Morno
"Não deixem a relação esfriar ou ficar tudo morno. Façam do namoro um casamento e do casamento um eterno namoro."
À tarde
O clima morno do Outono
as cores rosadas do entardecer
os vizinhos brincando com as crianças
Tudo me faz lembrar
lembrar das brincadeiras da infância
das pessoas que não estão mais aqui
Amanhã tem outra tarde
para me fazer lembrar
me fazer triste e feliz
Não gosto de nada meio morno,tenho um paladar exigente,tempere bem,sirva -me na temperatura que sente em nós.
Viver em cima do muro não é serventia para mim. O morno apavora-me. Sou profunda e o que não nasce devagar e naturalmente, intensificando-se em cada rebento, não deve entrar no meu mundo. Quero diluir-me em cada ponto intenso da vida e infiltrar-me em cada película infinita do Universo.
Semente
Eu permito...
que em meu colo, morno, plácido, te aconchegues
e, como faz o mar
com os seres viventes,
ele também te acalente.
Eu te concedo...
o meu sorriso, doce, brando,
o meu abraço, a te envolver intensamente,
e que ele te abrigue
como a terra faz com a semente.
Eu gosto do simples, mas não do morno.
Eu me apego a detalhes, sejam eles bons ou ruins.
Eu luto com todas as forças, mas quando vou embora não olho para trás.
O que eu (re)conheci no caminho, eu guardo.
Eu me desculpo, eu falho. Sou ser humano!
Sou simplicidade, sou reciprocidade, sou verdade.
E a verdade, é que eu gosto mesmo gente de alma poética.
Asco
A cabeça tonta cede a ronda
E o pescoço solto torno tomba
E o corpo morno compra
Um sorriso frouxo que assombra.
O corpo em retalhos
Quase um espantalho
Tenta disfarçá-lo
Um sorrir amargo
Um sentir tão asco
DIVAGANDO
As horas passam...
Eu me desgasto
Neste silêncio morno
Onde meus desejos recalcados
Minhas frustrações alimentadas
Levam-me à lugares que desconheço.
- Será a loucura?
Quem sabe é a loucura que me domina
Nestes vagos instantes que estou sem você.
Meu pensamento tem asas,
Sim! Tem asas como os pássaros;
E voa!...
De repente!
Um tiro no ar.
Enigma lírico
Em seu sorriso melancólico,
vi um fatalismo tácito
seguido de um silêncio morno
incompreensível
Subitamente
revelo-se o crepúsculo de um mito,
o fim da ilusão dolorosa...
A resseca dionísica do um festejo
carnal, onde quase virou apoteose
de um carnaval em Veneza...
Encenamos um ato da tragédia goethiana
a morte do sonho mascarado
que fez do mendico de Fausto
um Rei Lear, em seu apogeu
glorioso de terna insanidade e lucidez
antes da traição lírica da musa
ao poeta da divina comédia
do amor platônico.
Reencontro efêmero
Você é capaz
De reativar o meu amor
Transformar o morno em voraz
Me fazer ressentir o sabor
De uma paixão nada fugaz
Cada palavra
Cada olhar
Me motiva acreditar
Que esse amor nunca se acaba
E muita coisa vai rolar
Pode parecer inocente
Mas esse amor transcende
Quem foi maledicente
E ninguém compreende
O porque de voltar tão de repente
Parecia o fim
O estopim
De uma relação prematura
Ou seria madura?
Que não entrou na moldura
É fácil querer ser feliz
E esquecer que por um triz
Uma relação desaba
Não sobra nada
O amor parece que acaba
E ninguém faz nada
Depois começa o tormento
É só sofrimento
Cada um em seu desalento
Pensando que por um momento
Podia ter sido feliz
Tudo tem o seu devido tempo;
Para tomar uma sopa deliciosamente bem, têm que se tomar morno;
Nem quente...
Nem frio...
Morno.
Cotidiano
Quente, morno, frio
Preto, branco, cheio e vazio
Claro, escuro, fim do mundo
Sentido, amigo, eterno abrigo
Sorrir, brigar, deitar e sonhar
Contar, chorar, extravasar
Noite, céu, calor do dia
Nuvens brancas, chuva, agonia
Liberdade, linda felicidade
Paixão, amor, caridade
Criança, menino e menina
A paz, a bela, saudade antiga
Porta e janela a alma da Vida!
Tudo nela é intenso.
Morno com ela não rola.
Nem no café, muito menos no amor.
Pois ela é fogo que queima.
E mar onde quero mergulhar
E virar imensidão de nós dois.
Não tenho vocação para o morno, ou vem com tudo pra mim ou não queira nada, não venha me oferecer inconstância, sou fã da regularidade e tenho apreço ao que é de verdade.
És tu que tiras-me o sono
Molhas-me com o líquido morno
Por ti, punha a mão no forno
Tu não tens dono tens filhos em seu trono
És tu que atravessas mares, em todos os lugares
Conquistas para amares
Propagas-te pelos ares como bombas nucleares
Ignoras olhares e conforto dos lares
Com a verdade andas aos pares
Malícia vares, tocas em bares
Em auriculares, seguidores tens milhares
És resistente, como os pilares
És tu o inimigo dos políticos
Pelos temas críticos e verídicos
Causas e efeitos deixas explícitos
Em curto tempo expões
Problemas em poemas rítmicos
És tu criação da mentalidade negra
Aceitamos-te não, precisamos de uma adaga
Em termos de raça, sua visão é cega
Branco, Negro até Amarelo tu não negas
Foste fragmentada ao passar do tempo
Ganhaste ramificações «bounce» por exemplo
Discípulos que fazem do estúdio seu templo
E os que usam-te como profissão, cairão com o tempo
És tu razão da minha metamorfose
Uma mente e um espírito no corpo simbiose
Tu bem sabes que abuso da dose
Se fosses droga morreria de overdose
Tornaste-me marujo neste mar de letras
Metaforizaste os remos em canetas
Provérbios e aventuras anoto em sebentas
Não precisas de cadernetas aqui não há tretas
És mal interpretado, não és culpado
O teu afilhado é que tem-te marginalizado
Empenhado no pódio e no trocado
E outros preocupado em deixar o pessoal informado
Tu cá em África és considerado vício
Em América, és como ofício
Mas continuas uma arma desde o início
Sabes o que fazer no momento propício
És tu o dedo na ferida, do político e sua política enfraquecida
Forneces ao pessoal o que censuram no jornal
És a reflexão lógico-racional em nível mundial.
Tenho medo do morno, não me atrai a ideia de caminhar em cima do muro. Gosto da altura das emoções e fujo constantemente do medo rasteiro que impossibilita a alegria, o novo, o manejo.
Se for pra viver, que seja transbordando de emoções e sorrisos.
Lágrimas? Ouvi dizer que existem e que são salgadas, mas doce é minha esperança e alegria de viver!
Sobre a sexualidade...
O morno pode aquecer, o quente arde a valer, o frio estagna... Mas sempre se pode aprender!
