O que Nao Elabora se Repete Freud
O Direito protege a autonomia não contra toda influência, mas contra as formas de influência que procuram abolir a consciência da própria influência.
A propaganda não precisa alterar os fatos para alterar a realidade percebida; basta decidir quais fatos merecem ocupar a memória.
O excesso de informação não destrói necessariamente a verdade; às vezes apenas a enterra sob aquilo que parece informação suficiente.
Na economia da atenção, a escassez já não é a informação, mas a capacidade humana de permanecer indiferente a ela.
Quem conquista a atenção não possui ainda a consciência alheia, mas já ocupa a antecâmara de suas decisões.
O algoritmo não precisa ordenar que alguém pense; basta organizar o mundo que essa pessoa verá antes de pensar.
A privacidade não é o direito de desaparecer do mundo, mas o direito de não ser inteiramente traduzido pelo mundo.
Uma pessoa não pode ser reduzida à estatística de suas próprias escolhas sem que alguma coisa essencialmente humana se perca na tradução.
O pluralismo não exige apenas multiplicidade de vozes, mas diversidade suficiente de caminhos para que essas vozes possam ser encontradas.
O poder comunicacional moderno não consiste apenas em decidir o que será dito, mas em decidir o que será digno de atenção.
Quem governa a circulação da informação exerce uma forma de poder que não precisa parecer governo para produzir efeitos políticos.
A psicologia descobriu que o homem não decide como imagina; o marketing descobriu como lucrar com essa descoberta; o Direito ainda investiga como protegê-lo sem negar sua liberdade.
A autonomia humana não exige decisões perfeitas; exige condições suficientemente livres para que o erro continue pertencendo ao próprio indivíduo.
O Direito não existe para eliminar o erro da escolha, mas para impedir que alguém fabrique clandestinamente as condições do erro alheio.
A fronteira entre persuasão e manipulação não está na existência da influência, mas na qualidade da autonomia que permanece depois dela.
Quem controla a narrativa de uma pessoa pode não controlar sua vida, mas pode alterar profundamente o modo como os outros a enxergam.
A transparência não destrói o poder da comunicação; destrói apenas sua capacidade de fingir que não está exercendo poder.
