O Mundo me Espera
Descobrindo o mundo.
A chuva caia na rua silenciosa. Faróis brilhantes. São quase 18h, o dia interminável chega ao fim. Mais um dia, mais uma semana passava e o sentimento de que a vida se esvaia me acompanhava por todos os lugares.
_Roger, onde você está?
_Ainda no trabalho, e você?
_Indo para casa nesse momento. A fim de fazer alguma coisa à noite?
_Preciso! Veja as opções e me fala o que decidir.
A roda da vida sempre girando. Um dia em cima, outro dia embaixo. As mesmas cenas repetidas me fazem crer que não somente os ratinhos estão presos em suas gaiolas, correndo para girar sua roda de felicidade, sem sair do mesmo lugar.
Quando o mundo se tornou tão chato? Será somente isso? O que não daria para, um dia, embarcar em uma nova Vera Cruz em busca de uma nova terra. Embora, o mais importante é saber, caso este dia chegue, se teria a coragem suficiente para embarcar.
Cada ano que passa o mundo se torna mais sombrio e obscuro, então torne-se a luz que ilumina a escuridão, e transformará o inferno em paraíso.
(...) Engoli o mundo a seco, sangrei em silêncio, afundei no abismo das dotes até encontrar o fundo da minha essência - ali percebi que renascer não é florescer, é suportar a escuridão até que ela se curve diante da vontade de levantar do inferno sem permissão, cuspi nos fracassos e calar o barulho que me atormentava...
A promessa e o ponto final
No começo,
o mundo era um sim.
Um sim com emojis,
respostas rápidas
e uma sede de futuro
tão doce que até o tempo queria parar pra assistir.
Vendia-se o amor a prazo,
com entrada emocional e juros de reciprocidade.
Falava-se em planos,
como quem monta uma casa
antes de saber se o terreno é firme.
E eu, ingênuo comprador de ilusões,
assinei com o coração.
Mas veio o silêncio.
Não o poético, o denso,
mas o silêncio burocrático das desculpas,
dos "hoje não",
dos "tá corrido",
dos "não posso nem no primeiro encontro".
E eu pensei:
como é possível construir castelos
sem ao menos visitar o terreno?
Era indisponível.
Mas isso,
só depois.
Depois da propaganda afetiva,
de um trailer bonito de nós dois
que nunca virou filme.
Fiquei com os créditos
e nenhuma história.
No fim,
não houve começo.
Houve só vontade vendida
sem entrega.
E eu aprendi:
há quem diga "vamos",
mas vive parado no "não posso".
O Último Homem Desperta
Despertei tarde — não do sono, mas do mundo.
Acordei no exato instante em que já não havia o que fazer.
Tão lúcido quanto a lâmina da faca que corta o pão seco dos esquecidos.
Não há mais guerra: apenas consumo e propaganda.
Não há mais fé: apenas autoajuda e tutorial.
E eu, cansado de não ter lutas justas para lutar,
me arrasto como quem guarda o último fósforo aceso numa cidade sem luz.
Sou o último homem.
Não porque sou o último a morrer,
mas o último a perceber que estamos mortos há muito tempo.
“Não é instabilidade. É sensibilidade que o mundo não aprendeu a escutar.”
— Do livro “Entre os Extremos”, de Nina Lee Magalhães
“Bipolaridade não é exagero. É excesso de mundo dentro de uma só pessoa.”
— Do livro “Entre os Extremos”, de Nina Lee Magalhães
As vezes eu imagino um mundo no qual eu já não exista.
Um mundo onde as pessoas me procure e eu já não grite.
E quando esse mundo existir, será que alguém vai sorrir?
Alguém vai se lembrar de mim ?
Alguém vai ser grato por um bom tempo por eu existir?
A loucura de Dom Quixote não era delírio, era coragem de sonhar num mundo que zombava dos sonhadores.
Eriec e seu silêncio...
todo mundo fala
do perigo que vem
mas quase ninguém vê
o que já mora no bolso
temem as máquinas que pensam
mas não temem os dedos distraídos
que matam em silêncio
com um “só um segundo”
o futuro assusta
mas o presente... anestesia
enquanto a vida passa
no reflexo da tela
todo mundo critica o novo
mas quase ninguém questiona o velho
que já virou hábito
mesmo quando sangra
e se o problema não for a máquina?
e se for o piloto que não olha pra frente?
ou pior — que olha,
mas finge que não vê?
porque pensar dói,
e assumir... mais ainda
então seguimos:
acusando espelhos
pra não encarar a própria imagem
Todo mundo deveria ter uma identidade
“Isso é o certo”adultos dizem isso
Mas se todo mundo tem
Por que eu não?
Sinto uma dúvida enorme
De quem eu sou
Não gosto do meu corpo
Sinto desconforto do que me foi imposto
Não me sinto nem uma mulher
Nem um homem
Isso é uma coisa ruim?
Pois me sinto confortável assim
Eu não vou me importar com isso
Não me importo mais com os olhares
Os olhares impostos no meu jeitinho de ser
Uso o que bem me confortar
Eu não tenho um nome definido
Muito menos pronomes
Mas isso não importa
Porque eu sendo o que sou já me conforta
Rotatória
Não tenho caminho. Meu mundo está perdido, parado, sem direção, sem roteiro, sem sentido, sem tempo, sem saída.
Meu coração quer chorar eu quero chorar. Mas não consigo. Algo me prende: uma barreira, um alguém, um mundo.
Meu futuro, minha carreira, minha vida… É como se nada — e nem ninguém — me visse.
Querer me dar orgulho, querer me surpreender… agora já não é mais um objetivo.
A solidão, a solitude… tudo ao meu redor para. Me sinto só.
Eu sei que não estou sozinho, mas o coração sabe como me sinto.
Estou em uma floresta, com árvores grandes, e tudo o que vejo ao meu redor são neblinas, nuvens que atravessam meu coração, minha alma, meu ser.
Será que serei feliz? Será que os anjos escutam minhas palavras? Será que eles enxugam minhas lágrimas? Será que eles sentem minha dor superficial?
Mas… o que seria uma dor superficial?
Seria uma dor de mentira ou uma dor falsa… mas real?
Meu corpo dói.
Minha mente dói.
Meu cérebro fica vago. Na escuridão, ele pulsa, e cada pulsar dói. Ah, como dói… é como uma memória apagada.
Eu queria me esquecer de algumas coisas. Eu queria poder recomeçar.
Mas não dá, né?
Me diga, coração: como faço para me sentir vivo, mesmo você batendo?
Me diga…
Eu me perco nas linhas do tempo. Me vejo na contramão.
Às vezes, saio do meu corpo, corro para tão longe que, se eu pudesse, não voltaria mais.
Apagaria meu nome, meu jeito, meu respirar.
Talvez eu…
Talvez eu, só por um momento, parasse de respirar.
O que aconteceria?
Seria uma sensação boa? Ou uma ida para um lugar onde eu me sentisse bem?
Há uma frase que diz: “Se você tem disposição para correr o risco, a vista do outro lado é espetacular.”
Mas será que, se eu for para o outro lado, eu adoraria a vista?
Eu reencontraria aqueles que já foram?
Eu iria para um lugar bom?
Eu seria realmente… “feliz”?
Me diga, coração: se eu fizesse você parar por um momento sequer, você me faria feliz?
São tantas perguntas.
Tantas palavras em minha mente.
Agora, as lágrimas descem pelo meu rosto. Essas gotas tocam meu coração e fazem uma lavagem profunda.
Ops…
Na verdade, elas o afogaram.
E agora estou morrendo com a água na minha garganta.
E, por um segundo, eu fui embora.
E, quando vejo… estou de novo no começo da rotatória.
Temos um propósito significativo no mundo.
Se você existe, é importante considerar seu verdadeiro propósito para que sua existência no mundo não se torne inútil.
Não conquiste as riquezas do mundo à custa de sua alma; pois a sabedoria, mais valiosa que prata e ouro, é o tesouro que a eternidade preserva.
Agir com dignidade pode não transformar o mundo inteiro, mas certamente tornará a Terra um lugar com um canalha a menos.
Neste mundo, há coisas que devemos fazer mesmo quando não queremos. Por exemplo, ganhar dinheiro.
Só aqueles que perderam toda a ligação com seu mundo são realmente livres para lutar por um mundo diferente.
Não faz ideia do que é perder. Todo mundo de quem eu gostava morreu ou me largou. Todos, menos você! Não diga que ficarei melhor com outro. Na verdade, eu só teria mais medo.
