Nao Vou Mentir
"Triste é saber que tem gente que consegue mentir olhando nos olhos. A essência é algo que nem todos possuem"
Quando a gente é pequeno, dizem pra nunca mentir, é feio e pode prejudicar. Dai quando crescemos, o que mais vemos são pessoas mentindo, vemos falsidade ao nosso redor. Quando a gente é pequeno, dizem pra nunca julgar ninguém, é feio e pode prejudicar, também. Dai quando a gente cresce, o que mais vemos são pessoas julgando, só porque não fazemos parte daquele padrão discriminatório que a sociedade dita. Quando a gente é pequeno, dizem pra nunca fazermos o mal a ninguém, é feio, é errado e, concerteza, vai prejudicar alguém. Dai quando a gente cresce, vemos o mal sendo disseminado bem ao nosso lado.
Mentir para proteger alguém, é financiar sua dor, sem o seu consentimento, com a primeira parcela para cem dias.
Você pode fazer o que quiser, mentir, pra mim, pros outros, mas pra você nunca vai conseguir mentir pra si mesmo.
Sorrisos para que serve?
Para mentir sobre uma felicidade montada
Sentimentos para que serve?
Para sentir a ilusão de um coração feliz
Coração para que serve?
Para alojar a solidão
e fazer da tristeza a sua amiga
e esperar um fim onde a dor é o primeiro e último fundamento.
Falar, mentir, criar falas e comportamentos de alguém, fazer intrigas, inventar estórias, são direitos que todas as pessoas têm. Algumas demonstram uma imensa necessidade em usarem convenientemente estes direitos...
Ridícula, sou eu. Que falo por aí que odeio mentiras mas sou obrigada a mentir para mim mesma todos os dias.
Mentir para o meu próprio coração, mas agora é tarde de mais....
Mas tudo vale a pena, se alma não é peguena....
O amor é a melhor musica na partitura da vida,
sem ela você será um eterno desafinado no
imenso coral da humanidade....
Nem sempre as almas se encontram,
mas é para sempre que elas se amam.....
Um por dia vai morrer
Dois por dia vão chorar
Três por dia vão mentir
Quatro por dia vão suspirar...
Cinco por dia vão questionar
Seis por dia vão fritar.
Sete por dia...
O que será....
Se Todos Nós Parassemos De Mentir Uns Pros Outros E Começarmos a Ama-los, Viveriamos Em Um Mundo Melhor!
Juraria por Deus se fosse o caso,
mas, se eu, por mim mesmo jurar,
pra mim mesmo posso mentir.
Triste verdade! Ainda vivem as mortas do passado,
os escravos que me dominam, a liberdade que me aprisiona
e o meu desejo que subitamente é contra mim mesmo.
A Mentira é a Base da Civilização Moderna
É na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se, como tão claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc... A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens são súbditos desta omnipotente Majestade. Derrubá-la do trono; arrancar-lhe das mãos o ceptro ensaguentado, é a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direcção dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc. ...
E os operários que têm trabalhado na obra da Justiça e do Bem, foram os párias da Índia, os escravos de Roma, os miseráveis do bairro de Santo António, os Gavroches, e os moujiks da Rússia nos tempos de hoje. Porque é que só a gente sincera, inculta e bárbara sabe realizar a obra que o génio anuncia? Que intimidade existirá entre Jesus e os rudes pescadores da Galileia? Entre S. Paulo e os escravos de Roma? Entre Danton e os famintos do bairro de Santo António? Entre os párias e Buda? Entre Tolstoi e os selvagens moujiks? A enxada será irmã da pena? A fome de pão paracer-se-à com a fome de luz?...
Teixeira de Pascoaes, in "A Saudade e o Saudosismo"
