Moradores de Rua
Eu sou feito uma ave perdida do bando, na revoada,
Como uma ovelha longe do seguro rebanho,
Eu me perdi no meio da escuridão e da maldade.
Rua
Rua escura, sem saída
Sombras se movem na sarjeta
Um grito ecoa na noite
Um corpo é arrastado
Rua fria, sem alma
O vento sussurra segredos
Um choro é ouvido ao longe
Um espírito vaga
Rua perigosa, sem vida
O crime impera na esquina
Um assassinato é cometido
Um cadáver é jogado
Rua macabra, sem esperança
A morte é o único destino
Um funeral é realizado
Um caixão é fechado
Rua tenebrosa, sem futuro
O medo é o único sentimento
Um pesadelo se torna realidade
Um terror sem fim
Á noite,
...sob ecos que figuram encobrimentos e desembaraços,há rostos em descoloridas telas,que delineam, meu oculto ,EU...!
MOTE: NA RUA DO ORIENTE TUDO ME FAZ REVIVER
UMA SAUDADE DE MENINO.
No anzol fisguei piaba no Acaraú.Em casa servia de almoço
Mamãe na cozinha fritava.Doze horas era aquele alvoroço
A rapadura nosso tira-gosto.Não sobrava pra ninguém
No fogão, o cuscuz bem quentinho.
Isso me fez amadurecer
NA RUA DO ORIENTE TUDO ME FAZ REVIVER
UMA SAUDADE DE MENINO.
Eu fico tanto tempo sonhando com a minha futura namorada que eu posso até já ter esbarrado com ela na rua, mas nem percebi.
AURORA DA MINHA VIDA
Andei na Rua da Aurora
quando era colegial.
Ao sair da minha escola,
todo dia era igual.
As pontes atravessei
na fase que mais amei,
no meu tempo jovial.
Mudanca vida afora,
Num ilimitado de ruas
Escuras
Rústicas,
Perdi livros,
O livro de mão em mão ,nasce.
O mesmo acontece com a vida!
O jovem de Periferia precisa saber que a sua evolução virá quando ele perceber que o assunto passado na lousa é mais importante do que o tênis na vitrine...
Vou mijar no poste da rua e está tudo bem
jogar lixo no chão e andar totalmente nú
andar de terno na chuva, abrir meu escritória sem esperar por ninguém
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
na cidade do além
Comer lixo com sabor de ketchup
jogar meus livros na rua pro mendigo ler
rasgar dinheiro e falar pra alguém I love you
viver na rua esperando um dia morrer
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
na cidade sem você.
E vou vivendo pra ninguém me conhecer
sou louco nesta rua, sozinho,
sozinho com vontade de te ver
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
esta cidade é uma rua sem você.
Ouço o grito da rua rouca
o brilho da loucura
essa mente muito louca
é a felicidade da doçura
Vou viver feliz na rua de Raul
na cidade de Raul
Na rua de Raul
na cidade com esta rua, de loucura
só nesta rua se cura!
Realidade Indigesta
O quê que eu vou comer?
O brado retumbante cravado nas ondas sonoras do universo, meu estômago que fez gemer.
Como pode a clava forte a mão de um povo, linchar o meu direito de comer?
O quê que eu vou comer?
Se só me restaram essas lágrimas amargas pra beber.
Pegue o chão de cabeceira,
As estrelas de cobertor,
O frio por companheira,
A prece por um clamor.
Não reconheço esse bicho,
Atrás do dulçor da maçã revira lixo,
Pra não desmamar o menino e vê-lo crescer
Come, mesmo sem ter o que comer.
O quê que eu vou comer?
Uma reza
Me desperta na matina um banho de água fria,
Quem perdura na miséria não merece nem um bom dia.
O vazio e o soluço, queima mais do que azia,
Cadê aquele povo meu Deus?
Que tanto dizem ser dos seus e só falam de empatia?
O quê que eu vou comer?
Os rosto antes desnudo se veste na sujeira,
Os poucos dentes que restam só servem pra roer o osso,
Quem caiu no fundo do poço,
Não sorri pra qualquer bobeira.
O quê que eu vou comer?
Se até quem come, não consegue comer bem.
Quem muito tem, nada divide.
Quem pouco tem, partilha e transgride.
Quem nada tem, que a sorte duvide.
É difícil acreditar na invisibilidade que se constrói,
Parece que o ser em mim aos olhos deles se corrói,
Não sou visto, não sou quisto, nem parece que sou gente.
Mas se tem bom coração,
Joga um pão meu irmão,
Minha fome é urgente.
O quê que eu vou comer?
Um foguete no espaço
A adefagia em mim me iguala a um animal,
A miopia deles não os fazem especiais.
Quem sabe eu fique rico, ganhe um tostão a mais
Pra queimar em combustível das corridas espaciais.
O quê que eu vou comer?
Um pão ou uma poesia?
A Deus eu somente peço,
Que todo irmão tenha acesso ao pão,
Não enfrente um dia o quinhão
De não ser visto e virar verso.
Aleksandro Silva
Sua vida vai passando despercebida pelas ruas do Catete. Diferente de nós, ninguém reza por ele, ninguém chora por ele, nem velas serão acesas para ele... Contudo, graças ao passaporte da bem-aventurança, irá logo logo para o céu, igual a todos nós!
