja uma luz a guiar-te nos momentos de escuridão, reafirmando seu propósito e iluminando seu caminho...
- Edna Andrade
Senhor, nesta noite, venho a ti para agradecer por mais um dia vivido, por cada benção recebida e cada desafio superado. Abençoa-me, ó Deus, com um sono tranquilo, livre de preocupações e ansiedades. Derrama a tua paz sobre o meu coração, para que eu possa descansar em tua presença.
Confio em ti, ó Deus, sabendo que estás sempre presente e cuidando de cada detalhe da minha vida. Entrego-te todas as minhas preocupações, medos e anseios, confiando em tua soberania. Que esta noite seja um momento de descanso e renovação, para que eu possa acordar amanhã com ânimo e disposição para cumprir a tua vontade. Amém!
- Edna de Andrade
Boa noite…
Que o coração encontre repouso,
mesmo sem todas as respostas.
Que o corpo se permita o silêncio,
mesmo que o mundo lá fora ainda grite.
Há uma paz que não se explica —
ela chega mansa, como colo de Deus
que embala a alma cansada
e diz:
“Pode descansar, Eu estou aqui.”
— Edna de Andrade
Inspirado no Salmo 4:8
@coisasqueeusei.edna
Boa noite.
Que a misericórdia de Deus te envolva feito abraço —
daqueles que acalmam por dentro e protegem por fora.
Que Ele te envie força onde houver cansaço,
coragem onde houver medo
e luz onde a vida parecer escura demais.
Descansa o coração…
Quem caminha com a luz de Deus
não se perde, não se apaga, não teme.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Desejo que a sua noite te acolha com doçura,
que o sono leve embora o que doeu,
e que amanhã chegue leve, como abraço de Deus.
— Edna de Andrade
Boa noite.
Tem dias que a gente só precisa de um pouco de paz.
Um canto pra descansar o coração.
Uma certeza quieta de que Deus está cuidando —
mesmo quando tudo parece em silêncio.
Então, fecha os olhos com calma.
Entrega o que não cabe mais nas mãos.
E deixa Ele te embalar do jeito d’Ele:
com presença, com consolo, com amor que não falta.
Amanhã, você recomeça…
mas hoje, só respira.
E confia.
— Edna de Andrade
Eu já vi rio secar da noite pro dia
Já vi corrente mudar de direção
Aprendi cedo com a água barrenta
Que quem endurece perde o chão
Eu não brigo com o vento que passa
Nem bato de frente com temporal
Tem hora que o silêncio é o caminho
E esperar também é sinal
Eu vou seguindo conforme a maré
Sem me perder do que sou por inteiro
Porque nesse mundo de pedra e vaidade
Quem força demais chega por derradeiro
Crocodilo que não abana o rabo
Morre afogado no fundo do rio
Eu aprendi a seguir com a água
Sem me perder do caminho
Eu fico quieto, mas vejo de longe
Eu sou do brejo, do tempo e da espera
Meu rumo é o rio quem vem ensinar
Sabedoria é saber esperar...
Crocodilo que não abana o rabo
Morre afogado no fundo do rio
Eu aprendi a seguir com a água
Sem me perder do meu caminho
Crocodilo que não abana o rabo
Morre afogado, pode acreditar
Quem quer viver muito tempo nessa vida
Tem que aprender a esperar...
Sandro Paschoal Nogueira
Saio sem mapa...
Sem promessa no bolso...
A noite aberta...
Um talvez no olhar...
Não espero milagres...
Só deixo o vento decidir onde vai dar...
Levo expectativas leves, quase nada...
Pra não pesar o passo...
Nem o coração...
Se vier riso, ótimo.
Se vier estrada, que seja canção...
Talvez um encontro...
Talvez o vento...
Um bar qualquer...
Conversa sem fim...
Ou talvez apenas um simples momento...
Vou assim: “vamos ver o que acontece”,
Sem cobrar do mundo...
Sem pedir um sinal...
Porque às vezes é quando a gente não espera...
Que a vida resolve surpreender no final.
Sandro Paschoal Nogueira
Malandro tem cheiro de noite,
de rua quente, de tentação.
Não toca, mas deixa nos dedos
a memória da intenção.
✨
Quem olha sente o risco,
quem fica perde a razão.
É calma que acende incêndio
sem pedir permissão.
✨
Ele dança parado,
provoca sem se mover.
O desejo se oferece
só de imaginar o que é.
✨
Não promete eternidade,
mas entrega o agora inteiro.
Quem cruza seu passo lento
nunca sai do mesmo jeito.
✨
Malandro não seduz —
ele deixa acontecer.
E quando você percebe,
já quis sem nem querer.
Sandro Paschoal Nogueira
Sem saber o que fazer, a noite passa como se fosse infinita, o relógio gira às voltas, mas o mundo gira com surpresas que têm duas respostas para uma só pergunta e eu acabo escolhendo a terceira resposta.
Quem é você que na face oculta da noite desbrava o chão dos versos a tecer um poema controverso? Sou sua face dúbia que não encontra espaço no chão da sala para me fartar de palavras inebriadas. Falo do amor que pode ser qualquer morada. Se esta rua fosse minha eu mandava ladrilhar com poesias antigas para eu mesma me fartar. E muito pouco cumpro daquilo que prometo, pois eis que esqueço sua face mascarada e me perco em palavras pesquisadas, que não alcançam meu vocabulário, que caminha qualquer estrada, pois a liberdade há de encontrar também a palavra. E muito mais falo ao peixes se meu poema não sabe a hora de parar e anda devagar a espreitar um novo conceito nas colchas de retalho que eu costuro e são maiores do que minha estatura. Vendo meus versos solenes a qualquer vivente que a linguagem experimente. Caranguejo não é peixe, caranguejo peixe é, nas ondas da vida eu sou a maré, que te convida a escutar minhas rimas de uma vida que ultrapassam minha sina. Sei do pouco o muito e cobra juros se perdida na colina suspira a existência perdida. E longo caminho se faz, o que para muito tato faz, mas meus passos têm pressa se a poesia se esvai e tenho nas mãos peixes numerosos que me escutam com atenção. Nada se faz além de andar em círculos e as verdades que eu não mais acredito, se está ausente a luz solar e sou visitante do meu próprio lar. Morre incongruente o passado obsoleto e já não protegem os amuletos, se nada se sente no momento presente e são incipientes todas as obras inacabadas, se não há mais pés que caminhe a estrada. O dia escureceu em minha mente e não há argumentos que me façam mudar de pensamento se já foram plantadas todos as sementes e estou abruptamente descrente de qualquer fruto que brote no chão. Eis uma canção que não se escreve, pois entardece o poema ausente de beleza plena a vagar no solo da realidade a inquietude de minhas mãos incertas se a face deslumbra o ardor frenético de um forte remédio que descortina o tédio e fazem os olhos verem o estático minuto da aurora que foi outrora festiva e convidativa, mas agora se farta de rima que muito pouco dizem e me resigno se minha sina é comprar uma passagem só de ida e esquecer o passado de minhas madrugadas. E há de haver novas estradas para fazer raiar minha alegria distante que não encontra rios de água cristalina a desviar a íris de qualquer lembrança fria. Novamente se faz despedida na inconstância do amor que morre todos os dias. Chamaria isso de vida.
Como eu poderia te esquecer, se cada detalhe daquela noite na frente da Estação do Cabo está gravado em mim? Te vejo vindo em minha direção, radiante naquela calça jeans que realçava suas curvas, com os olhos brilhando e um sorriso que desarmou qualquer defesa minha. Você estava deslumbrante, e o impulso foi mais forte que a razão: precisei roubar aquele beijo. Foi ali, naquele instante mágico, que a nossa história começou a ser escrita.
Esquecer você é impossível depois daquela noite. Ainda sinto a emoção de te ver pela primeira vez na Estação do Cabo, linda, com aquele corpo violão e um brilho no olhar que me hipnotizou. Eu não tive escolha: quando você chegou perto, tão encantadora, eu tive que roubar aquele beijo. Mal sabia eu que aquele seria o início da nossa história e que ficou Gravado na minha memória pra sempre.
Não sei se você se lembra daquela noite fria, mas a minha solidão era tão vasta que precisei sintonizar o mundo na frequência de uma estação qualquer. Eu cruzei os dedos, disquei o número da rádio e deixei meu contato flutuando nas ondas eletromagnéticas, como quem joga uma garrafa com um bilhete desesperado num oceano de fios e antenas. Eu só queria ser descoberto. Queria que o universo provasse que eu não estava sozinho no escuro.
Do outro lado da cidade, na mesma fração de segundo, o destino ajustava o seu receptor. Você não procurava ninguém; apenas girava o botão do rádio, deixando a estática preencher o vazio do quarto. Dois desconhecidos, duas vidas paralelas, conectados por um sopro de voz que o locutor leu sem saber que estava costurando duas almas para sempre.
Quando o meu telefone tocou e ouvi o teu "alô", trêmulo e tímido, algo dentro de mim desmoronou e se reconstruiu instantaneamente. Não fomos nós que nos escolhemos; foi a vida que cansou de nos ver errar o caminho e resolveu nos colidir.
Aquela frequência AM/FM virou o batimento cardíaco que faltava em nós.
Eu amo como o nosso amor nasceu do invisível. Nós não nos vimos, não sabíamos a cor dos olhos um do outro, nem o formato do sorriso. Nós nos apaixonamos pela essência nua, pelo timbre, pelas pausas onde a respiração confessava o que o medo tentava esconder. Apaixonar-se assim é uma entrega sagrada, porque mostra que nossos corações já se reconheciam de algum lugar do passado, antes mesmo de os nossos corpos se cruzarem na calçada.
Hoje, olhando para você, tenho a certeza absoluta de que existem milagres discretos que a ciência jamais conseguirá explicar. O rádio foi só o pretexto que a eternidade usou para me devolver a parte que me faltava.
Obrigado por ter estado ouvindo no momento certo. Obrigado por ter tido a coragem de discar os meus dígitos. Eu te amo além do que o som pode propagar, além do que o tempo consegue apagar. Você é a minha sintonia perfeita.
Eu fui trocar a lâmpada queimada do corredor ontem à noite e, quando fiquei ali no topo da escada, no escuro absoluto, percebi que o meu maior medo não era cair dali, mas sim o fato de que eu já não lembro se você preferia a luz quente ou a luz fria para a nossa casa; desci os degraus tateando a parede, sentei no chão e chorei feito um menino ao entender que o tempo está apagando os seus detalhes de mim, e que eu estou perdendo você de novo, só que agora dentro da minha própria cabeça.
Na noite que tarda estrelas, as mãos tecem versos no chão e se podia dizer que era manhã, já que as palavras tudo aceitam dos versos descomprometidos com a verdade e eu não diria que é mentira se ardem as esmeraldas. A face reflete o mais puro céu azul e os girassóis deliram no amarelo altivo de uma vasta plantação. E se diria que o rubro de minha face era a vida queimando na melodia indizível das colinas esverdeadas que murmuravam fontes de água cristalina nas mãos de flauta. E se podia dizer sobretudo que tudo já foi dito, mas o poema contradito toca a margem do infinito e mais versos geram em minhas linhas digitais. As árvores falam o sussurrar das folhas ao vento e colorem de flores o chão e as ruas se fazem rosas, vermelhas e larajadas, uma camada farta de detalhes numerosos em sonhos de turquesa. O amor partiu em muitas tardes como uma imagem que se esvai e restam fotos antigas desprovidas de vida. E o amor já não é uma necessidade, haja visto o preço oneroso da vida, pois é preciso comer, morar, vestir e viver. Eis que o amor é um luxo e se procura a paz no esdrúxulo movimento de se manter em pé. E para tanto se pede um pouco de fé, na esperança desmedida de o mundo ser melhor e sermos melhores para o mundo. No entanto, navego no absurdo e planto flores no olhos plenos de palavras, que assim compõem uma paisagem que não distingue as estações e faz solar a escuridão da noite. Faz do sul o norte e tudo muda de lugar no poema a proclamar verdades de imensidão nos dedos que tecem rimas nas constatações violetas do corpo em êxtase, pois tudo são pormenoridades se escrevo e me escutam e nada tarda na vida que permanece no tempo. Seguimos fortes sem lamentos a poupar o rosto de lágrimas frágeis, porque se bem observar não há motivos para chorar, pois que estamos vivos e atravessamos todas as madrugadas frias.
