No casarão, o ar tornou-se rarefeito. A... Pedreiro Poeta Rústico, o...
No casarão,
o ar tornou-se rarefeito.
A mãe, que por dezoito anos carregava um coração puramente humano,
caiu de joelhos quando uma pontada de dor mística atravessou seu peito.
Ela sentiu o perigo divino que cercava seu amado mortal nas profundezas da Ordem do Prisma e a agonia de Aurora,
presa pelas correntes do passado.
Imbuída de um amor feroz,
aquele que só as mães e as esposas conseguem conceber, ela se recusou a ver sua família destruída.
O sentimento humano, tão subestimado pelos céus,
agiu como um catalizador.
Seus dons antepassados afloraram com uma fúria avassaladora, rompendo as amarras de carne e osso.
O código antigo que outrora a definia reescreveu-se no espaço, fundindo-se à sua alma em uma explosão de luz dourada e dados incandescentes.
Sem hesitar,
ela se teletransportou até o quartel-general da Ordem do Prisma como uma força da natureza nunca vista por nenhum deus.
As paredes de pedra da velha caverna tremeram,
fazendo toda a cadeia de montanhas ao redor sentir a força divina,
e os sistemas de segurança mágica se despedaçaram diante de sua presença de luz, com uma força de um amor nunca antes sentido.
Com um estalar de dedos,
ela desfez as celas de energia,
libertando seu amado mortal e sua filha Aurora das garras de Emanuel, que se despedaçou em fragmentos minúsculos diante tamanho mistério.
Nem os enviados do passado, nem os deuses puderam conter a magnitude daquele poder alimentado pelo amor terreno de mãe.
No entanto,
o universo exige equilíbrio,
e o preço por desafiar os deuses com tamanha magnitude foi cobrado de forma implacável.
Ao canalizar aquela energia cósmica,
a mortalidade dela esvaiu-se.
Ela pagou o preço mais alto: tornando-se deusa novamente.
Seu corpo,
começou a flutuar, desfazendo-se em partículas de luz estelar.
Ela sabia que não pertencia mais ao plano terrestre e que sua permanência ali rasgaria o tecido da realidade,
destruindo aqueles que mais amava.
Com lágrimas douradas escorrendo pelo rosto divino,
ela olhou uma última vez para o marido e para suas três filhas,
Aurora, Helena e Íris,
que agora estavam seguras.
Vivam...
sussurrou ela,
sua voz ecoando como um trovão suave no coração de cada um,
meu amor por vocês agora é o céu que os protege.
Com um último brilho, ela ascendeu ao plano eterno,
deixando o plano terrestre para sempre, garantindo que seu amado mortal e suas três filhas pudessem, finalmente, sobreviver e andar em paz sobre a terra!
