Obrigada pela noite
A noite cultiva jardins de pequenos remorsos. Cada um deles é uma flor que não se abre. Eu passo os dedos e sinto pó de saudade. Há um perfume que lembra promessas quebradas. E continuo a regar o que não floresce apenas por costume.
Quando a noite se senta ao meu lado, não falo. Ouço-a dizer o que minhas palavras não alcançam. Ela traz histórias de quem caminhou antes de mim. E entre as histórias, encontro uma trilha de volta. Sigo os passos, mesmo sem saber o destino.
A noite é mestre em revelar a verdadeira face do desejo. Ela não julga, apenas mostra o que pulsa. Algumas verdades aparecem em roupas simples. E eu as recebo com humildade de aprendiz. Porque cada desejo é também mapa para a cura.
A noite guarda segredos que o dia não entende. Ela tem diplomacia de quem aceita contradições. Sento-me à sua mesa e aceito seu cardápio. Alguns pratos são amargos, outros, surpreendentemente doces. E eu como tudo com fome de entender.
Minha mente é um território hostil após a meia-noite, lembranças andam armadas e a esperança raramente faz o turno da noite.
O silêncio da noite tem uma voz que só os insones conseguem traduzir, uma frequência de rádio que transmite apenas as notícias do que perdemos pelo caminho. É nessa hora que a escrita se torna o único radar capaz de localizar algum sentido no meio desse nevoeiro existencial.
24 Prelúdios, Op. 28, de Frédéric Chopin.
Naquela noite em Valldemossa, o mundo parecia ter sido reduzido ao som da água.
O mosteiro respirava um silêncio antigo, quebrado apenas pelo insistente cair das gotas — como se o céu, cansado de sustentar seus próprios pesos, decidisse chorar sobre a pedra fria. Dentro de um quarto úmido, Frédéric Chopin não dormia. O corpo frágil repousava, mas a alma permanecia desperta, inquieta, à beira de algo que não se pode nomear.
Dizem que a chuva o atravessou.
Não por fora — mas por dentro.
Cada gota que tocava o telhado encontrava eco em seu peito, como um pulso repetido, uma lembrança que se recusa a morrer. E então, entre a febre e o silêncio, ele viu — ou sentiu — a si mesmo afundando lentamente em um lago escuro, onde o tempo não corre, apenas escorre.
Gota.
Gota.
Gota.
Não era mais o mundo que chorava.
Era ele.
Quando George Sand voltou, encontrou um homem que já não estava inteiro. Havia nele algo que tinha ficado naquela água imaginada, submerso entre sombras e sons. Mas sobre o piano, quase como um reflexo involuntário da dor, nascia uma sequência de notas que insistiam em cair — sempre a mesma, sempre igual, como se a música tivesse aprendido a imitar a chuva… ou a memória.
Ele negaria depois.
Diria que não era chuva.
Que não havia gotas.
Que a música não descreve, apenas existe.
Mas há verdades que não pertencem ao compositor — pertencem ao abismo de onde a música vem.
E naquele prelúdio, escondido entre luz e tempestade, ainda é possível ouvir:
não a chuva do céu,
mas a que cai dentro de alguém.
- Tiago Scheimann
MOMENTOS DA NOITE
Dos momentos da noite, eu gosto de noites estreladas, pois me trazem boas reflexões de como somos insignificantes em nossa passagem, se compararmos com o tempo de vida de uma estrela. No entanto, mesmo com o pouco tempo que vivemos, somos capazes de traçar tantas coisas, temos a chance de deixar marcas que talvez perpetuem por anos.
Hoje é um daqueles dias em que nada parece estar bem e, ao mesmo tempo, tudo parece estar certo. Acredito que buscar o sentimento de autocompletude proporciona muito mais incerteza do que qualquer outra coisa. O futuro às vezes assusta muito, é estranho e engraçado imaginar como pode ser lá na frente, sem nem saber ao certo o dia de hoje.
Busco muito em meus pensamentos uma estrela que aponte para o norte, que me mostre uma direção a ser tomada, como um navio à deriva em alto mar, procurando a luz de um farol, para que as coisas possam entrar em seus eixos. No entanto, é estranho esperar algo, imaginando quantas vezes eu mudei ou me adaptei durante minha jornada.
Se doar, fazer o melhor e, às vezes, se deixar de lado são coisas muito naturais. Agora, dedicando mais tempo para mim, percebo o quanto posso evoluir sem me ferir, sem me cobrar tanto, como se a estrada percorrida tivesse uma bifurcação e, mesmo pegando o caminho errado, eu possa voltar e recomeçar tudo de novo.
É muito estranho ver meus pensamentos e me questionar se todos pensam/passam por momentos de indefinição. O mais comum hoje é ver pessoas com uma personalidade criadas da internet, que se satisfazem com o que os outros pensam sobre elas.
Eu só espero para o meu futuro um ótimo passado, conforto, um café quente e uma boa companhia.
"Em meio à imensidão estrelada, percebemos nossa insignificância passageira, mas a grandiosidade de deixar marcas eternas em cada instante vivido."
"Hoje a noite voei pelo céu para te ver...
-Foi um sonho?
Não, foi saudade!"
Haredita Angel
10.08.25
-A lua hoje tá assim...redondamente linda!
Acho que ela tá grávida..rs
"Hoje é noite de LUAR."
Haredita Angel
12.08.14
Essa noite eu sonhei que abria as gavetas da minha alma...
Na primeira havia Você;
Na segunda havia você;
E em todas as outras havia Você.
Mas, na última encontrei uma canetinha, velhinha tadinha...
Fui ver se ainda escrevia, e escreveu...
- Saudade de você!
Haredita Angel
20.12.25
Não repare o reparo que fiz nas nuvens. Elas voavam saudosas!
A noite não é tão escura assim! Apaguei as estrelas para que elas não me lembrassem que existe algo brilhando lá em cima. Um universo talvez. Daqui não enxergo muito longe.
O vento rodopia ascendente. Leva o perfume da carne, traz o cheiro do jardim.
Forte e decidido, esse mesmo vento poderá virar temporal. A brisa seguiu viajando solitária.
Não é tempestade, não é exagero.
É importante cultivar o jardim..
Na simplicidade das coisas ditas habita a verdade daquilo que se diz. Apenas digo! O universo diz. A imensidão infinita do mistério das galáxias nos diz.
Exageradamente saúdo a magnitude da noite, vejo, me importo.
Exageradamente escrevo sobre o pousar do sol, fico ou parto.
Exageradamente desdobro palavras, abraço e reparto.
Exagerado eu quero à sombra da árvore a sombra da tarde inteira.
A alma do poeta é sorrateira. Pouco precisa para entristecer, e pouco precisa para ser feliz.
Amo você! Hoje tudo é possível, por isso sonhe ainda mais alto do que já sonhou
e conquiste tudo aquilo que ainda
não conquistou. (Júlio Raizer)
Às vezes, a noite chega antes mesmo do sol ir embora.
Não porque o dia acabou…
mas porque a cabeça cansa.
E ali, deitado, o coração corre uma maratona que ninguém vê.
A mente fala demais, o peito aperta,
e o corpo só quer descansar, mas o sono não vem.
É nessa hora que o travesseiro vira confidente.
Ele escuta sem julgar,
absorve cada lágrima escondida,
cada pensamento que eu não tenho coragem de dizer em voz alta.
E eu falo com ele, como quem fala com um velho amigo.
Conto o que dói, o que assusta, o que eu não entendo.
Ele não responde,
mas, de algum jeito, parece compreender.
O que eu esqueço, às vezes, ou talvez não queira perceber, é que tem alguém que eu conheço,
alguém que realmente quer me ajudar.
Mas a ansiedade é traiçoeira:
ela me convence de que ninguém ficaria,
de que ninguém entenderia.
E, assim, eu abraço o travesseiro mais uma vez,
pedindo em silêncio pra mente se acalmar.
O que eu ainda estou aprendendo
é que existe gente que quer ajudar de verdade,mesmo quando eu não percebo.
Gente que não quer curar o que sinto,
só quer ficar do meu lado enquanto eu passo por isso.
Talvez um dia eu consiga olhar pra essa pessoa
com o mesmo carinho com que olho pro meu travesseiro.
E, quem sabe, finalmente entenda
que o amor também pode ser um abrigo.
Até Logo Sol
O sol vermelho,
dia quase no fim,
a noite sedenta
do outro lado da terra.
Prédios sufocam a visão,
O sol arde!
A lua desnuda sai,
Deixa seu banho,
em breve virá.
Enebriado olhar,
brega e covarde,
estapeia o sol quente
em minha car, mente!
Eu aqui, o sol, no último fôlego
Apolo em sua carruagem..
aguardo, reparo e me delicio..
É o fim de tarde.. (Júlio Raizer)
A Noite..
Queria tanto ver as
Estrelas, mas insistia
Em não abrir os
Olhos.
Talvez por temer o escuro.
No frio da noite,
o vapor se torna orvalho.
Um momento de ciência,
um vislumbre do eterno.
Do invisível ao visível,
do passageiro ao profundo.
O orvalho nos ensina:
em cada gota, o universo se condensa,
o frágil torna-se belo,
o transitório toca o intemporal.
A Noite Além
A noite deseja ser a senhora da madrugada, sem saber que ela é o vácuo entre os dias.
Aflita, acolhe sua alma.
Adormece, numa estepe crua e semovente.
Voando, persegue seu trauma.
Inquieta, busca cobrir com seu manto, as lamúrias da fenda passageira.
Não celebra a paz, não celebra a guerra, não celebra.
Céu ébrio, vulto perdido.
Sombras acalentadas numa imensidão soturna.
Sabores em desmérito, cores do além. (Júlio Raizer)
