O Poeta e o Passarinho
Ser poeta, é se condenar a própria prisão, é viver se machucando na ferida que jamais sarou. É alimentar-se da fome, é hidratar-se da sede, é tentar enxergar alegria, onde só existiu a dor. Ser poeta é reinventar aquilo que sempre existiu, e que ninguém nunca pensou.
POETA NO TEMPO DA ESPERA
Por Nilo Deyson
Mas um instante passou. A fonte do sonho infinito ainda cabe no berço de um outono.
Adiante o poema é translúcido, e distante a palavra vem do pensamento.
Quando o ser que vive no sonho infinito unir-se em meu mundo real, nascerá então o início real, colocado será portanto, no berço da inocência à vista de meus cuidados e carinhos... ainda cabe...
Sou simples como o grão de uma poesia, sei esperar, pois em meu íntimo sou como a melancolia, e feliz por essência como quem em uma tarde ama como a chama ama o silêncio, doce ao vento que trás e leva o tempo...
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
Mujer
Flor de laranjeira
Olhos de coruja
Coração de mãe
Natureza divina
Poeta escurecida
É ela
Mulher
REGÊNCIA (soneto)
Como quisesse poeta ser, delirando
As poesias de amor, nas rimas afora
O beijo, o abraço que o desejo cora
A solidão assediou e trovou nefando
Vazios estros, de voo sem comando
Sombrios, que no papel assim espora
Os versos, sangrando e uivando, chora
Implora, num rimar sem ser brando...
Estranho lampejo, assim compungido
Que dói o peito, sem nenhum carinho
Quando a prosa era para ser de paixão
Então, neste turbilhão me vejo perdido
Onde o prazer se faz tão pequenininho
Vão... e a desilusão é quem regi a mão!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10 de março de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Quer saber se sou poeta primero procure saber comu comesei pos uma frase nao depende so do resumu mas do coração de quem fez.
O poeta sempre conseguirá captar a voz do vento, seja num murmúrio de amor ou num grito rouco de saudade...
Poeta louco, poesia delirante
Cada dia vejo uma feição.
A cara da poesia várias.
A pureza e sutileza emoção.
Também a eterna variação.
Frenético compasso.
Entre desatar o embaraço.
O grito, cai no laço.
Armadilha gostosa.
Poesia traiçoeira.
É o encanto dela gente.
Imperfeita maneira.
Preciso ser capacitado para amar.
Pois a bagagem de desatino reprime.
Sou pertencente a esse regime.
De louco a delirante.
Poeta e poesia.
Fantasia.
Alegoria.
Não posso contar esse segredo.
Pois até eu tenho medo.
Uma loucura todo dia.
Eu queria, será que ela contaria.
A louca revela, sou eu poesia.
Giovane Silva Santos
As líricas objetivas não me entendem
Sera que poderia o poeta da razão
cantar sobre perdão
e falar sobre como o doi o amor?
JULGA (soneto)
Ah.... o poeta procura
A alma em cada verso
Rimar o olhar disperso
Num canto de ternura
Porém, tem senso averso
Também, na sua estrutura
E de tal jura, na sua leitura
Que faz do leitor submerso
E, de momento a momento
Que varia o sintoma diverso
Levando-o na ilusão ter fuga
E, é em vão só o sentimento:
Se é alegre ou se é perverso.
Pois, ao poeta não cabe julga!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/03/2020, 17’14” – Cerrado goiano
O POETA (soneto)
O poeta busca
Em cada verso
O senso diverso
E o estro rebusca
Porém, perverso
Na sua enfusca
D’Alma, sarrafusca
O destino imerso
De instante a instante
Muda do riso à mágoa
Se alegra e, entristece
Do segredo sussurrante:
Da terra, fogo, ar e água
Causa a toda a sua messe...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/03/2020, 19’40” – Cerrado goiano
