O Poeta e o Passarinho
Apenas um deles
Se me tomarem por sombra
De uma porta entreaberta...
Meus olhos espreitam as velas
Do morto sendo velado.
De todos, menos culpado,
Pois já não creio na espera
Além do corpo enterrado.
Se me tomarem por sábio
Que do saber observa...
Do pasto, a mesma erva
Que alimenta o gado;
O verme no chão molhado
Que se oculta na terra,
Na cova do sepultado.
Se me tomarem por cama
De um bêbado adormecido...
Na esperança do esquecido
De jamais ser encontrado.
Como um braço amputado,
Sou o membro invisível
Que deseja ser lembrado.
Se me tomarem por único,
Serei apenas um deles.
Que dizer de alguns poemas ?
são efêmeros como bolhas de sabão,
brilham, encantam, emocionam,
depois de algum tempo
se desfazem, estouram, são frágeis,
restam apenas vestígios
pelo chão ...
Quando chega uma trova
já não a posso sufocar
sei que ela é uma prova
para quase perfeita ficar
Mas se não uso a tal métrica
deixo assim de ser correta
não gosto de matemática
sou apenas uma poeta !
Quero mesmo é cantar
dando ritmo ao coração
e brincando de trovar
seguirei em frente, meu irmão !
O ser humano aprendeu a voar,
sem rede e livres como as gaivotas percorrendo o céu azul dos sonhos;
aprendeu a nadar sem limites como os golfinhos, mergulhando nos oceanos da ambição; mas esqueceu de aprender o essencial desta vida, amar uns aos outros como irmãos.
A vida passa como um relance aos olhos do tolo que altivo, vaidoso e soberbo se embriaga de conhecimento que aviva a mente e deprime o espirito.
O sábio por sua vez a observa no amago, sensível a tudo pode contemplar a simplicidade com olhos rebuscados, porem humilde.
Se temos por matéria prima do que é mais comum e desprezível, onde há lugar para se orgulhar,de que, de quem.
Tudo que é medíocre se faz visível, palpável e é visto pelo homem, porem o sábio enxerga oque transcende alem da vida e antes dela.
O soberbo só vê corpos com seus bens, o humilde sábio, vidas com sentimentos.
O tolo ao se expressar autentica sua tolice, o sábio se torna poeta.
Dizem que um poema carrega o poder da palavra. Gritei chuva, caiu granizo. Sussurrei vento, choveu na alma.
"A madrugada é o aconchego, o ninho e a paz dos poetas, dos amantes das letras e das melodiosas canções de amor".
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
A viagem marcada
com o amor da
minha miragem,
foi cancelada
agora estou em romaria
fazendo perícia em mim.
Dei bom dia a noite
e boa noite ao dia.
Velei o papel em branco
que enamorava minhas
palavras infindas de vazio.
