Nada Pior que o Silencio
SONETO EM SILÊNCIO
Este é o azarado malfeito no amor
Que os sonhos afoga na garganta
E, solitariamente, vive no dissabor
Aos olhares outros nunca encanta
Deixado, no escuro e sem assessor
Vaga. E, ao cabo de solidão tanta
No desejo pouco coexistiu amador
E com o tempo o vazio só agiganta
Coração deserto, lágrimas e pranto
O silêncio no peito é um pesar tonto
E aos lábios frios a carência acaricia
Num beijo sem calor e sem manto
Onde está sensação é sem pesponto
E a emoção sem apaixonada poesia
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23/03/2020, 06’45” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
" Evitemos toda palavra inútil, da qual devemos prestar contas a Deus...silencio! E será assegurada a pureza da alma...atentas...atentas para não manchar o candor virginal com palavras e talvez com discursos não de todo oportunos a virgens consagradas."
NÃO CHORE O AMOR
Não chore nunca o amor perdido
No silêncio sombrio da sofreguidão
Deixai ir, à solta, o luto da emoção
Na dor de o afeto vão adormecido
E quando, à noite, o vazio, for valido
Abrolhai, no peito, a doce recordação
Pura, e feliz, das horas em comunhão
De outrora, e na história de ter vivido
Lembrai-vos dos enganosos, dos idos
Das sensações com haveres divididos
E das maquinas que te fez quiçá doer
E, ao considerar, então, a tua perca
Vereis, talvez, como é frágil a cerca
Da divisão. E que é possível esquecer!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24/03/2020, 10’41” - Cerrado goiano
Do ruído ao silêncio
O ruído dos motores dá lugar aos sons das pisadas firmes, de quem tem pressa de chegar. A chave que abre e fecha rapidamente o portão; as portas entreabertas, e a família se reúne novamente.
A pressa acabou, mas acabaram também os abraços e beijos de fim de tarde, no cessar da correria.
Conversas não te graça, melhor não ter tempo de tê-las; lágrimas, preocupações e excessos de cuidados, agora ocupam o tão precioso tempo.
Agora o tempo sobra, não tem como ocupá-lo. O vazio, o inesperado, o medo, angústia em tempos sombrios.
O olhar perdido, não encontra o que procurava até o amanhecer. O mesmo vento que leva as boas lembranças, traz as incertezas do amanhã.
A paz não pode ser conquistada num tratado de silêncio e apatia, é preciso promover o escândalo necessário para que dela sejamos detentores um dia.
Quanto mais inteligente torna-se uma pessoa, proporcionalmente ela evoca o silêncio e troca a fala por observação e análise.
A cidade está em silêncio, não se ouve mais o barulho feroz de uma população apressada. Parece que finalmente descobrimos o quanto somos pequenos.
Nos imaginamos por muito tempo como os seres mais inteligentes, mais fortes, imune a qualquer coisa que tente nos atingir, hoje percebemos que o invisível nos mata, que estamos aqui de passagem e muitas vezes passamos sem aproveitar.
Descobrimos que sentimos falta, que lágrimas caem ao nos distanciarmos por obrigação daquele que amamos, mas passamos uma vida inteira adiando nossa presença.
São tempos de reflexão, de percebermos o quão insignificantes somos e que o amor e a gratidão são mais valorosos que uma conta bancária gorda.
Hoje estamos presos, amedrontados por incertezas e rezando pelo mundo, nessa hora lembramos de Deus né? Nessa hora nosso dinheiro não tem tanta importância.
Hoje ficará guardado na memória como o dia em que realmente precisamos de empatia, de demonstrar que amamos, de sermos agradecidos, de dizer aquilo que tínhamos vergonha, de expressar o nosso muito obrigado e gritar saudades.
E então veio o silêncio
Eu pequei senhor
Eu nunca fui um bom filho,
Pequei em minhas palavras.
Pequei nas minhas estradas.
A minha cruz não carreguei.
Aos meu luxos me entreguei. . .
Engasguei com meu orgulho,
Apodreci com minha ganância.
Inclusive, sublime,
Tão forte foi meu egoísmo
Que eu tive sucesso absoluto,
Intocável. Minha arrogância me levou as alturas.
E então me abandonou. Lá, sozinho... Sem ninguém.
Até de ti me esqueci, até temor a ti perdi.
Ó senhor, perdoa-me
Por que eu não peço, eu não falo.
Enquanto nós falamos, não ouvimos. Somos surdos.
Eu sou ascensão em transição.
Cruzaria o silício, impecável e limpo.
Mas ninguém tem o meu testemunho.
Eu cresci. Eu vivi.
Eu me arrependo pra recomeçar
É no silêncio da madrugada que encontro a paz, me inspiro e olho para o céu, vejo as estrelas e no brilho delas contemplo a vida!
As vezes no silêncio do meu quarto eu te vejo em devaneios,Não derivados do álcool não se bebe álcoois e coleciono cachecóis,Deixe me ir preciso me desprender de mim.Ver o amanhecer com vc ou apreciando a minha própria companhia,O silêncio dói transforma e interfere no desenvolvimento,Um cata vento sopra Meus cabelos sobre um jardim imaginário,Onde eu e vc somos felizes,Porém mais um devaneio me faz cair no sono ou esperar pelo melhor.
" FRAGA CRUA 🌹 ENTRE A SERRA"
Encontro um silêncio incompleto numa fraga
De musgo de tantas saídas sobre os labirintos no trilho
Ausência que se exibe solitária adormece num corpo exposto
Veredas no caminhando de fragas escorregadias na serra
Peregrino sem conseguir ver o mundo a mover
Compasso firme deste caminho estreito da serra
Diante de mim sozinha há um vínculo
Que me prende nesta subida que tento ser neste combate
Uma vencedora, mas não é pela morte que tanto me persiste
Sou como uma fraga nua e crua posso cair porque exijo demais
Emoções que descobrimos encontramos no sossego
Da alma ferida e sentida tem sede de amor, alegria, sorte, desejo
Pensamento que esqueceste e sentiste no afogamento das lágrimas
Procurando um sorriso sem tristeza ou dor feito em harmonia
Hei de escrever-te um poema na ardósia preta dourada
Seara de trigo entre a fraga
As vezes no silêncio da escuridão do meu quarto, trajando tão somente uma camisola fina de escuro cetim, me pego a olhar fotos antigas ouvindo músicas de outrora, degustando uma deliciosa e gelada taça de vinho na agradabilísdima companhia da solidão amiga.
Para uns, esta seria a pintura de um quadro sombrio de solidão, mas para mim é a mais completa liberdade.
Hoje, a saudade de ti. Veio. Donde viera?
Dum vazio? Ou do silêncio que profetisa
Rima de dor. Ou do amor, quem me dera
Tua lembrança me veio como acre brisa
Vi-te primeiro o sorriso tal a primavera
Em flor. Depois me veio o que divisa
Tua alma da tua tão especial quimera
E de novo me encantei a graça concisa
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26/03/2020 – Cerrado goiano
