O que Nao Elabora se Repete Freud
A verdade não se torna mais verdadeira porque acreditamos nela, nem menos verdadeira porque ainda não conseguimos encontrá-la.
O agnóstico deixa aberta a porta para Deus, mas não permite que a esperança seja apresentada como prova.
Não acredito em tudo o que desejo, nem nego tudo o que não compreendo; entre essas duas tentações, construo minha liberdade.
Se Deus existe, minha dúvida não O diminui; se não existe, minha honestidade não precisa inventá-Lo.
O universo pode permanecer indiferente às nossas perguntas; isso não nos dispensa da responsabilidade de fazê-las com seriedade.
O mistério não é uma derrota do conhecimento; é o horizonte que impede o conhecimento de confundir lucidez com onisciência.
O agnóstico não escolhe entre Deus e o nada; escolhe não mentir sobre aquilo que não pode demonstrar.
Entre a certeza de que Deus existe e a certeza de que Deus não existe há um espaço intelectualmente raro: a coragem de suspender o julgamento.
A dúvida não destrói o sagrado; ela apenas impede que alguém transforme sua interpretação do sagrado em instrumento contra a liberdade alheia.
Talvez nossa maior ignorância não seja desconhecer Deus, mas imaginar que já compreendemos suficientemente aquilo que chamamos de Deus.
Não saber se Deus existe não significa saber que Deus não existe; a honestidade começa justamente onde essa diferença é preservada.
Se a verdade for divina, ela não precisará da nossa crença para existir nem temerá nossa dúvida para permanecer verdadeira.
O medo e a ignorância criaram dogmas rígidos para disfarçar o que não entendemos; a imaginação tratou de transformar isso em verdade absoluta.
A ciência evolui porque assume o que não sabe; a religião estagna porque finge ter todas as respostas.
O universo funciona com leis físicas complexas; não precisamos recorrer a dogmas inventados pela ignorância para preencher lacunas.
