Obrigada pela noite
**Entre Dois Amigos**
Augusto olhava a noite pela janela com uma inquietação difícil de esconder. Havia em seu silêncio uma espécie de fadiga antiga, como se carregasse pensamentos que já haviam amadurecido demais dentro dele. Depois de alguns instantes, falou em voz baixa:
— Há uma coisa que me inquieta profundamente: a sensação de que nascemos para uma única forma de existência e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava lentamente o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
Augusto manteve os olhos voltados para a rua vazia.
— Falo daquilo que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Havia nele certa reverência, como se ambos reconhecessem que algumas reflexões exigem espaço antes de serem tocadas novamente.
Augusto prosseguiu:
— Talvez o grande problema seja esse desvio constante. Nascemos artistas, não apenas no sentido do ofício, mas na maneira de perceber o mundo. E, no entanto, passamos a vida tentando nos adaptar a papéis: marido, cidadão exemplar, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos com atenção.
— E você acredita que isso seja um erro?
— Não exatamente um erro. Talvez uma incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a própria essência.
Miguel recostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive completamente fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço por isso.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu discretamente.
— Isso soa mais como orgulho do que filosofia.
Augusto negou com serenidade.
— Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. Trata-se apenas de reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos nos encaixar à força, alguma coisa em nós acaba se rompendo.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso breve, quase cansado.
— Tentei. Com disciplina, inclusive. Acreditei que bastava insistir, repetir hábitos, cumprir funções… como um ator aprendendo um papel.
— E o que aconteceu?
— Percebi que a vida, quando não é verdadeira, transforma-se num teatro sem plateia.
Miguel permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez todos estejam representando. Alguns apenas têm mais consciência disso do que outros.
— A diferença — disse Augusto — é que certos homens sabem que jamais poderão sair do palco.
— E você se considera um deles?
Augusto desviou o olhar para a rua escura.
— Sei que não consigo viver longe daquilo que me constitui. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas exige tudo em troca.
Miguel assentiu lentamente, absorvendo aquelas palavras.
— E não existe conciliação possível?
— Existem tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, agora mais denso e mais humano.
Depois de algum tempo, Miguel falou novamente:
— É curioso… o mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que existe algo essencial que nos define.
Augusto voltou-se para ele com calma.
— Não insisto. Apenas reconheço.
— E quem não reconhece isso?
— Talvez viva melhor.
— E você prefere o quê?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo sobre a mesa.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo antes de concluir:
— Nesse caso… talvez não sejamos artistas.
Augusto olhou para ele com uma serenidade quase melancólica.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez naquela conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
E mais uma vez, Deus fechou a cortina da noite dando-nos a oportunidade de atuar no mesmo palco mas, em um espetáculo novo.
Deus sempre tem algo para você: uma saída para cada problema, uma luz para cada noite, um alívio para cada tristeza e um plano para cada amanhã, apenas confie 🙏
A NOITE ME ENSINOU TE AMAR NO SILÊNCIO.
BY: Harley Kernner
A noite me ensinou a te amar no silêncio,
pois na calada dela não existe risco de rejeição.
E quando a solidão desce com a escuridão,
é nela que aprendi a te amar só minha —
inteiramente minha, e de mais ninguém.
A noite me ensinou a te amar na distância,
porque é ela que cobre o espaço entre nós
e protege meu coração de toda a dor.
Aprendi a te beijar pelo vento frio da madrugadas, onde minhas lágrimas molham nossos lábios.
Vento frio que passa leve entre as árvores,
muito mais suave do que meus lábios cheios de desejo.
E foi nessas noites que descobri o melhor jeito de te ter, mesmo sozinho ainda que venho a morrer.
Aprendi a te abraçando forte dentro dos meus sonhos, onde o tempo não corre, onde nada muda,
e onde você, meu amor, nunca, nunca vai embora.
E quando o sol finalmente rasgar o céu,
e a luz nos obrigar a abrir os olhos para a verdade,
não olhe para trás, nem pare para ver o meu chão desabar.
Vá devagar, mas vá…
Deixo com você o melhor de mim,
levo comigo tudo o que você me ensinou a ser.
Não foi ódio que nos separou, foi só o tempo,
e isso nos deixa em paz, mesmo com o coração partido.
A manhã quando o sol finalmente rasgar o céu,
e a luz nos convidar a abrir os olhos para a verdade, não olhe para o lado, nem pense em se afastar…venha devagar, mas venha.
Guardo com você o melhor de mim,
e levo comigo tudo o que você me ensinou a ser.
Não foi o tempo que nos separou, foi ele que nos uniu,
e isso nos deixa em paz, com o coração inteiro.
Abro a porta sem barulho, para deixar entrar a saudade boa,
e fico aqui esperando, ouvindo o som dos seus passos se aproximando.
Na noite passada foi o nosso jeito bonito de selar o que é nosso: amando até o último segundo, para que a nossa história nunca termine, não com um ponto final, mas com continuidade…daquilo que somos, e que para sempre seremos.
Harley Kernner.
Arquitetura de Poesias e Crônicas.
"E na calada da noite que o silêncio plana aos ouvidos, e os mistérios do coração é desvendado, puro são os desejos dos inocentes e os afortunados, de vingança são as interpretações dos corruptos.
É na calada que os pensamentos loucos são compreendido por si próprio. É na calada da noite onde o surdo ouve as vozes de seus preceitos, é onde os olhos fechado vê o mundo por portas novas.
É onde nasce os grandes sonhos movido pela intenciadade de vencer.
É onde a capacidade conspira contra a falta de vontade.
É onde o futuro tá começando a ganha um paço do presente.
Meus olhos eram oceanos insondáveis, enquanto a noite se fazia uma lua de mistérios. O tempo é um escultor silencioso e fez seu rosto em minha face frágil como um cristal. O amor é uma catedral no centro da alma. No entanto, os espíritos não sabem rezar. Então o amor se torna uma ponte sobre o abismo da solidão. Entretanto sonhamos o amor como um jardim suspenso entre encontros, talvez uma constelação na noite escura, um rio que alimenta desertos. Em nossa arquitetura de afetos, nossas árvores têm raízes infinitas, já que o amor é um mapa desenhado sobre a pele da memória. E assim fazemos nossa história incompleta. Duas jornadas na cidade sem esquina, que não se encontram nas linhas da mão. O amor é impossível entre nós por diferenças irremediáveis, é fácil dizer. Mas na noite escura os dedos digitam. Mas a distância não tem conciliação e já não reconheço sua pele. Então levo esse amor como uma companhia abstrata, motivo de versos e poemas. E penso na vida que é muito mais vasta. A vida é um rio que aprende seu caminho entre as pedras, se desviando dos dissabores e seguindo adiante ao encontro do mar. Somos uma embarcação em mares desconhecidos. Nunca sabemos quem irá cruzar nosso destino, pois a vida é um mosaico de encontros improváveis. E questionamos. A vida é uma estrada iluminada por perguntas. Seguimos sem respostas. A vida é uma colheita de instantes que sorvermos ansiosos, dando um passo atrás e outro a frente. A vida é uma sinfonia que só acaba no fim. E expando do amor à vida e da vida ao cosmo. O cosmo é um oceano de luz, um manuscrito das galáxias, um jardim onde floresce o sol. O cosmo é uma orquestra sem maestro. O cosmos é tambem natureza. A natureza é uma pintora de horizontes, um espelho da eternidade. A natureza é uma pintura em constante movimento. A natureza é uma coroa de vida.
O Zelo Divino Anoitece e, às vezes, Desabafo em Poesia
A noite costuma me trazer em determinados momentos aquela sensação necessária de tranquilidade — que encanta a minha alma, que gera um contentamento genuíno, seja uma ocasião com alguma sonoridade que me agrada ou embalada pelo silêncio — fragmento do meu íntimo.
Principalmente quando as horas estão avançadas e a minha amada solitude se faz presente, a minha mente fica mais equilibrada entre o caos e a calmaria; restaura o meu espírito ainda que eu esteja com o corpo cansado — uma sincronia imprescindível de elementos de bastante significado.
Então, as minhas emoções se misturam com certas palavras e nasce parte da minha poesia; os meus pensamentos mais expressivos desabafam em arte — versos vivos até nas entrelinhas, incluindo fantasia e realidade; de uma simples frase a várias linhas.
O Zelo Divino, manifestado também demonstrado em oportunidades noturnas, usa sabiamente o meu senso criativo e o meu apreço pela simplicidade para fazer uma leitura silenciosa sobre aquilo que preciso de verdade — pelo menos alguns instantes de equilíbrio.
Trocar o dia pela noite é o meu abrigo,
contra o medo do mundo, esse antigo inimigo.
Exigem que eu me prove, que eu mostre o valor,
como se a maturidade fosse um erro, uma dor.
Construí minha estrada com estudo e suor,
para ser lida em uma palavra, do jeito pior.
"Incapacitada" — sentença vazia e injusta,
para quem tem uma história que tanto custa.
Não sou o status que tentam me dar,
sou quarenta e oito anos prontos para voar.
Ass Roseli Ribeiro
A Intensidade da Manhã e A Elegância da Noite
Numa certa manhã de domingo, houve um fato surpreendente: quando a densa escuridão da noite foi transformada em um belo vestido que deixou as curvas de uma grande intensidade elegante — parte relevante do seu forte fascínio naquele momento, além do seu semblante expressivo; do seu jeito de olhar que reflete o seu universo —, o fulgor do seu íntimo, detalhes emocionantes e profundos de um sonho poético, da beleza que supera o físico e da poesia que supera os versos.
A Visita Serena que Traz Consigo O Aconchego
Aparece à noite com muita gentileza, aquela sensação edificante de serenidade — a vitalidade de um rico acontecimento, como uma visita muito aguardada durante boa parte da rotina; principalmente por não ficar por muito tempo.
Então, ela começa dando um abraço na alma, a gerar bons sentimentos, a falar o que precisava ser falado, mas nenhuma palavra é necessária; traz conforto, deixando o lar mais aconchegante, naturalmente valoroso.
E o quarto passa a ser mais confortável, semelhante a estar deitado em um campo, com a cabeça apoiada sobre os braços e as pernas cruzadas, enquanto fica observando as estrelas, sem se preocupar com nada.
"Nenhum pomar cresce da noite para o dia, mas a cada dia de plantio consciente, você deixa de depender de terceiros para sobreviver." — Laerson Endrigo Ely
"Nenhum pomar cresce da noite para o dia, mas a cada dia de plantio consciente, você deixa de depender de terceiros para sobreviver."
— Laerson Endrigo Ely, no livro O Método R.E.N.D.A. de Investimentos.
Saudade de Você, Lua
Em uma noite de Lua cheia
Me pego pensando em você,
E que saudade eu sinto
Saudade de me perder nas palavras que você dizia,
De suas invasões em meu lar,
Saudades das tardes em que conversávamos sobre tudo e sobre nada.
Me pego olhando para lua e pensando em você,
Todos os meus pensamentos foram tomados por ti,
Minha cabeça e meu coração entram em confusão,
E tudo o que consigo me lembrar,
Tudo o que consigo pensar,
E tudo o que consigo dizer é que sinto sua falta,
Então volte,
Eu odeio dizer isso, mas eu estava errada,
Eu estava enganada,
Volte para casa, volte para mim.
Às vezes, a gente olha para a lua e percebe que ela nunca está igual. Uma noite está cheia e brilhante, noutra é só um risquinho fino no céu, mas ela continua lá, firme.
O amor da gente é meio parecido com ela. Tem fases em que tudo parece transbordar de claridade, e outras em que a gente se esconde um pouco, só para se entender melhor. Mas o desejo de amar é o que faz a gente olhar para cima, mesmo no escuro, sabendo que a luz vai voltar.
DeBrunoParaCarla
Minha Carla, o silêncio da casa à noite é o grito mais alto que eu já ouvi. Olho para o lado e vejo o espaço vazio, o eco de um riso que ainda mora nas paredes, mas que o tempo insiste em querer levar. Você é o meu cais e a minha tempestade, o lugar onde eu sempre quis ancorar meus medos. Escrevo porque o peito transborda e as mãos tremem com a falta do teu toque. O mundo lá fora é barulho, mas aqui dentro, no santuário da nossa história, só existe você. Que o sono te encontre mansa, enquanto eu sigo aqui, sendo o guarda das nossas memórias, esperando o sol nascer só para ter a chance de te amar de novo.
DeBrunoParaCarla
Boa noite chegou…mas tem coisas em mim que ainda não descansamprincipalmente quando é você que insiste em existir nos meus pensamentos.
DeBrunoParaCarla
