O Poeta e o Passarinho
Crepúsculo eucarístico
(Victor Bhering Drummond)
Sim; eu poderia cometer os pecados da carne,
A fúria da gula
Ali mesmo no pátio da igreja
Na sombra, no sol,
No sino sem tom,
Nos versos de Drummond
Ou sobre os livros apócrifos
Olvidados por santos e hereges.
Mas que pecado cometi
A não ser amar e devorar você
Como o doce vampiro de Rita Lee?
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(Poema inspirado na igreja e restaurante Santa Catalina em Buenos Aires, onde saciei a minha fila e alimentei o meu amor. Ouvindo e lendo Rita Lee)
Roí a unha, passei um café e adormeci inquieto. O que eu mais queria aquela noite era poder me vestir do seu cheiro.
Barquinho do amor
(Victor Bhering Drummond)
Peguei o barquinho do amor
Não adianta, marinheiro
Vou fugir desse pardieiro
Quero velejar o mundo inteiro
Me derreter de calor...
Fugi no barco do amor,
Longe de “tiros e assaltos”
Por favor não me pare
Só quero ser um amador
Bem longe da farra,
Da esculhambação
Deixo a ilha da gambiarra
Corro da perturbação
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Olhava as crianças brincando
com os pássaros na calçada
e não conseguia distinguir
de quem eram as asas
Você me acorda, me morde, me lambe, me belisca e me beija... Nunca pensei que essa sua inquietude acalmaria meu coração.
Quero você sempre
Ao meu lado.
Em meu pensamento
Dentro de minha alma
Quero sempre pensar em você.
Quando penso em você
Fico com meu coração
Em alegria.
Transformo esse lindo amor
Em uma apaixonada poesia.
Sem você, nesta poesia.
As palavras não encaixariam,
Os sentimentos não teriam valor
As belezas a mim já não encantariam
Porque para mim,todo resto não teria cor.
Nada em minha vida teria sentido
Se você não estivesse aqui comigo
Por hoje apenas o seu sorriso já me traria alegria,
Por hoje tudo o que eu queria era o seu carinho
Por hoje somente o seu olhar iluminaria o meu dia
Sem você eu não conseguiria
Fazer esta poesia
Reflita aqui no meu peito. Pense que o mundo tem esse tamanho. Vamos falar das estrelas mesmo com os pés no chão.
Poetizo olhares para aninhar-me em sentimentos e busco o sentir para dar motivos à poesia. Construo versos, invento rimas, falo do que vive o amor e escrevo do que ele me confidencia. Traduzo o silêncio para nele interpretar a fala que o secreto se mostra nas linhas tortas dos dizeres sem respostas. Pois, são nas letras atrevidas do poeta, que a alma se expõe, revelando os desejos retidos, os toques contidos, amores tantas vezes impossíveis. Quiçá a realidade pouse em seus ombros e lhe faça pesar a terra seca do que de fato existe. E sobre a existência fria da verdade crua, o poeta doura o que sente. Sente e não mente! Canta dores ao tentar cravar vírgulas em meio a pontos finais, exclama espectros adormecidos e interroga a vida dos que fazem do mundo palco tão somente real. E no sem mais nada para despir, poetiza as vestes quentes dos amantes apaixonados. E deixa a poesia falar... E deixa a poesia voar... E deixo-me inspirar! Porque todo amor, ainda que não se queira, ainda que não se veja, traça à beira da razão e chega ao bosque do coração, donde sai a mais bela e profunda inspiração.
Guindaste das emoções
(Victor Bhering Drummond)
Meu ninho repousa em
Direção ao Infinito
Apoia-se no vazio mais
Preenchido pelo nosso
Amor
Precisa de quase nada
Para elevar-se aos Céus
Ao mesmo tempo que
Inspira-se no guindaste
De nossas emoções que
Nos põe com os pés na
Terra e corações nas
Nuvens
