O que Nao Elabora se Repete Freud
A beleza não repousa nas coisas como uma propriedade imóvel; nasce no encontro secreto entre o objeto e a consciência que o contempla.
A imaginação constrói pontes sobre abismos que a razão reconhece, mas que a vida cotidiana não pode esperar que permaneçam sem travessia.
Não é a ausência de respostas que assusta o homem, mas a possibilidade de que o universo não tenha obrigação alguma de fornecê-las.
O ceticismo não destrói o mundo; apenas retira dele algumas certezas que havíamos confundido com paredes.
O casamento não necessariamente extingue o amor; às vezes apenas substitui o mistério que o alimentava pela familiaridade que o administra.
A crítica não destrói a razão; coloca-lhe fronteiras para que ela não transforme sua própria luz em cegueira.
Uma sociedade verdadeiramente civilizada não pergunta apenas o que pode fazer com o indivíduo, mas aquilo que jamais deveria fazer dele.
A liberdade não é fazer tudo aquilo que desejamos; é não permitir que nossos desejos se convertam em senhores absolutos de nossa vontade.
Não somos livres porque desconhecemos nossas determinações; somos livres quando conseguimos interrogá-las.
Há fronteiras que não diminuem o pensamento; são precisamente elas que impedem que o pensamento se perca no próprio excesso.
O agnosticismo não é a religião da dúvida; é a disciplina intelectual de não transformar ignorância em certeza.
A ciência não precisa matar o mistério; basta impedir que o mistério seja falsificado como conhecimento.
Entre afirmar que Deus existe e afirmar que Deus não existe existe um território silencioso onde a razão pode simplesmente admitir: ainda não sabemos.
A mente científica não é aquela que possui respostas para tudo, mas aquela que consegue abandonar uma resposta quando os fatos deixam de sustentá-la.
O desconhecido não é um vazio à espera de qualquer explicação; é uma fronteira diante da qual a inteligência deveria retirar o excesso de confiança.
O universo não se torna menos grandioso porque admitimos que talvez jamais compreendamos sua última arquitetura.
O agnóstico não fecha a porta para o transcendente; apenas se recusa a declarar conhecido aquilo que a razão ainda não conseguiu atravessar.
