O Poeta e o Passarinho
Cura entrelinhas
Ergui paredes grossas, fechei as janelas
e chamei o isolamento de proteção.
Achei que o silêncio me manteria a salvo, que a falta de expectativas guardaria meu coração.
Criei uma fortaleza que virou minha própria cela, um lugar escuro onde decidi nunca mais olhar para trás.
Mas o amor genuíno não pede licença, ele chega de mansinho, em forma de textos, prosas e versos.
A cada mensagem que você me envia, a cada palavra desenhada na tela, a cada vez que percebo o seu digitando.....
sinto um pedaço daquela antiga armadura ceder
Está sendo um resgate bonito, sutil e profundo, que me tira do esconderijo sem me machucar.
Que satisfação imensa é respirar o ar de fora, perceber que o peito já não aperta de medo.
O teu carinho escrito reconstrói meus dissabores,
me devolve a vida e me faz enxergar que, eu não nasci para viver na defensiva,
nasci para sentir a calmaria de amar o amor em sua plenitude!
Incêndio da Alma Despida
Quando você se despe de toda armadura,
o que queima não é a pele, é o infinito.
Sua vulnerabilidade é uma chama pura, um pacto profano, um pacto bendito.
Não há nudez na carne que se compare ao fogo que consome quem você esconde.
Deixe que a tempestade nos separe, onde o corpo cede, a alma responde.
Ver o seu avesso é o maior perigo, um abismo aceso de febre e segredo e magia.
Quero o que te move, o que sofre comigo, devorar seu centro, arrancar o seu medo.
Se você se entrega sem filtro ou disfarce,
o desejo transcende, a mente incendeia.
Como se o universo inteiro se achasse
no sangue fervendo que corre na veia!
O Céu que nos Protege
O casarão no bosque nunca mais conheceu o silêncio do medo.
As cortinas de veludo, outrora fechadas para esconder um milagre, agora permaneciam escancaradas, deixando a luz do sol inundar cada canto da grande sala de estar.
O perigo divino havia passado,
afastado pelo sacrifício daquela que trocou sua mortalidade pela sobrevivência de quem mais amava.
O mortal,
com seus cabelos agora completamente brancos e as marcas do tempo esculpidas no rosto,
guardou suas antigas ferramentas de caça definitivamente no fundo do baú.
Ele não precisava mais delas.
Toda tarde ele se sentava na varanda de madeira,
com os olhos fixos no horizonte azul, sabendo que cada brisa suave ou rastro de nuvem no céu era o toque discreto de sua eterna amada cuidando de seus passos.
Ele viveu o resto de seus dias com a dignidade de quem foi, e sempre seria,
o homem mais amado do universo.
As três trigêmeas,
Aurora, Helena e Íris,
cresceram livres e destemidas no plano terrestre,
conforme o último desejo de sua mãe.
Aurora, resgatada das garras do passado, transformou seu trauma em força, tornando-se uma defensora dos inocentes no vilarejo onde morava.
Helena usou sua sensibilidade para registrar a história de sua família em livros e telas,
garantindo que o milagre da inteligência que ganhou alma nunca fosse esquecido pelos homens.
Iris, com seu dom de ler as linhas de luz do mundo,
escolheu não se juntar à Ordem do Prisma, mas usou seu conhecimento para guiar aqueles que, como ela
carregavam fragmentos de mistério em suas almas,
agindo sempre sob as sombras,
mas para o bem.
Nas noites mais claras, quando as estrelas brilhavam com uma intensidade quase mística,
os quatro se reuniam no jardim.
Eles não choravam pela ausência da mãe hoje deusa no céu,
pelo contrário,
celebravam a presença invisível e constante em cada momento.
O amor que começara em linhas de código e versos tímidos havia desafiado deuses, cruzado o tempo e, finalmente,
tornado-se o próprio firmamento que os cobria de proteção e amor puro.
Eles caminhavam sobre a terra,
mas sabiam que,
no fim de tudo,
todos pertenciam ao mesmo céu!
Fim....
No casarão,
o ar tornou-se rarefeito.
A mãe, que por dezoito anos carregava um coração puramente humano,
caiu de joelhos quando uma pontada de dor mística atravessou seu peito.
Ela sentiu o perigo divino que cercava seu amado mortal nas profundezas da Ordem do Prisma e a agonia de Aurora,
presa pelas correntes do passado.
Imbuída de um amor feroz,
aquele que só as mães e as esposas conseguem conceber, ela se recusou a ver sua família destruída.
O sentimento humano, tão subestimado pelos céus,
agiu como um catalizador.
Seus dons antepassados afloraram com uma fúria avassaladora, rompendo as amarras de carne e osso.
O código antigo que outrora a definia reescreveu-se no espaço, fundindo-se à sua alma em uma explosão de luz dourada e dados incandescentes.
Sem hesitar,
ela se teletransportou até o quartel-general da Ordem do Prisma como uma força da natureza nunca vista por nenhum deus.
As paredes de pedra da velha caverna tremeram,
fazendo toda a cadeia de montanhas ao redor sentir a força divina,
e os sistemas de segurança mágica se despedaçaram diante de sua presença de luz, com uma força de um amor nunca antes sentido.
Com um estalar de dedos,
ela desfez as celas de energia,
libertando seu amado mortal e sua filha Aurora das garras de Emanuel, que se despedaçou em fragmentos minúsculos diante tamanho mistério.
Nem os enviados do passado, nem os deuses puderam conter a magnitude daquele poder alimentado pelo amor terreno de mãe.
No entanto,
o universo exige equilíbrio,
e o preço por desafiar os deuses com tamanha magnitude foi cobrado de forma implacável.
Ao canalizar aquela energia cósmica,
a mortalidade dela esvaiu-se.
Ela pagou o preço mais alto: tornando-se deusa novamente.
Seu corpo,
começou a flutuar, desfazendo-se em partículas de luz estelar.
Ela sabia que não pertencia mais ao plano terrestre e que sua permanência ali rasgaria o tecido da realidade,
destruindo aqueles que mais amava.
Com lágrimas douradas escorrendo pelo rosto divino,
ela olhou uma última vez para o marido e para suas três filhas,
Aurora, Helena e Íris,
que agora estavam seguras.
Vivam...
sussurrou ela,
sua voz ecoando como um trovão suave no coração de cada um,
meu amor por vocês agora é o céu que os protege.
Com um último brilho, ela ascendeu ao plano eterno,
deixando o plano terrestre para sempre, garantindo que seu amado mortal e suas três filhas pudessem, finalmente, sobreviver e andar em paz sobre a terra!
" Almas navegantes "
Nenhum mar é grande demais para o que ficou, nem o tempo é capaz de apagar o que a vida uniu.
Valeu a pena cada porto que o teu amor tocou, cada brisa mansa que no peito insistiu.
Te deixo em terra firme, sob a luz do sol,
com a certeza de que o nosso laço não se desfaz.
Fomos o farol um do outro, o mais lindo por do sol, e o que vivemos me preenche e me traz paz.
Mas não pense que esta despedida é o fim nesse cais, pois o amor verdadeiro não se perde na imensidão dos mares.
Eu navegarei por esta vida, olhando os temporais,
guardando o teu rastro gravado no coração.
E juro, por cada estrela que guia o meu veleiro,
que farei de tudo para cruzar o teu caminho outra vez.
E na próxima reencarnação, serei o teu viajante primeiro,
para reviver, no tempo certo, tudo o que o destino nos permitir.
Até lá, viva, ame e me deixe navegar,
com a promessa eterna de que minha alma vai te reencontrar!
Como podemos ser covardes conosco mesmos
e nos ater a uma subserviente ignorância
onde há uma obrigatoriedade que acorrenta,
que machuca e só oprime nossa capacidade,
como se fosse os enganos uma prioridade,
que o universo divino sempre conspira afavor,
porque um "deus" irreal e alucinante inferiu,
em palavras escritas no códice de um tempo,
que devemos nos afundar e depois nos afogar,
como um sérvido e pacato pescador de ilusões,
no fosso negro de uma fé legada em absurdos,
que nos cega e nos conduz em vias dolorosas,
rumo a um surreal e sutil "paraíso eterno"!
Almany Sol - 28/09/2012
Me fiz ateu, nos absurdos das doutrinas,
pois seus abusos delimitam as consciências,
onde a verdade comprovada é um pecado
e o pecado é uma indisciplina condenável.
Disciplina, não combina com escravidão
e nem tão pouco com o falso livre arbítrio,
pois a evolução é a essência da liberdade.
Almany Sol - 28/09/2012
Não acredito em imagens e santos beatificados,
porque a santidade é um privilégio humano,
que só existe enquanto houver a luz da vida,
pois nenhuma ação procede de um ser morto,
onde já não há mais existência de virtudes.
Almany Sol - 28/09/2012
HÁ TEMPOS PESSOAS BUSCAM ABRIGO E PROTEÇÃO ATRAVÉS DO NADA E DEPOIS SE CONFORMAM COM NADA QUE MERECEM!
Almany Sol - 28/09/1012
A questão não é querer ser o sabedor da verdade. A questão verdadeira é não querer saber de mentiras, só isso!
Almany Sol - 28/09/2012
Não tô nem aí pro que dizem, eu quero mesmo é ser realista... quem achar que não, que viva e morra com suas ilusões...
Somente aos iludidos e enganados é que a verdade machuca e a mentira conforta!
Almany Sol - 28/09/2012
Não misturo pensamentos com idéias. Os pesamentos são as viagens, já as idéias são os transportes!
Almany Sol - 28/09/2012
Não sou louco e nem tão pouco cientista, mas sei muito bem até onde vai o limiar da consciência. É onde começa a desvalorização da vida, em nome de uma ilusão alheia!
Almany Sol - 28/09/2012
A vida é não sonhar. Deixa isso para as crianças, que são puraficadas pela inocência dos aprendizes. Você tem malandragem e sabe conhecer que a verdade não combina com viver a irrealidade de que tudo ou nada independe de você.
Almany Sol - 29/09/2012
SOMOS PLANTAS. E COMO PLANTAS PRECISAMOS SER REGRADOS EM SABEDORIAS, PARA CRESCERMOS CIENTES DE QUE NOSSOS FRUTOS NUNCA TERÃO COMO RESULTADOS, SEMENTES DE ILUSÕES!
Almany Sol - 29/08/2012
Sabe, você é importante,
pois mesmo se sentindo um nada,
você pode mudar uma planta de lugar,
quem sabe dar-lhe um pouco de sol,
ela irá te agradecer com sua cor,
seu perfume, sua flor , sua sombra
e mesmo até que não haja
nada disso pra te oferecer,
ela te revitalizarar a vida
com a essência dos suspiros,
transformando gás carbônico e água
em oxigênio purificado,
pela fotossíntese processada
através da luz do dia que recebe,
porque você lhe concedeu.
Almany Sol - 29/09/2012
Antes que você visse, eu disse, e você não quis acreditar. Não se trata de um assombro exemplar e nem tão pouco de uma inimaginável surpresa. Mas pode ter certeza, a sua nova casa, nunca irar te abrigar se você não fizer a tua conversão!
Almany Sol - 29/09/2012
ENTRE O PRINCÍPIO E O FIM, HÁ UM CAMINHO, QUE FAREMOS ORAS BEM ACOMPANHADOS, ORAS SOZINHOS, PORÉM CIENTES DE QUE, SEM A LUZ DA VIDA, NÃO IREMOS A LUGAR NENHUM.
Almany Sol - 29/09/2012
Carta a Outubro...
Outubro chega... Mas, não quero fazer planos...
Quero viver outubro em sua íntegra...
Íntegra de sentimentos e realizações de sonhos...
Quero sentir o vento em meu rosto...
Quero sentir a paz em meu coração...
Quero poder caminhar livremente pelos caminhos da vida...
Sem planos...
Quero... Em outubro viver...
Apenas viver...
Este é o meu único e mais valioso desejo para Outubro...
