O Velho Poema
SOLIDÃO
Um certo dia, eu acordei
Ao me olhar no espelho
Percebi que fiquei mais velho
Mas será que mais velho fiquei
Por que o dia de ontem passou
Ou por que sozinho estou?
Indago-me a cada passo que dou
Na vã estrada da solidão
Se os deuses nunca olharam um pouco para mim
Indago-me ainda
Na doce desilusão na qual me encontro
Se um frágil raio de luz
Não poderia iluminar meu caminho
Solidão
A mais triste das palavras
O estado que eu me encontro
Perdido numa porção de pensamentos
Que não se ligam
Solidão
Mais podre das palavras
Me contagiou
Naquela manhã, naquela ensolarada manhã
Quando nos separamos eternamente
A cada dia, eu vejo seu reflexo no espelho
O espelho cujos reflexos são amargas dores
E escuto sua voz, cálida voz
E sinto seu perfume, doce perfume
Sentado estou, em frente ao espelho
Mas meus reflexos não chegam até mim
Porque cego estou por causa da solidão
Única coisa que meu espelho reflete
É o reflexo de minha amada
Cuja forma existe apenas
Em forma de imagem
Faça-a voltar, faça-a voltar, faça-a voltar
Dor no coração estou
Caio de joelhos para pedir súplica
Me encontro no mais profundo desespero
Neste fechado recanto
Minha alma eu prendi
E a chave se encontra
No meu pensamento, no meu mais profundo pensamento
No pensamento de minha amada
Sem seu cálido sorriso, cálido sorriso, cálido sorriso
Louco estou
Louco por querer tê-la de novo
Em meus braços
E dar-lhe abraços
Seu coração pulsando, seus pulmões respirando
Faça-a voltar, faça-a voltar, faça-a voltar
Ó deus poderoso,
Faça-a voltar
Para finalmente eu conseguir
Achar a chave para poder sair dessa solidão
Sublime e obscura solidão
Por ai ando eu, o velho guerreiro que nada conquistou
Atravessou dunas, fortes e fronteiras e nada amealhou
Por demérito ou não só sei que nada alcancei
Por mais que tentasse, por mais que me esforçasse
Já a vida se esgotava, já o nosso amor se gelara
Por estas ruas vagueio
Com as mãos cheias de nada
Nem cicatrizes de guerra marcadas na minha face
Nem feridas fechadas outrora infetadas
Infelizmente liberto da prisão do teu olhar que tanto me acomodei
Por esses teus olhos que tanto sofri e chorei
Por dunas arenosas caminhei
E em altas montanhas guerrilhei
Como é possível um soldado tenaz, bravo e provocador
Tenha acabado sendo apenas mais uma notícia de rodapé na nossa História?
Alguém que por quem tudo lutou?
Acabou aqui no fundo deste antro
Desta vala comum onde sou apenas mais um cadáver sem alma
Que nunca voltará a renascer das cinzas
Nunca verá um amanhecer
Embora voltará a amanhecer
Pois sou apenas um velho conquistador
No apogeu da minha insignificância
Voltará a amanhecer
Um novo amor irá florescer
Um sorriso no teu rosto irá reaparecer
E eu? E eu serei só uma árvore podre e velha
Que já possuiu um verde exuberante
Mas, o Inverno chegou impiedoso
E limpou todas as folhas de esperança que permaneciam fortes
E o verde de vida ceifou
A vida que em mim habitava, cegou e sufocou
E fiquei esta apática e triste arvore
Despida de sentimentos, de cor, de sorrisos e de amor
O velho e o Moço
Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim,
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto.
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz,
Quem então agora eu seria?
Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar...
Mas eu, quem será?
Deixo tudo assim,
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.
Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo
E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?
Ahhh
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir
Encurralado
(Tradução: Pedro Gonzaga)
bem, eles diziam que tudo terminaria
assim: velho. o talento perdido. tateando às cegas em busca
da palavra
ouvindo os passos
na escuridão, volto-me
para olhar atrás de mim…
ainda não, velho cão…
logo em breve.
agora
eles se sentam falando sobre
mim: “sim, acontece, ele já
era… é
triste…”
“ele nunca teve muito, não é
mesmo?”
“bem, não, mas agora…”
agora
eles celebram minha derrocada
em tavernas que há muito já não
frequento.
agora
bebo sozinho
junto a essa máquina que mal
funciona
enquanto as sombras assumem
formas
combato retirando-me
lentamente
agora
minha antiga promessa
definha
definha
agora
acendendo novos cigarros
servido mais
bebidas
tem sido um belo
combate
ainda
é.
Certo de que não precisa voltar
Existe uma doce saudade lá fora
Passa o tempo, velho calabar
Não passam as horas, não adianta agora
Voltei para ver se minha pequena
Que de tão doce me perdoou
Ficou um pouco mais amena
Sem dizer se ainda o sou
Tem pressa em chegar?
Diz se tenho algum motivo
Se posso partir, se posso amar
Fale das coisas do mundo
Explique qual seu incentivo
De dizer "só por um segundo"
Que ruim né?
Crianças crescem tão rápido,
De repente a gente se sente velho,
Não tem mais jeito com crianças.
Elas, as crianças, tomam seu rumo,
A gente não será consultada.
Gente velha é coisa vencida.
Será que sou velho?
PERGUNTAS
Eu queria saber o que era amor
E a todos quantos via perguntava:
Ao velho, ao jovem que na vida entrava,
Ao inocente, ao justo, ao pecador.
De minha mãe às vezes, indagava.
Ela estranhando, repetia: "amor!"
"Leia o vocabulário" me ordenava
O meu velho e sozinho professor.
Fui percorrer então o dicionário:
Amor... amor... amor... sentido vário
De mil explicações em labirinto...
Não cheguei a entender. E fiquei triste.
Ou o amor em verdade não existe,
Ou só existe aquele amor que eu sinto.
Um dia você quis ser grande
Um dia você olhou para os seus pais ou para algum mais velho e quis crescer
Você era só uma criança e já pensava em ser grande, achando que tudo seria melhor
Lembra quantas vezes se cansou só de ouvir sua mãe mandando você ir comer senão apanharia? E ali você só desejou crescer
Quantas vezes na adolescência quis sair mas alguém mais velho mandou ficar e com raiva você pensou em como sua vida seria melhor se você tivesse seus vinte ou trinta?
Era chato ser criança e ouvir sempre sua mãe impondo limites
Era chato ficar em casa quando queria estar na rua
Era chato receber um "não"
Hoje você cresceu, hoje você está grande... Os anos passaram e a criança chegou onde queria. E ai? É bom crescer?
Hoje o adulto que você se tornou só quer voltar a ser criança
Hoje você quer voltar para casa com o joelho ralado, com lágrimas nos olhos e como toda criança, correr para os braços da mãe
Ah... Como seria bom voltar a ser apenas uma criança
RECOMEÇO...
“Para experimentar o novo, a atitude é banir o velho! Varrer os cacos dolorosos do passado. Trocar as cortinas embaçadas de lembranças tristes por tons fortes e coloridos de paixão e entusiasmo. Expulsar os fantasmas do medo, ansiedade e depressão que impendem a felicidade de se instalar. Abra as janelas da alma com sonhos e esperanças, aviste o horizonte de oportunidades, deixe a brisa da paz invadir seu interior, esqueça os tropeços, invista no novo; novo caminho, novos projetos, novo jeito de viver deixe a vida acontecer naturalmente, abuse da coragem, da fé, da ousadia, se dê a chance de um recomeço, então com passar dos dias perceberá sua história se transformando em dias de conquistas e muitas realizações”.
Gil Camargos
CAVALO MORTO
UMA JOVEM, UM VELHO E UM MORTO,
CADA UM COM SEUS PROBLEMAS,
TINHAM 3 GRANDES DESAFIOS,
USARAM SEUS ESTRATAGEMAS.
A JOVEM, BELA E PREGUIÇOSA,
TEVE QUE MATAR UM BOI,
O VELHO, TODO ARCADO,
TINHA QUE COMÊ-LO, E NÃO FOI.
O QUE FAZER COM A CARCAÇA?
PERGUNTOU O “MORTO” OLHANDO TORTO.
VAMOS QUEIMAR, FAZER FUMAÇA
E AS CINZAS PÔR NUM SACO,
DEPOIS JOGAR NUMA QUIÇAÇA,
LÁ NO MORRO DO MACACO.
DEPOIS DE MUITA DISCUSSÃO
POR FIM SE DECIDIRAM:
- VAMOS ENTERRAR O BICHO,
É MUITO MAIS DIVERTIDO
QUE PÔR NO SACO DE LIXO.
DECIDIDO, ENTÃO AMIGOS,
DEPOIS UM POUCO DE CONFORTO.
MAS ESPEREM, E O BURACO?...
...TEVE QUE CAVÁ-LO O MORTO.
Sombra do tempo
Vento esquecido
Escuro da noite
Cemitério escuro
Velho antigo
Cheio de lembranças.
Anjos caídos
Figuras irreais
Tristes e gastas
Onde nos leva ao presente
Horizonte longínquo
Noites mal dormidas
Futuro de um abismo escuro
Onde as tábuas do caixão
Estão de molho no rio
Murmuram as suas águas,
Na sombra da dor e saudade
Como trapos ambulantes cheios
De agonia chegada ao fim da linha.!!
SONHO DANTESCO
A gata preta fugiu para o telhado.
Largou-me por ver velho curvado.
A maldita influencia vem e contamina
Aos poucos ela vai vem e me elimina.
A gata preta no telhado ira me abandonar.
Pois a maldita influencia vai me eliminar.
É uma questão de tempo para o sofrimento,
Talvez seja após festa o exato momento.
No sonho dantesco a cabelos voando,
E muita bebida transbordando.
Na premunição que um sonho dantesco,
Minha alma sem ter nenhum refresco.
Sou trocado por um plebeu anão
E gata vai para ele sem ter razão.
Todos riem de mim no sonho dantesco
Num desfile de carnaval gigantesco.
Acordo chorando com um aperto na alma
E faço uma oração para não perde a calma.
Seria esse sonho dantesco uma premonição
Se for tenho dó da gata que cairá pelo chão.
Há tantas coisas invisíveis neste nosso mundo,
Talvez a dor da perda seja algo mais fecundo
Como o feto que rompe a fina placenta
E vem ao mundo sem nenhuma vestimenta.
Agora a ele resta caminhar e viver...
André Zanarella 26-10-2012
Dantesco Relativo a Dante, poeta italiano.
Que tem o caráter da obra de Dante: estilo dantesco.
De um horror grandioso: espetáculo dantesco.
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4533098
Ebook? Não!
Prefiro cheiro novo de folhas límpidas,
Prefiro cheiro velho de folhas amareladas.
Novinho lacrado, velhinho amassado
Com páginas recicláveis ou comido por traças.
Aquece como um velho edredom remendado
Conforta como um velho suéter bordado
Querido como o velho jeans rasgado
Amável como uma velha camisa desbotada
Suave como o cheiro de café na caneca ao lado
Na fila, no ônibus, na varanda, na cama... O livro... Oh, livro!
A tecla do piano está solta
com sons agoniados, agonizados
Velho como um lavrador que cultiva
versos de mil palavras, notas soltas
Sonhos longos, profundos, eternos
castelos em traços que descrevo
Estrelas que iluminam e beijam o coração
piano velho, gasto que agoniza no tempo.!!
Nas Quedas da Cachoeira
CAPÍTULO 1:
Diego e eu morávamos na mesma cidade. Ele era mais velho que eu. Tínhamos 7 anos de diferença de idade. Eu o conhecia só de vista. Via ele passar pela rua vez ou outra. Eu conhecia seus pais de vista também. Nossas mães participavam de um clube. Às vezes eu meio que “pescava” a minha mãe para saber algo sobre o Diego. Algo que talvez a mãe dele tivesse dito.
Diego parecia interessante. Indagador, principalmente. Tinha um cabelo diferente. Eu gostava. Tentei procurar ele nas redes sociais. Para a minha grande felicidade, encontrei. Adicionei ele aos amigos. Mas ele não me aceitava. Eu não entendia por que. Resolvi enviar uma mensagem para ele. Depois de dias ele viu ela e respondeu. E então dali em diante a gente vivia conversando.
Ele me surpreendia a cada dia mais. Ele era demais. Muito mais que interessante. Era apaixonante. Ele parecia gostar da natureza, assim como eu. Uma vez comentei com ele sobre uma cachoeira. Ele ficou louco quando lhe mostrei uma foto. Amou o lugar. Então ele perguntou se um dia eu poderia o levar para conhecer o lugar. Fiquei um pouco tensa. A gente nunca tinha se falado pessoalmente. Mas eu concordei. Até porque nem tínhamos marcado o dia ainda. Com o tempo eu percebi que ele meio que dava indiretas querendo que eu o levasse lá. Imaginei se ele não estava com segundas intenções. Mas tirei isso de minha cabeça, se eu o conhecia o bastante, creio que ele não tinha segundas intenções. Então resolvi combinar um dia. Mas eu disse que levaria uma amiga junto. Então ele perguntou se poderia levar um amigo. Eu confesso que achei uma ótima ideia não irmos a sós. É claro que concordei.
Na semana seguinte nós iríamos lá. Quando pisquei os olhos, já tinha chegado a semana seguinte.
O tio manel o seu burro está coxo
está coxo, mas ele tem de trabalhar.
Está velho coitado, tem de pedir a reforma
já pediu mas não lha deram, dizem que é muito novo.
Somos muito novos para a reforma...
mas velhos demais para trabalhar
Vamos os dois morrer à fome se não formos
trabalhar, nesta terra onde ninguém dá nada
"tiram-nos é tudo, tio manel."..!!!
E o velho profeta perguntou para seu pupilo: ‘Você mistura suas fitas, meu rapaz?’
O jovem aprendiz o fixou, com um olhar carregado de dúvida, e disse com voz
trêmula e temerosa: ‘Sim mestre! Mas por qual motivo o senhor me faz essa pergunta?’
O sábio profeta, com voz forte e incisiva, motivado pela preocupação com as fitas de seu jovem aprendiz, blasfemou: ‘TOLO!’
Depois olhou atentamente o inexperiente rapaz, sabendo que o mesmo carregava um enorme potencial dentro de seu coração, e de forma gentil e instrutiva, profetizou: ‘Quem mistura suas fitas está condenado a perdê-las’. E com seu dedo indicador apontado para o céu, ressalvou: ‘Mas quem mistura suas fitas, e não as perde, é um sábio.’
(KENDIDU´S, Geizu. Forever Alone: Manual da eficiência na ideologia forever alonista. 1 ed. 1843.)
Quando eu estou sozinho
O velho barreiro me acompanha
Com limão espremidinho, e torresmo frito na banha
