Morre Lentamente Marta Medeiros
Morri no passado. Me enterro lentamente em lembranças. Me velo sem murmúrio. Infungível tristeza que detenho, e por ela sou consolado.
Minha casa esta linda e meu coração também...poderoso e nosso Deus que lentamente me preparou o banquete.
Dezembro 2017 já está no fim, terminal, acabando, suspirando lentamente... Farei a despedida com toda pompa que ele merece: agradecimento vindo do fundo do meu coração por ter superado obstáculos com determinação e na paz, sempre!
*
Até logo, companheiro!
Apenas direi um até logo
não pode mesmo ser um adeus
Serás usado como referência
nesta vida que Deus me deu
Com tombos e vôos constantes
lições valiosas me ensinaste
ficaram muito bem marcadinhas
na alma e carcaça que bem usaste
Foste companheiro aplicado
não és velho ficaste antigo
estarás no registro da vida
que usarei até como lenitivo
Tornaste uma folha no lixo
somente para o calendário
representas na minha vida
uma parte do meu relicário
Não chores nem fique triste
pois foste também celebrado
a vida tem seu próprio ritmo
hoje farás parte do passado
Vamos caminhar sempre juntos
saudando os que irão chegar
precisarei sempre lembrar-te
para coisas novas enfrentar
O TEMPO E A VIDA
A Vida ao Tempo rogou
Que andasse mais lentamente
Mas o Tempo, enfático, negou
Disse que tal dom não lhe pertence.
Então a Vida indagou ao Tempo
A quem pertence tal dom
De fazer ponteiros mais lentos
Dando ao mundo novo tom.
Sábio, o Tempo esclareceu
Que cada um tem o ritmo da vida
Dando a ela o tamanho que escolheu
Pode ser pequena, imensa ou perdida.
E continuou o Tempo, sem mentira:
Um minuto de ternura
Pode ser maior que uma hora de ira
Ou menos que um segundo de bravura.
A bravura pode salvar uma vida inteira,
A ternura pode curar todo um coração,
Mas a ira, a traiçoeira,
È contra a vida, é perdição.
Prolixo, como os que não têm pressa,
O Tempo se empolgou, depressa,
Querendo dar um alento
Para a amiga de tanto tempo.
Pense, querida Vida,
Naqueles que fazem o bem
Em cada minuto da vida
E nos que em si o mal detém.
Pense também, insistiu o Tempo,
Nos que pensam apenas na lida,
E nos que amam o mar e o vento.
Quem em si tem mais vida?
E nos que sorriem de toda maneira
Experimentando cada momento,
Contra aqueles em que o lamento
Dura uma eternidade inteira.
Então, querida Vida,
Quem tem mais tempo?
Aqueles que vivem a vida,
Ou os que só perdem seu tempo?
O Amor dói pela falta das benfeitorias nos costumes, deve ser sempre lentamente, até que o tempo perdure e cure.
Madrugada
Desfaz-se lentamente a bruma,
Meio que vermelha e assustada
Irrompe ainda sonolenta a manhã.
Não traz consigo os restos da noite vivida.
Chega mansinha sem querer ser notada,
Mas desastrada esquece-se que a acompanha o sol.
Quebra assim a última barreira da noite,
E derruba conquistadora as estrelas
Despendurando-as solenemente do céu.
E assim sorrateira sente-se traída,
Ela que trouxe o prenúncio da luz,
Vê-se vencida precocemente pelo dia.
Não tem saída, a não ser esperar.
Esconder-se muda na claridade diurna
E ressuscitar após o esplendor da lua.
Esse manto de obscuridade que você esconde atrás de si mesmo parece desgastado e frágil, lentamente deixando vulnerável o mais cobiçado dos segredos.
Que a saudade se faça presente sempre. Passe lentamente, sem machucar. Deixe uma semente Florida, linda, cheia de vida como esse brilho no olhar. Saudade não vira gente, mas aquece quem sente saudades de quem já foi.
Mas foi em partes, porque dentro da gente, ele está reluzente, iluminada, quente que as vezes machuca a gente.
Nunca chores de tristeza nem deixe que o tempo apague esse pensamento.
Já dizia um escritor: saudade é o amor que fica.
E assim, deixa ela ficar. Pois é nessa saudade que te faz viva cada momento, cada sonhar.
Saudades não é sofrer, saudades é lembrar que tudo valeu e essa saudade sempre irei levar.
ENTRE O REAL E O SONHO
Ela anda pelas calçadas centenárias
devagar, lentamente, admirando os detalhes que tem cada prédio,cada canto, cada pedaço que lhe rodeia.
Ela sente no ar um quê de solidão, de saudade
É um sentimento que penetra pelos poros, se faz sentir
em seu olhar carregado de devaneio...
Ela anda pelas ruas e parece fora do tempo, está longe do agora...
Há um quê de sonho...
Aqueles paredões de pedras, os mirantes, os nomes de ruas, as escadarias, os becos e o ar de passado tão presente...
A língua que ela fala para si mesmo, em brincadeira, tem sotaque carregado do português falado em sua terra de origem, Portugal...
Ah "última flor do lácio", como és bela! Pensa em seu sonho que vê bem perto de si o poeta Camões...
Ela vai seguindo...
Rua do Sol, Praça João Lisboa, Rua de Nazaré, passando pela
Praça Benedito Leite, indo, indo, passando pelo Palácio dos Leões, chegando a Beira -Mar, Praia Grande, voltando pela Rua de Portugal, entrando e saindo por aquelas ruas onde o passado parece tão presente que não se sabe se estamos neste século ou em trezentos ou mesmo quatrocentos anos antes...
Ela ama esta cidade, não se pode negar...
Ela, se pudesse,se transportaria para o passado, e tentaria conhecer o Daniel de La Touche, mas também amaria ver e falar com Alexandre de Moura... Iria ver com certeza e adorar, os índios daquela época.
Ela continua andando, devagar, seu olhar cheio de luz do que passou...
O sol a pino, bate em seu rosto e ela se vê no tempo presente, mas o ar impregnado de saudades do que ela não viveu mas tão real como se a cidade lhe tivesse passado toda a sua história como sendo seu...
(10/06/2017)
Raimunda Lucinda Martins
curta a vida lentamente.
beije.
curta o prô-do-sol.
caminhe.
faça alguém feliz.
dançe.
curta a noite.
seja feliz independe do dia.
Um aperto
Um vazio
Um querer sem fim
Lágrimas que lentamente
Tomam forma de pranto
Sinto o gosto do sal
Que forçadamente umedecem meus lábios
Líquido salobro
Que tempera exageradamente minha alma
Que um dia foi doce
Colhi uma rosa para ti, mas você partiu e lentamente a rosa também vai indo, e a cada pétala que cai, o meu amor como um câncer cresce.
Na estrada, parei as margens de um rio,
cansada de tentar,
As folhas se moviam lentamente com a brisa,
vi minha imagem refletida, e então...
O rio me disse,
imagine tudo que você pode imaginar, então siga em frente!!
Não pare, não desista!!
..
Eu sou um corpo sem alma
Neste mundo a vagar eternamente
Enquanto outros morrem lentamente
Eu estou morto a quase uma eternidade
Mais ninguém notou que o meu eu sumira
Então deixei que a magoa me consumisse e me tornei psicopata
Então, tudo começou a ficar escuro; lentamente, eu via imagens se destroçando na minha frente, coisas que estavam lá, e coisas que não estavam. Palavras soltas rodavam a minha volta, números e relógios me acertavam com pancadas fortes na cabeça. Eles se destroçavam enquanto faziam suas funções tortuosas. As pancadas dos relógios eram fortes, não era como sentir um relógio simplesmente batendo na sua cabeça, era bem mais profundo que isso, eles tentavam entrar em meus neurônios, roubar informações, com pancadas.
Chacoalhei minhas mãos em volta de minha cabeça, mas os relógios continuavam a me bater, os números continuavam a girar e as palavras continuavam a aparecer. Após essa tentativa em vão, tentei me levantar da cama, então o chão se desmontou na minha frente, os móveis do meu quarto começaram a andar pra traz na tentativa frustrada de fugir do desabamento, então resolvi tomar a mesma decisão.
Tentei me afastar do buraco que se abria, mas parecia que quanto mais eu andava pra traz, mais ele me seguia e se abria como um vulcão em erupção. O fundo do buraco não era preto, não era branco, ele não tinha uma cor definida, eram várias cores misturadas, jogadas aleatoriamente naquele buraco, elas formavam algo como uma sinfonia, as cores eram tão surreais que podiam se transformar em som, não um som desordenado, mas uma sinfonia, não uma sinfonia qualquer. O hino de Aletunia! O som se propagou pelo meu quarto em forma de cores e números, tentei escapar, mas eles tentavam me devorar, como se eu fosse uma presa de um caçador.
As cores foram se transformando em líquido, um líquido colorido e aleatório, que ia enchendo o meu quarto, com os relógios batendo em minha mente, tentei jogar o líquido pra fora de meu quarto, mas não era possível. Era como se o líquido não estivesse ali, mas ele estava me afogando, estava alcançando o meu joelho.
Era possível ver a parede descascando e se transformando no líquido que subia em meus joelhos, olhei a minha volta, aquilo não parecia meu quarto, não era mais meu quarto.
Eu estava em algum pedaço aleatório de uma galáxia distante, em alguma fenda de tempo desconexa à dimensão em que vivemos. As cores continuavam subindo, agora estavam em minha barriga, eu podia senti-las, sentir seu cheiro e até ouvi-las. Não ouvir elas em si, mas sim o hino de Aletunia.
Peguei as cores na mão, e elas foram seguindo pelo meu braço e tomando conta de mim, logo percebi que os relógios não me batiam mais, eles estavam se derretendo e entrando em minha pele, eu sentia ponteiro por ponteiro no meu braço. As palavras em latim agora estavam soltas no meio do líquido, dando mais cores a ele.
O líquido foi me afogando, lentamente.
Lentamente fui perdendo a respiração...
Lentamente perdi a consciência...
Lentamente me perdi...
Longe de você as horas não passam, os minutos tornam-se meses e arrastam-se lentamente em um tempo que não tem fim.
Lentamente o silencio foi invadindo a alma, acalentando a dor desse amor infinito que ficará em minhas lembranças. Você se foi arrancou o meu coração separando da alma, sem o direito de ao menos gritar seu nome, com você está, meu coração, os sorrisos que já não existem mais, os tons das cores, que já nem brilham mais! O que em mim restou só o amor que sinto por ti, nada mais é verdadeiro, apenas a dor que de ti não esquecerei já mais...
