Neblina
ABSTRAÇÃO
Esse esvanecer de ter-se consumido
Em todas as noites ter se diluído
Essa neblina, brisa, maresia...
Ledo engano, falsa alegria,
Dissipar-se assim gás e vapor
Por que não existir somente basta
Vagas enormes a afogar meu::” eu o que sou?”
Eu me pergunto, esfumaçando no vazio,
Nesse oceano a afogar o ser,
Como sumir nessa mentira imensa e vasta
Como compor-se na abstração do amor...?
Agora será entre nós dois!
Uma neblina, um olhar;
Um forró romântico e a pureza do lugar;
A minha e a sua razão de ser, está e querer permanecer ali;
Mais uma neblina e os nossos olhares se encontraram novamente, foi inevitável a emoção que sentimos quando nossas bocas se juntaram;
O som do forrozinho lento dava o tom e o clima daquele doce e inesquecível momento;
Não queríamos que aquela noite acabasse, estava tão gostoso dançar colados olhando firmes um nos olhos do outro!
Mais uma neblina forte passou entre nós, as suas mãos já não estavam mais com as minhas;
A tristeza tomou conta do meu ser, até o instante que coloquei as mãos nos bolsos e em um deles havia um bilhete com a marca de um beijo e os dizeres:
- Deixei tudo pra depois, o meu mundo parou enquanto permaneci do teu lado, posso te dizer que me senti feliz e quero viver essa emoção por toda minha vida, amanhã te encontro novamente nesse endereço...
Minha neblina
O prazer escondido dentro do coração se assemelha a uma neblina proveniente de uma serração no alto de uma montanha. Quando a força da luz do Sol predomina, a vista da mesma montanha e do seu entorno são expostas, e a imagem é surpreendente, paralisante.
A busca pelo equilíbrio é um movimento incrível, porém apenas os bem dispostos a agir espontaneamente e com originalidade são capazes de aproveitar as oportunidades certas sem hesitar.
Estou no meio da minha neblina, bem de longe e com a vista ainda embaçada consigo ver a minha montanha, o meu Sol esta ficando forte, logo tudo vai ficar melhor.
Nunca essa luz
por ver-me assim tão verme
por desfazer-me
assim neblina,
por conduzir-me sem rima,
mudo acalanto
nina esta ausência
este fazer ruir
nesta desgravidez
neste desencanto,
ausência...
REVELAÇÃO
Não demora ...
A noite chora uma neblina,
A brisa fria espalha uma melancolia,
Ecoa a ladainha ...
Os sinos já dobraram uma chamada;
A igreja relampeja a fé,
O amor abraça e beija,
E a esperança pra essa dor é a esperança...
Não demora,
Gótica, a catedral ordena...
Badalam os sinos,
Os meninos abalam,
Nossos destinos baladam,
A gente dança e a dança demora,
Não demora o tempo urge,
Acorda a urbe,
O tempo voa,
A solidão povoa
Demônios, fantasmas e monstros,
A certeza dessa incerteza apocalíptica não demora...
MILÊNIOS
Neblina... é uma neblina muito fina apesar de uma certa constância, como para aliviar os que jazem sob este solo árido, como para acalentar os fantasmas que se encresparam nessas caatingas; ah, os valentes jamais desistiram desse solo, eles ainda apascentam suas criações e alimentam suas lembranças; aprenderam com seus antepassados que estas terras são ricas e que as águas do Jaguaribe... as águas do Jaguaribe também são inconstantes. Aqueles heróis que ouviram o crepitar dessa vegetação no calor do meio dia se deslumbraram com os corpos celestes no silencio da noite e viajaram fugazes na opala ilusão lunar ambiciosos pelos brilhantes de uma pétala estelar. Sonhar não custa nada, mas pela manhã Serafim perceberia o gado em busca de toda espécie de cactus para sobreviverem mais alguns dias na estação de estio. A casa acanhada comportava alguns pés de goiaba, mangueiras, castanholeiras,cajueiros e um pequeno milharal já devastado por cabras e carneiros. Ali tinha vivido a sua infância disciplinada pela figura rígida do pai, Januário e compartilhada por dois irmãos mais velhos: jonas e Hernesto, que partiram na sua maior idade para o sudeste. Neblinava... a tênue luz fugidia d'alguma estrela parecia salpicar diamantes naquele solo árido premiando os que se embrenharam na caatinga; agora com frequência as noites eram assim, aquietando os fantasmas que padeceram na luta contra o estio, afugentando as carcaças que não resistiram a sede e a fome; era só uma promessa mas os telhados e as árvores chichiavam com os pingos e a brisa, e os bichos nos currais ruminavam ruidosamente numa espécie de comemoração. Era um grande momento, mas sua fascinação era o pai, Januário vestido de vaqueiro nas brenhas da caatinga em busca de algum animal desgarrado; ninguém saia daquilo sem um ou outro arranhão, mas o pai sempre voltava com o animal perdido. Aquela vida dura também tinha seus encantos, como pela manhã despertar com o canto de uma sabiá, um corrupião, um galo de campina; tinha a vila da Matilde, de belas moças acima de qualquer suspeita, e tinha as moças que envelheciam a espera de príncipes que não chegaram; mas o que seria a solidão se o universo se expunha explicitamente todas as noites e quem não teria uma história ou uma fantasia que não preenchesse qualquer vazio; aquele quê inconfessável,que parecia o pior dos pecados. quem saberia tudo sobre as caatingas, milênios jaziam sob aquele solo arenoso e os espíritos de nossos ancestrais gritavam seus segredos; nalguma pedra uma gravura delatava suas descobertas, suas caças, suas aventuras. Chovia... os deuses sopravam misericórdia e esperança sobre olhares acostumados com horizontes devastados. pela manhã perceberíamos mandacarus orvalhados, a terra ligeiramente úmida e sob a relva queimada e inerte uma semente qualquer germinava mostrando o milagre da vida e sua persistência. Histórias mais trágicas ficaram muito para trás, ali surgiram nossos maiores heróis, nossos anjos e santos, a fé se fortaleceu, pois a fé se alimenta da fome, da sede e de todas as dificuldades que debilitam o corpo. Templos foram erguidos; esta nação tem agora a referência de um povo incansável e combativo e de uma fé inabalável. Então quem viaja por estes sertões, perceberá ao longe, na janela de uma casinha de taipa, alguém que o tempo descoloriu suas cãs e curvou sua espinha; um sentinela que vigia. Vigia o tempo, o vento a eternidade... todas essas coisas inconstantes que um dia possam fazer sentido, assim como procurar pela janela um sentido para a solidão.
Dia de neblina
Novidade com rotina
Lembranças tão vagas
Sentires tão confusos
Pensamento vagando
Sei que as vezes sem querer
Olho para trás
Para ver se o passado continua em seu lugar
E ter a certeza de que não está me seguindo novamente
Cansei do caminho que me suga
Cansei porque não me leva a lugar algum
São apenas circulos
E eu me encontro sempre no mesmo ponto
São sempre as mesmas interrogações
Algo não está no seu lugar
As minhas vontades estão aqui
Gritando dentro de mim
A minha natureza não aceita esse estado tão inerte
Essa coisa que não mexe com meus sentidos
Sei que falo de tanta coisa ao mesmo tempo
Sei que sou assim tão misturada
Sei dos meus quereres se fundindo, se partindo, se querendo ainda e nunca mais
As vezes sei que nem caibo em mim, me estrapolo, me derramo
Mas o que fazer com esse meu ser, é assim que sou.
Manhã de verão
A neblina era incomum e densa
O ar quase fumarento e incerto
Sua textura era absolutamente perfeita
Para uma manhã que estava apenas começando.
O sol surgiu detrás da neblina
O vento suave enroscava meus cabelos
Que voava suavemente.
Com a mente livre
Acompanhei os contornos do horizonte
E com a ponta dos dedos perlonguei
Até sentir o céu perto de mim.
Abruptamente percebi que estava só
Apenas eu e o mar
Afaguei minha pele
Senti o arrepio
Quando percebi o murmúrio suave das ondas...
Abraça a tranquilidade do amor,
Que te faça sentir bem vivo,
Removendo toda a neblina,
Navega em águas mansas,
Entregando-se de vez ao desejo,
Que cresce dia após dia;
Não desiste, e no peito cadencia
No ritmo das ondas do mar...,
Esse amor existe, e ele não vai passar.
Ninguém me contou,
Você virá ao meu encontro,
Eu te sinto, e nos pressinto,
Brindando como reis a tua vitória;
Não duvide, faremos história.
Você não precisa me contar
Confias em mim
Ao ponto da tua vida me dar
De tanto me adorar
Em raios de luar e me ver
Sempre e em todo o lugar.
Esconde o teu olhar cor de mel
Tímido no meio da neblina,
Sabe, meu amor, a vida ensina.
Esconde o teu olhar cor de mel
Lindo no auto da compadecida,
Sabe, Ariano sempre é poesia...
Esconde, mas não me falte
Este olhar infinito;
Carregue-me para o jardim protegido.
Onde eu possa olhar para nós
No espelho do riacho,
Bem mais do que íntimos...
Despertar em Rodeio
Despertar com a mansidão
tranquilidade da neblina
e a garoa caindo sobre a folha
da roseira e se espalhando
pela nossa cidade de Rodeio,
Não permitir que nenhuma
guerra do mundo permaneça
por mundo tempo no peito,
Escrever poemas no ar
para quem sabe o entusiasmo
de alguém que pense capturar
o mesmo sentimento cultivar.
Rodeio no Inverno
A neblina acaricia
com máxima poesia
o Médio Vale do Itajaí,
Rodeio no Inverno
ao som das músicas
das minhas origens,
com café fresco e pão quente
oferece tranquilidade
que acaricia o coração da gente.
A neblina brinda a Gurucaia
e a minha poesia brinca
ligeirinho o tempo todo
com você que de longe percebi
que não parou de pensar em mim:
Você quer estar comigo aqui,
eu quero sobretudo estar em ti
e fixarmos morada sem nós
onde só o amor será a única foz.
Poesia da neblina para Rodeio
A poesia da neblina para Rodeio
aqui no Médio Vale do Itajaí
brinda o amanhecer com aconchego,
enquanto você não vem fazer
o mesmo por mim nos teus braços
e eu por você com os meus mimos.
E se
E se ela não gostar? E se ele não querer? E se não der certo? E se o dinheiro não for suficiente? E se eu não for aprovado? E se... A vida esta cheia dos "e se", não permita que o "e se", te impeça de ser feliz, te impeça de viver, te impeça de tentar, pois muitas vezes passamos vontade de dizer ou fazer algo, com medo dos "e se" da vida. Portanto, cuidado com esse negócio de depois eu digo, depois eu faço, depois eu tento, o depois pode não existir "e se" você pensar direitinho de fato ele não existe. Somos instantes, como a neblina que aparece por algum tempo e logo se dissipa, então viva cada instante, de forma consciente, afastando para longe de se, o "e se" cada dia, todos os dias até o último dia.
Vôo atrasado...
É o desacelerar obrigatório da vida!
É o livramento, e a lição repetida de que não controlamos nada!
São muitas razões pelas quais alguns perdem a linha:
Um atraso, um imprevisto, um "fique calmo", um " não adianta reclamar"...
O jeito é tomar um suco ( de maracujá) e esperar,
Imaginar o céu azul sobre a neblina, rezar...
E agradecer!
A cada minuto que passa em meus confinamentos , eu menos me arrependo de te-lo trancado com duas voltas e jogado a chave pela janela abaixo. Lá fora está tão frio. E essa neblina ...?
A escuridão da noite não me impede
de atracar noutras margens.
Minhas mãos estão postas
nos remos com firmeza.
Navego,
as águas mostram-me seus sinais!
E a noite vai se abrindo em meus olhos
lavados pela chuva. Há desejos mil
de romper a neblina com a firmeza
de passos sem retorno.
ELA VOLTOU... A GAROA VOLTOU NOVAMENTE...
Hoje o sol surgiu na Capital paulista, meio tímido, mas ao menos apareceu, porém, não ficou muito tempo e se escafedeu, encoberto pelas nuvens ameaçadoras. A senhora que aguardava o ônibus desdenhou: " - Quem tem medo de nuvens? Eu temo trombadinhas motorizados." Ergueu o queixo, cruzou os braços e me deu as costas. Respirei fundo, resisti alguns segundos, contando até 10. E respondi: "Quem não tem guarda-chuva tem medo de chuva. Quem tem celular tem medo de trombadinha. Assim caminha a humanidade, nesta cidade. Sem dó nem piedade, pro marginal tua vida vale a metade." Ela se voltou, soltando chispas pelo olhar. Felizmente o ônibus chegou e ela se foi. E eu fiquei a relembrar os anos 50, 60, quando no outono e inverno a névoa úmida dominava as madrugadas. O sol só aparecia depois das 9 horas. E pontualmente às 15 horas a garoa se apresentava, por vezes seguida de densa neblina. Bons tempos. Mas este ano São Pedro nos pregou uma peça: o verão veio fantasiado de outono-inverno. Será a nova moda?
(Juares de Marcos Jardim - Santo André / São Paulo - SP)
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
- Relacionados
- frases sobre neblina
