Nao Amplie a Voz dos Imbecis
SE CADA ESTRELA TIVESSE VOZ?
Imagino as estrelas no céu...
Como as afinadas coristas
Desempenhando o papel
De encantadoras artistas...
Imagino a magnânima lua...
Imponente como o regente
E sobre a orquestra flutua
Brilhando energicamente...
Se cada estrela tivesse voz?
Acalentava a todo espírito
E toda a música viria até nós
Tornar cada dia mais bonito...
Se cada estrela soasse canto?
Desde o inverno ao verão
Nenhum triunfo seria tanto
A controlar tamanha emoção...
(SE CADA ESTRELA TIVESSE VOZ? - Edilon Moreira, Agosto/2023)
Amor em Silêncio
Você é o incêndio que arde em silêncio,
O nome que ecoa em minha alma sem voz.
É o amor que desafia o tempo,
Mas que a vida, cruel, separou de nós.
Teu toque ainda vive em minha pele,
Teu cheiro é brisa que nunca se desfaz,
Teus cabelos, seda em noites de sonho,
Teu corpo, refúgio que a realidade me traz.
Foste o sim escondido atrás de um não,
O desejo que se fez negação.
No abismo entre o querer e o poder,
Você é o amor que eu não pude viver.
Guardei-te entre os labirintos do pensamento,
Onde ninguém mais pode tocar ou saber.
És meu segredo mais ardente,
A paixão que escolhi não dizer.
E mesmo que o mundo jamais descubra,
Meu coração conhece tua imensidão.
És o eterno amor da minha vida,
Condenado à prisão da minha razão.
"A guerra grita, mas a paz sussurra — e é na voz suave do amor e da compaixão que Deus nos chama a viver como irmãos."
CONGRESSO EM ÓRBITA
(por um poeta em Marte)
No púlpito, a voz acadêmica
Simula um fervor de retórica,
Mas tudo que exala é política
Com gosto de névoa catártica.
Promete um país de harmonia,
Com leis de fachada plástica,
Mas trai, na proposta utópica,
A ética em curva pragmática.
Do claustro marciano observo
Os jogos em tela lunática —
Debates que brilham sem verbo,
Em marcha de lógica tática.
A esperança, agora sintoma,
Veste um glamour de crendice.
A Terra adormece em diploma
Assinado por sua mesmice.
E eu — sem consolo ou doutrina —
Risco um rastro que vacila,
Um canto sem lei nem figura,
Brindando ao vazio com tequila.
Projetei no outro o espelho da minha alma, e na sua voz busquei a resposta que acalma:
Diga-me, quem sou eu? — pergunta que reclama, ser eu, senão o eco que no outro se inflama.
Os grandes comunicadores mantêm o mesmo tom de voz do interlocutor.
O desejo da voz, que vem de dentro do pensante sobre a ética que supera, até o latente da carne que é o real, não aquieta a indagação que ecoa no fechar dos olhos.
Oro aos deuses sobre corrigir minha conduta, encobrindo em voz alta a distante voz, mas ensurdecedora que diz que é minha natureza.
O frio tem voz...
Ele fala no silêncio das madrugadas, no vento que corta a pele, no vazio das ruas desertas.
O frio sussurra ausências, revela solidões, convida à introspecção.
Mas também ensina: é no frio que se valoriza o calor, é no inverno da vida que se aprende a força da esperança.
Toda estação fala. E o frio… também tem voz.
Quando a Última Luz se Apaga
No silêncio que resta após a voz,
Ouço apenas o eco do que fui.
A saudade não fala — ela dói,
Como o peso de um mundo sem rui.
O tempo, esse traidor sem rosto,
Levou tudo o que me fazia viver.
E deixou um coração exposto
A lembrar sem poder esquecer.
Os risos morreram nos cantos da casa,
E os quadros, sem cor, me acusam em vão.
Cada passo é um corte que atrasa
A cura de tanta desilusão.
Eu amei com a força de um naufrago,
Gritei teu nome ao vento surdo.
Mas a vida, com seu verbo frágil,
Sussurrou: "você chegou tarde, é o absurdo".
Já não sei o que sou — sombra, poeira,
Ou só alguém que o mundo esqueceu.
Só sei que tudo que era bandeira
Hoje é trapo que o tempo comeu.
E quando a última luz se apagar,
Que não chorem, que não digam meu nome.
Pois quem morre sem mais esperar
Já morreu bem antes da fome.
Ninguém Te Copia
Falei de você pra uma tal de inteligência
Tentei descrever tua voz, tua presença
Mas faltou calor, faltou emoção
Não tem tecnologia que entenda o coração.
Mostrei tua foto, contei teu jeitinho
Até mencionei o sabor do teu carinho
Mas não teve jeito, ficou tudo vazio
Você é um amor que não cabe num fio.
E eu pedi desculpa por tentar te explicar
É que amar demais faz a gente exagerar.
Mas ninguém te copia, ninguém te traduz
Você é milagre, é estrela com luz
Não dá pra programar teu beijo, teu olhar
O que eu sinto por ti, não dá pra simular
Você é única, inteira e eu queria só minha
Nem o céu com seus dados te adivinha.
Se um dia o mundo tentar te inventar
Vai ver que o amor não se pode criar
Você é poema que só eu sei ler
E tudo em mim só sabe te querer.
É, a dor virou livro,
e o silêncio agora tem voz.
Cada linha, uma cicatriz.
Cada página, um grito disfarçado.
Escrevo pra não explodir.
Respiro entre palavras afiadas.
Viver doeu.
Escrever salvou.
Existem aqueles que provocam apenas com o sopro da presença, o timbre da voz, o olhar que arde sem pressa, o gesto que acende devaneios sem precisar tocar, nem toda nudez é explícita, Há quem enlouqueça sem jamais se despir.
Talvez te falte brilho,
ou aconteça fora do trilho.
Ó voz que exala fortemente,
pulsante ao peito veemente.
Sons do amor geram lembranças,
morte leva amados, tempo, heranças.
