Nao me Peca pra te Esquecer

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Descobri que eu não gosto das garoas e chuvas de verão . Elas me estressam, me irritam . Eu gosto é das tempestades e dos furacões . Eu gosto é de dramas, mensagens na madrugada e reconciliações . Eu gosto é dos beijos cheios de paixão e fúria , alma e desejo. Eu gosto da forma com que o amor colore o mundo. Eu gosto de borboletas no estômago e sua mão na minha. Gosto de como suas reticências exageradas cabem perfeitamente na minha poesia . E da maneira como você me faz rir... Acho que no final das contas eu gosto mesmo é de você .

E ele disse que precisava de mim, que sentia minha falta e eu disse também, eu, essa pessoa que não expressa sentimentos me atirei em uma rede de dúvidas e me expressei,com um medo absurdo da menor demonstração de sentimentos de minha parte fazer ele sair correndo a milhas e milhas de distância.Ele riu e disse para eu não iludi-lo em plena quarta-feira, mas não foi embora. Ele não foi embora, não resolveu parar de falar comigo por o assunto "sentimento" estar em pauta, não deu uma desculpa idiota para parar de falar comigo, não me deixou sozinha no meio da rua com o coração em pedaços em um frio cortante de inverno. Você deixou.

Não espero que você entenda , não espero que ninguém entenda essa necessidade gritante de liberdade , essa vontade de sentir o vento da madrugada batendo no rosto , o álcool pulsando pelas veias, as risadas invadindo a noite. E também não espero que entenda esse desejo de ser jovem , de ser louco, de ser único e de ser livre, sair correndo sem saber para onde ir , sem saber se vai voltar.

Meu querido,
Essa é a última carta que lhe escreverei. Eu sei que já falei isso antes, mas não era verdade. Não era verdade pois eu estava desesperadamente tentando dar um ponto final em você no meu coração, mas meu coração ainda não estava pronto para isso, porque na ocasião tocava 'Pérola negra"', do Luiz Melodia e eu sussurrava "'Baby te amo, nem sei se te amo"', com o coração e a alma confusos, pesados, machucados, e milhões de músicas me lembravam você. E agora nenhuma música me lembra você, e se toca alguma e eu ocasionalmente lembro, não é com raiva ou tristeza, nem com uma saudade insana, mas com alegria, pois foi bom enquanto durou. Porque foi, não vou ser hipócrita a ponto de dizer que não foi bom. Nosso amor foi como uma chuva de verão, algo doce e maravilhoso, mas que acabou rápido demais. E eu te odiei por terminar com tudo cedo demais, sem motivo e de forma imatura, como se brincar de amar fosse um passatempo para você. Há muito tempo sua irmã disse que o que você fez não foi por maldade, mas por confusão e imaturidade, e eu entendo. Agora eu entendo. Todos nós cometemos erros, o ser humano é falho e cheio de emoções, confusões, pensamentos, qualidades e defeitos, e acho que essa é a beleza de nossa espécie.
Desculpe pelo meu ódio, por eu ter me fechado em um casulo de frieza e indiferença perante o mundo e ter te culpado por isso. Desculpe por não ter vivido nosso amor intensamente, e sim medida por medida, economizando o amor para quando acabasse, porque eu sabia que acabaria logo, e acabou. Desculpe por ter te tratado mal quando veio atrás de mim após partir meu coração, é que eu estava envenenada pelo ódio. E eu te perdoo também...Te perdoo pela sua impulsividade sem limites, por me roubar e depois ir embora furtivamente, como um ladrão. Te perdoo pelas vezes que me enganou e me tratou mal, fez eu me sentir a mais insignificante e desprezível criatura, com seu julgamento sobre potente e suas palavras ácidas. Te perdoo por me enganar, e por todas as coisas que você fez de errado e eu nem lembro mais...
Como eu disse, as pessoas cometem erros e sempre vão cometer, por isso não devem fazer tempestade em copo de água como se fosse o fim do mundo. Mas no amor tudo é tempestade em copo de água, com sentimentos intensos e amores infinitos enquanto duram. E eu quero um amor infinito enquanto dure à lá Vinícius de Moraes, com a doçura de uma flor e a intensidade de uma chama. E eu sei que eu vou achar. Uma hora alguém vai aparecer e transformar todo o meu mundo.
E eu te desejo grandes realizações, beijos longos, viagens incríveis e amores que durem mais de uma estacão, pois me perdoem os poetas, mas bons são os amores perenes, assim como os rios. Eles não têm tanta emoção quanto os efêmeros, ou reviravoltas, loopings e agitações, mas eles duram. E talvez durar seja a solução, talvez durar seja a coisa mais linda do mundo em um amor. Eu vejo meus avós, por exemplo, com quase 50 anos de casados e ainda tão meigos e apaixonados. Então é isso, eu lhe desejo um amor que dure, e eu vou achar, vou achar alguém que seja...extraordinário. Obrigada pela aventura e adeus uma vez mais.

Eu admito que não sou fácil de lidar mas acho que o que é belo deve ser saboreado aos pouquinhos, como um capuccino ou um pedaço de bolo: pouco a pouco, mordida por mordida, saboreando a doçura de cada momento. Não é como um sorvete em um dia de calor quando você nem sente o gosto e o devora rapidamente antes que derreta. O amor não é um sorvete, ele é um bolo, é a habilidade de sentir cada momento e a possibilidade de parar e ouvir o canto dos pássaros. O amor deve ser sentido, apreciado, resguardado e valorizado e não tratado com banalidade. Já temos tantas banalidades no mundo, não é mesmo? Então por que não preservar pelo menos os sentimentos nesse mundo caótico em que vivemos?

É engraçado, não é? É sábado à noite e ele está se enchendo de bebidas, mulheres e orgias, e eu estou em casa estudando o Estatuto da OAB e o Código Civil, lutando para ser alguém na vida. Somos tão diferentes muito embora estivéssemos em sincronia uma vez; dois planetas que certa vez giraram em perfeita sincronia e agora giram em órbitas opostas. Eu me vejo daqui a dois anos, formada -graças a Deus- talvez advogando, talvez assessorando, talvez fazendo residência judicial, mas eu não consigo visualizar o futuro dele. Formado? Talvez...Bem sucedido? Dificilmente. Bêbado todo fim de semana? É possível. Talvez nem a Tanatologia possa explicar o estado de putrefação em que ele se encontra. Coliquativo, talvez?

O destino me guia para uma direção e cada dia que passa eu me modifico. Eu já não sou a mulher tensa de janeiro, a confusa de fevereiro, a pedra preciosa de março, a independente de abril, a evoluída de maio, nem mesmo a triste de junho, a esperançosa de julho ou a radiante de agosto. Eu sou a mulher de setembro e ela é um misto das anteriores e ainda mais, guardando mistérios dentro de si como uma flor que pouco a pouco desabrocha. Conforme os meses passam eu vejo a menina do fundamental me acenar de longe, a moça do ensino médio desejar boa sorte, a acadêmica da faculdade de direito me jogar um beijo, orgulhosa da pessoa que me tornei. Elas vão ficando para trás e eu vou seguindo em frente... até a próxima versão de mim

⁠Eu não sei como nem por qual motivo eu me vi cantarolando "Always" do Erasure e pensando nele e querendo, desejando estar com ele e beijá-lo até perder o fôlego. Fiquei aflita com isso, confusa, estranha...Porque meu corpo queima de dentro para fora quando penso nele e parece ser quase impossível conter esse incêndio dentro de mim. Então eu já nem quero fugir e quero é sair correndo para os braços dele e me sinto tão idiota por isso!

⁠Ele beijava minha boca, meu corpo e entardecia lá fora. O sol beijava o mar, eu não conseguia tirar minhas mãos dele e pensei em como não havia outro lugar no mundo onde eu quisesse estar. Naquele momento não havia concursos, processos urgentes, telefones tocando, dramas familiares ou ansiedade. Só havia nós. O mundo todas desaparecia enquanto eu o abraçava e eu pensava que não queria soltá-lo nunca mais.

Eu não consigo viver sempre na corda bamba da incerteza. Eu sou feita de certezas, de pontos de exclamação e de pontos finais quando necessário. Seu excesso de pontos de interrogação foi até fofo no início, mas, com o tempo, esgotou. Com o tempo, me esgotou. Não se pode viver em cima do muro pelo resto da vida, Humpty Dumpty, porque, quando chega a hora, é preciso saltar sem hesitar.

Eu o amo com um amor que me queima a alma, mas eu não posso te pegar no colo a vida toda

Minha mãe, uma mulher simples, uma riqueza imensa...


Os ensinamentos que o tempo não apagou


Minha mãe dizia:


"Guardem na memória e no coração esses almoços de família."


Naquela época, talvez não déssemos a essas palavras toda a importância que tinham. Quase todos os domingos nos reuníamos ao redor da mesa, principalmente quando recebíamos a visita dos meus irmãos mais velhos, que moravam em São Paulo. Era algo tão natural, tão comum, que parecia que aqueles encontros fariam parte da nossa vida para sempre.


Hoje, aqueles almoços já não acontecem como antes. Ficaram as lembranças, as histórias, os rostos e a saudade. E só agora compreendo a profundidade daquele conselho: ela sabia, talvez por experiência própria, que os momentos mais simples da vida podem se transformar nas nossas maiores riquezas.


Às minhas irmãs, ela costumava dizer:


"Guarde o que comer e não o que fazer."


Ou seja, não deixassem para amanhã aquilo que poderia ser feito hoje. A comida poderia ser guardada para o dia seguinte, mas as louças sujas não deveriam ficar acumuladas na pia até amanhã.


Era uma maneira bem-humorada e inteligente de ensinar organização, responsabilidade e zelo pelo lar.


Uma expressão simples, bem ao jeito dela. Mas vejo hoje que carregava também uma lição sobre generosidade, desapego e a importância de valorizar aquilo que recebemos, em vez de viver acumulando ou cobrando.


Também me lembro de uma noite da minha infância. Eu tinha muito medo de dormir no escuro. Minha mãe, percebendo meu medo, sentou-se ao meu lado e me ensinou uma oração que, segundo ela, havia aprendido com sua madrinha:


"Nesta cama eu me deito e nela eu me levanto. Peço à Virgem Maria que me cubra com o seu manto e, com ele, estarei coberto. Não terei medo nem pavor, das coisas deste mundo e das que de outros forem."


Aquela oração me trouxe segurança. Talvez ela não imaginasse que, muitos anos depois, eu ainda guardaria tão viva na memória aquela cena: minha mãe ao meu lado, ensinando-me uma oração para que eu pudesse fechar os olhos sem medo.


Hoje percebo que, enquanto me ensinava a rezar, ela também me ensinava a encontrar conforto na fé, a enfrentar meus medos e a sentir que nunca estava sozinho.


São essas pequenas coisas que fazem uma vida permanecer dentro de outra.

Não importa o quão superior possa parecer a mim, ainda és insignificante diante da verdade.

Uma escada e uma luz que formam estrelas para caminhar em meio a essa escuridão...não se limite apenas á escuridão; se agarre às estrelas, vale a pena brilhar!

A pequenez não é capaz de acompanhar a grandiosidade...mas a grandiosidade alcança a pequenez.

Sempre me colocaram no topo e eu quis descer de lá; quero viver a minha vida e não às expectativas dos outros.

Quando escolho fechar os olhos, a escuridão floresce espinhos em meu coração que não consigo ver, apenas sinto e a escuridão de não ver vai se transformando em alívio...um vazio inexplicável pois esse vazio parece doce e, no fim ainda é um vazio abissal.

A luz não depende só de brilhar, depende também de não se esconder.

O peso da responsabilidade não é melhor do que o peso da Frustração?

Há coisas que não precisam de compreensão, apenas de respeito...dando espaço à sua existência.