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Nove Noites de Bernardo Carvalho

Cerca de 123613 frases e pensamentos: Nove Noites de Bernardo Carvalho

⁠Hernâni Carvalho a voz do Povo injustiçado…

Parabéns Hernâni pela coragem;
Que demonstras em para a nós valer;
Nos teus programas que dão gosto ver;
Tão expões neste País do mal: a aragem!

Aragem reflectida num doer;
Por todos, sem qualquer medo em ti tido;
De desmascarares todo o bandido;
Pra quem a justiça não tenha um ver.

Que pena na política não estejas;
Porque em ti sim, com gosto ia votar;
Por gostar de em ti ver BOM defensor!...

Por gostar de em ti ver BOM professor;
Que aqueles parvos, iria ensinar;
A fazerem JUSTIÇA que desejas.

Para ti Hernâni Carvalho, com o carinho que de mim/povo mereces;

Inserida por manuel_santos_1

⁠“As tempestades edita um perfil doloroso no homem, porém aos que resistem, tornam se um carvalho de Deus.”
Giovane Silva Santos

Inserida por giovanesilvasantos1

Como é reluzente o carvalho da tua justiça.
(Salmo 55 de Giovane Silva Santos).
Oh! Altíssimo, se o revolto dos meus lábios, das minhas mãos, que vive, contempla e sedento, de sede da tua justiça, sim, não tome como ambição, nem tão pouco como como intento de grandeza, sabes que não mais peço para mim, que não mais tenho prazer no dinheiro e em riquezas, veja este coração, ele sendo teu reflexo não há engano.
Meu povo Brasil, sim, que se identifica pelo renovo, esperança, tal qual o registro passado para resgate da tua justiça, no intento de edificar um presente segundo teu coração, olhe a nós, se há, houve renovação, veja se pulsamos, e em meio das altitudes, do sufoco, da pressão, ainda assim aviva o teu nome.
A tua honra, tua glória é que deve se resplandecer, vigorar, reluzir, emergir, multiplique transbordantemente teu Espírito, o quanto o intento de religiões, ciência e tecnologia, sim, não irão entender, confusos ficarão aqueles que orquestraram, arquitetam planos que desafiam o céu, aqueles que se rendem e submetem, também sei que muitos são enganados, por trás das cortinas de civilizações, estão o orgulho, ganância, ignorância, vingança, ódio, uma sujeira acumulada.
Não mais convém, entendo, esperar, prorrogar gerações, onde provado o homem está, muitos duros de coração, eu, pequeno, minúsculo da casa do meu pai, veja, mesmo muitos vendo teu espelho em mim, continua a coagi, ameaçar, sendo, o senhor soberano, eu, meu coração no trono do teu altar, em nome de Jesus, é este reino do céu que creio, bem sei eu que meus sonhos serão, estão sendo, e continuarão a transbordar, falaste que 11 dias o povo de Israel entraria na terra, os mesmos foram rebeldes, veja senhor, por 43 anos eu, mesmo com tamanha dificuldade e tomado pelo desprezo de muitos, estou diante de ti, porque tens mostrado providência, continue, clamo, rezo, oro, chamo, imploro, suplico, humilho me, rendo me a ti, ao teu Santo Espírito, que o mundo tente enganar, imediatamente, sim, hoje, tudo que está encoberto do ocidente ao oriente, a todos continentes, onde o homem tentou pisar, pisou, sim, revele senhor.
Que cada palavra, desde elas na tua direção, sejam traduzidas na prática, realçando, fortalecendo, imprimindo tua verdade, levante tua espada, abrase teu fogo, acenda tua luz, intensifique o fluxo das águas, levante a maré, que o vento sopre, que, somente resistirá quem a ti buscou, busca, buscará.
Ao meu pai, que ele ressuscite dos mortos no dia do teu juízo prometido, salve minha família.
Que faço senhor, que posso fazer mais a te agradar, sabes que não tenho ouro e nem prata, nem mesmo uma simples bicicleta, digas, que posso fazer eu, a que se incline a minhas palavras, a que volte os olhos a mim, a minha família, a este Brasil.
Minhas mãos serão estendidas nos altos, na brisa, sobre esta cidade, ao representar este país, onde sei, que é o mínimo que posso fazer, graças, paz, Grato somos e estamos senhor.

Inserida por giovanesilvasantos1

⁠O poeta Vicente de Carvalho, em 1917, afirma sobre a felicidade:
" ⁠Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos"
Nenhum poeta moderno ousou afirmar que a tal felicidade é processo, é caminhada, é a simplicidade da ingênua busca, é o esperar pela festa e não o evento em si, é o ritual de acordar todos os dias correndo atrás de uma força invisível que está exatamente ali, dentro de cada um.

Inserida por RosalbaSaraiva

⁠"Equilíbrio é ser forte que nem um carvalho
e flexível que nem um bambu."

Inserida por glauberlimadesouza

⁠Orvalho do Carvalho


Na robustez milenar,
Bela e esplendorosa árvore Carvalho,
Uma beleza que representa a força da mãe natureza,
Criada por Deus,
Para honra e Glória da sua grandeza,
Raízes que seguem pelas profundezas da terra,
Hoje a tarde ela chorou em minha face,
Suas lágrimas eram orvalhos que pingavam em meus olhos,
Um gemido triste eu presenciei,
Desconhecido amor de um nobre cavaleiro,
Até o caule sentiu,
Nessa hora,
Suas folhas cairam pela metade,
Suas cascas encolheram,
Abriram-se e sangraram,
Eram prantos de amor e de felicidade,
Olhando para seus galhos,
Ela escutou o chamado do meu coração,
Era a saudadeem cima de outra saudade,
Encantado,
As flores emergiram,
Caíram chuvas com intensidade, Adormecidas escritas milenares,
Gosto de um prazer,
Um prazer de querer amar e viver,
Com mais intensidade....


Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.

Inserida por JoseRicardo7

⁠Mudanças
Pela manhã fria e úmida se surge o orvalho
Pendurado pelas folhas do velho Carvalho
Que após a tempestade
Levou junto a chuva as lágrimas de saudade
Os ventos fortes movem os moinhos
As pessoas percorrem seus caminhos
Há quem volte sozinho
Outros procuram companhia em busca de carinho
Tudo aquilo dito no passado
Não pode ser mais vivenciado
Todo o sentimento
Vira pensamento
Há quem tente reviver
Mas a maioria prefere esquecer
Ou deixar adormecer
Para que a ferida não volte a doer

Inserida por JoseAugustoSant

⁠As Folhas do Carvalho
Era uma vez, em uma pequena vila cercada por densas florestas, um jovem chamado Tiago. Tiago era conhecido em toda a vila por sua dedicação fervorosa à preservação da floresta. Ele liderava grupos de jovens vilarejos em campanhas de plantio de árvores e protestava contra qualquer um que tentasse cortar as árvores, especialmente os grandes e antigos carvalhos que eram símbolos da força e resistência da natureza.
Um dia, chegaram à vila alguns homens e mulheres de uma cidade vizinha, trazendo consigo planos de construir uma pequena escola na beira da floresta. A comunidade ficou dividida, mas Tiago foi imediatamente contra o projeto, argumentando que isso destruiria uma grande parte da floresta e, em particular, um grupo de carvalhos antigos que ele tanto amava.
Tiago organizou protestos e conseguiu adiar o projeto. No entanto, uma noite, ele foi visitado por uma anciã da vila, Dona Clara, que era muito respeitada por sua sabedoria. Ela convidou Tiago para um passeio pela floresta, durante o qual lhe contou histórias sobre as gerações da vila que cresceram sem acesso à educação adequada.
"Meu jovem," disse ela, olhando para os carvalhos, "essas árvores são antigas e fortes, mas até elas precisam eventualmente dar espaço para novos crescimentos. Uma escola aqui não só trará conhecimento, mas ensinará as crianças a amar e proteger essas florestas muito melhor do que nós."
Tiago ficou perturbado com essas palavras. Ele passou várias noites inquieto, ponderando sobre o conflito entre a preservação da natureza e a necessidade de educação. Depois de muita reflexão e conversas com outros moradores, Tiago começou a ver que sua resistência, embora bem-intencionada, estava impedindo o progresso que poderia realmente beneficiar a floresta a longo prazo.
Com o coração pesado, mas com uma nova compreensão, Tiago se aproximou dos planejadores e trabalhou com eles para modificar o projeto, de forma que minimizasse o impacto ambiental e incluísse um programa de educação ambiental para as crianças.
A escola foi construída, e Tiago foi convidado a ser o primeiro a ensinar sobre a importância das florestas. Ele aceitou, reconhecendo que seu erro não era motivo de vergonha, mas um passo vital em seu aprendizado.
Moral da história: Não há vergonha em acordar do lado errado da cama, mas o medo de nunca acordar. Reconhecer um erro e aprender com ele é um sinal de verdadeira sabedoria e coragem.

Inserida por julianokimura

⁠Mes­mo o po­de­ro­so car­va­lho se acha for­te, até vir um ho­mem com um macha­do e der­ru­bá-lo.

Nikki St. Crowe
O rei da Ter­ra do Nun­ca. São Pau­lo: Uni­ver­so dos Li­vros, 2023.
Inserida por pensador

⁠POEMAS EM HOMENAGEM A VLADIMIR CARVALHO

Vladimir Carvalho: Voz dos Candangos

Vladimir Carvalho, de fita e sena,
No cinema nacional, faz-se presente,
“O País de São Saruê”, um poema,
Mostra a história do Brasil latente.

“Conterrâneos Velhos de Guerra”, retrato
Dos operários erguendo Brasília,
Morrendo na lida, sem aparato,
Imagens que revelam a dor, sem trilha.

Deu voz aos candangos, aos excluídos,
Revelou as contradições do Estado,
Desigualdades de um povo sofrido.

Na censura, sua arte foi cravada,
Formou cineastas com seu legado,
Sua marca na cultura é eternizada.

- Antonio Costta
24/10/2024

Guardião da Memória do Cinema Nacional

Vladimir Carvalho, guardião da história,
No cinema brasileiro, eternizou,
A memória do país que registrou,
Imprimindo na tela, de forma notória.

Desde jovem, na Paraíba iniciou,
Consagrando documentarista, com paixão,
Filmou injustiças, a censura, a opressão,
Na ditadura a verdade revelou.

Parte do Cinema Novo, movimento vital,
Captou lavradores, violeiros, ceramistas,
E os candangos, na capital federal.

Eternizou o Nordeste, suas conquistas,
Vladimir Carvalho, com seu olhar social,
Fez do cinema, voz dos injustiçados e artistas.

- Antonio Costta
24/10/2024

Inserida por Antonio_Costta

⁠Paz & Bem Amor/Amar
Valdir Carvalho S Benie

... Agora não me recordo, mas ontem algo me fez vir na memória essas palavras que fazem bem na alma, de quem as houve... E o interessante é que quem fala, pela expressão da voz: de calmaria... Obtém um sentimento de paz e gratidão. As palavras tem esse poder de conexão, de se conectar ou de afastar... E se todos entrassem nessa sintonia fina, da dupla hélice, do Amor/Amar, a vida seria mais harmoniosa e graciosa; com aromas de flores: perfumes das nossas essências!...
Valeu maninho do coração por me dar esse apito e um banho de Cachoeira, carregadas das pétalas do seu precioso espírito da terra... Sabe, mano; Indio adora ganhar presentes... E falando por mim, a sua presença no meu presente, faz com que eu entre nessa vibe, da dupla fenda do amor, e passe a me amar mais ainda, com mais intensidade, a família do meu coração!... Bom, né!... E passo a viver com mais paz e sonhar com mais luz na minha jornada... kkkk... Lembrei-me do Paz & Bem...
Cada um tem uma nota musical. E você tem milhares... Que sempre quando ouvimos uma canção, nos vem uma lembrança mágica, de quem tocou em nossas cordas mais íntimas. E você sabe quem você me fez lembrar, e que faz dessa harmônica; uma explosão de gratidão: Regina Helena da Mata ...Paz & Bem, é assim que ela carinhosamente sempre se despede de mim: índio que vive entranhado nas próprias matas, para depurar os poderes misteriosos que contém na seiva da existência: onde bate o tambor da vida e acontece a dança e os gritos de guerra, para conquistar mentes e corações...
Abraços maninho. Muito bom conversar contigo e sentir a feitiçaria que tem em suas letras. Valeu Regina, maravilhosa e repleta de paz no coração. Beijocas em Dona Dalva: mãe querida de todo nós... Vamos nos agarrandos e nos prendendo nessas VARGAS verdejantes, repletas de teias que nos aprisionam: denominada, amizade de verdade.
Paz & Bem para todos os dias de nossas vidas. Mim satisfeito com tudo isso e AHÁTAMA para todos vocês e todos que por aqui passaram. E na redundância, como ela é esplêndida: ADEUS!..
Só mais uma coisa Waldir:
Luciana Vargas e HelenVargas também pertencem a nossa tribo, do coração!!!

Inserida por PeregrinoCorrea

Nas raízes mais profundas do carvalho solitário, há segredos que nem os ventos ousam desvendar. Contudo, até a árvore mais forte floresce melhor sob a vigília discreta de um jardineiro eremita.

⁠MEMÓRIAS DA CHUVA
(Laércio J Carvalho)

...Não levou muito tempo até que a chuva começasse. Veio tão forte que o motorista da jardineira foi obrigado a fazer uma breve parada por que os limpadores de para-brisa não deram conta da tromba d’água que caiu. Foi então que Cândido, apesar do vidro embaçado da janela, viu duas garotas se protegendo da chuva num ranchinho à beira da estrada. Entre raios e trovões, o coração de Cândido parecia querer saltar fora do peito. Do outro lado, a garota que deveria marcar para sempre a sua vida, também o observava. Parecia um botão de rosa sob o bombardeio dos pingos da chuva. De tão molhado, o vestido amarelo grudado à pele exibia o lindo corpo de menina moça e seus cabelos dourados ao sabor do vento que varria de um lado para outro o rancho de latas de leite de uma indústria de lacticínios.
A tempestade não durou mais que cinco minutos. Da janela do veículo já era possível enxergar a torre de uma igrejinha. Não estavam a mais que trezentos metros da praça central do povoado e, assim que a jardineira teve o motor acionado, passaram pelas meninas que, de tão distraídas com os jovens viajores, pisavam mais sobre as poças d’água que sobre o lastro da estrada. Cândido se lembrou da música que ouvira naquela manhã no toca-fitas do Corcel amarelo: “Rain Memories”, Memórias da Chuva, com Paul Denver. Estranhamente, ambos sentiram medo; medo de se perderem daquele casual encontro e nunca mais se reencontrassem.
Assim que o motorista encostou a velha jardineira no ponto de embarque e desembarque, o olhar de Cândido não desgrudou das meninas até que virassem à esquerda em uma rua na cabeceira da praça. Porém, de um último olhar antes de virar a esquina, Cândido fez uma leitura de pensamento: *Ela vai voltar!*, concluiu. Enquanto isso, seu amigo não pensava noutra coisa que não fosse um sanduíche e uma garrafa de refrigerante gelado.
Na pracinha, com a esperança de rever seu lindo “botãozinho de rosa molhado”, Cândido ficou a observar os passarinhos em festa nos galhos de uma caneleira em frutificação, enquanto o amigo, bem informado por um habitante local, seguiu rumo à única lanchonete do bairro. Naquele instante o Sol deu suas caras. Como criança assustada com a chuva, aos poucos perdeu o medo voltando a brilhar novamente entre nuvens rarefeitas de algodão. Os manacás de jardins, com floração tardia nos braços da Mantiqueira, inebriavam o ambiente com um doce e suave perfume. As abelhas, num constante vai e vem entre flores e colmeias, não davam trégua ao bem cuidado jardim do pitoresco “Morada do Sol”.
Cândido, entretido com a algazarra dos beija-flores, não percebeu a chegada do amigo trazendo nas mãos um pão com mussarela e uma garrafa de coca-cola. Ao mesmo tempo, do outro lado do jardim, sob a sombra de uma jovem acácia, a mais linda flor de “Morada do Sol” o aguardava. Cândido, com coração a mil, agradeceu a gentileza do amigo, porém recusou a oferta.
_Não vai tomar nem a coca, seu tonto? // Insistiu o amigo.
_Não!... Obrigado!... Sei que está ficando tarde... Mas, por favor, me aguarde no bar por mais alguns minutos.
_Fica frio!... Sem pressa!
Enquanto o amigo caminhava para a lanchonete, Cândido seguiu em direção à bela princesinha dos cabelos dourados que, percebendo sua intenção, se levantou e veio ao seu encontro. Por um momento, ambos tiveram a impressão de estarem caminhando sobre nuvens. De pernas bambas e corações palpitantes, se viram frente a frente a dois passos de se tocarem. Seus olhares se cruzaram; suas bocas tinham sede; seus lábios molhados se mordiam de desejo. Do outro lado da praça, a sentinela que a acompanhava não desgrudava os olhos de ambos os lados da rua. Parecia bastante ansiosa, temendo por algum imprevisto.
Apesar das pernas bambas e o suor excessivo, Cândido tomou a iniciativa:
_Oi!
_Oi!
_Posso saber seu nome?
_Claro!... Meu nome é Lucy!... E o seu?!
_Chamo-me Cândido!... Não é um nome tão bonito quanto o seu.
_Obrigada!... Adorei seu nome!... Você está visitando alguém no bairro ou apenas de passagem?
_Somos estudantes... Estamos vindo de “Espírito Santo das Araucárias”... Meus pais moram em uma fazenda num bairro conhecido como “Voz do Vento”... Você conhece?
_Sei onde fica... Certa vez passei por lá com meus pais... Fomos visitar uma tia doente no município de “São Francisco do Mogi”.
_Não posso parar muito tempo... Meu amigo está ansioso à minha espera... Você pode me dizer se esse ônibus que nos deu carona faz algum horário para “Caracol” no domingo?
_Sim... Às três da tarde, em ponto, ele parte.
_Tenho que visitar meus pais, mas amanhã estarei nesta mesma praça por volta do meio dia... Gostaria muito de vê-la novamente.
_Eu também!... Acho que nem vou dormir direito... Tenho medo de não te encontrar outra vez.
_Preciso seguir adiante... Meu amigo deve estar impaciente... Mas antes quero te fazer uma pergunta.
_Faça!
_O desejo de beijar tua boca está me matando... Posso te beijar, Lucy?
Por um instante a garota sentiu que poderia ter um “piripaque”. A pele de seu rosto tornou-se rosada; seu coração batia tão forte que podia ser ouvido a um metro, que era a distância que os separava. Lucy olhou para a sentinela que, mesmo apreensiva, usou o polegar de sua mão esquerda e respondeu com um sinal de positivo. Suas mãos não paravam de suar. Com voz meio rouca, proferiu sua resposta:
_Sim!... Quero muito o teu beijo... Só te peço que não faças mau juízo de mim.
Cândido aproximou-se de Lucy e, com as mãos envoltas em seus cabelos dourados, puxou-a de encontro ao seu peito, suspirou fundo, inebriou-se no perfume de sua pele, antes de se perderem num beijo apaixonado.
Assim como o cérebro, o paladar e o olfato também têm suas memórias e, ainda que passassem cem anos daquele primeiro encontro, ambos jamais esqueceriam o doce sabor daquele beijo, o qual ficaria registrado para sempre em suas vidas.
No domingo de manhã, já a par das novidades daqueles primeiros quinze dias de ausência, apesar da felicidade de estar junto à família, Cândido saiu a cavalo pela fazenda; porém, por nenhum segundo tirou Lucy do seu pensamento.
Aquele lindo domingo de céu azul não lhe parecia um dia qualquer. As flores do campo se exibiam mais coloridas e perfumadas. Até os passarinhos cantavam mais alegres, em sintonia com os seus pensamentos. A “primeira vítima” dos arroubos daquela paixão adolescente foi um frondoso pé de jequitibá que, a golpes de canivete, teve seu tronco ferido. As inicias “C & L” no centro de um coração ilustraram uma curta frase: “Lucy, eu te amo”.
Após o almoço de domingo, o pai de Cândido, que o levaria até o vilarejo de “Morada do Sol” para tomar o ônibus, percebendo certa ansiedade no filho, perguntou:
_Cândido!... Não acha que está sendo precipitado?... Afinal, o ônibus parte somente às três da tarde, não é isso?
_Pai... Na verdade eu estou em dúvida: não sei se ouvi treze ou três horas da tarde... Melhor irmos mais cedo que perder a jardineira... Não acha?
Mal sabia ele que o filho estava apaixonado e não via a hora do reencontro com sua amada.
Por volta das treze horas, senhor José encostou seu jipe num ponto de ônibus. Bem que desconfiou que a linda garota sentada em um banco à sombra de uma árvore, não estava ali por acaso. Fingindo não prestar atenção, abençoou o filho e retornou à fazenda. Lucy, com um lindo sorriso nos lábios, não continha sua alegria por aquele feliz reencontro. Cândido, caminhando em sua direção, tinha nas mãos um botãozinho de rosa. Antes de beijá-la, pediu licença para ajeitar em seus cabelos o lindo adereço roubado. O céu, de tão azul se confundia com os canteiros de lírio, e o beijo de Lucy, de tão doce, com mel jataí, cujo aroma recendia por toda a praça.
E assim, muitos domingos felizes se sucederam. Quase sempre os encontros se davam naquela mesma pracinha, num intervalo de quinze dias entre um e outro. Para driblarem a saudade, muitas cartas de amor eram trocadas. Porém, a saudade era tão grande que não era incomum o remetente chegar ao destinatário antes da carta apaixonada.
Comum nos arroubos da juventude, certas atitudes ultrapassam os limites do bom senso. Isso na visão de quem nunca viveu uma grande paixão adolescente. Certo dia Cândido esculpiu num fio de arame uma letra do alfabeto. Lógico! Não seria outra senão a letra “L” de Lucy, nome de sua doce namorada. Nas chamas de um isqueiro a gás, aguardou a incandescência do artefato antes de cravá-lo na pele de seu punho esquerdo. Não gritou, nem chorou. Homem não chora, pensou consigo, embora não evitasse uma lágrima sorrateira deslizando sobre a face. Errou feio quem apostou que Lucy não seria capaz de tamanha loucura. Na primeira oportunidade, apesar das lágrimas de dor, cravou em seu punho direito um artefato incandescente com a letra “C” esculpida em arame de aço. Naqueles áureos tempos o romantismo ainda era moda e os amantes amavam. Diferente dos costumes de hoje onde “os ficantes” ficam.
Alguns meses se passaram. Eis que chegaram as tão sonhadas férias de julho. Cândido foi para a fazenda dos pais e alguns hábitos tiveram que ser mudados. Os encontros que se davam com a luz do dia passaram a acontecer no período noturno. Um cavalo branco que atendia pelo nome de Corisco era o meio de transporte utilizado para as visitas de sábado à noite ao vilarejo de “Morada do Sol”. Nessa ocasião, Cândido já tinha a autorização para cortejar Lucy, desde que fosse um “namoro respeitoso”, dizia o orgulhoso pai da menina.
Naquelas noites enluaradas, o pé de Dama da Noite, que próximo ao portão exalava seu perfume, por muitas vezes foi testemunho de beijos apaixonados e suspiros de amor ao som de lindas melodias tocadas numa vitrola no interior da sala de estar da casa dos pais de Lucy. A romântica “Do You Wanna Dance”, na voz de Johnny Rivers, ainda era a música mais tocada naquela época. A paraguaia Perla despontava nas rádios com “Estrada do Sol”; em Italiano, Alle Porte Del Sole, uma versão do grande sucesso de Gigliola Cinquetti de 1974.
Tempos depois, já com a volta às aulas, uma tarde de domingo do mês de agosto ficaria marcada por conta de uma das lembranças mais felizes de suas vidas. Os ipês amarelos, carregados de flor, ditavam a transição para o início da primavera. No banco da praça do inesquecível vilarejo de “Morada do Sol”, Cândido e Lucy se beijaram pela última vez. Apesar dos momentos, até então, só de alegrias, aquela foi uma tarde triste. Quando a velha jardineira buzinou no costumeiro ponto, uma sensação ruim mexeu com os sentimentos de ambos. Lucy parecia adivinhar o que estava por vir. No momento em que a jardineira partiu, Cândido, com o coração apertado no peito, olhou pela janela. Lucy, que tinha nas mãos uma flor de ipê, acenou-lhe pela última vez daquele pedacinho de chão encantado...

Inserida por LaerciojCarvalho

⁠Othala. Herança. A runa mais difícil de entender.
[tradução de António Carlos Carvalho]

Inserida por Lenisil

⁠AO POETA FRANCISCO CARVALHO

Meu poeta Francisco Carvalho
Em memória da poesia
Celebro o dia
Com o poema das mãos vazias
Poema dialético
Poema sem metafísica.

Que assim seja o poema:
O enigma da vida
Algo a decifrar
Palavras que transcendem.

Qual a metáfora do tempo?
O ritmo da canção do vento
A rima da eternidade...

O mundo é a barca dos sentidos
Conduzida pelo anjo cego
Na cegueira do tempo
Guarda no bolso
Os segredos do Universo.

Na viagem do tempo
Centauros urbanos mudam de cor
Como as palavras que mudam de cor
Qual é então, a cor do amor?

Meu velho poeta
Quem pintou os mortos de azuis?
Dizem que foi o Senhor do Dia
O Dom Quixote atrapalhado
O homem da máquina de escrever
Aquele que tem o poder da palavra
Aquele que esqueceu os sapatos
Na escada do paraíso
O poeta da eternidade.

Inserida por NonatoNogueira


“Quisera ser simples como uma pomba e forte como a raiz do carvalho.”

Inserida por VeluBA

⁠Nada floresce sob a sombra de um carvalho...

Inserida por cassal

A Velha e Sábia Coruja

Uma coruja velha e sábia em um carvalho vivia
Quanto menos falava, mais ela ouvia
Quanto menos falava, mais ela via
Se fossem todos como a ave sábia, que bom seria⁠

Inserida por milenarossipo

⁠“A casa que ora torna se um frondoso carvalho.”
Giovane Silva Santos

Inserida por giovanesilvasantos1

Acalantar uma alma é beber do mais precioso vinho envelhecido em barril de carvalho.

Inserida por ReinaldoVasconcelos