Nao Mereco tanto Amor
Estranha sensação para alguém que gosta tanto de dizer em palavras sobre o que vive descobrir-se sem som!
Compreendo que certas coisas não se diz, não se resume, certas coisas são mudas dentro da gente.
Nos rouba a voz, emudece o coração, certas situações nos colocam em um estado de reflexão e emoção profunda e silenciosa.
Percebo que certas coisas nunca conseguiremos compreender porque viver também é não saber, é descobrir-se pequeno e cheio de limitações....e algumas vezes elas não estão em nós porque somos piores ou porque erramos em algo, simplesmente porque somos como todos os outros: somos humanos!
Essa solidão que tanto buscamos quando queremos nos encontrar e tanto fugimos quando queremos que alguém nos encontre.
Nós complicamos demais a vida e por este motivo sofremos tanto. Deus é simples, prefere os caminhos inusitados. Olhe ao seu redor, veja o que é pequeno, humano e torto, ELE costuma se esconder nestes lugares!
Padre Fábio de Melo
Para QUALQUER DIREÇÃO que olhamos, vemos uma AÇÃO INTELIGENTE regendo o equilíbrio em cada pequeníssima PARTÍCULA deste imenso UNIVERSO, devido nossa CEGUEIRA das coisas do espírito e FIXAÇÃO em tudo que é material, ao que é espetaculoso, muitas BELEZAS SIMPLES nos passam despercebidas.
A MANIFESTAÇÃO DIVINA está em todos os lugares, mesmo onde jamais imaginássemos existir, lá está a EXPRESSÃO DO CRIADOR, passamos boa parte de nossa existência cegos para as BELEZAS DA VIDA...
Mas elas sempre ESTIVERAM e ESTARÃO lá!
Vou pra você sentindo muito,
Eu sinto tanto,
Paixão imensa que até penso que hoje,
Ah, hoje eu acordei te amando!
Queria tanto que os laços sanguíneos significasse amizade,ao invés de educação e uma atenção tao falsa que beira o ridículo.
AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA
Santa Maria
Mãe de Deus
Me disseram um dia
Que de tanto eu pedir
Me atenderias
Me ensinaram a rezar
O terço Mariano
Na hora do Ângelus
Insistindo no pedido
Que eu tanto queria
Pedi, pedi e pedi
Numa ladainha incessante
Que a Santa Maria não ouviu
Por estar muito ocupada
Com outros pedidos bem rezados
Danou-se e me ferrei
O terço está guardado
Se bem que nunca o ganhei
E o fiz de feijões estragados
Sem força nas orações
Ainda hoje eu peço
Sem terço e sem fé
Me perco nas ladainhas
E esqueço da fala vindoura
Ou da conta a seguir
Ave Maria
Cheia de graça
Agora só o que peço
Me deixa dormir sossegada
(Nane-23/05/2015)
Escrever é refletir, tanto no pensar ao descerver a flor, quanto no fazer ao transmitir, brilhar o amor.
Eu queria tanto ter inaudito poder de transformar minhas palavras tão mais intensas do que tua dor, mas e é exatamente nessas horas... Que sinto-me assim, tão pequeno e diminuto.
Eu sou o branco que tu vê
O negro que tu tanto discrimina e maltrata
O índio que tu mata
Sou o mesmo que você.
Viver é uma experiência incomparável.
Vamos deixando um tanto de nós nos sorrisos que distribuímos vida a fora, um pouco de amor mesmo nos mais breves romances, um tanto de confiança em cada melhor amigo que as fases da vida acabam escolhendo. Um tantinho de agradecimento aos ingratos que tornam possíveis certas comparações e que criam certos medos bons até nas manobras mais seguras que vamos tendo que fazer.
Adquirimos uma porção de experiência em cada passo que temos que dar e isso possibilita entender que caminhado nos tornamos maduros, mas não velhos.
Ficamos, também, com um pouco do abatimento, é preciso dizer, em cada rosto triste que fitamos no dia a dia, mas isso é para vermos que sorrir pode ser mais benéfico.
Quanto a mim, deixo um pingo de essência em cada poema que escrevo e que talvez só eu sinta, contudo, isso me permite entender de quantas sílabas métricas se faz uma existência de versos livres.
Mesmo que eu tenha sepultado um mínimo que seja da minha própria alma junto a cada amigo que partiu, e nas minhas próprias partidas, continuo vivo e o melhor: vivendo.
Deixo (me permitam) um naco de amor a cada um que entra em minha trajetória, pois não se vive de acasos e no amor - em todas suas variantes - o que se diz é muito menor do que o que se sente.
No fundo, me atrevo a dizer que somos todos diversos e, ao mesmo tempo, parecidos em humanidade, pois dentro da sensibilidade de cada um vamos moldando-nos no íntimo e quem mais sensível for mais intensamente vive.
Não devemos nunca buscar a bandeira da felicidade em nenhum lugar fora de nós pelo simples motivo dela não existir. Seria uma grave ilusão de ótica, se quiser vê-la, senti-la e vive-la olhe para dentro, ela sempre esteve ali – Acredite: chegou a sua hora de visualiza-la e ser feliz.
Eu poderia ter sido mais calorosa, eu poderia ter sido mais efusiva, eu poderia mais...
De tanto ser tanto resolvi ser menos, afinal aprendi a duras penas que menos é sempre mais.
E assim vamos vivendo num mundo de disfarces, onde é obrigatório escamotear-se sentimentos e viver um cotidiano sempre Up e arriba.
Coitados de nós, vítimas dessa modernidade que nos obriga a sempre saber a respostas, a ter sempre muita autoestima e uma imensa confiança em nós mesmos.
Acho que posso garantir que perdemos muito como seres humanos que somos, ou que éramos.
Pobre coitado. De tanto desprezo por mim vai morrer sozinho no meio da grama verde dos seus vinténs.
Moça bonita
Ah, moça bonita!
Quando tu ainda
Florescias em minha sina
Lambuzava-me de tanto te olhar.
Ah, garota linda,
Que sorrisos sabes dar!
Eu não os pego
Pois não os sei aprisionar.
Mas às lembranças me entrego
Destes teus sorrisos ternos
Que aos poucos me tira o ar.
Ah, moça bonita!
Tua formosura me excita
Teu traquejo me irrita
E de cócoras faz-me ficar.
Jovem donzela
Rouba de mim grande parcela
Compreendes ser a bela
Não se inibi em tripudiar
Rapariga volátil e exibida
Que a mim apenas incita
Saboreando atormentar.
Pequena senhorita
Linda e febril
Ama saber
Que a ela sou servil.
Enide Santos 27/05/15
