Necessitados Pobre
Dizem que alegria de pobre dura pouco... a minha alegria ainda não está completa, mas vai durar a eternidade da minha amada. A verdadeira alegria de um coração que ama é a eternidade de quem o faz amar.
(...) Aquela pobre criança de coração, que um dia viu seu pai morrer em suas mãos. Chegou até a se arrepender por não poder fazer nada, mas tinha certeza de que por ele não era amada. E para ela a morte dele já não importava. Para ela não existe um Deus, nada acima além do céu. Ela não sabia o que era derramar uma lágrima, e em sua morte ninguém chorava. Apenas o alívio de todos, fez com que no inferno ela tornasse a rainha amaldiçoada(...)
A guerra eterna do homem pobre
"isso se refletia no modo como muitas crianças brincavam sozinha.
Pelo jeito com que, até nos jogos coletivos brincavam em silêncio com rostos sérios. Vi o rosto de crianças que refletiam tanto dor e sofrimento que aquele olhos e faces contavam muito mais do que todas as historia dos horrores da fome"
Leningrado, cidade dos 900 dias.
A chuva e o absurdo
E eu que sou tão pobre, fraco e envergonhado
Sou aquele que tem medo do espelho
Mas nunca admite
E eu que sou tão baixo e retrógrado
Tão louco, difuso e passional
Se fosses minha, saberia...
Eu sou o absurdo mais inconcebível da humanidade
Sou cinzas e tristezas
Sou frustrações e decepções
Sou noites em claro
Sou a ferida que não cura
Sou aquele que ama calado
Sou a décima xícara de café
E eu que sou tão parvo
Que choro escondido e peço segredo
Que sofro as decepções da humanidade
Ainda que tente firme esquivar-me
E eu que sou tão medonho
Em meio a este sonho insólito e enfadonho
Que durmo de luzes acesas
Não quero ser a sombra de ninguém
Mas como viverei daqui adiante?
A sobrevivência guarda para mim o fracasso?
Não quero saber o que me reservam os dias
Por meio tempo sou a vida que nunca quis
Sou o ano mais longo
A aventura menos fantástica
O livro mais chato
A solidão e o infortúnio de um canto de parede
Sujo e mal iluminado
E eu que me encontro neste dia de chuva
Cubro meu corpo nu
Enquanto escuto calmo a chuva cair
Bernardo Almeida
Falibilidade
Senta só este pobre
Ainda sonha, ilude-se
Vive desta crença e melhora
Um coitado aos olhos elitistas
Um forte, um bravo
Vigoroso em seus ideais
O soco contra a covardia
O arroto diante da boa educação
A revolta, a espontaneidade, a graça
Um papel, só um bilhete
Anunciando o próximo encontro
Já não será tão breve
Está de pé, ainda
Inabalado e coerente
O tal quebra-correntes
Corre a todo o tempo
Do tempo que lhe foi imposto
E não desiste
Queimando panos e papéis
Jamais se curva, jamais entoa hinos
E à autoridade oferece seu repúdio
Andarilho livre
Que se nega a aceitar presentes, suborno
E bebe da fonte, não do copo
Vejam, estão limpos
Mas fazem questão em rolar na lama
Gostam de emporcalhar-se
Espíritos asfaltados
Nu e cru, vasto e fértil
Um dia falecerão todos de fome
A ganância de uns
A ambição de outros
E a morte da maioria
Em resposta, a disposição em dizer não
Bater sem as mãos
E ainda assim agredir
Ferir, desagradar e continuar a sorrir
Violar, destruir, destronar
Para distribuir felicidade entre os injustiçados
Bernardo Almeida
POEMA NOTURNO
Em uma canção a te cantar, em letras douradas declara: meu doce e pobre coração te entrego em um lindo jardim de flores todo meu amor eterno, senhor.
Se os bens que você possui não servem para tornar-te uma pessoa melhor, você é mais pobre do que imagina.
CAMPO SANTO
Não tem preto, nem branco
Nem rico, pobre ou miserável
Não tem vaidade, beleza, situação estável
É lá onde todos se igualam
Não tem benefícios nem profissão
Nem precisa do jeitinho brasileiro
Vizinhos silenciosos, povo hospitaleiro
É lá onde todos se igualam
Pra ir para lá ninguém quer cortar fila
Nem tampouco contar vantagens
Alguns vão sem comprar passagem
É lá onde todos se igualam
Não se discute políticas, futebol
Não se falam e nem brigam por religião
Não há o mau ou bem de qualquer coração
É lá onde todos se igualam
Tem gente de todas as espécies
Descansam em paz, só deixaram saudade
Façamos o bem enquanto desse lado
Lá é a certeza de toda humanidade
É lá onde todos se igualam
Aos olhos de todo pobre homem, o mundo é excasso de riqueza, pois o pobre homem só enxerga o que deseja.
Pobre dos meus sentidos, se desfazem lentamente. O corpo a esta hora treme.
Ah! Até parece que não existo, se eu pudesse escrever sentimentos menina, juro! Suas mãos este papel lavaria.
Uma certeza? Tudo isso permanecerá dentro de mim. Não sei por que, nem preciso saber.
Há apenas um vazio causado pela falta do seu abraço.
O amor é uma confusão que agita o pobre coração humano. Amar à Deus é bem menos dolorido do que se afogar no mar de sangue do amor iludido.
