Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Nesses anos que eu tenho de vida
Nunca vi nada perfeito
Pois eu jamais busquei a perfeição
Se algo assim passou por mim
Simplesmente não dei-lhe atenção
Nesses anos que vivi sem atenção
Nem nos meus piores pesadelos
Tive a pretensão de parecer
Artista, Poeta ou algum tipo de eleito
Me contento em ser apenas
Este ser, que alguém fez de qualquer jeito
E que depois desses anos
Enxerga mal, caminha lento,
não dorme de madrugada,
acorda cedo e passa o dia a fazer nada
E tem vivido dias perfeitos
Ciente que a perfeição não existe, pois
Se há no mundo algo perfeito
é exatamente aquilo
Que a gente sabe
Quais são e onde estão
Todos os seus defeitos.
Nunca saberemos
O Real Sentido desta vida
Jamais encontraremos
A real utilidade
daquela jóia preferida
Que transforma
um simples feixe de luz
Naquela coisa colorida
Espalhada em raios divinos
Jamais enxergaremos nada
Enquanto não conseguirmos
Ser simplesmente
Aquele bando de meninos descalços
Correndo felizes na estrada
E de vez em quando
Rindo largamente
dos percalços que a vida traz
Jamais encontraremos
Essa paz, tão procurada
Que encontrávamos às vezes
Num bilhete de namorada
Ou numa roupa complicada
Que um simples colchete fechava
O tempo com a sua maldade
Carregou pra longe...muito longe
Alguma coisa muito boa e pura
Que hoje
A gente tanto procura
E não tem
Mas queria ter
E que, por malícia ou saudade
Convencionamos chamá-la
de Simplicidade.
Nunca tirei os pés da terra
e só caminhei em locais inseguros
sem pensar aonde ia
lodaçais nem percebia
olhando sempre pro espaço
sem nunca afastar-me demais
eu nunca fugi de medo
fiz segredo eu enganei
mas hoje eu sinto o cansaço
que o tempo sempre nos traz
percebo que estava enganado
sempre errado
sempre em paz.
Em vez de viver minha vida
eu passo o tempo procurando
dizer o que nunca foi dito
fazer o que não pode ser feito
encontrar o que o tempo esqueceu
desvendar o que a vida escondeu
procurar o que é preciso perder
em vez de viver simplesmente
quero entender o que aflige tanto a gente
e consertar o que incomoda tanta gente
desativar o que controla tantas mentes
falar, onde o tempo se cala
desamarrar onde a corda prende
dormir, enquanto o mundo acorda
discordar quando você concorda
caminhar enquanto a Terra se abala
calar, sempre que o Mundo fala
ouvir, sempre que um mudo cala
Lembrar, no lugar de esquecer
morrer ao invés de viver
Nesta vida
Da qual
eu nunca quis
nada
Hoje peço
me ensina, meu Deus
me diz
O que é preciso fazer
Pra poder conquistar
O coração de uma fada?
Uma fada que não peça amor
Por saber que já o tem
Uma fada sem rancor
e nem ciúme
Segura por saber
Que não sinto
em mais ninguém
O seu perfume
O aroma
Que emana da alma
E faz meus olhos
Só a ela ver
E quando olho
vejo coisas que
outros não vêem
Aquela luz
Que ultrapassa
os limites
do sorriso
irradiando
Além
dos seus limites
Se é que uma Fada
Pode ter limites
Eu acho
Que não tem.
O trêm partiu
e mesmo sabendo
que o caminho
já esta traçado
você nunca esteve lá
Ele voltou vazio
Voce embarcou
e agora sente frio
o mesmo frio
do qual fugia
vai guardando a paisagem
na retina
Colinas, campos,
chuva fina
dias de Sol
e tempestades
Ontem era muito cedo
hoje é tarde
Se a viagem
apenas te sujasse
estaria tudo bem
Mas o tempo
a tudo encarde
Não há retina que guarde
tantas paragens
pode até parecer muito
mas é uma só viagem
é uma estrada só
onde você embarca,
viaja, deseja, teme, treme, geme,
espera, desespera, dança e se cansa
só.
Quase sempre, quase nunca
quase perto, quase certo
quase morto, quase torto
todo dia
Quase euforia
Quase nada
madrugada
Quase durmo
Quase dia
Quase euforia
Quase ria
Quase vejo
Quase encontro
uma saída
Quase ensejo
Quase despejo
Quase pego
quase cego
Grana, grito
São duzentos anos
de filosofia
Quase rio
Quase todo dia
Quase dia
Quase poesia
Quase riso
Quase garantia
Quase perto
Quase que eu não via
Quase canso
Quase danço
Quase bato
Quase apanho
Quase temo
Quase tema
Quase bala
Quase bela
Quase minha
Quase dela
quase infarto
Quase deserto
Quase digo
Quase chamo
Quase amo
Quase digo
Quase brigo
Quase calo
Quase falo
Quase abismo
Quase mina
Quase rima
Quase riso
Quase todo dia
Quase dia
Quase garantia
Quase rio
Quase todo dia
Quase dia
Quase poesia.
A vida e o Mundo
repletos de segredos
que não são e nunca foram
difíceis de enxergar
mistérios desvendados
o tempo todo
bem diante de meus olhos
Viver sem precisar
pedir conselhos
Mas estão todos
ocupados demais
admirando a própria beleza
diante dos seus espelhos
para enxergar
as coisas que ali não refletem
não existe qualquer importância
em seu ouro ou em seus diamantes
seus olhos mundanos
incapazes de distiguir
a qualidade
latente e pulsante
daquilo que é iminente
não é vista, então
por tanta gente
inteligente demais
importante demais
ganhando cada vez mais distância
entre si mesma e a lente
através da qual
seria então capaz
de descobrir a própria ignorância.
Você poderá sempre
atrasar os seus ponteiros
mas nunca poderá
Não irá jamais
Voltar aos tempos primeiros
A areia
que passou pela ampulheta
Registra meia hora,
hora e meia
E será a mesma novamente,
Sempre a mesma areia
Mas marcará outra hora
Outra data
Outro momento
O tempo perdido
Fica na saudade
Na lembrança
No passado
Um dia o tempo pára
e te olha
E você diz:
-Não pare aqui, tempo
E o tempo responde
-Eu não parei, sua hora chegou,
seu tempo expirou.
E o tempo segue a jornada
Corre por diferentes estradas
por que será e quê será
que o tempo esconde?
O tempo corre sobre trilhos
como um bonde
Longe, vai deixando
Pais, irmãos e filhos
Numa trilha que não finda
aquilo que finda
Haverá de prosseguir, ainda
Sempre em frente
Rumo a um lugar escuro
que chamamos de futuro
Você sempre poderá
atrasar o seu relógio
mas nunca entenderá
a Mágica
Do tempo,
Que corre sem lógica
Por muito tempo naveguei perdido
Me esqueci como se esquiva da tristeza
Pode ser que eu nunca tenha aprendido
Na solidão enxergava beleza
Não havia uma Estrela-Guia
Não tinha Mastro que suportasse tais procelas
Não havia rastros dos quais eu me orgulhasse
Não achava aonde me orientar, por mais que procurasse
Assim a minha vida foi passando
Não há como viver mais do que um dia
Não existe maneira de resumir
Aquilo que nascemos pra viver
Durante uma vida inteira
Ouvia de vez em quando
As asas de um anjo que me rodeava
Não sei se era amigo ou se só sentia dó
Mas era o único que nunca me esquecia
Sua companhia fez a vida não ser assim
Tão só.
Quando a gente se sente só
E solidão é só o que se sente
Percebe que a solidão
Nunca chega só
Pois sempre vem junto a ela
Um frio suor nas mãos
Arrepiando a barriga
Na visão da janela fechada
Um rio de tristeza
Inundando o coração
Vem a inseparável saudade
E não vem mais nada
Solidão, quando é da boa
Faz ouvir a uma voz que ecoa
E é sempre uma só, somente
Causando um cortante frio
Daquele que dói a alma
Num vazio de não sei o quê
Pois a solidão
Não é só estar só
É estar diante do mundo
E não ver o chão
É querer voar, sem ter ter asas
É buscar ao odor do alecrim
Num jardim de malmequeres
Sem haver no final do dia
Uma casa pra voltar
E, sem ter aonde ir
A solidão vem dizer
Que não há no mundo lugar melhor
Nem na vida coisa pior
Pois qualquer lugar é lugar.
Edson Ricardo Paiva
"O que faz a diferença na vida são as pessoas. Nunca devemos nos esquecer daqueles que estiverem ao nosso lado nos momentos difíceis, pois o que menos vai importar são os que não estavam lá."
Edson Ricardo Paiva
Eu nunca compreendi direito
O conceito
Dessa nova engenharia
Que constrói monumentos
de alegria e felicidade
A cada dia mais arrojada
E que, a mim, não prova nada
Só me lembro
Que meu velho avô dizia
Coisas sobre um mundo arcaico
Num tempo em que só carecia
De uma pequena porção
de amor e lealdade
E em poucas e prosaicas proporções
Amizades e outras velharias
Que, não obstante, seriam suficientes
Ele me olhava com o olhar fraterno
e, apesar de melancólico, dizia
Que a ordem do tempo é imutável
Pra tristeza ou pra alegria
Insistia que a vida não eram só momentos
E citava outras palavras, hoje desconhecidas
Sobre bondades que jamais eu vi
Talvez seja culpa da vida, porque ela é feita de tempo
Onde a culpa cabe ao tempo, por ter sido algo abstrato
Mais importante que a própria vida
É ter alguém pra botar a culpa
Fora isso, o tempo não se compromete
Nem possui o compromisso tolo de apartar
As coisas que ora se sente
Daquelas que outrora sentia
A verdade é um gás rarefeito
Ela explode, quando se acumula
Essa é uma lei natural
Que, sutilmente rege a vida.
O perfume da flor varia
E mesmo assim
Não se muda em essência
Por causa da ocasião
Portanto
O conceito de felicidade permanece
Eternamente algo abstrato
Jamais objeto
A ser trocado em feira de momentos
Por outras felicidades
Nem se pode vê-la exposta
No museu da simplicidade
A inverdade pode ser um céu
Que desaba por sobre o telhado
E o teto por sobre o chão
É uma casa de pau a pique
e o ás de qualquer baralho
Nas mãos de outro jogador, na mesa ao lado
A alegria é um anjo frágil
Um pássaro no galho
Que, quando maltratado, bate as asas
E não há nada a se fazer pra que ela fique.
Edson Ricardo Paiva.
Eu duvido
Quase nunca
Ninguém
Há de saber
Qual é
Devido
À fé que não se tem
Até que não se tenha
É como apanhar
Um espinho num jardim
Apanhe
Sem saber qual é
Até que assim ele te arranhe.
Edson Ricardo Paiva.
Um sonho em preto e branco
É sempre um sonho
Pois ninguém que há neste mundo
Nunca sonha por vontade própria
O vagabundo que sonhou ser luz
Iluminou todo o universo
Em sua vasta imensidão
Pra descobrir que só ser luz não basta
E concluiu
Que, por veloz que seja a luz
O seu destino é sempre o escuro
E que o vento que arreia a floresta se vai
Sobrando sempre um ipê que cai
Aquele vento que passou
Não há de voltar jamais
Mas ninguém vê
Não perde tempo a pensar
E nem pensa
Que quem derrubou o ipê não foi o vento
Foi o tempo, que o fez crescer
As árvores que não caíram
Se vergaram por sabedoria
E jamais em reverência
Um sonho em preto e branco
É como um sonho colorido
Pois todo aquele que não tem ouvidos
Desconhece o som de um ruído
E pra ele é boa a vida e o mundo é bom
E cego e surdo como a luz
Veloz me sento à sombra de um ipê
Entrego ao chão o sal de uma última
lástima
Pra que deixasse ficar
No vácuo que há em volta de mim
Um espetáculo de luz e de som
E concluí que a vida foi um sonho muito bom
Pois meu mundo sempre foi desse jeito
Eu aprendi a ser feliz assim.
Edson Ricardo Paiva.
Me lembro quando em criança
Voar num barranco gramado, morro abaixo
Acho que nunca mais voei tão alto
Recordo de olhar pros lados:
Nada, nem ninguém
E eu era bem feliz assim
Se minha vida visse o brilho nos meus olhos
Quando eu lembro dela
Talvez ainda fosse aquela amiga
Quem sabe, ela pensasse em mim também
Me lembro de noites escuras
Eu acho que venci meus medos
Descendo lá, desde as estrelas, infinito abaixo
A partir de então, nada foi tão claro e tão bonito
Quanto subir novamente...e correndo
Nada nunca me fez ficar lá, desistir
Quando olhei pros lados
Nada, nem ninguém
Tudo bem, pois a vida é assim
Mas há dias em que eu quase rio também
Onde as tardes são lilazes
Se a vida me pudesse ver
Diria que eu pareço ser feliz ainda
Nos momentos que eu olho pra ela
Vida, aquela velha amiga que virou-me as costas
Me deixou lá embaixo
Nem viu que eu subi novamente
E contente
Tanto eu corri nesta vida
Acho que fui mais além
Quando a vida me procura e olha pros lados
Nada, nem ninguém.
Edson Ricardo Paiva.
"Passarinho, fim de tarde
Pensamento, Sol que ardia
Finda o dia, nunca é mais um dia
Há um só momento, uma hora boa
O gosto de voar contigo assim
Breve instante em que eu te olho
E vejo em meu pensar à toa
Qual se fosse um passarinho
Eu trouxe o meu sorriso pra mostrar
Você nem viu, não veio
Não existe olhar que alcance
Passarinho foi-se embora
O olhar ao longe chora, ecoa
Pensamento não se cansa, voa. "
Edson Ricardo Paiva.
Foi vivendo bem rapidamente
O dedo em riste e as mãos em prece
Tem coisa que existe e que nunca acontece
E quando acontece, é prá lá de distante
É chuva que chove muito além desses quintais
Nos jardins as folhas crescem, caem, se vão
Se vão pelos desvãos das mãos em prece
Nos olhos vendados, nos rincões do tempo
Parece até que no final deu tudo certo
O dedo em riste, o medo escondido
O coração deserto, perdido e ainda em segredo
Tão secreto quanto um sonho
Que, quando acontece, é pra lá de distante
Tão longe quanto o minuto passado
Vivido tão rapidamente
Quase tão desconhecido
Quanto uma vontade que passou.
Edson Ricardo Paiva.
Você nunca mais poderá estar lá
Mesmo estando nas quaresmas
As mesmas coloridas
Granulosas, do início das nossas vidas
Hoje surge um novo Sol
Sendo ainda o velho Sol de sempre
Daquela hora linda, mas que a gente esquece
Quando Deus criou o acaso
E a semente germinou num vaso
Como coisa que acontece
Como talvez nunca mais
Nem natais, nem carnavais
Dois dias iguais na semana
Pensamento que perdura
De um momento que se nega
e que nunca acontece
Uma rede de pescar, correnteza levou
Deixando a saudade de olhar
Que de olhar se via
Eram horas iguais no mesmo dia
Onde eu estava e pra sempre vou estar
Fica a escassez de detalhes a esbanjar riqueza
Pra sempre estaremos ausentes
Fica aqui a dor que se sente e pela qual se vive
Igual a tudo que se foi
Mesmo sem jamais ter sido.
Edson Ricardo Paiva.
Nunca se prenda a nada
Nem prenda nada a você
Aprenda que o certo é deixar partir
Que teu coração seja deserto
E que tenha saída
Mantenha sempre aberta
Uma porta de entrada
Mas, lembre-se
Que pra tudo existe sempre
Um outro ponto
Este, o de partida
Assim como toda criança
Que se despede pra brincar na rua
E que nem sempre te escuta
Até que um dia, ela nem te ouve mais
E dessa vez ela parte, mas pra vida adulta
Aquela que você foi um dia
Nem essa jamais foi sua
Mas há de sempre regressar
Por aquela porta aberta que você deixou
Deixe-a
Deixe que ela venha pelo menos de manhã
Mesmo que ela venha cada vez menos
Assim como há pureza
No café que sempre fica
No fundo de uma xícara que você põe
Debaixo da torneira que goteja
E que vai perdendo a pureza
A cada vez que uma gota cai
Que teu coração seja assim
Porque no fim, tudo muda
O ponteiro, a goteira, o movimento de rotação
Algo sempre oferece ajuda
A planta cresce, a folha cai...tudo se vai
Exceto a sua essência, a parte mais bela da vida
Permita que ela sempre volte pra te falar das coisas
Se ela ainda é ou se não é mais aquela
Que teu compromisso seja sempre em deixar partir
Assim é a vida, no fim a gente compreende
Que isso não chega a ser tão triste
E que não existe outra opção
Mas deixe uma porta aberta pra ela
Pra que assim as coisas venham
Sejam belas
e depois se vão.
Edson Ricardo Paiva.
