Mudar de Cidade
Vem Andar Comigo
Vou andar de skate, coloco o fone,
E vou remando pelas avenidas da cidade,
Mandando umas tricks, curtindo o momento,
Kickflip, hardflip, switch e shove-it pela liberdade.
Mas, enquanto eu ando, penso em você,
Imaginando nós dois seguindo o mesmo caminho,
Se não anda de skate, vem de patins comigo,
Só quero você por perto, dividindo esse momento.
Vamos sair sem saber onde vamos chegar,
Rir das nossas quedas e guardar cada lembrança,
Você do meu lado, eu sem vontade de voltar,
Porque qualquer lugar fica melhor quando você me acompanha.
Depois do rolê, uma pizza pra nós dois,
Um cinema, você encostada no meu ombro,
E talvez eu nem precise dizer nada depois,
Só olhar pra você e pensar: ainda bem que você veio comigo.
Você não precisa saber andar de skate,
Nem aprender todas as manobras que eu sei,
Só quero que você queira caminhar comigo pela vida,
Porque, no fim, meu melhor rolê sempre vai ser com você.
PRESENÇA ADVAITA
A travessia do ser que deixa de lutar contra si
A cidade ainda não dormiu.
O ar tem cheiro de chuva e café esquecido.
Há buzinas, passos apressados, vozes cansadas atravessando a noite.
Aqui dentro, a casa fecha as pálpebras e o corpo desaperta os ombros.
A respiração desacelera, como se o tempo, por um instante, perdesse a pressa.
Não é iluminação, é pausa.
Não é milagre, é o cansaço que aprende a sentar.
No intervalo entre o que se esgota e o que começa, algo desperta.
É mais sopro que ideia, mais pele que palavra.
Viver é sentir.
Sentir é o único gesto que não mente.
É quando você acontece.
Não chega, se revela.
Nada em você exige lugar, mas tudo muda à sua volta.
O ar fica mais leve, as sombras perdem pressa.
O silêncio ao seu lado tem temperatura.
Parece uma mesa posta no meio da alma.
Você toca o lugar em mim que sempre esperou,
e algo, enfim, consente.
Ainda com medo, eu consinto.
Não há urgência, há respeito.
A ternura não anuncia sua entrada,
ela simplesmente chega e fica.
O medo, visto de perto, se torna pequeno.
A dúvida, cansada, adormece na varanda do peito.
O que antes era abismo agora é chão molhado,
com marcas de quem passou e ficou.
O ser é o campo onde o medo e o amor se escutam.
Ali, o humano e o eterno se olham sem querer vencer.
Quando há escuta, o silêncio deixa de ser muro e vira ponte.
Antes da calma houve deserto.
Antes da ternura, ferida.
Já temi o que mais amava,
já fugi do que me curaria.
Até que o orgulho se desfez,
e a suavidade entrou pela fresta da noite.
Nem tudo em mim é paz.
Ainda há grito guardado,
e o eco às vezes volta sem aviso.
Mas ele já não fere, apenas me devolve à carne.
O amor que prende é medo disfarçado de zelo.
O amor que acolhe tem mãos abertas e chão firme.
Nele, dois seres se olham sem truques.
Ambos feridos, ambos atentos.
Sabem que o outro teme, e ainda assim permanecem.
Eu tropeço.
Duvido.
Às vezes quero trancar a porta e esquecer o mundo.
Mas é a dúvida que me devolve à fé,
essa fé pequena, feita de respiração e paciência.
Só quem sente profundamente aceita não entender tudo.
Com você, o tempo não desaparece, ele respira.
A casa continua casa, o mundo continua áspero.
Há contas, filas, injustiças e gente que carrega o dia nas costas.
Mesmo assim, algo em nós encontra um ritmo bom,
um espaço simples onde a ternura sobrevive.
Não busco eternidade, busco verdade.
Prefiro o instante vivido à promessa que não cumpre calor.
O que é real não morre, apenas muda de rosto.
A presença é o milagre discreto que sustenta o mundo enquanto ninguém vê.
Não há promessa, há encontro.
Não há destino, há travessia.
Você não chega, acontece,
como chuva breve em tarde quente,
lavando o pó do que restou.
A plenitude não está em domar os sentimentos,
mas em atravessá-los inteiros.
Quando compreendo o medo, o amor deixa de ser fuga
e vira casa com portas que abrem por dentro.
Nem tudo que acalma cura.
O silêncio também corta,
mas é corte que limpa,
como mar depois da tempestade.
Às vezes a luz arde antes de iluminar.
Às vezes o amor desmonta o que eu usava para me proteger.
Se o tempo nos afastar, a presença não parte.
O sentir muda de tom, como maré que recua
só para lembrar que voltará.
Você é travessia,
o agora entre duas incertezas,
a prova de que o amor pode existir sem fazer barulho.
Se o silêncio for tudo o que restar,
ainda assim haverá amor.
O que é verdadeiro não precisa ser dito.
O toque fica mesmo quando a mão já se foi.
A lembrança não pede voz,
a pele ainda sabe o caminho.
Ser forte não é erguer muralhas,
é continuar sensível quando o mundo pede dureza.
É olhar o outro e ver o mesmo espanto,
a mesma fome de não ferir.
Escolho te sentir.
Não para possuir, mas para reconhecer.
Não para vencer, mas para ser verdadeiro.
Se o sentir trouxer dúvida, que venha.
Que confunda e console.
Que assuste e cure.
Que desfaça o chão só para mostrar o céu que sempre esteve ali.
Entre nós talvez não haja nome,
e tudo bem.
O real prefere ser vivido a ser explicado.
O amor que nasce quieto é o que mais permanece.
Ele não disputa palco, respira.
É o som do ser se reconhecendo no outro.
Quando o ser se torna simples, o medo aprende a ouvir.
Nada precisa ser vencido quando é compreendido.
A sabedoria não nasce da força,
mas da entrega.
Do instante em que o ser para de fugir de si
e percebe que nunca houve vazio,
apenas verdade esperando espaço.
A cidade enfim silencia.
Uma janela apaga, outra acende.
O ar cheira a terra molhada.
E no reflexo do vidro, eu me reconheço.
O silêncio me olha,
e nele eu ainda vejo.
Desabafo de um orelhão
Tudo começou quando fui criado e instalados nas ruas da cidade
Há foi muito lindo eu era útil e todos me procuravam, também eu era jovem e bonito e um excelente ouvinte.
Fui portador de notícias, diminui as distancias, espalhei a voz ao mundo.
Transmiti notícias boas e outras nem tão boas assim.
Foram, milhares de vezes “Mamãe nasceu, nós ganhamos, deu tudo certo e assim vai” porem teve também as notícias tristes nos quais chorei junto “sou muito sentimental”
Foi um tempo feliz e eu era alimentado por moedinhas que todos chamavam de fichas, e assim podiam conversar por três minutos e era sempre uma emoção.
Os tempos foram mudando e começaram a colocar papel ao invés de moedinhas, mas tudo ainda era maravilhoso, mas o tempo sempre cruel, continuou passando e eu fui ficando velho e obsoleto.
Hoje já quase não me encontram nas ruas, perdi meu glamour, perdi minha utilidade.
Meu tempo está acabando só tenho noventa segundos, queria muito me despedir de você,
Queria falar adeus e dizer o quanto eu... TU,TU,TU,TU,TU,TU,TU,TU...
Muitas luzes da cidade somadas durante à noite ainda não são suficientes para brilharem mais do que a lua, considerando que mesmo com o seu luar menos luminoso, o brilho dela permanece imponente, caloroso como um olhar atencioso olhando com gentileza para a gente.
"O excesso de pó em nossa cidade é um crime que todos veem e respiram. Exigir que se limpe o ambiente não é só saúde: é uma questão policial."
* Rio de Janeiro (a Cidade "Maravilhosa" )
e o seu maior Réveillon do mundo e as suas menores prioridades sociais.
Enquanto o Réveillon da cidade do Rio de Janeiro é oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records como o maior do mundo, a chamada “cidade maravilhosa”
segue convivendo com altíssimos índices
de precariedade em áreas essenciais
como segurança pública, saúde e educação.
Soma-se a isso a recorrência de acidentes ambientais, muitos evitáveis, que resultam
em mortes e na perda de moradias, sobretudo entre as populações mais vulneráveis.
O título internacional rende visibilidade, turismo e manchetes festivas. Mas recordes não curam doentes, não educam crianças, não previnem deslizamentos, nem protegem vidas.
Há uma contradição gritante entre o espetáculo celebrado por algumas horas e a dura realidade enfrentada diariamente pela maioria dos cariocas.
Não se trata de demonizar a cultura, a festa ou o direito ao lazer coletivo. Carnaval e Réveillon fazem parte da identidade cultural da cidade e do país.
O problema central está na priorização orçamentária e no uso político do espetáculo como instrumento de distração social.
Gastam-se cifras exorbitantes em eventos pontuais, altamente visíveis, enquanto serviços públicos básicos permanecem cronicamente subfinanciados.
A pergunta que precisa ser feita , e que costuma incomodar, é simples e necessária:
-Não seria mais sensato que parte significativa dessas verbas fosse investida, de forma contínua, nos setores que realmente sustentam a vida cotidiana da população?
1° Educação de qualidade não gera aplausos imediatos, mas constrói futuro.
2° Prevenção ambiental não rende selfies, mas evita tragédias.
3° Saúde pública estruturada não vira atração turística, mas salva vidas.
4° Segurança pensada para além da repressão não estampa capas internacionais, mas garante dignidade.
O risco de se vangloriar apenas dos grandes eventos é cair na velha lógica do “pão e circo”, onde o brilho do espetáculo anestesia a crítica e normaliza o abandono.
Uma cidade não pode medir sua grandeza apenas pelo tamanho de suas festas,
mas pela capacidade de cuidar de seu povo todos os dias do ano.
Talvez o verdadeiro recorde que o Rio de Janeiro devesse almejar não seja o de maior Réveillon do mundo, mas o de uma cidade que investe com responsabilidade, justiça social e visão de futuro, onde celebrar não seja uma fuga da realidade, mas consequência de uma vida digna.
O meu maior desejo para os cariocas
(e também para todos os brasileiros)
é a conscientização a respeito.
Saúde e Serenidade!
✍©️ @MiriamDaCosta
Os donos de cachorros da cidade de Chiavari, no norte da Itália, terão que agora carregar uma garrafa de água para limpar o xixi do seu amigo de quatro patas durante os passeios.
As pessoas que não limparem o xixi de seus cães sofrerão multas de até 50 euros (cerca de R$ 202).
PS: Aqui na minha calçada por dia urinam uns 10 cachorros, minha cozinha fica perto do muro, nos dia de sol e calor temos que fechar a porta e janela devido ao MAU CHEIRO!!!!
Releitura de Jack Vigarista + Alegoria Poética Ficcional
O Nome que a Cidade Ainda Vai Lembrar
Criação da Releitura e Alegoria Poética Ficcional
Criada por: James Richard Ferreira Pantoja
Compositores da Canção Original
João Vitor de Oliveira Santos & Patrick Schmid
Seu nome é James — mas não se deixe enganar;
por trás desse nome engraçado, há muito a contar.
De tolo não tem nada, nem vive de aparência;
carrega no olhar, nas costas, nas mãos e na face
as marcas de uma longa experiência.
Vigarista nas histórias, de passado incerto,
entre o medo e o romance, segue pelo caminho deserto.
Bandido nas lendas, mestre em blefar,
faz da própria má sorte mais um motivo para arriscar.
No baralho, porém, há algo a seu favor:
o acaso lhe sorri com estranho fervor.
Quando a fortuna lhe fecha uma porta,
James embaralha as cartas e outra chance encontra.
Entre ases e reis, seu semblante permanece sereno;
guarda a própria mão como quem guarda um segredo.
O acaso espalha suas cartas diante de seus olhos,
mas James não revela o jogo antes do momento.
Pode perder uma rodada, sentir o azar se aproximar,
mas nunca deixa o medo seu pulso controlar.
Pois aprendeu uma verdade que poucos conseguem entender:
não é preciso ter as melhores cartas —
é preciso saber o que fazer com elas ao receber.
E nessa cidade, que hoje desconhece sua história,
amanhã seus feitos farão parte da memória.
Pois há façanhas que o tempo não consegue apagar —
e o grande feito de James ainda está por chegar.
Quando os sinos da catedral anunciarem o que o futuro escreveu,
todos saberão, enfim, por que seu nome sobreviveu.
Não será apenas fama, nem simples consagração;
será James transformado em lenda pela força de uma última mão.
E quando alguém perguntar quem foi aquele homem, afinal,
talvez a resposta pareça simples, quase banal:
um homem que aprendeu a sorrir diante da adversidade
e transformou cada revés em nova oportunidade.
Porque James jamais precisou controlar o baralho;
aprendeu a jogar com aquilo que o acaso lhe entregou.
Ninguém escolhe todas as cartas que recebe,
mas cada um decide como as coloca sobre a mesa.
Eu olho para as luzes da cidade. Exatamente iguais a mim. Sou parte dos espaços,movimento,vento.
Essa arquitetura grotesca que acolhe a nossa natureza se torna dinâmica, nos unifica, nos distancia e nos deixa a deixa: estamos todos, unidos em nossos próprios abrigos, convivendo com as sombras e esfinges.
É tempo de construir novos mundos,tomar conta uns dos outros,demonstrar afeto como se planta uma semente para dias menos duros e conversar com Deus.
Porque ele preserva a nossa parte mais bonita que resiste a estes tempos nebulosos. Pedimos por Paz,torcendo pra que alguém totalmente desconhecido que seja exatamente aquilo que eu seria para outro agora, abra a porta, nos tirando dos muros que construímos e nos diga que embora nesse tempo esteja cada um na sua,vai ficar tudo bem!
Lembro que quando era pequena,eu sempre imaginava me pintar por dentro de azul como o céu,era assim que eu sentia Deus,eu lhe agradecia por todas as coisas simples e lhe pedia para ter força para aguentar firme e foi conversando com ele todos os dias,que me fortaleci e aprendi que a parte mais linda do Amor,é construída em forma de prece.
MINHA CIDADE.
Eu quero a minha cidade de volta,
cidade roubada pelos políticos,
cidade furtada pelos malfeitores,
cidade agredida pela policia,
cidade abandonada pelos seus amantes,
cidade esquecida pelos políticos,
cidade punida pela justiça de Deus !
Eu quero a minha cidade que um dia foi maravilhosa,
cidade que hoje sucumbe a uma chuva copiosa,
eu quero a minha cidade de volta,
roubada por governadores e prefeitos,
eu quero a minha alegria de volta,
e ter de volta o orgulho de ser carioca.
eu quero a minha cidade maravilhosa,
cheia de encantos mil,
orgulho do meu Brasil.
Aqui não é Sodoma ou Gomorra,
aqui é o Rio de Janeiro,
alegria o ano inteiro,
e que não pode chorar tanto assim !
orgulho do meu Brasil !
.
O FENÔMENO DA DOR, DA MORTALHA E DA BELEZA.
Na antiga cidade de Valedourado, cercada por montanhas cobertas de névoa e bosques silenciosos, vivia uma jovem chamada Helena. Sua beleza era comentada em todas as ruas, admirada em todas as praças e celebrada em todos os salões. Seus olhos pareciam refletir o azul do céu após a tempestade, e seus cabelos escuros lembravam a profundidade das noites sem lua.
Desde a infância, Helena acostumara-se a ouvir elogios. Onde passava, recebia sorrisos; onde chegava, atraía atenções. Pouco a pouco, sem perceber, passou a acreditar que sua aparência era seu maior patrimônio e que a admiração dos outros constituía a medida de seu valor.
Os anos transcorriam suaves, como um rio tranquilo, até que o destino, esse velho mestre que ensina por caminhos inesperados, resolveu visitá-la.
Numa tarde de inverno, uma enfermidade grave atingiu a cidade. Muitos adoeceram. Helena também foi alcançada pelo sofrimento. Durante semanas permaneceu recolhida, entre febres e dores que pareciam consumir-lhe as forças.
Pela primeira vez em sua existência, descobriu que a beleza não era capaz de afastar a aflição.
O espelho, antes seu aliado inseparável, passou a revelar um rosto abatido, marcado pelo cansaço. A juventude ainda estava ali, mas a fragilidade humana tornara-se visível.
A dor fez aquilo que os elogios jamais haviam conseguido: obrigou-a a olhar para dentro.
Durante longas noites de insônia, observava pela janela as estrelas e perguntava a si mesma quem realmente era.
Se sua beleza desaparecesse, o que restaria?
Se os aplausos cessassem, quem permaneceria ao seu lado?
Se o corpo envelhecesse, onde encontraria sua identidade?
As respostas não vieram imediatamente.
A dor raramente fala alto.
Ela prefere sussurrar.
Quando finalmente recuperou a saúde, Helena saiu para caminhar pelas ruas da cidade. Notou algo que jamais havia percebido. Havia rostos marcados pelo trabalho, pela idade e pelas dificuldades da vida, mas que irradiavam uma serenidade que nenhum cosmético poderia produzir.
Conheceu então uma velha costureira chamada Margarida.
A mulher confeccionava mortalhas para os falecidos da região.
Helena estranhou aquele ofício.
— Não é triste trabalhar apenas com a morte? — perguntou.
Margarida sorriu.
— Eu não trabalho com a morte. Trabalho com a igualdade.
A jovem não compreendeu.
A idosa então explicou:
— Quando chegam até mim, ricos e pobres usam o mesmo silêncio. Vaidosos e humildes vestem a mesma mortalha. Os títulos desaparecem. As posses ficam para trás. A beleza física retorna à terra. Mas aquilo que a alma construiu permanece.
Aquelas palavras ficaram gravadas na memória de Helena.
Meses depois, a costureira permitiu que ela observasse seu trabalho.
Ali, diante das mortalhas cuidadosamente dobradas, a jovem compreendeu algo profundo.
A mortalha não era apenas um tecido.
Era um símbolo.
Representava o momento em que todas as ilusões humanas caem.
Nenhuma joia acompanha o espírito.
Nenhuma aparência atravessa os séculos.
Nenhum elogio resiste ao túmulo.
Apenas as virtudes seguem viagem.
A partir daquele dia, Helena começou a mudar.
Continuou apreciando a beleza, mas deixou de adorá-la.
Passou a visitar enfermos, auxiliar necessitados e ouvir aqueles que carregavam sofrimentos invisíveis.
Descobriu que existe uma beleza maior do que a simetria dos traços.
A beleza da compaixão.
A beleza da bondade.
A beleza do perdão.
Os anos passaram.
Seu rosto envelheceu como envelhecem todas as coisas da Terra.
As linhas do tempo desenharam-se em sua pele.
Os cabelos tornaram-se prateados.
Contudo, algo extraordinário aconteceu.
Quanto mais a aparência física diminuía, mais sua presença iluminava os ambientes.
As pessoas já não a admiravam por sua formosura.
Admiravam-na por sua alma.
Quando chegou sua hora de partir, muitos reuniram-se para prestar-lhe homenagem.
Entre lágrimas e preces, recordavam não sua antiga beleza exterior, mas os gestos de amor que distribuíra ao longo da existência.
E quando seu corpo foi envolvido pela última mortalha, parecia que a própria vida sussurrava uma lição aos presentes:
A dor revela.
A mortalha iguala.
A beleza verdadeira permanece.
Fundo moral
A dor é uma professora severa, mas sincera. Ela remove máscaras e nos obriga a encontrar aquilo que realmente somos. A mortalha recorda a transitoriedade de todas as conquistas materiais e da aparência física. Já a verdadeira beleza não pertence ao corpo, mas ao caráter, à inteligência moral e à capacidade de amar.
Consequências morais
Quem vive apenas para a aparência torna-se dependente do olhar dos outros e sofre quando o tempo lhe cobra o tributo inevitável da mudança. Quem cultiva valores interiores constrói um patrimônio imperecível, que resiste à enfermidade, ao envelhecimento e à própria morte.
Porque a dor pode transformar.
A mortalha pode ensinar.
Mas somente a virtude tem o poder de sobreviver ao tempo.
SOBRE O LIVRO: CIDADE NO ALÉM - ANDRÉ LUÍZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.
E A CONTINUIDADE DA VIDA ESPIRITUAL. PARTE I.
Cidade no Além: apresentado como introdução à obra mediúnica atribuída ao Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier em 17 de junho de 1983, constitui uma reflexão doutrinária de grande densidade filosófica dentro do corpo literário do espiritismo cristão. Trata se de uma exposição que busca interpretar, sob a ótica da continuidade da vida, o significado das comunidades espirituais descritas em Nosso Lar.
O autor espiritual inicia suas anotações reconhecendo o esforço de um colaborador espiritual denominado Lucius para transmitir aos encarnados alguns aspectos da colônia espiritual conhecida como Nosso Lar. Essa cidade espiritual é apresentada como um núcleo de trabalho, reeducação e organização social destinado aos espíritos que se libertaram do corpo físico, mas que ainda necessitam de reajuste moral e intelectual. A mediunidade de Heigorina Cunha, residente em Sacramento no estado de Minas Gerais, é mencionada como instrumento dessa comunicação espiritual, demonstrando o papel da mediunidade como ponte entre os dois planos da existência.
SOBRE O LIVRO: CIDADE NO ALÉM.
PELO ESPÍRITO: ANDRÉ LUÍZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.
PARTE II
O texto ressalta que, após a morte, o espírito leva consigo todos os elementos de sua vida interior. Ideais elevados, virtudes cultivadas, paixões desordenadas, ressentimentos, esperanças e conhecimentos acompanham a individualidade espiritual. A morte não transforma instantaneamente o caráter do ser humano. Ela apenas remove o invólucro físico, revelando com maior clareza a realidade moral da criatura.
Por essa razão, a desencarnação funciona como um processo de revelação interior. O espírito manifesta, no mundo espiritual, exatamente aquilo que é. Seu grau evolutivo, suas conquistas morais e suas limitações tornam se evidentes através da atmosfera espiritual que irradia. Essa atmosfera determina o ambiente em que o espírito se sentirá naturalmente integrado, pois a afinidade constitui a base da organização social no plano espiritual.
SOBRE O LIVRO: CIDADE NO ALÉM.
DO ESPÍRITO: ANDRÉ LUÍZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER .
PARTE III
Outro aspecto relevante abordado pelo texto refere se à pedagogia espiritual. A instrução dos espíritos desencarnados utiliza múltiplos recursos didáticos. A palavra falada ou escrita ainda desempenha papel fundamental na transmissão de conhecimentos. Entretanto, a telepatia e outras formas mais elevadas de comunicação espiritual tornam se progressivamente acessíveis à medida que o espírito desenvolve suas capacidades mentais.
Dentro dessa estrutura social, a afinidade moral aparece como a força organizadora fundamental. Espíritos com valores semelhantes naturalmente se aproximam e formam comunidades. Aqueles que já despertaram para a necessidade de aperfeiçoamento interior demonstram profundo respeito a Deus e ao próximo. O trabalho no bem torna se então o elemento central de suas existências.
A religião, nesse contexto, não se apoia em dogmatismos rígidos. A filosofia valoriza o pensamento elevado onde quer que se manifeste. A ciência assume um caráter humanitário, orientando se pelo ideal do progresso moral da humanidade. Em todas essas áreas, o objetivo final é sempre o mesmo. O desenvolvimento integral do espírito.
O texto conclui reafirmando um princípio moral presente no ensinamento evangélico atribuído a Jesus Cristo.
O Último Eco do Romantismo
Ainda que as luzes da cidade apaguem o luar, e o tempo corra sem pressa de sentir, eu continuaria a sentar-me à mesa e a criar, versos de um amor que muitos deixaram de ouvir.
Que me chamem de o último romântico da Terra, o guardião de uma chama que teimam em apagar.
Se o mundo lá fora se perder em sua guerra, eu venço os dias no simples ato de amar.
Mesmo que minhas palavras encontrem o vento, e flutue sem destino feito folhas no chão, sei que o silêncio do espaço acolhe o sentimento,
e o próprio universo compreende a canção.
Pois nada que é puro se perde do nada, nenhum sopro genuíno se desfaz em vão.
A vida,
em sua volta sensata e sagrada, devolve o afeto que sai do coração.
E assim escrevo,
sem medo do vazio, falando ao infinito o que a alma traduz em letras.
Se sou o último a cantar à beira do rio, que minhas palavras guardem o restinho de luz!
Na cidade, sou abençoada,
No campo, a Tua graça é derramada.
Em cada canto onde eu estiver,
Teu favor, Senhor, irá me acolher.
