Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Você nunca mais poderá estar lá
Mesmo estando nas quaresmas
As mesmas coloridas
Granulosas, do início das nossas vidas
Hoje surge um novo Sol
Sendo ainda o velho Sol de sempre
Daquela hora linda, mas que a gente esquece
Quando Deus criou o acaso
E a semente germinou num vaso
Como coisa que acontece
Como talvez nunca mais
Nem natais, nem carnavais
Dois dias iguais na semana
Pensamento que perdura
De um momento que se nega
e que nunca acontece
Uma rede de pescar, correnteza levou
Deixando a saudade de olhar
Que de olhar se via
Eram horas iguais no mesmo dia
Onde eu estava e pra sempre vou estar
Fica a escassez de detalhes a esbanjar riqueza
Pra sempre estaremos ausentes
Fica aqui a dor que se sente e pela qual se vive
Igual a tudo que se foi
Mesmo sem jamais ter sido.
Edson Ricardo Paiva.
Nunca se prenda a nada
Nem prenda nada a você
Aprenda que o certo é deixar partir
Que teu coração seja deserto
E que tenha saída
Mantenha sempre aberta
Uma porta de entrada
Mas, lembre-se
Que pra tudo existe sempre
Um outro ponto
Este, o de partida
Assim como toda criança
Que se despede pra brincar na rua
E que nem sempre te escuta
Até que um dia, ela nem te ouve mais
E dessa vez ela parte, mas pra vida adulta
Aquela que você foi um dia
Nem essa jamais foi sua
Mas há de sempre regressar
Por aquela porta aberta que você deixou
Deixe-a
Deixe que ela venha pelo menos de manhã
Mesmo que ela venha cada vez menos
Assim como há pureza
No café que sempre fica
No fundo de uma xícara que você põe
Debaixo da torneira que goteja
E que vai perdendo a pureza
A cada vez que uma gota cai
Que teu coração seja assim
Porque no fim, tudo muda
O ponteiro, a goteira, o movimento de rotação
Algo sempre oferece ajuda
A planta cresce, a folha cai...tudo se vai
Exceto a sua essência, a parte mais bela da vida
Permita que ela sempre volte pra te falar das coisas
Se ela ainda é ou se não é mais aquela
Que teu compromisso seja sempre em deixar partir
Assim é a vida, no fim a gente compreende
Que isso não chega a ser tão triste
E que não existe outra opção
Mas deixe uma porta aberta pra ela
Pra que assim as coisas venham
Sejam belas
e depois se vão.
Edson Ricardo Paiva.
Eu te prometo nunca mais
Te prometer mais nada
Vou te buscar detrás das nuvens
Causar-te pressa de voltar pra casa
Motivo pra essa vida
Eu te prometo:
Nunca mais vou te fazer promessa
Serei tua prece atendida
Quero ser coisa boa e boba na tua vida
Invisível, como a flor colhida
Estar em cada pequena alegria
Ser o começo e o fim do dia
No pôr do sol, no recreio
Na lembrança, o tudo que não volta
Na saudade, o todo que não veio
Porventura houvesse
Em tudo eu recomeçaria
Ser teu telhado, guarda-chuva, escudo
Encabeçar a lista da melhor lembrança
O suor que conquista
Colocar você no escrito do poema
E, se deixar-te
Deixar-te algo bonito pra dizer de nós
Estar naquele canto que ficou vazio em minha ausência
No frio que virá veloz...sem pressa.
Edson Ricardo Paiva.
Vivência.
Hoje eu vejo as coisas
De maneira que eu não via
Nunca fui de muito me atentar
Queira ou não queira
Cada qual tem seu jeito
Nunca fui de ter jeito pra nada
E meu mundo era perfeito assim
Creio que há mais sentido
Em não buscá-los
O tempo sempre traz a direção
E eu jamais sentia pressa
Promessas
Nunca fui de acreditar ou não
Nem duvidar
A verdade vem no vento
Vem depressa e devagar
Nunca fui de escolher
Qual dor eu queria sentir
Não se pode evitá-la, ela vem
Fui deixando a vida decidir por mim
Eu gostava de verdade
Era só de viver
Montar os quebra-cabeças que a vida traz
Desde o início ela trazia
Eu, por não ter aprendido mentir
Não busquei saber se era verdade
Nem jamais pensei que a vida fosse
Fácil e nem difícil: eu vivia.
Gostava de andar na chuva
Olhar o trem de longe, ouvir o sino na igreja
e os passos lá fora, quando era de madrugada
Nunca fui de espera ou de esperar
Pra falar a verdade, eu nunca fui de nada
Sonhava escrever poesia
Arquitetar um jeito de exprimir o que eu sentia
Assim como Deus é o Poeta
Que arquiteta a vida da gente
Numa métrica milimetrada
E que coloca, lá na frente, um tempo
Onde a gente passe a ver as coisas
De maneira que não voltemos jamais
A ser quem já fomos um dia
E nem nunca mudar nada, além de nós
As coisas que vemos ou não
Elas vão permanecer iguais
Antes...após!
Edson Ricardo Paiva.
Um Lugar Chamado Nunca Mais.
Nenhum de nós jamais
Conseguiu reter pra si
Sequer a própria presença
Olhe a sua imagem refletida
Nas águas desse rio da vida
Enquanto ele evapora
E que carrega a tudo que hoje tanto preza
Ninguém jamais teve palavra que resuma
Nem desenho que descreva
O que se esconde atrás do nevoeiro
Nada, além de brumas
Até que a veja de frente
Até que seja tarde pra saber
Um dia essa melancolia leve
Vem, bem de repente
Leva embora noites de tristeza
Tardes de alegria
Pra um lugar chamado nunca mais
Por mais que se pretenda
Tudo é feito pra viver
No dia que amanhece, alegre ou triste
Não existe tempo que se prenda
O mundo é feito de algo igual ao ar que se respira
Você sempre poderá voltar e perceber
E lugar nenhum jamais terá guardado
Um pôr de sol sagrado, um dia do passado
Tudo reinicia novo e novamente
E você nunca o poderá trazer de volta
A gente é que deixou passar
Tornar-se, então, deserto e mudo
E, dessa vez, distante
Começou a deixar de ser o que era
No momento em que você deixou que fosse
Pois, na verdade, de outra forma não podia ser
Um dia terá sido sempre a última vez
Só que dessa vez
Você não terá sequer percebido
O ruído dos seus passos
Abraços perdidos
Olhos, cujos teus olhares nunca mais verão
Olhares, que de tão indiferentes
A gente não guardou nos braços, nem no coração
Passos se afastavam lentamente
Até que, então, silenciassem
Num fluxo constante, instante após instante
Lembranças de um passado que desbota
Algumas alguém lembra
Tudo mais é coisa tão desimportante
Que ninguém sequer nem nota
Nem pensa em tomar nota
Tudo é a própria imagem refletida
Nas águas do incessante rio da vida
Coisa que não se represa
Ela evapora e chora e chora
Como o ar, que se respira e se renova.
Edson Ricardo Paiva.
Num lugar que ainda existe
Onde nunca mais voltei
Onde eu acordo todo dia
Sem flecha apontada
Nem pra nós
Nem pela gente
Noites de fogueira
e festa e fada e bailarina
e sonhos
Todo dia era essa noite
Esse lugar havia
Mas a gente precisou buscar
Alguma coisa
Que não tinha nome
Que não tinha lá
Que estava num dia
Que não tinha nascido
Talvez fosse melhor assim
Muitas folhas vão morrer
Antes que o fruto de uma árvore
Também possa cair e apodrecer
Não por nós, nem pela gente
Faz parte de um outro ciclo
E de uma outra verdade
Não muito poética
Mas gera sementes
Numa duradoura espera
Por olhares de monge
Que não tinha nome
Que não estava lá
A procura de um tempo
Que ainda ia nascer
Que tivera de partir
de algum lugar pra onde
Nunca mais voltou, partiu pra longe
Mas pelo resto da vida
Trouxe uma velha paisagem no olhar
Onde, nela amanheceu
Até seu último dia.
Edson Ricardo Paiva.
Existem pessoas que nunca saberão o verdadeiro valor de um grande amor, pois elas preferem viver de migalhas.
Eu nunca nutri as pessoas com migalhas, então não aceito receber sentimentos minguados, por que eu não consigo oferecer nada menos que um banquete.
"Os açucarados nunca foram da guerra. Nem covardes. Ao contrário, os pedaços que restavam dessa desumanidade eram reconstruídos por eles. Dando a mão amiga, curando, ensinando e levando o calor humano tão necessário."
"Caserio, que nunca quis ser santo, abalou o império na França. Como profissão, fazia pão. No anarquismo, foi irmão, não dedo duro nem espião."
"Orange is the new Black"
Eu nunca fui de me prender a nada, e nem a ninguém, no fundo eu não demonstrava isso, mas não me prendia, existia um vazio em mim, que eu simplesmente não sabia mais o que fazer para o preencher... Me sentia oca. Até que o cenário obviamente mudou.
Há alguns meses, uma grande amiga, Gisele Silva, me chamou a atenção para que eu assistisse uma série que como ela mesma disse, era muito similar ao que eu havia vivido. Ela estava encantada com a série. Sem dar muita importância, pois nunca fui de me prender a "series", não fui atrás e deixei o tempo passar.
Há exatamente uma semana, me rendi a assistir um capitulo apenas, e assinei inclusive a NetFlix para isso.
4 horas depois (Madrugada) eu mando uma mensagem para ela e disse exatamente o que eu deveria dizer:
- Obrigada por me enxergar! - Obrigada por me ajudar, e por existir na minha vida, como o melhor "Pai" do mundo.
Sou grata e apaixonada por todos os capítulos, por toda a forma de adaptação, afinal, o ser humano se adapta a absolutamente tudo, por aprender a fazer as escolhas, mesmo que incertas, mas "a escolha".
Eu admito que falo com o meu coração, e este o tocou plausivelmente.
Cada história se torna mais vida, cada vida se torna mais história, e assim, todos os nossos passos se tornam... "Caminhos a seguir".
Sem duvida, não é atoa que esta série é uma das mais indicadas a prêmios, concorreu a 12 indicações.
Orange is the New Black - Amando dia a dia. Consegui me enxergar e enxergar o outro lado das minhas respostas. Consegui fazer a pergunta certa.
"Nada se compara"
Eu sempre fui covarde, nunca assumi verdadeiramente o que sou, não por medo, pois sempre acreditei na teoria de que: - Pessoas que vivem com medo nunca serão completas. Serão a metade e isso dói tanto, dói ser a metade de alguém que não esta inteiro. Eu sempre fui "covarde mesmo"
Essa vida é linda demais para eu viver pela metade, então decidi fazer diferente, pela primeira vez engoli o orgulho, tirei a "placa de covarde da minha testa"... (Tique-Taque) - Joguem uma maça na minha cabeça pelo amor de Deus! - Mas não me deixem no vazio. Eu sou intensa demais para um "amor tranquilo com sabor de fruta mordida"... Esse é o meu maior defeito para quem não espera ou não suporta isso em mim.
Bem, não é para ser... Mas... Aceitei uma coisa importante: - Eu hoje tenho as respostas... Eu... "Nunca soube ganhar mesmo".
E quando finalmente aprendi, ironicamente "perdi" (!!!?)
Hoje eu vejo isso não com pesar, vejo isso com o coração mais aberto do mundo, não vou me arrepender de não caber nessas roupas, nesses medos e versos tortos, mas são tão meus, eu não quero o "arrependimento"... Se ele matasse, como diz o dito popular, não! Ele verdadeiramente mata meu amigo.
Simples assim, covarde? - Não, esse posto eu deixei para o meu passado.
E vou me permitir de todas as maneiras do mundo, sorrir.... É a coisa mais estranha e gostosa que eu sei fazer.
E o meu lar? - Não sei para onde vou... Só me sinto em casa em uma casa, e nela... Minha morada não é permitida.
Aceitar sim, concordar nunca, respeitar sempre... Afinal, cada um sabe a maravilha de se ter alguém, talvez estar-se apaixonados. Então que a felicidade seja completa e repleta de tudo o que se mais sonhou, quem sou eu para impedir alguém de ser feliz? - Por egoísmo meu, em tentar ser feliz? - Não, este posto jamais será meu... É... Eu não sei ganhar, mas não quero aprender a perder pelo resto da vida.
Às vezes me pergunto - Será que realmente me tornei esse ser? Ou sempre fui e nunca fiz questão de saber?
"Eu nunca amei profundamente por que antes de começar eu já imaginava o fim, e de todos os relacionamentos a minha imaginação sempre esteve certa"
Eu nunca conheci um ser que bebesse esperando a sobriedade, perdido totalmente em esquecimento.
Minhas lágrimas são secas, escorrem pelo meu rosto que esta totalmente molhado, me transformo em outro ser.
Meu estômago conecta-se com a minha cabeça, e de manhã eu percebo o grande desfecho em dúvidas... "Será que eu fiz alguma coisa de errado?".
Bang, bang! - Fiz!
"Pessoas festeiras não se magoam, não sentem nada" - Quando eu vou aprender?
1,2,3...
"Eu quase nunca sou de me apaixonar, mas certos olhares me prendem, me fazem relatar o que é importante para mim, eu todos os dias tento chamar a sua atenção, pois nesse mundo meus queridos, sou quase uma cega, totalmente sem visão"
