Bernardo Almeida

Encontrados 8 pensamentos de Bernardo Almeida

Carne, osso e memórias

Diluiu em pecados
O que um dia foi santo
Sacrificado o eterno em prol do agora
Mundano e estreito
Externo e profano
Corpo exposto
Alma fraca
Lágrimas e silêncios
Novos prantos
Gritos de sinceridade
Uma história mal contada
Difícil de decifrar
Um passado de fugas
Um presente omisso
Você não se reconhece
Nem que apodreça em frente ao espelho
Admire suas falhas
Bem de perto, profundamente
Você ainda consegue se questionar sem se sentir vazio?
Anos luz separam você de você mesmo
E não há nada além disso
Carne, osso e memórias

Bernardo Almeida (www.bernardoalmeida.jor.br)

Bernardo Almeida
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Perda

As lâminas da paixão
Fatiaram o meu coração
Que sangra e pára
Não bate, não vibra, não late

Assumirei os suspiros
Os erros e os acertos
Assumirei meus rumos
Os corretos e os falsos

As mudanças em minha mão
Ela leu, mentiu e descumpriu a missão
As promessas desse verão
Foram todas abandonadas no porão

Vítima sem súplicas e sem deslizes
Primários sentimentos e algumas cicatrizes
Uma vez ferido, sempre em fuga
Uma vez pecador, sempre culpa

Mais temido do que desejado
Mais esquecido do que lembrado
Naquele dia em que te conheci
Olhei para os lados e nunca mais te vi

Bernardo Almeida

Bernardo Almeida
Inserida por robertleroy

Escrever é cometer um crime a cada linha. Ler é cometer dois a cada palavra.

Bernardo Almeida

Bernardo Almeida
Inserida por robertleroy

Cuspe

Cuspo sim
Sete vezes no prato em que comi
Importa-me apenas o alimento

Da próxima vez, comerei de mão
E não dar-te-ei o prazer de humilhar-me
A sua caridade foi desmascarada

Subitamente, um olhar malicioso se forma
Sobrancelhas capciosas
Usastes da minha fraqueza para se fortalecer

Mas em seu nutriente egoísta
Encontrarás o veneno que te espera
E sentirás a dor, mesmo que inconsciente

Como uma peste sem cura
Esta é a minha praga
Por sete gerações

E não verás a luz
Mesmo que enxergue
E sentirás a cruz

Não terás alegrias
Mesmo que insistas em sorrir
E não encontrarás a felicidade

Não terás conhecimento
Mesmo que tenhas informação
Serás um eterno ignorante

Não se sentirás acompanhado
Mesmo que cercado de centenas de pessoas
Serás a solidão e o esquecimento

Desejo-te agora boa sorte
E cuspo mais sete vezes no prato em que comi
Para que mantenha o mesmo nojo
E não volte a repetir este maldito erro

Bernardo Almeida (www.bernardoalmeida.jor.br)

Bernardo Almeida
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Devassa

Devassa e carinhosa
Será esse o motivo pelo qual amo-te tanto?
Se para uns causas espanto, para mim, este é o seu encanto

Meus valores definharam
Mas em que eram baseados?
Para te ter, esqueço o que é certo e faço tudo errado

Sua boca sabe por onde descer
Sua língua bem sabe o que fazer
Corpo em chamas, tem doutorado em prazer

Seu ser exala a paixão pelo que é
E, sendo, mantém a fórmula em segredo
Para não vulgarizar-se

A luz que sai de ti
É sábia e profana, rica e artística
Preenche o meu vazio

Do amor és o verdadeiro caminho
E quem carrega coragem para trilhá-lo
Mesmo sob olhares de reprovação
Não se arrepende, nem conhece tristezas

Bernardo Almeida (www.bernardoalmeida.jor.br)

Bernardo Almeida
Inserida por robertleroy

Perdedor

Eu perdi
E perco quase sempre
Por opção

Mas o fracasso traz um gosto
Ao qual me familiarizo facilmente
A perda é ridícula perto da lição

Do erro faço novas escolhas
E das escolhas, encontro novas opções
Toda correção exige tempo

Não tenho pressa
A persistência é o aprendizado
O aperfeiçoamento é constante

Sem desanimar
Vejo o quanto tudo é fútil
Sutilmente apressado e finito, solitário

Bernardo Almeida

Bernardo Almeida
Inserida por robertleroy

Falibilidade

Senta só este pobre
Ainda sonha, ilude-se
Vive desta crença e melhora

Um coitado aos olhos elitistas
Um forte, um bravo
Vigoroso em seus ideais

O soco contra a covardia
O arroto diante da boa educação
A revolta, a espontaneidade, a graça

Um papel, só um bilhete
Anunciando o próximo encontro
Já não será tão breve

Está de pé, ainda
Inabalado e coerente
O tal quebra-correntes

Corre a todo o tempo
Do tempo que lhe foi imposto
E não desiste

Queimando panos e papéis
Jamais se curva, jamais entoa hinos
E à autoridade oferece seu repúdio

Andarilho livre
Que se nega a aceitar presentes, suborno
E bebe da fonte, não do copo

Vejam, estão limpos
Mas fazem questão em rolar na lama
Gostam de emporcalhar-se

Espíritos asfaltados
Nu e cru, vasto e fértil
Um dia falecerão todos de fome

A ganância de uns
A ambição de outros
E a morte da maioria

Em resposta, a disposição em dizer não
Bater sem as mãos
E ainda assim agredir

Ferir, desagradar e continuar a sorrir
Violar, destruir, destronar
Para distribuir felicidade entre os injustiçados

Bernardo Almeida

Bernardo Almeida
Inserida por robertleroy
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Imundo

Mundo vil
Cheio de seres não menos desprezíveis
Sob o comando do Imperador Egoísmo
Estão todos os condenados à existência

Mundo degradante
Extremamente frustrante é ver
As desigualdades tão frequentes
Na mão de quem pede e no bolso de quem paga

Mundo fétido
Corrompido pela ambição e pela disputa
Onde cresce a violência e o ódio
E a vida bela e pura pede para perder a inocência

Mundo catastrófico
Em que a vingança anda solta pelas ruas
E tudo é permitido desde que seja comercializável
Financeiramente multiplicável, rentável

Mundo decadente
Espera teu futuro um tanto óbvio
Da abundância à precariedade
Da vida à extinção da humanidade

Bernardo Almeida

Bernardo Almeida
Inserida por robertleroy