Nao me Peca pra te Esquecer
No céu e na terra só uma oração é legítima e aceitável a Deus - que lhe peça que se cumpra sua vontade.
Tem algo curioso na tal da Sexta-feira Santa. Eu fico observando como se fosse uma peça de teatro que todo mundo conhece o roteiro, mas ninguém lembra exatamente quem escreveu. Dizem que foi nesse dia que Cristo morreu. Dizem com tanta certeza que parece até que alguém estava lá com um relógio na mão, anotando data e horário, como quem marca consulta médica. Mas, no fundo, ninguém sabe ao certo. E mesmo assim, todo mundo respeita. Ou pelo menos finge respeitar, que às vezes dá no mesmo.
Aí chega o dia e, de repente, o mundo desacelera. A carne some dos pratos como se tivesse sido proibida por decreto celestial. O peixe vira protagonista, coitado, como se tivesse menos culpa no enredo da existência. Eu fico pensando no peixe, nadando tranquilamente dias antes, sem imaginar que seria promovido a refeição oficial da consciência aliviada. Porque não é sobre o peixe, nunca foi. É sobre a sensação de estar fazendo a coisa certa, nem que seja só por um dia.
E o medo… ah, o medo ganha um brilho especial. Tem gente que não varre a casa, não ouve música, não ri alto, não faz nada que pareça “errado”. Como se o céu estivesse mais atento, com uma prancheta na mão, anotando comportamentos. Mas aí eu penso com uma certa ironia silenciosa, dessas que a gente nem comenta em voz alta… nos outros dias, os mesmos que hoje se recolhem, vivem sem esse cuidado todo. Falam o que machuca, fazem o que sabem que não deveriam, ignoram o que pede atenção. Mas hoje… hoje não pode.
É um tipo de fé curiosa, meio seletiva, meio episódica. Como se a consciência tivesse um calendário próprio, funcionando só em datas comemorativas. E eu não digo isso com julgamento, digo com aquele olhar de quem percebe a contradição e, ao mesmo tempo, se reconhece nela. Porque, no fim, todo mundo tem um pouco disso. Esse desejo de ser melhor… mas só quando é conveniente, só quando o ambiente pede.
E mesmo assim, apesar de tudo, existe algo bonito ali. Existe um silêncio diferente no ar, uma pausa que não acontece em dias comuns. Uma tentativa, ainda que breve, de lembrar que existe algo maior, algo que pede reflexão, cuidado, presença. A Sexta-feira Santa não é sobre saber a data exata. É sobre o que a gente faz com a ideia dela. É sobre o símbolo.
O problema é que o símbolo dura pouco. No dia seguinte, tudo volta. A carne volta, o barulho volta, a pressa volta, as falhas voltam com força total, como se estivessem só esperando o sinal verde. E aquela consciência que parecia tão sensível… adormece de novo.
Talvez o ponto nunca tenha sido o peixe, o silêncio ou o medo. Talvez fosse sobre manter, pelo menos um pouco, aquilo que a gente só lembra de sentir nesse dia. Um pouco mais de cuidado, um pouco mais de respeito, um pouco mais de verdade nas atitudes, não só no calendário.
Porque fé de um dia só é quase como um feriado da alma. Descansa, aparece bonita, mas não muda a rotina.
E no fim, eu fico com essa sensação meio irônica, meio melancólica… de que a gente sabe o caminho, só não gosta muito de caminhar nele por muito tempo.
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A mente humana é uma peça teatral. A vida é um grande teatro; nós somos artistas dos nossos próprios teatros imaginários.
0277 "Quando minha namorada me levou ao teatro, eu percebi: A peça era diferente, o público, não! Gritinhos, suspiros, sussuros, pipocas mastigadas, celulares tocando, conversas intermináveis e... E aquela coisa de ter que aplaudir, de pé, no final."
A Peça da Minha Vida
Às vezes sinto fome de vida, sabe? Sinto um enorme desejo de realizar meus sonhos, ganhar o mundo. Às vezes, até penso em alongar meu tempo, mas tenho receio de que toda essa dor física, que piora conforme a idade avança, me leve à loucura, ou pior, me impeça de ser dona da minha vida, assim como da minha morte.
A morte assistida não é sobre desistir da vida, mas sim não aceitar desistir dela! Não aceitar viver uma vida sem propósito ou possibilidade. Não aceitar, justamente por se amar muito, sentir tantas dores físicas a mais, além do risco de estar sozinha no pior, sem ter uma mão a quem recorrer no desespero, seja físico, emocional, ou ambos. É sobre não aceitar perder a minha autonomia, tornando a vida, verdadeiramente, insuportável a cada segundo.
A minha decisão não tem haver com tristeza, apesar de sentir tanta dor física afetar sim o nosso emocional em algum nível, ainda que sutil. Tem haver com razão, com racionalidade, além de verdadeiro amor, empatia, respeito e carinho por mim. Não quero correr o risco de viver um insuportável ainda pior do que todos os já vividos até aqui. Não quero sofrer tantas perdas, o que, infelizmente, é tão inevitável na vida. Não quero o sofrimento, porque já sofri demais. E não quero uma morte dolorosa como a vida foi, mas sim digna, humana, indolor. Me recuso a ter uma vida não vivida, infeliz.
Quero realizar, viver! A vida não é medida, ao menos por mim, pela quantidade. Para mim, o mais importante, e a única coisa que vale medir, que vale a pena, literalmente, é a qualidade, não a quantidade. Às vezes vivemos uma eternidade em pouquíssimos anos, e não vivemos nada em mais de um século. Se sou apenas eu por mim, que eu tenha a melhor e mais épica vida! Que nos poucos anos que me restam, eu tenha uma eternidade de realizações, conquistas, e deixe o meu legado. Que eu me orgulhe ao ver o fechar das cortinas, e possa me despedir das pessoas que mais amo. Que seja um sucesso a peça da minha vida!
- Marcela Lobato
"No tabuleiro da existência, a peça de ouro e a peça de madeira voltam para a mesma caixa quando o jogo termina. O que fica é o rastro de bondade que você deixou."
A CRIANÇA QUE HABITA EM NÓS - SENSAÇÕES
(Peça para alguém ler para você)
Hoje aqui eu convido você
A viajar comigo nesta história.
Esvazie a sua mente
Feche os olhos e apenas ouça
Minha voz suavemente.
Pronto, voltaste a ser criança.
Aproveite, não há mais ninguém em volta
Só você e sua velha infância
Ali no cantinho, veja!
Quanto brinquedo empilhado.
Há um que você gosta mais.
Dá pra ver.
Vá pegá-lo!
Uau! que bela recordação!
Há quanto tempo você não brincava?
Não recordavam-lhe as boas lembranças?
Sensações de criança
Que se foram e não voltam mais.
Aproveite, ainda estamos aqui.
Quanta inocência e rebeldia!
Você foi travesso um dia.
Quanta calmaria
E ansiedade para brincar
Como se o tempo fosse só seu
E o mundo girasse ao seu redor
Como se não houvesse problemas
E a dor fosse uma só,
A de ralar o joelho,
De arrancar o tampão do dedão,
De bater a cabeça ou levar um escorregão,
Mas não importa.
Tudo passava, você chorava,
Se encantava de novo e ia...
Quanta alegria!
Eu acho que toda infância nos remete a um pé de manga,
A um grupinho de amigos doidos,
A um clubinho, algumas construções vazias
Que serviam de labirinto para brincar de polícia e ladrão,
A uma cozinha pequena, porém limpinha,
A vó gritando e fazendo o almoço,
“Come tudo menino: - ‘tô’ de olho.”
O banho de chuva gelada, na lama ou na calçada,
As brigas com os irmãos,
A bola na casa da vizinha chata,
À noite, a mãe esperando você, com a varinha na mão...
Tudo era maravilhoso e tão simples.
Hoje como a gente aguenta?
Quantas virtudes eu tinha, quão sortudo era eu.
Desculpem-me quem não viveu assim,
Mas, pra mim, foi assim que se valeu.
Que saudade imensa de ver girassóis.
Hoje eu não vejo mais, é como se tivessem sumido,
É como se tivéssemos escondidos
Como a criança que habita em nós.
"Socorra-se no Pai Celestial em sua angústia. Em qualquer momento de desespero, peça a Ele e clame por Ele. Peça a orientação necessária, e Ele trará a calmaria ao seu interior para que você possa pensar e ter sabedoria sobre o que fazer. No momento em que você pedir, a bênção virá."
Vai com calma meu filho, reze a Prece da Serenidade, peça a Jesus para tirar todo o estresse que com certeza tudo vai passar. Viva um dia de cada vez. Só por hoje o amanhã a Deus pertence! Beijos e abraços de todos nós que te amamos muito.
Rumo à vitória:
Se você quer voar
Sem direção
Peça asas aos anjos.
Se você quer correr
Sem parar e desmaiar antes do fim
Peça um empurrão ao amigo.
Mas se você quer caminhar
Com fé e paz no coração
Segura na mão de Deus!
"Para a atriz de Hollywood, eu sou apenas um número. Para o destino, eu sou a peça que falta no quebra-cabeça da vida dela. Ela prefere os aplausos de estranhos ao amor de quem conhece sua essência."
Minha mente é um quebra-cabeça sem imagem final, onde cada peça parece deslocada, sem encaixe possível, e ainda assim eu insisto em montar algum sentido, como se desistir fosse admitir que tudo foi em vão.
Olhe para o espelho e peça desculpas à pessoa que você vê ali por todas as vezes que a obrigou a caber em molduras pequenas demais para a sua imensidão. A imperfeição é o que nos torna conectáveis, é através das nossas rachaduras que a humanidade do outro encontra morada e sentido. O caos não é o presságio do fim, é o estado vibrante que precede qualquer ato de criação verdadeiramente sólido e transformador.
- Tiago Scheimann
Estou recolhendo os meus cacos. Vai demorar, mas prefiro ser um mosaico quebrado do que uma peça inteira no seu jogo.
